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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Jerusalém: a cidade mais importante da história


A revista “Super interessante” (edição 249 – fev/2008) que está nas bancas publica, como reportagem principal (capa), o tema “Jerusalém: a cidade mais importante da história”.

Defesa de Dissertação de Mestrado: O Essenismo como paradigma de identidade judaica

Defesa de Dissertação de Mestrado

Alexandre Bermúdez Bagniewski, O Essenismo como paradigma de identidade judaica, Dissertação de Mestrado, Ciências da Religião, UMESP, 14/02/2008, 10 horas, com Paulo Nogueira (orientador) , Pedro Paulo Funari e Archibald M. Woodruff.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

ComCiência, Tema: "Ciência e Religião"

Revista Eletrônica de Jornalismo Científico
ComCiência, número 65 de maio de 2005.

Tema: "Ciência e Religião".

Editorial
Depois da queda
Carlos Vogt

Reportagens
Entre o conservadorismo e a aproximação

O direito de morrer

Jesus: mitológico ou histórico? Sobretudo, literário

Mulher ou sociedade: quem decide sobre o aborto ?

Pode a fé curar ?

Ciência e religião. Discursos nem sempre conflitantes

Arte opõe razão e fé

Artigos
Ciência e religião
Geraldo José Paiva
Desafios atuais aos estudos das religiôes
Silas Guerriero
Cientistas e religiosos
Carlos Ziller Camenietzki
Perspectiva geográfica para o estudo da religião
Zeny Rosendahl
Pentecostais e política no Brasil
Ricardo Mariano
Mídia e religião: os espectros continuam a rondar...
Joanildo A. Burity

Poema
Pisca-alerta
Carlos Vogt

Créditos
Créditos

Educação em Direitos Humanos para o Século XXI

Educação em Direitos Humanos para o Século XXI (Organizadores: George J. Andreopoulos; Richard Pierre Claude - Tradutora: Ana Luiza Pinheiro - São Paulo, EDUSP, 2008) é uma abrangente fonte para o treinamento e a educação acerca dos direitos humanos e suas liberdades fundamentais. Os colaboradores são ativistas experientes, especialistas em educação e representantes de diversas organizações governamentais internacionais. Em seus artigos, fornecem um amplo leque de idéias e propostas para iniciar, planejar e implementar programas de educação que mostram uma grande variedade de possibilidades, formais e não formais, para a defesa desses direitos essenciais. O livro apresenta também interessante discussão teórica sobre o tema, e analisa os diferentes contextos sociais e históricos, incluindo, ao final, seções dedicadas ao treinamento de professores, à educação de adultos e de comunidades, e ao levantamento de fundos para programas voltados à promoção e difusão dos direitos humanos.

Jesus entre o mito e a história

O “I Seminário Internacional do Jesus Histórico” sediado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ reuniu em outubro de 2007 historiadores, pesquisadores e teólogos para debaterem a historicidade de Jesus e também temas polêmicos e ainda controversos, como o grau de instrução e a ressurreição do líder do Cristianismo.

Judeu freqüentador do templo, que participava de tradições judaicas, como por exemplo a festa pascal, e devoto dos ensinamentos da Torá, texto central do Judaísmo. Camponês, proveniente de Nazaré, localizada na Galiléia Meridional, ao norte da Palestina, terra dominada, a partir de 63 a.C, pelo Império Romano.

São essas as características, comprovadas historicamente, de Jesus de Nazaré, pregador do primeiro século, adorado por quase dois milênios como Cristo, o filho de Deus. Fundador do Cristianismo, a maior crença do mundo, com mais de dois bilhões de adeptos, Jesus não suscita interesse apenas nos círculos religiosos. Também a academia vem se debruçando sobre a análise científica dessa figura, que, a despeito de todos os avanços científicos e tecnológicos verificados na contemporaneidade, permanece arregimentando multidões de fiéis com o discurso da simplicidade e da humildade.

Extraído de:
Jornal da UFRJ

Gabinete do Reitor – Coordenadoria de Comunicação da UFRJ
Serviço de Jornalismo Impresso – Ano 3 - nº 30
Dezembro 2007 - p.16-17.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Estudo das Religiões e Religiosidades (material on-line)

Religions

Torah, Bible, Coran : exposition de la bibliothèque nationale de France

religions du monde (bbc) (en anglais)

calendriers des fêtes religieuses

Christianisme

histoire du christianisme : articles (clio)

la religion & la fondation de la république aux États-Unis

la Bible & dictionnaire biblique

dictionnaire biographique du christianisme (en allemand)

encyclopédie du protestantisme en France : classé par siècle - thème - objets & documents

le musée du désert & histoire des Camisards, dans les Cévennes

la religion de Genève dans l'Encyclopédie de Diderot & d'Alembert

John Bost : biographie d'un pasteur fondateur d'une œuvre sociale

les temples protestants de France

dictionnaire catholique : catholicisme & patrimoine religieux

diocèses de France : histoire & patrimoine

dictionnaire catholique (Vatican) termes religieux, théologie, patristique... (en italien)

encyclopédie catholique (en anglais)

dictionnaire orthodoxe

Dictionnaire grec-francais des noms liturgiques en usage dans l'église grecque par Léon Clugnet (1895)

Judaïsme

histoire du judaïsme : articles (clio)

judaïsme alsacien : histoire & traditions

conférences [videos] sur la religion, la philosophie, l'histoire, la culture

dictionnaire du judaïsme : les mots hébreux

encyclopédie du judaïsme (en anglais) édition de 1905 en 12 volumes

Israël & le judaïsme (en anglais)

le judaïsme

dictionnaire de l'histoire des Juifs

Islam

l'islam & la civilisation arabo-musulmane

histoire de l'islam : articles (clio)

dictionnaire de la philosophie islamique (en anglais)

dictionnaire des mots du Coran arabe-anglais (en caractères latins)

le Coran en ligne

langue arabe

civilisation arabe

Bouddhisme

histoire du bouddhisme : articles (clio)

dictionnaires des mots de l'hindouisme & du bouddhisme

dictionnaire du bouddhisme zen

Buddhist Dictionary : dictionnaire du bouddhisme, termes & doctrines, de Nyanatiloka (1980) ou pages scannées (en anglais)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Conheça os fundamentos das principais crenças religiosas

Os fundamentos das sete religiões mais difundidas do mundo (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo e as Tradições Chinesas e Japonesas) dificilmente podem ser encontrados em uma mesma publicação e são essenciais para a compreender o mundo atual e respeitar diferenças.


Por isso, o livro Religiões, lançado pela Publifolha, acaba por se tornar um item fundamental para consultas escolares, para quem precisa compreender melhor o mundo atual e para qualquer interessado no assunto. O volume é ilustrado e conta com mais de duas mil fotos coloridas, gráficos e mapas. O volume inaugura a Coleção Referência, que apresenta o volume "Mitologias", de Roy Willis, como segunda publicação da série.

Quem assina a obra é o diretor de publicações do Harvard Semitic Museum, Michael D. Coogan. O museu fica dentro da Universidade Harvard e foi criado em 1889, é um dos pólos de pesquisa sobre o tema das religiões no mundo.

Ilustrado, o livro discorre sobre a origem, o desenvolvimento histórico, as pessoas santas, os textos, os espaços e os tempos sagrados, além das datas religiosas. O volume também trata da relação das sete crenças escolhidas com a sociedade atual. Ao final, é possível encontrar o índice remissivo e uma bibliografia sugerida para cada religião.

Conheça um trecho do livro:
Leia sobre os primórdios do xintoísmo e do budismo

Religiões
Autor: Michael D. Coogan

Editora: Publifolha
Páginas: 288
Quanto: R$ 59,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

Extraído de:
FSP on-line
(em, 23/04/2007)

domingo, 27 de janeiro de 2008

Arcebispo Mamberti: Combater Cristofobia, Islamofobia e Anti-semitismo

Rádio Vaticano
A voz do Papa e da Igreja e diálogo com o mundo
11/01/2008

Arcebispo Mamberti: Combater Cristofobia, Islamofobia e Anti-semitismo

Cidade do Vaticano, 11 jan (RV) – O secretário vaticano das Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti, fez uma palestra, nesta quinta-feira, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, intitulada "Proteção do direito de liberdade religiosa na ação atual da Santa Sé", na qual afirmou que "respeitar a liberdade religiosa no mundo quer dizer, hoje, combater três fenômenos: a cristofobia, a islamofobia e o anti-semitismo".

Dom Mamberti explicou que esse é o desafio para contrapor toda forma de discriminação e perseguição. Segundo o arcebispo, a chamada "cristianofobia" é um conjunto de comportamentos que derivam da ausência de educação ou da má informação, da intolerância e da perseguição.

Para Dom Mamberti, esses três fenômenos devem ser enfrentados por igual. Ilustrando a posição da Igreja, o arcebispo explicou que o respeito do direito à liberdade religiosa constitui a base do respeito de qualquer outro direito pois, quando a liberdade religiosa está em risco, todos os outros direitos vacilam.

A liberdade religiosa _ disse _ é um direito que não se pode suprimir; tem uma dimensão privada, pública e institucional. Nesse contexto _ acrescentou _ a atividade diplomática da Santa Sé tem como objetivo central assegurar a estabilidade e a certeza das atividades da comunidade cristã. Dom Mamberti falou também, da relação entre a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, propondo um equilíbrio voltado a salvaguardar o exercício de ambas.

À margem da palestra feita por Dom Mamberti, o embaixador israelense junto à Santa Sé, Oded Ben-Hur, antecipou aos jornalistas que o papa "pode ir à Terra Santa em 2009". "Não há previsão de visita para este ano _ disse o diplomata ontem _ mas estamos trabalhando para programar a visita para o ano que vem. Estamos confiantes e fazendo progressos nesse sentido" _ acrescentou, falando aos jornalistas.

O diplomata também destacou que a Comissão Bilateral de negociação, sobre o status jurídico e fiscal da Igreja Católica em Israel, que se reuniu nos últimos meses em Jerusalém, "não obteve resultados concretos, mas esclareceu questões muito importantes". "Portanto _ concluiu _ confiamos que o papa possa fazer esta viagem no ano que vem." (CM/AF)

CEIA/UFF: Primeira Circular da X Jornada de Estudos da Antigüidade

O CEIA informa que estão abertas as inscrições para apresentação de trabalhos na X Jornada de Estudos da Antigüidade.

Confira abaixo, na primeira circular emitida, os procedimentos de inscrição.

O C.E.I.A./U.F. F. realizará, entre os dias 09 e 12 de junho de 2008, no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (Campus do Gragoatá, bloco C), sua X Jornada, cujo tema é “Festivais, Cultura e Poder”.

No dia 09 de junho, no início da tarde, ocorrerá a abertura do evento com uma conferência inaugural. Nos dias 10, 11 e 12 haverá, pela manhã, sessões de comunicações e, à tarde, mesas-redondas e conferências. As comunicações versarão sobre temas de livre escolha de seus autores, com a ressalva de que deverão estar vinculados ao contexto dos estudos da Antiguidade stricto sensu. Este critério será observado como condição necessária para a aceitação do trabalho.

As conferências e mesas-redondas abordarão temáticas compatíveis com o tema da Jornada.

As inscrições dos que quiserem assistir às atividades da X Jornada serão aceitas até o segundo dia do evento. Os interessados em apresentar comunicação deverão enviar ao e-mail ceia_trabalhos@ yahoo.com.br - até 11 de abril de 2008, impreterivelmente, aos cuidados de Taiany Bittencourt, uma ficha de inscrição, em arquivo salvo em Rich Text Format (.rtf), que está disponível para download na página do C.E.I.A.
(http://br.geocities .com/ceiauff/xjornada.html).

A ficha, que deverá ser completamente preenchida, possui os seguintes campos: nome, curso, instituição, titulação, título da comunicação, orientador (para alunos da graduação), resumo do trabalho, e-mail, endereço, telefone, assuntos de interesse. Todos os inscritos deverão pagar uma taxa de inscrição de R$ 10,00 no momento da retirada do material do evento. A Segunda Circular incluirá a programação completa da X Jornada.

Ass. Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira de Lima e Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras, coordenadores do evento.

CEIA - UFF

ceiauff@yahoo. com.br
www.ceiauff. rg9.net
www.ceiauff. myblog.com. br
http://www.orkut. com/Community. aspx?cmm= 6556755

http://br.groups. yahoo.com/ group/ceiauff_ eventos/

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Universidad Complutense: Instituto Universitario de Ciencias de las Ciencias de Religiones

El Instituto Universitario de Ciencias de las Religiones es el único instituto de investigación existente en la universidad estatal española dedicado al estudio de las religiones.

Creado en 1993 y aprobado según la LRU en 1998, imparte un Programa de III Ciclo, organiza simposios, ciclos de conferencias, cursos de capacitación del profesorado, encuentros científicos y seminarios de debate.

En el Instituto colabora una treintena de profesores de la Universidad Complutense, pertenecientes a las Facultades de Filología, Geografía e Historia, Filosofía, Ciencias Políticas y Sociología y Psicología.

Investigadores del Consejo Superior de Investigaciones Científicas, de los Institutos de Filología, Filosofía y Estudios Históricos, prestan su colaboración en este Instituto en el Programa de III Ciclo, así como en actividades de investigación. Igualmente, participan periódicamente en su actividad profesores de otras universidades estatales y privadas.

El Instituto publica una revista de periodicidad anual, 'Ilu. Revista de Ciencias de las Religiones, así como monografías y cuadernos.

O que nos tornas bons ou maus? Como nasce a moral








Revista Galileu, edição 199, fevereiro de 2008.

http://revistagalileu.globo.com/

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG81264-7855-199,00.html

Como nasce a moral

Segundo novos estudos, o senso de justiça e a compaixão não vêm da educação ou da religião, mas podem ser fruto da seleção natural e da evolução humana


Salvador Nogueira

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da Revista Galileu de fevereiro/2008.

Se uma velhinha leva um tombo no meio da rua, devemos ajudá-la a se levantar ou tirar um sarro da cara dela? É uma boa idéia encher de sopapos os torcedores do time adversário num estádio de fu-tebol? E atirar ovos em pedestres do conforto de uma janela alta num edifício? Perguntas fáceis de responder, não há dúvida. Afinal, a mais nobre e universal das qualidades humanas tem a ver com isso - a capacidade de distinguir o certo do errado. Mas de onde ela vem? E a pergunta que não quer calar: por que ela nem sempre funciona?

São dúvidas que se escondem na origem da humanidade. Até outro dia, a convicção era a de que esse senso de moralidade é basicamente aprendido na convivência com os outros. Ou seja, a única forma de obter pessoas morais seria condicioná-las socialmente, declarando ao longo de toda a vida o que elas podem ou não podem fazer. Esse papel, naturalmente, caberia à sociedade e à cultura - iniciativa que elas exercem ainda hoje com mão de ferro, embora já não tanto quanto antigamente.

É claro que muitas das convenções sociais ligadas ao certo e ao errado precisam ser aprendidas. Ninguém tem como nascer sabendo, por exemplo, que desenhar em paredes (ou pichar muros de rua) é errado, ou que arrotar na frente dos outros pode não ser muito bem aceito numa determinada cultura. Mas noções básicas de justiça e retidão parecem depender do aprendizado social numa do-se muito menor do que supunham os psicólogos há cem anos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Nunca mais (Sérgio Niskier)

O Globo – Opinião, 5ª-feira, 24 de janeiro de 2008 - página 7.

Nunca mais

SÉRGIO NISKIER

Passados 60 anos da liberta­ção do campo de concentra­ção de Auschwitz, no Sul da Polônia, ainda encontramos quem conteste a existência do Holo­causto e pregue abertamente as teo­rias nazistas. E não apenas nos rin­cões afastados da civilização, sem maiores oportunidades de acesso à informação. Os idólatras de Hitler se encontram em todos os lugares, até mesmo aqui, em nossa Cidade Mara­vilhosa. Não podemos minimizar o assunto. Esses indivíduos não são pobres coitados ignorantes, descul­pa dada multas vezes para se tentar esconder a gravidade do problema. São políticos, Intelectuais, professo­res, jornalistas, que têm em comum o vírus do preconceito.

Muitas vezes disfarçados de de­mocratas, não escondem o ódio ra­cista. E isso ocorre em diversos lu­gares do mundo. O Irã faz campanha de mídia para aproveitar a ignorân­cia e a preguiça da sociedade em uma tentativa de apagar da História uma das maiores tragédias já ocor­ridas na Humanidade. Auschwitz é sinônimo de besta e de fera. Nos remete ao que de pior pode haver no género humano. Durante a Segunda Guerra Mundial, no período do Holocausto, mais de 50 milhões de pessoas morreram vitimadas pela loucura nazista. Mortos não apenas nos campos de batalha, mas também de forma metódica, industrial, em fornos crematórios, câmaras de gás, tortura indiscrimi­nada, fuzilamentos, enforcamentos, experiências médicas ultrajan­tes, fome, doença. Grupo escolhido como bode expiatório, os ju­deus sofreram a maior perda com 6 milhões de assassinados, entre eles 1,5 milhão de crianças. Mas não estavam sós na destruição de suas vidas vitimadas pelo preconceito. A criminosa fúria racista atingiu indiscriminadamente testemunhas de Jeová, ciganos, homossexuais, comunistas, negros, opositores do regime nazista. O racismo nunca atinge um único grupo.

A intolerância é uma praga que é uma praga que contamina a sociedade. À ninguém deve ser dado o direito de não aprender com a História. Ao nos de­frontarmos com o preconceito, con­tra quem quer que seja, por menor que seja, estamos sendo todos atin­gidos, ainda que naquele momento a ação não nos atinja diretamente. Devemos reagir imediatamente e sempre de forma solidária. Sem hesitação e sem medo. Sem o silêncio dos covardes.

Nosso país ocupa um papel importante no cenário das nações. A participação brasilei­ra nos campos da Euro­pa durante a Segunda Guerra Mundial foi co­berta de glórias. Nosso sangue também foi der ramado para garantir o fim do fascismo e do risco de o mundo se tornar um im­pério da maldade e do ódio. Tam­bém somos vítimas do Holocausto. O Reich tornou legal odiar, discrimi­nar, matar por preconceito, torturar, destruir. E isso não aconteceu em algum local intelectual e financeiramente atrasado. Ocorreu em um país onde os desenvolvimentos téc­nico, científico, cultural e social eram dos maiores do mundo.

No Brasil, mostramos com uma le­gislação anti-racista, a Lei Caó, que nosso povo não aceita conviver com o ódio. Outras leis e medidas, em vá­rios estados, garantem a resposta legal e policial contra o preconceito. Um exemplo é a criação dentro da estrutura do Estado de órgãos onde governo e sociedade civil se unem para lutar contra o racismo, como o Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, dentro da SEPPIR, criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela participação histórica do Brasil na luta pelas causas libertárias e pelo fim do preconceito dentro de nossas fronteiras, precisamos mostrar a voz brasileira, de forma clara e transparente, hon­rando nosso passado de luta, e dizendo: Holocausto nunca mais.

SÉRGIO NISKIER é presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ). http://www.fierj.org.br/


B´nai B´rith Press (BB Press) – 24/01/2008.
Presidente Lula vai ao RJ para cerimônia sobre Holocausto
A FIERJ e o Centro de Informações da ONU no Rio de Janeiro vão realizar na sexta-feira (dia 25 de janeiro), às 10:30h, uma cerimônia pelo `Dia Internacional de Lembrança às Vítimas do Holocausto`, instituído pela ONU. O evento, que acontecerá no Palácio Itamaraty, constará da inauguração da exposição `Holocausto nunca mais`, organizada pelo Museu Judaico do Rio de Janeiro, de um ato cívico com a presença de autoridades, entre as quais o presidente Lula e os governadores Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, e Jacques Wagner, da Bahia; da entrega de duas medalhas simbólicas de reconhecimento da comunidade judaica ao empenho das forças armadas e da diplomacia brasileira no combate ao nazismo e do acolhimento aos sobreviventes que escaparam da II Guerra Mundial.

B´nai B´rith do Brasil participa do evento
A B´nai B´rith do Brasil participa da cerimônia, sendo representada pelo co-presidente Abraham Goldstein, que estará presente juntamente com muitos membros das Lojas Albert Einstein e Herut, da B´nai B´rith do Rio de Janeiro.

Solenidade será transmitida ao vivo pela TV e Internet
O evento do Dia Mundial em Memória das Vítimas do Holocausto desta sexta-feira, será transmitido ao vivo pela Rabiobrás, no canal 4 da NET a partir das 10h30. Também poderá ser assistido em qualquer lugar do mundo ao vivo pela internet no site www.radiobras.gov.br Participe.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã

As notas da Comissão da Santa Sé para as relações com o judaísmo, de 24 de junho de 1985, § 1, 3 e 4 (Documentation Catholique n.1900, de 21 de junho de 1985, p.733), explicam que é preciso levar em conta “a fé e a vida religiosa do povo judeu, tais como são professadas e vividas ainda hoje”, e que é necessário fazer o “aprendizado dos traços essenciais (através dos quais) os judeus se definem em sua realidade religiosa vivida”.

Outro trabalho de referência é o da PONTIFÍCIA Comissão Bíblica. O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã. São Paulo: Paulinas, 2001.

PONTIFÍCIA Comissão Bíblica. O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã. São Paulo: Paulinas, 2001.


PONTIFICIA COMISIÓN BÍBLICA. El Pueblo Judío y sus Escrituras Sagradas en la Biblia Cristiana.
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_doc_index_sp.htm


Na elaboração deste novo Documento da Igreja, a Pontifícia Comissão Bíblica considerou dois problemas principais: a idéia, possivelmente presunçosa, de que são os cristãos os legítimos herdeiros da Bíblia de Israel, e a questão da apresentação dos judeus e do povo judeu no Novo Testamento, que talvez contribua para criar uma hostilidade em relação aos judeus. Em seu trabalho, a Comissão observou que a renúncia dos cristãos ao Antigo Testamento não poderia ser útil para um relacionamento positivo entre cristãos e judeus, pois lhes seria tirado justamente o fundamento comum. Importante seria renovar o respeito pela interpretação judaica do Antigo Testamento, visando o progresso do diálogo judaico-cristão e a formação interior da consciência cristã. O documento ocupa-se ainda da apresentação dos judeus no Novo Testamento, na qual são examinados os textos "anti-judaicos". Nas palavras do então cardeal Joseph Ratzinger, que assina o prefácio da obra, do esforço dos membros da Comissão em suas discussões, elaborou-se este documento que oferece um importante auxílio para uma questão central da fé cristã e para a tão importante busca de uma renovada compreensão entre cristãos e judeus.

A Interpretação da Bíblia na Igreja (Católica)

A Interpretação da Bíblia na Igreja (Católica)

A interpretação dos textos bíblicos continua a suscitar em nossos dias um vivo interesse e provoca importantes discussões. Elas adquiriram dimensões novas nestes últimos anos. Dado à importância fundamental da Bíblia para a fé cristã, para a vida da Igreja e para as relações dos cristãos com os fiéis das outras religiões, a Pontifícia Comissão Bíblica foi solicitada a se pronunciar a esse respeito.

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

Dia Nacional do Espiritismo

O projeto de Lei 291/07 que ins­titui o dia 18 de abril como o Dia Na­cional do Espiritismo foi aprovado em caráter conclusivo no dia 06/12/2007.

De autoria da deputada Gorete Pereira, visa dar cunho mais abrangente ao Espiritismo "pelas suas extraor­dinárias obras no campo social", fator este que mereceu parecer favo­rável do relator do texto, deputado Wladimir Costa, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A data proposta é uma homenagem ao dia em que Allan Kardec lançou "O Livro dos Espíritos", em 1857, na cidade de Paris. Se aprovada, pelo Senado, 18 de abril será, pois, a data festejada com maior empenho pelos espíritas brasileiros, uma vez que o Brasil é a maior nação espírita do mundo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro, foi instituído pelo presidente da República, com a Lei Nº 11.635, em 27 dezembro de 2007. A data deve ser celebrada anualmente em todo o território nacional, fazendo parte do Calendário Cívico da União para efeitos de comemoração oficial. O decreto é assinado também pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil.


Rede Globo, Jornal Nacional, 21 de janeiro de 2008.

Brasil comemora o Dia de Combate à Intolerância Religiosa pela primeira vez

Hoje é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data, que está sendo celebrada pela primeira vez no Brasil, foi escolhida em homenagem à Dona Gilda, mãe de santo na Bahia.

O ritual reúne mães, filhas e filhos de santo de vários terreiros de Salvador. É uma homenagem à mãe Gilda. A ialorixá morreu no dia 21 de janeiro de 2000. Ela era hipertensa e estava sendo medicada, mas sofreu um infarto aos 64 anos.

A filha, Jaciara Ribeiro, conta que mãe Gilda foi vítima de intolerância religiosa ao ser acusada de charlatanismo. "Ela sempre teve uma boa relação com outras amigas de outro segmento religioso. Infelizmente, ela foi uma vítima".

O caso de mãe Gilda está na Justiça. Outros dez processos de discriminação religiosa também estão sendo julgados no Tribunal de Justiça da Bahia, a partir de denúncias feitas pelo Ministério Público estadual. Estão sendo processadas 18 pessoas.

"Desde a criação da promotoria de combate ao racismo e à intolerância religiosa, há cerca de dez anos, a maioria dos casos envolve as religiões de matriz africana", explica Lidivaldo Brito, procurador-chefe do Ministério Público (BA).

De acordo com o IBGE, os brasileiros se declaram praticantes de mais de 30 religiões diferentes. A criação do dia de combate à intolerância religiosa está sendo visto como um passo importante para o debate.

"Que uma religião sente com a outra pra que se descubra quais os caminhos para encontrar o respeito mútuo", pede Raimundo Goodgloves, secretário-geral da Convenção Batista Baiana.

"Poderíamos abrir espaço agora dentro das escolas: dialogar com estudantes universitários, os secundaristas, de modo a criar uma consciência plural nesse país de respeito à alteridade, ou seja, às diferenças que as pessoas possuem em relação umas para com as outras", acredita Marcel Mariano, vice-presidente da Federação Espírita da Bahia.

"É o momento da gente saber que não existe uma religião melhor do que a outra. A melhor religião é aquela que faz o ser humano melhor", ensina Jaciara Ribeiro.


Encontre esta reportagem em:
http://jornalnacional.globo.com/Jornalismo/JN/0,,AA1669977-3586,00.html

domingo, 20 de janeiro de 2008

Revista NURES - Chamada de artigos

Seleção de Artigos para a Revista NURES

O Núcleo Religião e Sociedade - NURES (www.pucsp.br/nures) da PUC/SP é um grupo de pesquisa interdisciplinar, certificado pelo CNPq, que agrega pesquisadores de diversas universidades com o interesse comum pelo estudo da religião e das religiosidades nas suas fronteiras com a cultura, a economia, a saúde, a política, a história, o ambiente e a educação.

No próximo ano se completarão 100 anos da imigração japonesa para as terras brasileiras. A Revista NURES está convidando estudiosos e pesquisadores a enviar artigos relacionados à temática das religiões japonesas no Brasil para o seu número de maio/agosto de 2008. As normas para publicação estão disponíveis em www.pucsp.br/revistanures/normas.htm e pede-se que os artigos sejam enviados até 05/03/2008 para nures@pucsp.br

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O Budismo uma proximidade do Oriente


Revista Lusófona de Ciência das Religiões é a publicação, semestral, da Licenciatura e do Centro de Estudos em Ciências das Religiões, da Unidade de Ciência, Tecnologia e Sociedade, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do Ministério do Ensino Superior, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.


Link:
http://cienciareligioes.ulusofona.pt/


Revista Lusófona de Ciência das Religiões
ISSN 1646-4001 - Ano V - 2007 n.11

O Budismo uma proximidade do Oriente:
ecos, sintonias e permeabilidades no pensamento português

Nota de Abertura
Editorial
Parte I - O Budismo uma proximidade do Oriente
ecos, sintonias e permeabilidades no pensamento português
Parte II - Artigos
Parte III - Estante
Resumos / Abstracts

A comunhão de cristãos e judeus

Revista Pesquisa FAPESP
Edição Impressa 77 - 77 - Julho 2002
Humanidades - Ciências da religião
Robinson Borges Costa

A comunhão de cristãos e judeus

Pesquisa indica que, mesmo após a separação da sinagoga da Igreja Católica, as duas religiões mantinham relações bilaterais.

Página 1: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=1864&bd=1&pg=1&lg=
Página 2: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=1864&bd=1&pg=2&lg=

Pedras e Textos

Ciberteologia
Revista de Teologia & Cultura

Edição nº 15 - Ano II - Janeiro/Fevereiro 2008 - ISSN: 1809-2888
Editora Paulinas (revista on-line)

Pedras e Textos
Autores:
John Dominic Crossan e & Jonathan L. Reed

Link: http://ciberteologia.paulinas.org.br/portals/24/02PedrasTextos.pdf

Por que Jesus aconteceu? Quando e onde? Por que naquela ocasião? Naquele lugar? Afinemos mais a pergunta. Por que esses dois movimentos populares, o do batismo, de João, e o do reino, de Jesus, ocorreram em territórios governados por Herodes Antipas nos anos 20 do primeiro século de nossa era? Por que não em outra época? Em outra região?

O “bate-cabeça” e congá: a mutabilidade da umbanda

Ciberteologia
Revista de Teologia & Cultura
Edição nº 15 - Ano II - Janeiro/Fevereiro 2008 - ISSN: 1809-2888
Editora Paulinas (revista on-line)

O “bate-cabeça” e congá: a mutabilidade da umbanda
Autora:
Brígida Carla Malandrino
Link: http://ciberteologia.paulinas.org.br/portals/24/03OBateCabecaeoConga.pdf

A umbanda não se caracteriza por um poder centralizador, tampouco por uma rigidez simbólica e ritual. Ela é uma religião em constante transformação, sendo esta uma de suas características mais marcantes. A versatilidade ímpar encontrada na umbanda é fruto da mescla de tradições que ocorreram na sua formação. Este trabalho tem por objetivo compreender a mutabilidade simbólica e ritual da umbanda. É possível afirmar que tal mutabilidade simbólica e ritual advém basicamente de três fatores: a influência da cultura banto na formação da umbanda, o fato de a umbanda ser um fenômeno de religiosidade popular e a umbanda estar inserida dentro de um continuum mediúnico. Destacamos como exemplo de um símbolo o congá e, como exemplo de um ritual, o ritual do “bate-cabeça”.

Diálogo inter-religioso

Ciberteologia
Revista de Teologia & Cultura

Edição nº 15 - Ano II - Janeiro/Fevereiro 2008 - ISSN: 1809-2888
Editora Paulinas (revista on-line)

Diálogo inter-religioso
Autora:
Rosangela Stürmer

Link: http://ciberteologia.paulinas.org.br/portals/24/01DialogoInterReligioso.pdf

Estudo que objetiva discutir a emergência da consciência do pluralismo de credos e de culturas, indicando os desafios que esta pluralidade traz. Tomando como denominador comum a necessidade do diálogo, discutir-se-á o tema da alteridade com base na obra de Emmanuel Lévinas. A noção de alteridade é resgatada como chave para o diálogo e o “outro” é lido a partir da noção de mistério. Esta compreensão é fundamento para o diálogo que leva ao enriquecimento mútuo. O importante é estar ciente da existência dos desafios para que aconteça um verdadeiro diálogo inter-religioso e ter disposição para buscar caminhos de superação, o que exige dos teólogos um discernimento teológico. Cada Igreja precisa criar espaços para a aproximação, o diálogo e a colaboração com as outras igrejas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Encontro das Luzes - Evangélicos se reúnem para pedir perdão aos judeus


Informe FIERJ – janeiro de 2008 – página 4.
Evang
élicos se reúnem para pedir perdão aos judeus
Em um evento inédito, líderes de igrejas evangélicas de Niterói se reuniram com a liderança da Comunidade Judaica Fluminense para pedir perdão pelo preconceito praticado no passado. Em um encontro de muita emoção, pastores de 50 igrejas evangélicas de Niterói, São Gonçalo e redondezas receberam uma delegação da FIERJ, no Solar dos Jambeiros, em Niterói, no dia 19 do dezembro [2007], onde vários pontos foram firmados. 0 mais importante é o olhar para o futuro. Um compromisso formal de educar as novas gerações sem o preconceito histórico, com renúncia total ao anti-semitismo. Educando as novas gerações com respeito à nossa religião, condenando a prática proselilista de alguns grupos cristãos que tentam de lorma agressiva converter membros de nossa comunidade, e condenando as infames acusações de rituais secretos e deicídio. Após o encontro, várias questões foram levantadas, entre elas, a criação de um Fórum Permanente para discussão de problemas comuns, e de programas gue visam ao fim do preconceito e da discriminação. Este encontro histórico, totalmente organizado com respeito à agenda de interesse de nossa comunidade. já resultou em ida de membros de nossa comunidade para palestras sobre o Holocausto, sobre a crise do Oriente Médio, sobre a luta contra o racismo em nossos país. Iniciativas deste tipo serão sempre incentivadas.

Veja também:
No Programa “Comunidade na TV” – domingo – dia 13 de janeiro de 2008 foi exibida a matéria sobre o encontro entre os líderes de igrejas evangélicas de Niterói com a liderança da comunidade judaica fluminense.

Veja o link no YouTube:
http://www.fierj.org.br/tv/ctv.htm
programa 1.275
- 13/jan/2008

Comunidade na TV de 13-jan-2008
Programa Especial - Encontro das Luzes - Cobertura completa do encontro de representantes de 50 designações evangélicas e a comunidade judaica fluminense
http://www.youtube.com/watch?v=f9rXIF5M-Q0

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Interações entre Ciência e Religião

Revista Espaço Acadêmico – ano II – Número 17 - Outubro/2002
Mensal – ISSN 1519.6186
Link:
http://www.espacoacademico.com.br/017/17cusarski.htm


Interações entre Ciência e Religião
Entrevista com Dr. Frank Usarski
Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião na PUC/SP

Entrevista com alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC-SP, Julho de 2002.

Como o senhor define religião?
O que nós chamamos de “religião” tem se manifestado, no decorrer da história e em todas as partes do mundo, em diversificações e diferenças múltiplas. De acordo com essa complexidade não considero adequado pensar em uma definição fechada de religião e opto por um conceito aberto capaz de superar um entendimento pré-teórico que generaliza fenômenos religiosos, sobretudo os de origem cristã, com os quais nós estamos culturalmente acostumados. Isso é somente necessário por que, por exemplo, para chineses, hindus e muçulmanos nem existem sinônimos em suas línguas que correspondam exatamente com nosso termo religião.
A partir dessas considerações meu conceito de religião contém quatro elementos:

Primeiro, religiões constituem sistemas simbólicos com plausibilidades próprias.
Segundo, do ponto de vista de um indivíduo religioso, a religião caracteriza-se como a afirmação subjetiva da proposta de que existe algo transcendental, algo extra-empírico, algo maior, mais fundamental ou mais poderoso do que a esfera que nos é imediatamente acessível através do instrumentário sensorial humano.
Terceiro, religiões se compõem de várias dimensões: particularmente temos que pensar na dimensão da fé, na dimensão institucional, na dimensão ritualista, na dimensão da experiência religiosa e na dimensão ética.
Quarto, religiões cumprem funções individuais e sociais. Elas dão sentido para a vida, elas alimentam esperanças para o futuro próximo ou remoto, sentido esse que algumas vezes transcende o da vida atual, e com isso tem a potencialidade de compensar sofrimentos imediatos. Religiões podem ter funções políticas, no sentido ou de legitimar e estabilizar um governo ou de estimular atividades revolucionárias. Além disso, religiões integram socialmente, uma vez que membros de uma comunidade religiosa compartilham a mesma cosmovisão, seguem valores comuns e praticam sua fé em grupos.

Como o senhor define ciência?
Ciência é uma maneira específica de se aproximar a “realidade” e de adquirir conhecimento sobre ela. De acordo com o princípio de divisão de trabalho, ciências diferentes têm seus enfoques particulares, ou seja, elas são especializadas em investigar certos segmentos da “realidade”. Para disciplinas como a Ciência da Religião é preciso que a “realidade” científica se restrinja à esfera empírica. Em outras palavras: O que conta como “realidade” são somente aquelas camadas da existência que são extraídas da observação. Esta observação pode ser direta (através dos sensos inclusive suas ampliações artificiais) ou indireta (por exemplo a partir de uma dedução com base em uma estatística). Temos que lembrar que ciência é um empreendimento coletivo. A vida acadêmica se organiza em sociedades científicas. O cientista individual faz parte de um conjunto de outros cientistas que se comprometem com as mesmas regras epistemológicas, que se referem ao mesmo vocabulário de termos técnicos e que têm como pressuposto os mesmos pontos de partida.

O que é Ciência da Religião?
Ciência da Religião é a disciplina empírica que investiga sistematicamente religião em todas as suas manifestações. Um elemento chave é o compromisso de seus representantes com o ideal da neutralidade frente aos objetos de estudo. Não se questiona a “verdade” ou a “qualidade” de uma religião. Do ponto de vista metodológico, religiões são “sistemas de sentido formalmente idênticos”. É especificamente este princípio metateórico que distingue a Ciência da Religião da Teologia.
O objetivo da Ciência da Religião é fazer um inventário, o mais abrangente possível, de fatos reais do mundo religioso, um entendimento histórico do surgimento e desenvolvimento de religiões particulares, uma identificação e seus contatos mútuos, e a investigação de suas inter-relações com outras áreas da vida. A partir de um estudo de fenômenos religiosos concretos, o material é exposto a uma análise comparada. Isso leva a um entendimento das semelhanças e diferenças de religiões singulares a respeito de suas formas, conteúdos e práticas. O reconhecimento de traços comuns do cientista da religião, permite uma dedução de elementos que caracterizam religião em geral, ou seja como um fenômeno antropológico universal.
A Ciência da Religião tem uma estrutura multidisciplinar. Trata-se de um campo de intersecção de várias sub-ciências e ciências auxiliares. A História da Religião, a Sociologia da Religião e a Psicologia da Religião são as mais referidas. Mas há outras, por exemplo a Geografia da Religião ou a Economia da Religião, uma matéria que atualmente ganha força na Universidade de Tübingen, Alemanha. No Brasil, na área da Ciência da Religião são freqüentemente citados as teorias e os resultados da Etnologia e da Antropologia.

Um cientista pode ser uma pessoa religiosa? Por que? De que forma a religião influencia no encaminhamento que o cientista dá a sua pesquisa?
Houve uma época na história da nossa disciplina em que se defendia a tese de que um verdadeiro cientista da religião deveria ser um homem religioso ou uma mulher religiosa. O famoso livro de Rudolf Otto "O sagrado" elabora essa idéia já no seu primeiro parágrafo. O livro traz a analogia de um crítico de música cuja capacidade de avaliar a qualidade de uma obra depende do senso musical de tal crítico. O mesmo valeria para a religião cuja essência se revela somente para um investigador que possui um "senso religioso". Acho que a analogia de Otto é inadequada. Para mim, um cientista da religião nada se assemelha a um crítico de música. Ele mais se parece com um historiador da arte cuja referência não é o nível estético de uma pintura, mas que coloca questões do tipo: Quem era o pintor? Em que circunstâncias ele produziu tal obra? Que papel esta obra desempenhava no contexto da produção artística do pintor? Esta pintura é uma obra típica desse pintor? Que influências estilísticas se observam nesta obra? A obra é típica de uma época da arte? De jeito semelhante o cientista da religião quer entender os fatores que influenciaram o surgimento e o desenvolvimento da religião investigada. Ele tem o objetivo de classificar seu objeto de estudo ao compará-lo histórica e sistematicamente com outras religiões. Para fazer isso, precisa-se de uma formação científica adequada, um conhecimento geral da história espiritual do mundo, um instrumentário analítico.
Se um cientista for um ateu ou um indivíduo religioso será uma opção particular, feita na sua vida privada. Mas quando exercer sua tarefa profissional deve controlar e disciplinar as próprias preferências ideológicas o tanto quanto possível. Nunca se consegue isso totalmente. Mas isso não invalida a importância do ideal da neutralidade, da objetividade. Tem-se que se prestar atenção aos fatos e verificar se estão apresentados adequadamente. Por exemplo, seria fácil desvalorizar uma religião como o Islã ao se concentrar somente nos traços que estão em tensão com os valores ocidentais e cristãos. Há uma tendência nas mídias de identificar o Islã com a Guerra Santa, mulheres reprimidas e movimentos “fundamentalistas”. Um Cientista da Religião que vê, do ponto de vista da sua religiosidade particular na sua vida pessoal, o Islã como um desafio religioso tem que prestar atenção para não usar sua autoridade profissional e desdobrar ainda mais os preconceitos já enraizados na consciência coletiva. É melhor que ele se dedique a um assunto mais distante de seus interesses cotidianos.

Qual é o estado atual da arte das pesquisas nessa área de Ciência da Religião no Brasil? E no Mundo?
A situação internacional é muito complexa. Cada país tem seus traços específicos de acordo com vários fatores que dependem da história nacional da disciplina, do grau de colaboração com outras disciplinas ou da presença de certas religiões. Por exemplo, a Ciência da Religião na Alemanha tem tradicionalmente um foco nas filologias e um interesse forte nas religiões orientais, especialmente na Índia. Atualmente vivem cerca de três milhões de turcos no país, um fato que levou uma nova geração de cientistas da religião a uma investigação do Islã no ambiente europeu ocidental. Nos Estados Unidos a Ciência da Religião é bastante influenciada pelas Ciências Sociais e devido ao grande número de novas religiões que têm florescido num ambiente social liberal, as teorias e pesquisas nesta área são bastante desenvolvidas.
No Brasil, a Ciência da Religião é uma disciplina relativamente nova. Em comparação a outros países o perfil da matéria é menos acentuado ainda. Mas, estou otimista a respeito do futuro da disciplina num âmbito internacional. O Brasil é conhecido como um campo religioso extremamente dinâmico, mas segundo Cientistas da Religião da Europa e dos Estados Unidos falta um saber detalhado sobre a história e a situação religiosa atual. Ao mesmo tempo, há um contingente enorme de especialistas brasileiros que poderiam contribuir muito mais para a divulgação mundial dos seus conhecimentos. Deve-se fazer um esforço para que haja um intercâmbio mais amplo, mais freqüente com colegas norte-americanos e europeus. Vejo pelo menos as seguintes áreas nas quais cientistas brasileiros desempenharão um papel importante na discussão internacional: as chamadas religiões mediúnicas (Candomblé, Umbanda, Kardecismo); as religiões de Ayahuasca (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal), o Pentecostalismo, a chamada “religiosidade popular”. Por outro lado, do ponto de vista internacional, são urgentes projetos sobre as grandes religiões não-cristãs como, por exemplo sobre o Judaísmo, o Islã, o Baha´i e até mesmo sobre o Budismo, uma religião tão freqüentemente citada nas mídias.

Tendo em vista que o conhecimento religioso é dogmático, não testável, depende de crença/fé e que o conhecimento científico é replicável, fidedigno, generalizável. Na sua opinião, Ciência e Religião são divergentes ou convergentes? Por que?
Em geral, concordo com a hipótese implícita na pergunta. Para mim, a divergência mais marcante é que cientistas empíricos não trabalham com conceitos metafísicos. Quer dizer, eles não levam em conta um nível extra-empírico. Isso não significa que eles neguem a existência desta dimensão do “ser”, mas tem a ver com a posição metodológica em que se considera cientificamente irrelevante a questão sobre a “última realidade”, sobre “o absoluto”, sobre algo que transcende as esferas “relativas”.
Mas além de divergências há várias convergências. Vou mencionar aqui somente alguns aspectos de uma constelação muito complexa.
Religião e ciência são ambas sistemas de compreensão e interpretação do mundo. A teoria de “big-bang” e a doutrina cristã de criação têm o mesmo objetivo: responder a questão de onde vem nosso universo. No decorrer do processo de secularização, ou seja, na medida em que a ciência como uma forma específica de compreensão do mundo ganhou cada vez mais aceitação coletiva na cultura ocidental, a interpretação cosmológica religiosa tem perdido sua plausibilidade para a maioria da população dos países correspondentes. Devido ao “triunfo” das ciências exatas na modernidade é inevitável aceitar, do ponto de vista de um indivíduo religioso, que a doutrina bíblica de criação seja “apenas” uma imaginação simbólica de “verdadeiros” eventos cósmicos. Neste sentido podem coexistir na consciência moderna os dois referenciais, ou seja, os relevantes textos bíblicos e as teorias astrofísicas atuais.
Agora, se imaginarmos um aluno que começa a sua formação universitária na área de astrofísica, qual é a sua situação? Ele nem tem a competência, nem a “reputação” de negar as teorias com as quais seus professores o confrontam. Para crescer dentro do sistema, ele tem que aceitar a matéria apresentada nas aulas. Os conteúdos são tão abstratos, tão distantes da sua experiência cotidiana, que não lhe resta outra opção a não ser “crer” no que está escrito nos manuais impostos pelos mestres daquela disciplina. Ele tem que ter confiança na fala das grandes autoridades dentro da comunidade acadêmica da qual ele quer participar no futuro. Talvez, depois de estudos de vários semestres, ele desenvolva a potencialidade de causar uma revolução científica, uma reforma no depósito de conhecimento estabelecido e não seja mais questionado pela geração anterior. Mas isso só acontece excepcionalmente. A regra é que o aluno de ontem se torna um representante de uma tradição já estabelecida.
As palavras grifadas ressaltam algumas palavras chaves para indicar de que de ponto de vista sociológico há mais convergências entre religião e ciência do que se pensa normalmente.

O senhor vê a Religião como inibidora no processo de desenvolvimento da ciência?
A história prova que religião pode ter este efeito, isso é bem ilustrado pelo famoso caso de Galileu Galilei. Todavia, neste contexto acho muito interessante uma hipótese de Max Weber que diz que as ciências modernas têm suas raízes na tradição judaico-cristã e por isso elas se desenvolveram especificamente na Europa onde as duas religiões haviam deixado suas marcas. Weber apontou para a cosmovisão dualista, para a idéia de um Deus transcendental, totalmente diferente do mundo, que, uma vez criado, segue suas mecanismos invariáveis. Segundo Weber este conceito provocou uma certa divisão na área intelectual. Por um lado, se acentuou a teologia ocupada do lado divino do “ser”. Por outro lado, as ciências exatas se articularam propondo uma integridade, uma certa autonomia do mundo distante de Deus exposto a uma investigação própria. Neste sentido podemos dizer que a religião, em vez de inibir um desenvolvimento da ciência, o estimulou. Mais especificamente devemos pensar, por exemplo, em vários grandes físicos que eram homens religiosos e sua religiosidade não inibia que eles chegassem a resultados que levassem a novos paradigmas em suas áreas. Devemos também lembrar do caso da Igreja Cristã dos Santos dos Últimos Dias, ou seja, dos chamados Mórmons. Motivados pela doutrina que membros da Igreja podem contribuir para a salvação de seus parentes já falecidos, ou seja, como conseqüência da prática do batismo de antepassados, há grandes especialistas em pesquisa na área de genealogia nesta Igreja. Este exemplo também indica que religião não deve ser reduzida ao seu papel inibidor a respeito do progresso científico.

A religião pode ser considerada responsável pela dificuldade que a sociedade tem de aceitar as novas idéias propostas pela ciência?
Sim, mas para mim a pergunta mais relevante é como avaliar este efeito? Não é assim que as possibilidades que a ciência nos oferece correm riscos? Quem garante que uma inovação é aproveitada de maneira responsável e realmente contribui para uma vida melhor? A discussão sobre a biotecnologia é um bom exemplo para entender que preciso ter uma instância de controle, pelo menos no sentido de um apelo para a consciência coletiva e a responsabilidade ética de pesquisadores que propagam a hipótese que tudo o que é cientificamente possível é automaticamente legítimo. Nos debates deste tipo, instâncias religiosas desempenham geralmente um papel fundamental lembrando-nos dos limites do ser humano. Mesmo que se prove em ambas as áreas que não houve nenhuma razão para tais preocupações e embora a história mostre que as religiões não podem deter o desenvolvimento científico, precisamos continuamente de mentes críticas que reflitam sobre possíveis impactos negativos de algo que parece um “progresso”.