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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 23 de março de 2008

Regras de conduta do sábio (Eliahu Toker)

Obra de sábios, o Pirkê Avot dá especial atenção à sabedoria. Por isso afirma: "Aquele que aprende de seu semelhante apenas um capítulo da Torá, uma halachá, um versículo, um dito, até mesmo uma só letras, deve tratá-lo com respeito particular. Pois assim aprendemos que Davi, rei de Israel que, embora não tenha aprendido de Ahitofel mais do que duas regras de conduta, o chamava de "meu grande e reverenciado mestre".

Segundo o livro, a sabedoria tem proeminência sobre o sacerdócio e a realeza, pois a realeza exige 30 condições, o sacerdócio, 24, enquanto a sabedoria exige 48.

Entre as regras de conduta estão normas que dizem respeito ao estudo dos textos. É preciso estudar com alegria, escutar, compreender e chegar ao fundo das coisas e ainda aguçar a mente, formulando perguntas que promovam a busca de respostas adequadas.

Também as atividades cotidianas fazem parte das regras: dormir pouco, cortar as conversas banais, moderar a dedicação aos negócios e evitar a frivolidade.

O estudo religioso e o respeito aos mestres são partes importantes desse conjunto, como também a humildade, a sensatez, a bondade e o amor ao próximo e a Deus.

Algumas delas, válidas para o ambiente acadêmico até hoje, são: não permitir que os padecimentos o afastem do estudo, expor com precisão, escutar atentamente e aportar idéias próprias, aprender para ensinar, intervir de maneira inteligente, acrescentando assim ao saber de seu mestre e expor idéias mencionando seu autor, pois "todo aquele que expõe idéias e menciona seu autor contribui para a redenção da humanidade" (6:3-6).

Extraído de:
Revista História Viva - Grandes Religiões - número 2 - Judaísmo. São Paulo, Duetto, /março de 2007/, p.27.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Eclipse de Deus: considerações sobre a relação entre religião e filosofia

Em "Eclipse de Deus", Martin Buber mostra a relação com o Absoluto que se pode encontrar na filosofia e na história da religião, desde os filósofos pré-socráticos até pensadores do século XX. Buber expõe sua interpretação do pensamento e das crenças ocidentais, com ênfase nas relações da religião com a filosofia, com a ética e com a psicologia junguiana.

Vivemos atualmente, diz Buber, o tempo do eclipse de Deus. Como no eclipse do sol, parece que ele não existe mais, se não se sabe que de fato está encoberto. No entanto, o eclipsar da luz de Deus não é um apagar-se. Amanhã, o que se interpôs sobre ele já poderá ter ido embora.
Num dos capítulos centrais deste livro, Buber faz uma crítica à maneira como Carl G. Jung trata o fenômeno religioso, o que motivou uma réplica de Jung e, posteriormente, uma tréplica de Buber. Esse rico diálogo sobre as relações entre religião e psicologia pode ser inteiramente lido em "Eclipse de Deus".