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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Só os sujeitos de linguagem podem crer em Deus''. Entrevista especial com Benilton Bezerra Júnior

IHU (14/09/2009)

  • ''Só os sujeitos de linguagem podem crer em Deus''. Entrevista especial com Benilton Bezerra Júnior: “Só o poder das palavras torna possível experimentar o inefável, o indizível, o incomensurável, o mistério. Só sujeitos de linguagem podem crer em Deus”. As afirmações são de Benilton Bezerra Júnior, na entrevista que concedeu, por e-mail à IHU On-Line, adiantando aspectos sobre sua conferência Narrativas de Deus, e a transcendência hoje: uma abordagem a partir da psicanálise, que apresentará em 15 de setembro, no X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades. De acordo com ele, “recusar a existência de Deus não implica recusar o lugar que ele ocupa”. Outro tema em discussão é a crise do sujeito atual, que vive a situação inédita da perda de legitimidade de uma autoridade transcendente. “Como consequência de uma exacerbação da lógica do individualismo moderno estaríamos presenciando o surgimento, pela primeira vez, de gerações sem compromisso com a tradição, incapazes de reconhecer autoridade e poder normativo em alguma instância para além de sua decisão individual. Num mundo impulsionado pela lógica do mercado, pela explosão de biotecnologias e pelo declínio do simbólico, tudo parece ter se transformado em matéria de escolha pessoal. Falar de transcendência ficou vagamente careta, démodé, old-fashioned”. Benilton é graduado em Direito e em Medicina, mestre em Medicina Social e doutor em Saúde Coletiva, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, é membro do Instituto Franco Basaglia e atua como docente adjunto do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, e pesquisador do PEPAS (Programa de Estudos e Pesquisas sobre Ação e Sujeito) da UERJ. Ele é autor do artigo "Retraimento da autonomia e patologia da ação: a distimia como sintoma social", publicado no livro Inácio Neutzling (org.), O Futuro da Autonomia: Uma Sociedade de Indivíduos?, São Leopoldo - Rio de Janeiro: Editora Unisinos - Editora PUC-Rio, 2009. >>> Confira a entrevista.

domingo, 29 de junho de 2008

O pecado e as religiões (Paulo Coelho)

Cristianismo: o jogo de xadrez O jovem disse ao abade do mosteiro: — Bem que eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida. Tudo que meu pai me ensinou foi jogar xadrez, que não serve para iluminação. Além do mais, aprendi que qualquer jogo é um pecado.

— Pode ser um pecado, mas também pode ser uma diversão, e quem sabe este mosteiro não está precisando de um pouco de ambos? — foi a resposta.

O abade pediu um tabuleiro de xadrez, chamou um monge, e mandou-o jogar com o rapaz.

Mas antes de a partida começar, acrescentou: — Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todo mundo fique jogando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro, e abrirá uma vaga para você.

O abade falava sério. O rapaz sentiu que jogava por sua vida, e suou frio. O tabuleiro tornou-se o centro do mundo.

O monge começou a perder. O rapaz atacou, mas então viu o olhar de santidade do outro. A partir desse momento, começou a jogar errado de propósito.

Afinal de contas, preferia perder, porque o monge podia ser mais útil ao mundo. De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão.

— Você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram — disse. — Concentrou-se o suficiente para vencer, foi capaz de lutar pelo que desejava. Em seguida, teve compaixão e disposição para sacrificar-se em nome de uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque sabe equilibrar a disciplina com a misericórdia.


Judaísmo: perdoando no mesmo espírito O rabi Nahum de Chernobyl vivia sendo ofendido por um comerciante. Um dia, os negócios deste último começaram a andar muito mal. “Deve ser o rabino, que está pedindo vingança a Deus”, pensou. E foi pedir desculpas a Nahum.

— Eu o perdôo com o mesmo espírito que você me pede — respondeu o rabino.

Mas as perdas do homem cresceram cada vez mais, até que ele ficou reduzido à miséria. Os discípulos de Nahum, horrorizados, foram perguntar o que tinha acontecido.

— Eu o perdoei, mas ele continuou me odiando no fundo de seu coração — disse o rabino. — Então, seu ódio contaminou tudo que fazia, e a punição de Deus tornou-se ainda mais severa.


Islã: onde está Deus Numa pequena aldeia do Marrocos, um imã contemplava o único poço de toda a região. Um outro muçulmano aproximou-se: — O que tem lá dentro? — Deus está escondido aí.

— Deus está escondido dentro deste poço? Isso é pecado! O que você está vendo deve ser uma imagem deixada pelos infiéis! O imã pediu que se aproximasse e se debruçasse na borda. Refletido na água, ele pôde ver o seu próprio rosto.

— Mas este sou eu! — Isso mesmo. Agora você sabe onde Deus está escondido.

Extraído de:
Revista O Globo, ano 4, número 205, página 47, em 29/06/2008.

sábado, 28 de junho de 2008

Religion Past and Present: Encyclopedia of Theology and Religion: Volume 1: A – Bhu

Religion Past and Present: Encyclopedia of Theology and Religion: Volume 1: A – Bhu
Betz, Hans Dieter, Don Browning, Bernd Janowski and Eberhard Jüngel, editors
Leiden: Brill, 2007
Description:
Truly worldwide in its coverage, this English version of the 4th edition of the RGG, makes this gold standard of encyclopedias accessible to the English-speaking world. Taking into account the latest research developments, it offers a wide-ranging and multi-denominational approach to all aspects of the study of religion and theology.
Subjects: Methods, Theological Approaches, Comparative Religion

Review by Dirk van der Merwe
Read the Review
Published 6/21/2008



quarta-feira, 4 de junho de 2008

Parlamento Europeu debate papel da religião no espaço público

ROMA, quarta-feira, 4 de junho de 2008 (ZENIT.org).- A visibilidade da religião no espaço público europeu esteve no centro do segundo encontro da série de seminários de diálogo dedicados a «Islã, cristianismo e Europa», organizado pela Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia (COMECE), pela Conferência das Igrejas Européias (KEK) e pela Fundação Adenauer.


O encontro aconteceu em 29 de maio passado, no Parlamento Europeu, sobre o tema «A visibilidade da religião no espaço público europeu: a questão dos lugares de culto e o uso de símbolos religiosos».


Uma centena de participantes, delegados e funcionários de instituições européias ou membros de organizações e comunidades religiosas, participou do seminário.


Com a presença acrescentada de cidadãos e residentes de confissão muçulmana em nome de países europeus, sublinha um comunicado da COMECE, «a questão do uso de símbolos religiosos deu lugar a um debate social em vários países».


Mais recentemente, a edificação de lugares de culto muçulmano se converteu em um assunto público e suscitou resistências em numerosas cidades ao longo da Europa.


«Ainda que os países europeus estejam dotados de regimes jurídicos que garantem a liberdade religiosa e, portanto, a liberdade de culto, isso propõe a questão da visibilidade da religião no espaço público europeu», reconhece a COMECE.


O deputado europeu Lászlo Surján, da Hungria, alertou contra o retorno «às catacumbas» dos cristãos e de outros crentes do velho continente, a exemplo do que os cristãos da Europa do Leste viveram durante os 40 anos de ditadura comunista.


Chantal Saint-Blancat, professora de Sociologia na Universidade de Pádua, sublinhou, por sua parte, que a edificação de novos lugares de culto é um problema para o espaço urbano, que já nos é familiar, e que isso suscita debates, inclusive tensões, entre muçulmanos por um lado, vizinhos e autoridades locais por outro.


Estima, contudo, prossegue o comunicado da COMECE, que dessas tensões podem emergir oportunidades: «O reconhecimento mútuo das comunidades dá ocasião para os muçulmanos de compreender o contexto secularizado europeu, e a possibilidade de transformar o espaço urbano em ‘cenário de experimentação do pluralismo’ para nossas sociedades multi-culturais».


A reverenda Berit Schelde Christensen, da Igreja Evangélica Luterana de Dinamarca, recordou que as religiões contribuem para a coesão da sociedade e que a construção de lugares de culto é importante para acolher a busca de sentido dos cidadãos.


«Deve-se reconhecer a busca espiritual de cada ser humano», afirmou, lamentando que a linguagem religiosa não seja já compreendida por nossos contemporâneos devido a uma forte secularização da sociedade.


Ao mesmo tempo, fez um chamado aos crentes cidadãos da Europa a refletirem sobre a maneira de utilizar o princípio de transcendência para participar positivamente do bem comum.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O que nos tornas bons ou maus? Como nasce a moral








Revista Galileu, edição 199, fevereiro de 2008.

http://revistagalileu.globo.com/

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG81264-7855-199,00.html

Como nasce a moral

Segundo novos estudos, o senso de justiça e a compaixão não vêm da educação ou da religião, mas podem ser fruto da seleção natural e da evolução humana


Salvador Nogueira

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da Revista Galileu de fevereiro/2008.

Se uma velhinha leva um tombo no meio da rua, devemos ajudá-la a se levantar ou tirar um sarro da cara dela? É uma boa idéia encher de sopapos os torcedores do time adversário num estádio de fu-tebol? E atirar ovos em pedestres do conforto de uma janela alta num edifício? Perguntas fáceis de responder, não há dúvida. Afinal, a mais nobre e universal das qualidades humanas tem a ver com isso - a capacidade de distinguir o certo do errado. Mas de onde ela vem? E a pergunta que não quer calar: por que ela nem sempre funciona?

São dúvidas que se escondem na origem da humanidade. Até outro dia, a convicção era a de que esse senso de moralidade é basicamente aprendido na convivência com os outros. Ou seja, a única forma de obter pessoas morais seria condicioná-las socialmente, declarando ao longo de toda a vida o que elas podem ou não podem fazer. Esse papel, naturalmente, caberia à sociedade e à cultura - iniciativa que elas exercem ainda hoje com mão de ferro, embora já não tanto quanto antigamente.

É claro que muitas das convenções sociais ligadas ao certo e ao errado precisam ser aprendidas. Ninguém tem como nascer sabendo, por exemplo, que desenhar em paredes (ou pichar muros de rua) é errado, ou que arrotar na frente dos outros pode não ser muito bem aceito numa determinada cultura. Mas noções básicas de justiça e retidão parecem depender do aprendizado social numa do-se muito menor do que supunham os psicólogos há cem anos.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Heresia, doença, crime ou religião

Giumbelli, Emerson. Heresia, doença, crime ou religião: o Espiritismo no discurso de médicos e cientistas sociais. Revista de Antropologia. Departamento de Antropologia FFLCH/USP, 1997, vol.40, no.2, p.31-82. ISSN 0034-7701.

Link: http://www.scielo.br/pdf/ra/v40n2/3231.pdf

Resumo: Desde a segunda metade do século XIX e até a década de 1940, as práticas e doutrinas espíritas mobilizaram o pensamento médico, num duplo empreendimento intelectual e de intervenção social. O artigo aborda vários textos elaborados, neste período, por médicos (tais como Nina Rodrigues e Leonídio Ribeiro), explorando como neles é definido e analisado o espiritismo, e localizando, entre as diversas épocas, continuidades e rupturas. Na década de 1930, o espiritismo e os cultos de possessão em geral começam a ser tratados por referência a categorias sociológicas e antropológicas, sinalizando uma transformação importante no seu estatuto (Arthur Ramos é um nome chave). No artigo, esta transição é problematizada a partir da análise da categoria "higiene mental", utilizada por intelectuais durante as décadas de 1920 e 1930 e associada às discussões sobre a constituição e destinos do Brasil enquanto nação.

Palavras-chave: medicina, espiritismo, religião, pensamento social brasileiro.