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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Falece arcebispo que salvou 10 mil judeus

Zenit (23/12/2010): Falece arcebispo que salvou 10 mil judeus: Em 20 de dezembro, faleceu, aos 98 anos de idade, o arcebispo Giovanni Ferrofino, núncio apostólico emérito no Equador e no Haiti, que salvou cerca de 10 mil judeus durante a 2ª Guerra Mundial, como colaborador do Papa Pio XII. Gary Krupp, judeu, fundador da Pave the Way Foundation (PTWF), surgida em Nova York, explicou a ZENIT que Dom Ferrofino "talvez tenha sido a maior testemunha, em vida, dos esforços de Pio XII para salvar a vida dos judeus que a nossa Fundação entrevistou". "Pio XII o enviou como emissário ao presidente de Portugal, solicitando vistos para que os judeus pudessem entrar no país", revela. Depois, Dom Ferrofino continuou o trabalho de assistência quando foi enviado como secretário da nunciatura da República Dominicana. Em uma entrevista que Ferrofino gravou para a PTWF, o prelado revelou a frustração que Pio XII manifestou, batendo a mão sobre a mesa, ao ver que os americanos não haviam ajudado a "salvar esta vibrante comunidade" - em referência aos judeus. >>> Leia mais, clique aqui.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Pio XII

Boletim ASA, Número 116, jan-fev/2009.

Pio XII

O eco dos comentários - Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros

O Vaticano que decida - Anshel Pfeffer (Haaretz)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Agradecimento de rabino a Pio XII

Carta do rabino Zaoui ao Papa em 1944


Por Anita S. Bourdin


ROMA, quarta-feira, 5 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Um rabino francês agradeceu a Pio XII e aos sacerdotes católicos pela ajuda prestada aos judeus perseguidos durante a Shoah. Trata-se do rabino André Zoui, capelão, capitão do corpo expedicionário francês, que se dirigiu a Pio XII em 22 de junho de 1944 e cuja carta se encontra entre as peças mais interessantes da exposição sobre a biografia de Pio XII, apresentada no dia 3 de novembro no Vaticano.


A exposição não busca dizer uma palavra sobre os fatos, gestos e palavras de Pio XII em favor dos judeus perseguidos, mas traçar o itinerário do Papa Eugenio Pacelli desde sua infância até sua morte em 1958, há 50 anos.


A exposição apresenta as facetas de sua personalidade, desde seu amor aos animais (ele aparece fotografado com um canário e alguns cordeiros), sua fascinação por todas as invenções modernas (seu barbeador elétrico e sua máquina de escrever, sua presença nas ondas da Rádio Vaticano), sua preocupação constante pelos mais necessitados (os colchões instalados até nas escadas do Palácio Apostólico ou em Castel Gandolfo para acolher os refugiados da 2ª Guerra Mundial, sem distinção), seu amor às artes (e seu salvamento de obras de arte durante o conflito, ou o concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, em 25 de maio de 1955, em sinal de «gratidão por sua obra em favor dos judeus perseguidos durante a guerra»), suas repetidas intervenções durante a guerra, sua atividade diplomática, etc.


O rabino Zaoui recorda que pôde assistir a uma audiência pública do Papa «em 6 de junho de 1944, às 12h20», com «numerosos oficiais e soldados aliados».


Menciona também sua visita ao Instituto Pio XI, «que protegeu durante mais de seis meses cerca de sessen60ta crianças judias, entre elas alguns pequenos refugiados da França».


Diz ter-se sentido impressionado pela «solicitude paternal de todos os professores» e cita esta frase do prefeito de estudos: «Não fizemos nada além do nosso dever».


Em 8 de junho de 1944, o rabino Zaoui resenha outro acontecimento do qual participou: a reabertura da sinagoga de Roma, fechada pelos nazistas em outubro de 1943.


Assinala a presença de um sacerdote francês, o Pe. Benoit, «evadido da França», que se dedicou «ao serviço das famílias judaicas de Roma». O rabino resenha estas palavras do sacerdote e a forte impressão que tiveram na assembléia que o reconheceu e aclamou: «Amo os judeus de todo coração». Esta palavra recorda o rabino da de Pio XI, que diz assim: «Nós somos espiritualmente semitas».


André Zaoui expressa seu reconhecimento: «Israel não esquecerá jamais». A carta se encontra também reproduzida no elegante e muito cuidado catálogo da exposição, publicado sob a autoridade da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas («O homem e o pontificado 1876-1958», 238 páginas, Livraria Editora Vaticana, p. 157).


Uma carta do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, reproduzida em fac-símile (p. 13-14), sublinha a importância deste catálogo e da exposição, que ajuda a «dar a conhecer melhor um pontífice que é reconhecido justamente como um dos maiores personagens do século XX».


Agradece vivamente a todos aqueles que participaram desta empresa e deseja que esta contribua «para a valorização, especialmente por parte das novas gerações, da extraordinária figura deste Papa, que soube preparar, com uma intuição profética dos sinais dos tempos, o caminho da Igreja na era contemporânea».


A exposição, organizada no chamado «Braço de Carlos Magno», ou seja, do lado esquerdo da colunata de Bernini, olhando de frente para a fachada da Basílica de São Pedro, está aberta desde ontem até 6 de janeiro de 2009. Partirá depois para Berlim e Munique.


Foi apresentada pelo presidente da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas, professor Walter Brandmuller, por Giovanni Morello – da Fundação para os Bens e as Atividades Culturais da Igreja –, pelo vaticanista do jornal italiano Il Giornale, Andrea Tornielli, pelos professores Matteo Luigi Napolitano, Universidade do Molise, e por Philippe Chenaux, professor de História Moderna e Contemporânea na Universidade Pontifícia de Latrão e autor de uma obra titulada «Pio XII, diplomata e pastor», em presença do professor Cosimo Semeraro, sdb, secretário da Comissão Pontifícia.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Guido Mendes, amigo judeu de Pio XII

Guido Mendes, amigo judeu de Pio XII

ROMA, segunda-feira, 20 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- No livro Pio XII. Un uomo sul trono di Pietro, da Editora Mondadori, Andrea Tornielli relata a história de Guido Mendes, o amigo judeu do Papa Pacelli.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Controvérsia sobre Pio 12 se intensifica: Santidade para o papa do Holocausto?

Der Spiegel, em 13/10/2008 - O papa Bento 16 alimentou na quinta-feira passada as especulações sobre a possível beatificação do papa Pio 12, criticado com freqüência por não ter feito o suficiente para combater o Holocausto. O Vaticano tem trabalhado duro para melhorar a imagem popular de Pio.


Normalmente, o processo de beatificação é um negócio a portas fechadas, que acontece dentro do Vaticano, bem longe do olhar do público. Mas não dessa vez. Há meses a Igreja Católica está enviando sinais de que beatificação do papa Pio 12, que comandou a Igreja Católica durante a 2ª Guerra Mundial, pode ser iminente. Alguns historiadores e líderes judeus, entretanto, protestaram contra a atitude, argumentando que Pio 12 fez menos do que deveria para salvar os judeus do Holocausto.


O papa Bento 16 lançou na terça-feira uma saraivada de argumentos em defesa de Pio 12. Falando durante uma missa na Basílica de São Pedro em comemoração ao 50º aniversário da morte de Pio, Bento disse que o pontífice, que se tornou papa em 1939 logo antes do irromper da guerra, "trabalhou em silêncio e em segredo" durante o conflito "para evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus."


Bento lembrou ao público que a ministro israelense de relações exteriores Golda Meir homenageou Pio quando ele morreu em 9 de outubro de 1958. Bento 16 também enfatizou uma mensagem de Natal de Pio para o rádio em dezembro de 1942, na qual ele falou sobre as "centenas de milhares de pessoas que, sem terem cometido nenhum erro, apenas por razões de nacionalidade ou raízes étnicas, foram destinadas à morte ou à lenta deterioração."


O processo de beatificação, a etapa formal final antes de declarar a santidade, "pode acontecer com alegria", disse Bento 16 na quinta-feira.


Entretanto, nem todo mundo é tão otimista quanto à perspectiva de santificação de Pio 12. O rabino chefe da cidade de Haifa (em Israel), She'ar Yashuv Cohen, que na segunda-feira se tornou o primeiro judeu a falar diante do concílio de bispos do Vaticano, disse que muitos judeus estavam descontentes em relação a Pio.


"Sentimos que o finado papa deveria ter se posicionado mais fortemente do que fez", disse numa entrevista coletiva antes de falar ao concílio. "Ele pode ter ajudado muitas vítimas e refugiados em segredo, mas a questão é: ele poderia ter erguido sua voz? E isso teria ajudado ou não? Nós, como vítimas, sentimos que (a resposta é) sim."


Outros não foram tão diplomáticos. Num livro de 1999 chamado "Hitler's Pope" ["O Papa de Hitler"], o escritor britânico John Cornwell documentou o papel de Pio antes de se tornar papa, na negociação do "Reichskonkordat", tratado assinado entre a Alemanha Nazista e a Igreja Católica em 1933. Muitos historiadores argumentaram que esse acordo fornecia ao regime nazista um grau substancial de legitimidade internacional.

Mas a afirmação de Cornwell de que o papa Pio 12 falhou em tomar uma ação séria para salvar os judeus tem sido confrontada e o próprio autor se retratou de algumas de suas alegações mais controversas em relação à suposta aquiescência de Pio.


Mesmo assim, muitos judeus ainda são críticos em relação ao papel que Pio desempenhou. Sua foto no museu do Holocausto Yad Vashem inclui uma descrição bastante dura.


"Mesmo quando notícias do assassinato de judeus chegaram ao Vaticano, o papa não protestou nem verbalmente nem escrevendo", diz a legenda. "Em dezembro de 1942, ele se absteve de assinar a declaração aliada condenando o extermínio de judeus. Quando os judeus foram deportados de Roma para Auschwitz, o papa não interveio."


A veracidade da legenda da foto foi questionada pelo Vaticano e o museu disse que estaria aberto a realizar uma nova pesquisa sobre o assunto. Os defensores de Pio argumentam que o papa da época da guerra trabalhou duro nos bastidores para proteger os judeus dos campos de concentração nazistas.


O jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, publicou na terça-feira um artigo de página inteira elogiando os esforços de Pio durante a 2ª Guerra Mundial. O jornal também incluía um texto escrito pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone. "Se ele tivesse feito uma intervenção pública, teria colocado em perigo a vida de milhares de judeus, que, sob suas ordens, foram escondidos em 155 conventos e monastérios apenas em Roma", escreveu Bertone.


O padre jesuíta Peter Gumpel, que, como investigador-chefe do Vaticano, passou anos pesquisando sobre o papa para avaliar sua candidatura à santidade, deu sua bênção para a beatificação. Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung na terça-feira, Gumpel disse que leu tudo o que conseguiu encontrar, e teve acesso a arquivos do Vaticano que ainda não foram colocados à disposição do público.


"Se eu tivesse encontrado algo incriminador nos arquivos, eu nunca teria assinado", disse Gumpel ao Süddeutsche. "Afinal, eu tenho muita responsabilidade como o juiz de investigação."


O caminho para a beatificação do papa Pio 12, que começou em 1967, nem sempre foi direto e sofreu repetidos atrasos. Com o processo de beatificação aparentemente em marcha, alguns argumentam que este é o momento para a Igreja Católica abrir seus arquivos para que os historiadores independentes possam olhá-los.


"Eu gostaria que eles gastassem uma grande porcentagem de seu tempo e esforços para abrir os arquivos, e menos tempo selecionando o que apresentam", disse Abraham Foxman da Liga Anti-Difamação (ADL) recentemente ao jornal National Catholic Reporter. Foxman e a ADL se opõem consistentemente à beatificação de Pio. "Eles estão protestando demais. Estamos dispostos a suspender o nosso julgamento e o Vaticano deveria suspender o seu (próprio) até que os acadêmicos pudessem examinar abertamente o material e ver o que existe lá."


Tradução: Eloise De Vylder

domingo, 12 de outubro de 2008

Bento 16 argumenta em favor da beatificação de Pio 12

Le Monde, em 11/10/2008

Por Stéphanie Le Bars


Na quinta-feira, 9 de outubro, Bento 16 voltou a argumentar em favor da beatificação do papa Pio 12 (1939-1958), por ocasião da missa celebrada em Roma que se destinava a comemorar o qüinquagésimo aniversário da sua morte. A despeito da controvérsia que cerca até hoje a atitude de Pio 12 em relação aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o Vaticano parece estar determinado a ir até a conclusão deste processo, que foi iniciado em 1965. "Nós oramos para que a causa da beatificação de Pio 12 prossiga e tenha uma conclusão feliz", declarou.


Numa resposta dirigida aos detratores de Pio 12, que criticam o antigo papa pelo seu silêncio diante da Shoah, Bento 16 apresentou um extenso elenco de argumentos destinado a justificar esta discrição, durante a sua tradicional pregação da quinta-feira, e disse lamentar que o "debate histórico" a respeito desta questão nem sempre tivesse sido "sereno". "Em muitos casos, foi em meio ao segredo e ao silêncio que ele agiu. Porque justamente, à luz das situações concretas que refletiam a complexidade daquele momento histórico, ele tivera a intuição de que seria tanto e somente dessa maneira que o pior poderia ser evitado, e que o maior número possível de judeus poderia ser salvo", argumentou o papa.


Bento 16 também lembrou as "numerosas e unânimes manifestações de reconhecimento" que o Vaticano recebeu por parte de lideranças judaicas depois da guerra e por ocasião da morte de Pio 12.


O pontificado deste papa e a sua possível beatificação continuam sendo um objeto de discórdia entre a Igreja católica e a comunidade judaica. Tirando proveito da oportunidade rara e histórica de poder expressar-se perante um sínodo de bispos católicos, na segunda-feira, 6 de outubro, o grande rabino de Haifa (Israel), Shear Yashuv Cohen sublinhou a impossibilidade para o povo judaico "de esquecer e de perdoar" a atitude "de grandes dirigentes religiosos" durante a Shoah.


Em abril de 2007, o núncio apostólico em Israel já havia se recusado a participar de uma comemoração no memorial Yad Vashem de Jerusalém, por considerar equivocada a apresentação que havia sido feita das ações de Pio 12 durante a guerra. A análise completa daquela época pelos historiadores permanece até hoje na dependência da abertura da totalidade dos arquivos do Vaticano que lhe dizem respeito.


Quanto ao processo de beatificação, ele ainda continua à espera da assinatura, por parte de Bento 16, do decreto relativo à "heroicidade das virtudes" de Pio 12, que foi reconhecida em maio pela congregação para a causa dos santos. Depois disso, será então necessário atribuir-lhe um "milagre". E, por fim, um segundo milagre deverá ser reconhecido e lhe ser imputado para que Pio 12 possa finalmente ser declarado "santo".


Tradução: Jean-Yves de Neufville

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Papa Pio XII começa a ser reabilitado

Diário dos Açores, em 08/10/2008 - Cinquenta anos após a morte de Pio XII, a sua memória começa a ser reabilitada e a ser reposta a verdade sobre as acusações de "cumplicidade" com o regime nazi e de "silêncio" quanto às perseguições aos judeus.

Num processo que leva cerca de cinco anos, estudiosos, responsáveis judeus e altos dignitários da Igreja reconhecem agora que Pio XII, falecido a 09 de Outubro de 1958, teve uma decisiva acção no salvamento de milhares de judeus, muitos deles passando por Portugal, pautando, no entanto, sempre a sua acção pela prudência.

Mas é precisamente essa prudência que ainda hoje faz com que responsáveis religiosos judaicos se oponham ao processo de beatificação de Pio XII.

Na segunda-feira, em Roma, o rabino-chefe israelita de Haifa, Shear-Yashuv Cohen, reprovou a beatificação do Papa Pio XII, alegando que o antigo Sumo Pontífice não se insurgiu contra o regime nazi. "Cremos que não deveria ser beatificado ou ser considerado como modelo quem não levantou a voz, ainda que, de maneira secreta, tenha tentado ajudar-nos", declarou o rabino, depois de participar no Sínodo de bispos no Vaticano.

Homem de "grande craveira intelectual" e hábil diplomata, como o definiu à Lusa D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e especialista em Teologia e em História Eclesiástica, Pio XII foi, segundo Eliezer Di Martino, rabino da Comunidade Israelita de Lisboa, uma vítima de quem quis denegrir a imagem da Igreja Católica.

Com a memória manchada pelo que veio a convencionar-se por "lenda negra", Pio XII foi acusado de ter sido um chefe da Igreja retrógrado, conservador e, sobretudo, cúmplice, através do silêncio, do regime de Adolf Hitler, não se pronunciando clara e publicamente sobre o que se estava a passar.

Nada mais longe da verdade, referiu à Lusa D. Carlos Azevedo, até há pouco porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, presidente da Fundação Spes (D. António Ferreira Gomes) e responsável no Patriarcado pelos bens culturais.

"Ao contrário do que tem sido dito, Pio XII não foi de modo nenhum o "Papa dos nazis". Ele salvou muitos judeus da morte, como é provado por estudos de várias entidades, inclusivamente investigações judaicas", referiu por seu lado Eliezer Di Martino.

O responsável da Comunidade Israelita atribuiu a má fama de Pio XII a interesses "políticos e de grupos", mais interessados em atirar lama contra instituições como a Igreja Católica, "para culpabilizá-la pelo que aconteceu".

A "lenda negra" começa a aparecer em meados de 60, com a peça "O Vigário", de Rolf Hocchuth, que, num diálogo ficcionado entre Pio XII e um padre jesuíta, procura fazer ligações entre a atitude do Papa e um alegado anti-semitismo da Igreja e alegadas cumplicidades económicas do Vaticano.

Uma opinião que na altura não era partilhada pelas autoridades judaicas: quando Pio XII morreu, a então primeiro-ministro israelita, Golda Meir, enviou uma mensagem de condolências em que lastimava a morte do Papa, referindo o papel que desempenhou no salvamento de milhares de judeus.

A abertura dos arquivos do Vaticano permitiu a realização de estudos que mostram uma visão mais matizada da acção de Pio XII, explicada pela sua formação diplomática.

D. Carlos Azevedo destaca também o facto de o então bispo e cardeal Eugénio Pacelli ter sido secretário de Estado do Vaticano e Núncio Apostólico na Alemanha e noutros países, o que lhe deu "uma grande habilidade diplomática, mas ela nunca foi ultrapassada por uma falta de respeito pelos direitos humanos". "Defendeu Roma e a Itália no contexto das ameaças nazistas, não deixando de ter em conta as pessoas que estavam a ser vítimas do regime fascista", referiu.

"Houve uma altura na própria Igreja em que para sacralizar João XXIII se diabolizou Pio XII", acusou, indicando que uma visão mais distanciada dos acontecimentos prova agora que não se registou uma ruptura entre o seu papado e o que se seguiu, de João XXIII, o Bom Papa João como ficou conhecido. "O que houve, isso sim, foi uma grande diferença de temperamentos, com Pio XII a tomar uma atitude mais reservada e João XXIII mais descontraído e a tomar decisões mais arrojadas, do estilo de avançar e quem vier atrás que feche as portas", comentou.