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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 30 de abril de 2011

Os exus mirins da umbanda

Revista Brasileira de História das Religiões. ANPUH, Ano II, n. 6, Fev. 2010 - ISSN 1983-2850

Os exus mirins da umbanda

Sulivan Charles Barros

RESUMO: O presente trabalho se propõe a considerar a importância da presença de entidades exus mirins no imaginário umbandista. Por se tratar de um estudo pioneiro no campo das ciências sociais da religião, este paper não visa um caráter conclusivo, mas exploratório e instigante, no sentido de levantar algumas questões sobre a inserção destas personagens nesta religião. Torna-se necessário ressaltar que a umbanda acolhe em seu panteão religioso todos aqueles elementos sociais que, postos em estratos inferiores da sociedade ou marginalizados pela mesma, passam à categoria de “deuses” poderosos e atuantes como é o caso de velhos escravos, índios, prostitutas, malandros, delinqüentes, homossexuais, crianças e meninos de rua.

PALAVRAS-CHAVE: exus mirins; meninos de rua; umbanda.

Expressões do corpo e da sexualidade nos rituais de umbanda

Expressões do corpo e da sexualidade nos rituais de umbanda

Cleyde R. Amorim (DCS/UEM)

A religiosidade popular brasileira, desde o período colonial foi marcada pela alegria, pela cantoria e, quando envolve a população de descendência africana e afro-brasileira, a dança e a utilização de instrumentos de percussão são componentes muito freqüentes. A partir de trabalhos de autores clássicos como Nina Rodrigues, Edson Carneiro e Roger Bastide, ao lado de pesquisadores mais recentes como Reginaldo Prandi, Vagner Silva, Luiz Nicolau Parrés, entre outros, é possível chegar às características semelhantes dos diversos movimentos religiosos populares que precederam as religiões hoje conhecidas como afro-brasileiras, em especial o Candomblé e a Umbanda, expressões mais conhecidas delas, como se apresenta a seguir. >>> Leia mais, clique aqui.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

As Entidades 'Brasileiras' da Umbanda: representações míticas das minorias raciais e nacionais do Brasil contemporâneo

As Entidades 'Brasileiras' da Umbanda: representações míticas das minorias raciais e nacionais do Brasil contemporâneo

Sulivan Charles Barros

No universo plural das religiões afro-brasileiras, ou afro-índio-brasileiras, as entidades espirituais que constituem o panteão especialmente brasileiro, justaposto ao panteão de origem africana formado pelos orixás, são conhecidos como caboclos, mestres ou pelo nome genérico de encantados, concebidos como espíritos de homens e mulheres comuns que morreram ou então passaram diretamente deste mundo para um mundo mítico, invisível, sem ter conhecido a experiência de morrer: diz-se que se “encantaram”. Em todos estes cultos, o sincretismo com o catolicismo é sempre muito expressivo. Uns mais, outros menos, os cultos dos encantados não estão isolados, havendo trocas e influências recíprocas entre eles. Destes cultos, certamente a umbanda é o mais conhecido. Quem já teve a oportunidade de assistir a uma “gira” de um terreiro umbandista pode perceber, no ritual e no ambiente, a presença de elementos de várias religiões. No altar principal, chamado de “congá”, encontram-se imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora, santos como São Lázaro, São Jorge, Cosme e Damião, Orixás, ao lado de estatuetas de Buda, Iemanjá, índios, ciganos, pretos-velhos e, mais dissimuladas, representações que sugerem a figura do diabo (representando os exus e as pombas-giras). Encontram-se, também, nestes “congás”, objetos próprios do rito umbandista (“pembas”, “guias”, “patuás”, etc.), bem como, velas brancas, flores e por vezes ícones cívicos, como a bandeira nacional. >>> Leia mais, clique aqui.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sob o olhar da razão: as religiões não católicas e as ciências humanas no Brasil (1900-2000)

Sob o olhar da razão: as religiões não católicas e as ciências humanas no Brasil (1900-2000)

Marcos Alexandre Capellari

Dissertação de mestrado em História Social (USP)

Orientadora: Profa. Dra. Raquel Glezer

Data de defesa: 09/05/2002

Resumo: Esta Dissertação de Mestrado descreve o nascimento, a inserção e o desenvolvimento das religiões não Católicas em solo brasileiro. Discorre, entre as que estão em maior evidência, sobre suas doutrinas e práticas fundamentais. Por outro lado, analisa a produção científica brasileira sobre a temática, ocorrida entre 1900 e 2000, através de um balanço bibliográfico. Procura, assim, verificar quais religiões foram mais estudadas pela comunidade científica, bem como as lacunas existentes.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um estudo sobre a pedagogia espírita e seus pressupostos filosóficos

Euripedes Barsanulfo: um educador espírita na Primeira República
Autor:
Rafael dos Santos Pereira
Monografia apresentada à Faculdade de Educação da Unicamp, sob a orientação do Prof. Dr. Sílvio Ancízar Sanches Gamboa (DEFHE), para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia.
Data de defesa:
2006.
Resumo: Esta monografia, que se constitui num trabalho de conclusão de curso da graduação em pedagogia na Unicamp, visa realizar um estudo sobre a pedagogia espírita e seus pressupostos filosóficos, dando voz à pedagogia espírita e seus autores, com o intuito de proporcionar uma reflexão mais profunda sobre as concepções filosóficas e educacionais que permeiam as pedagogias. Também é objetivo desse trabalho refletir sobre a superação do conflito secular entre as Pedagogias da Essência e as Pedagogias da Existência. Para tal utilizamos como método a pesquisa bibliográfica, analisando e refletindo sobre a bibliografia básica dessa pedagogia e sobre a obra do pedagogo polonês Bogdan Suchodolski (1903-1992), a Pedagogia e as grandes correntes filosóficas (Livros horizonte, 1992).

Veja mais:

sábado, 31 de maio de 2008

Espiritismo e loucura: O Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)

Espiritismo e loucura: O Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)
Autor:
Raphael Ribeiro
Resumo: A proposta deste trabalho é pensar a loucura e sua institucionalização na cidade de Uberlândia. Essa discussão envolvendo a temática da loucura continua atual e instigante por tudo que ela representou e ainda representa em nossa sociedade. Dúvidas têm surgido de maneira intensa em torno da grande incógnita que envolve a loucura. Quais os indícios que evidenciam a loucura? Mais ainda, a loucura realmente existe? Muitas outras indagações estão colocadas, inclusive questionando o discurso médico, que antes se apresentava como vencedor, como também suas práticas e técnicas curativas. Em contrapartida, percebemos hoje o quanto foram importantes os debates de outros segmentos da sociedade que, de uma maneira ou de outra, não aceitaram a imposição do saber psiquiátrico. Este trabalho de pesquisa nasceu a partir de uma vasta documentação encontrada no Sanatório Espírita de Uberlândia, instituição fundada em 1942 e desativada em meados dos anos 1990. São 29 livros contendo inúmeros prontuários dos internos de 1942 a 1959. Nessa documentação, encontramos informações sobre o motivo da internação, relatado pelo responsável do asilado, diagnóstico e prognóstico, muitos deles por psicografias, terapêuticas utilizadas, entre outras. Tendo em vista as diversas possibilidades de análise dessa documentação, o campo de reflexão utilizado na pesquisa tem como premissa trabalhar os complexos discursos que foram elaborados sobre a insanidade presentes na cidade de Uberlândia e, como isso possibilitou as práticas de sua institucionalização.
Palavras-chaves: Loucura, espiritismo, obsessão, Uberlândia/MG, institucionalização.

Almas Enclausuradas: práticas de intervenção médica, representações culturais e cotidiano no Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)

ALMAS ENCLAUSURADAS: práticas de intervenção médica, representações culturais e cotidiano no Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)
Autor: Raphael Alberto Ribeiro
Resumo Este trabalho de pesquisa nasceu a partir de uma vasta documentação encontrada no Sanatório Espírita de Uberlândia, instituição fundada em 1942 e desativada em meados dos anos 90. São 29 livros contendo inúmeros prontuários dos internos de 1942 a 1959. Nesta documentação encontramos informações sobre o motivo da internação, relatado pelo responsável do asilado, diagnóstico e prognóstico, muitos deles por psicografias, terapêuticas utilizadas, entre outras. Tendo em vista as diversas possibilidades de análise desta documentação, o campo de reflexão utilizado na pesquisa tem como premissa trabalhar os complexos discursos que foram elaborados sobre a insanidade presentes na cidade de Uberlândia e, como isto possibilitou as práticas de sua institucionalização.
Palavras-chaves: Loucura, espiritismo, obsessão, Uberlândia/MG, institucionalização.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

As Religiões na Diáspora Japonesa

Revista Nures – Núcleo de Estudos e Religião (PUC-SP)
Edição Ano 4 - Número 9 - Maio / Setembro 2008

As Religiões na Diáspora Japonesa

Artigos

Entrevista com Ricardo Mário Gonçalves, pesquisador brasileiro da cultura japonesa por Leila Marrach Basto de Albuquerque - UNESP - Rio Claro

A construção do imaginário da morte nas cerimônias budistas
Francisco Handa - Doutor em História

Como a morte vem sendo construída a partir dos discursos produzidos pelos monges oficiantes de cerimônias memoriais no Templo Busshinji, da tradição Zen Soto, é o material de pesquisa e assunto deste artigo. Famílias de origem japonesa trouxeram em sua bagagem cultural o costume de reverenciar os antepassados. Por isso, procuram os templos budistas a fim de estabelecer o elo de ligação do presente com o passado. Nestas cerimônias os monges realizam sermões a respeito da morte. Verifica-se uma mudança de atitude, abandonando a pedagogia confucionista da obrigatoriedade por um entendimento budista da inconstância dos fenômenos.

O Estado Meiji e a religião shintô
Luciane Munhoz de Omena - Doutora em História/USP
Altino Silveira Silva - Mestrando em História/UFES

A estratégia dos lideres meiji de se apropriarem da sacralidade imperial, para o estabelecimento da nova ordem, foi um importante elemento na formação do sentimento de pertencimento na psicologia coletiva para com a entidade Estado. Os discursos que reverenciavam a figura do soberano, como um simbolismo político-religioso, foram intensificados para as massas por diversos aparelhos de divulgação. Estes, juntamente com diversas organizações sociais de caráter civil e religioso, tinham por fim ideal o de celebrar e cultivar as virtudes ligadas ao patriotismo.

Shintoísmo e Culto aos Kami: Aproximações e Distanciamentos

Richard André - Doutorando em História das Religiões/UNESP

O artigo sugere que o Shintoísmo, geralmente considerado a religião nativa e mais antiga do Japão, é uma construção historicamente recente, motivada, principalmente, por razões políticas, legitimando os soberanos enquanto “deuses vivos”. Para isso, baseado nas proposições de Toshio Kuroda e alguns pesquisadores norte-americanos, sugire-se que não há uma relação de continuidade absoluta entre o culto aos kami e as concepções shintoístas.


Igreja Messiânica Mundial e suas dissidências
Hiranclair Rosa Gonçalves - Doutor em Ciências Sociais/PUC-SP

Esse artigo diz respeito à religião de Mokiti Okada no Brasil, cujo principal ramo é a Igreja Messiânica Mundial do Brasil. O artigo aborda outras organizações que seguem a religião de Mokiti Okada no Brasil, as quais, embora pequenas em número de adeptos, ajudam a compreender melhor essa religião. O objetivo é buscar compreender como foi possível essa religião conseguir tão significativo crescimento no Brasil.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Espiritismo à brasileira (Fábio Luiz da Silva)

Por Fábio Luiz da Silva
Mestre em História, professor da Universidade Estadual de Londrina e da Faculdade Metropolitana/IESB

Onde mais senão no Brasil é possível ser católico, judeu ou protestante e mesmo assim acreditar em reencarnação? Pode parecer estranho, mas é isto que indica uma pesquisa realizada pelo Vox Populi (VARELLA, 2000: 78-82) , segundo a qual 59% da população brasileira acredita que já teve outras vidas, apesar de somente 3% se declararem espíritas. Um contra-senso em qualquer outra parte do mundo, mas significa que pelo menos um dos princípios espíritas encontrou um ambiente propício para seu desenvolvimento em nosso país.

Nascido na França do século XIX, através do trabalho de Allan Kardec, o Espiritismo chegou ao Brasil ainda neste mesmo século. Porém, o Espiritismo brasileiro ganhou um colorido que o fez diferente daquele existente na Europa. Assim, o surgimento do Espiritismo no Brasil provoca duas questões teóricas interessantes. Primeiro, seria o Espiritismo brasileiro uma deformação do Espiritismo europeu ou uma construção original? Segundo, quais as relações entre o Espiritismo e os cultos afro-brasileiros?

Vejamos a primeira questão. É comum entender que o Espiritismo possuía na Europa um caráter mais científico e filosófico e que no Brasil ele ganhou características mais religiosas (STOLL, 1999: 41). Argumenta-se que tal fato deve-se ao misticismo da tradição cultural brasileira. É a opinião de Ubiratan Machado em seu livro “Os Intelectuais e o Espiritismo”: a maioria de nossos espíritas preferia realçar o aspecto religioso, dando relevo à parte mágico-mística da doutrina (...)(1983:114). Para este autor o abrasileiramento do Espiritismo levou-o a uma perda do caráter experimentalista e científico de sua origem, e isto corresponderia a um abastardamento do Espiritismo no Brasil. Igualmente pensam assim François Laplantine e Marion Aubrée: il n’a jamais eu le caractère “expérimental” tant revendiqué par les spirittes français (1990:185).

Discordamos desta interpretação que considera o Espiritismo brasileiro uma simples deturpação do europeu. Acreditamos que o Espiritismo, no Brasil, foi uma construção original. Sandra Jacqueline Stoll, utilizando o trabalho de Clifford Geertz Observando el Islam (no qual é realizada uma análise comparativa sobre o desenvolvimento do Islamismo em duas culturas diferentes: Marrocos e Indonésia), conclui que as diferenças apresentadas por uma mesma religião em lugares diferentes são geradas por tensões inerentes ao processo de universalização das religiões, pois variam as estratégias sociais para resolver o dilema: adaptação versus preservação de princípios. E aplica o mesmo raciocínio ao Espiritismo:

Como o Islamismo na Indonésia, o Espiritismo é uma religião importada, que se difunde no país confrontando-se com uma cultura religiosa já consolidada, hegemônica e, portanto, conformadora do ethos nacional. Sua difusão, como postulam certos autores, foi em parte favorecida pelo fato das práticas mediúnicas já estarem socialmente disseminadas, de longa data, no âmbito das religiões de tradição afro. No entanto, em contraposição a estas o Espiritismo define sua identidade, elegendo sinais diacríticos elementos do universo católico(...) O Espiritismo brasileiro assume um “matiz perceptivelmente católico” na medida em que incorpora à sua prática um dos valores centrais da cultura religiosa ocidental: a noção cristã de santidade. (STOLL, 1999: 48)

O Espiritismo no Brasil não é um simples desvio de uma doutrina racional de origem européia e que sofreu uma contaminação do mágico e do místico, graças a uma predisposição do povo brasileiro para o maravilhoso. É uma construção original, influenciada pela formação cultural brasileira que já possuía elementos que foram reinterpretados pelo Espiritismo, assim como ele foi reinterpretado por estes elementos: crenças indígenas, africanas e populares de origem européia. Desta forma, acreditamos não ser possível ao Espiritismo manter uma “pureza” para onde quer que fosse difundido.

A segunda questão por nós levantada no início deste texto pode ser simplificada da seguinte forma: o termo Espiritismo inclui as crenças afro-brasileiras? A palavra Espiritismo pode ser encontrada referindo-se a toda crença na possibilidade de comunicação com o além através de médiuns (incluindo, neste caso, o Candomblé, Umbanda e o Espiritismo de Allan Kardec); somente à Umbanda e ao Espiritismo de Kardec (como muitos umbandistas entendem) ou somente ao Espiritismo de Kardec (como querem os espíritas). Estas diversas definições marcam diferentes posições dos sistemas religiosos e dentro das ciências sociais (HESS, 1989: 183).

Desde sua chegada ao Brasil, seus adversários tentaram igualá-lo às crenças afro-brasileiras. Assim se expressava a Igreja, ainda no século XIX, em seu primeiro documento condenando o Espiritismo: a Pastoral de 1867 do Arcebispo da Bahia D. Manoel Joaquim da Silveira. E também o bispo Boaventura Kloppenburg em seu livro A Umbanda no Brasil, no qual identifica Espiritismo e Umbanda (HESS, 1989:186-187)

Por outro lado, os intelectuais espíritas esforçam-se por marcar as diferenças. No livro Africanismo e Espiritismo, Deolindo Amorim defende a idéia que a Umbanda é muito mais parecida com o catolicismo do que com o Espiritismo, devido aos rituais, que segundo ele, não existem no Espiritismo. No preâmbulo da obra acima citada, assinado por Lippmann Tesch de Oliveira, fica claro o desejo espírita de afastar qualquer mal entendido que possa confundir Espiritismo e Umbanda:

Quando falamos em Espiritismo, saibam os leitores que nos referimos à codificação CIENTÍFICA, FILOSÓFICA e MORAL, de Allan Kardec, - a única com o privilégio de ostentar semelhante título! – que o mestre expôs numa série de obras notáveis, editoradas na França, no período de 1857 a 1869, e não a êsse conglomerado de pagelança e de rituais espalhafatosos, onde preponderam o mediunismo abastardado; em suma – ao carnaval de UMBANDA, difundido e praticado por aí em fora, sob o rótulo daquela luminosa esquematização espiritualista.(AMORIM, 1949: 5-7)

Ora, os católicos identificam Espiritismo/Umbanda e os espíritas Catolicismo/Umbanda, (...) são muito acentuados os traços de afinidade entre o Catolicismo e o Africanismo (...)(AMORIM, 1949: 70) , cada grupo tentando marcar diferenças e semelhanças através de um raciocínio parecido e que tem algo de preconceituoso.

Em meio às Ciências Sociais, segundo Hess (1989:183) também encontramos ambas as posições. Cândido Procópio Ferreira de Camargo, em seu livro Kardecismo e Umbanda defende a existência de um continuum mediúnico, que tem em um polo o Espiritismo e no outro a Umbanda. Também pensam assim os antropólogos franceses François Laplantine e Marion Aubrée (1990: 179). Idéia semelhante percebemos em expressões como adeptos de qualquer religião de possessão ou adeptos de uma prática mediúnica (SAEZ, 1991) , que referem-se tanto ao Espiritismo como aos cultos afro-brasileiros. Já Maria Laura Cavalcanti, autora do livro O Mundo invisível: Cosmologia, Sistema Ritual, e Noção de Pessoa no Espiritismo, enfatiza muito mais as diferenças (HESS, 1989: 188).

Entendemos que, apesar de tentadora, a opção por considerar o Espiritismo dentro de um continuum mediúnico tende a deixar de lado as características que o aproximam do Catolicismo, para enfatizar apenas suas as semelhanças com as crenças afro-brasileiras. Stoll (1999), por exemplo, percebeu a existência de um processo de santificação da figura de Francisco Cândido Xavier, muito próximo do que ocorre na Igreja Católica. Podemos concluir, portanto, que nossa opção de estudo abre a possibilidade de novas visões do processo histórico de legitimação social do Espiritismo, o que pode colaborar para uma compreensão mais satisfatória deste fenômeno religioso, cujas idéias estão disseminadas até mesmo entre aquelas pessoas que oficialmente professam outras crenças.


*
Texto produzido a partir de um capítulo da minha dissertação de mestrado: A Perspectiva do além: a história na visão do Espiritismo (1938-1949)


Referência bibliográfica

  • AMORIM, Deolindo. Africanismo e Espiritismo. Rio de Janeiro: Mundo Espírita, 1949.
  • AUBRÉE, Marion; LAPLANTINE, François. La Table, le livre e les esprits. Paris: JC Lattés, 1990.
  • HESS, David J. Disobsessing disobsession: religion. Ritual, and the social sciences in Brazil.
  • Cultural Anthropology, Washington, v. 4, n. 2, p. 182-193, may. 1989.
  • MACHADO, Ubiratam. Os Intelectuais e o espiritismo. Rio de Janeiro: Antares/INL, 1983.
  • SAEZ, Oscar Calavia. Fantasmas falados: mito, escatologia e história no Brasil. Campinas, 1991. Dissertação (Mestrado em Antropologia) – UNICAMP
  • STOLL, Jacqueline Stoll. Entre dois mundos: o Espiritismo da França e no Brasil. São Paulo, 1999. Tese (Doutorado em Antropologia) – USP.
  • VARELLA, Flávia. À Nossa moda. Veja, São Paulo, a 33, n. 1659, p. 78-82, jul. 2000.


Extraído de:
Revista Espaço Acadêmico, edição número 17, outubro de 2002.


Obs.: STOLL, Sandra Jacqueline. Espiritismo à brasileira. São Paulo: EDUSP/Orion, 2003.

domingo, 4 de maio de 2008

O Livro e a Leitura como Ritual Religioso

FERREIRA, Cláudia Andréa Prata. O Livro e a Leitura como Ritual Religioso. IN: Anais do I Seminário Brasileiro sobre Livro e História Editorial / Colóquio do Sesquicentenário: Francisco Alves na história editorial brasileira, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa e Universidade Federal Fluminense - Programa de Pós-graduação em Comunicação - Núcleo de Pesquisas sobre Livro e História Editorial no Brasil. Fundação Casa de Rui Barbosa: Rio de Janeiro, RJ. Novembro de 2004. 15 p.

Revista Eletrônica ComCiência (UNICAMP). Tema: Ciência e Religião

Revista Eletrônica ComCiência (UNICAMP). Tema: Ciência e Religião

Número 65 – Maio de 2005

Reportagens

Artigos

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O paladino dos hereges: a defesa dos cristãos-novos e judeus pelo Padre Antônio Vieira

O paladino dos hereges: a defesa dos cristãos-novos e judeus pelo Padre Antônio Vieira
Autor: Salomão Pontes Alves
Dissertação de mestrado em História (UFF)
Data da defesa: 24/08/2007.
Resumo: O presente trabalho é uma continuação e aprofundamento da minha monografia de final de curso, concluída sob o título de "Portugal, judeus e cristãos novos na vida do Padre Antônio Vieira", no ano de 2004, sob a orientação do professor Ronaldo Vainfas. Figura extremamente instigante e sedutora, Vieira foi objeto de estudo de intelectuais de diversas áreas das ciências humanas, sempre tendo aspectos inovadores sendo abordados. No que diz respeito ao presente trabalho, trabalharemos a defesa do insigne jesuíta aos cristãos-novos e judeus no reino de Portugal, característica por demais notada em todos os estudos a seu respeito. Entretanto, a maioria dos trabalhos que tratam desta característica da vida do padre valorizam muito o seu aspecto econômico em detrimento de outros. Desta maneira buscaremos relacionar esta defesa aos aspectos econômicos, os quais são inegáveis, mas também buscaremos mostrar que ela o extravasa, estando relacionada também ao seu pensamento profético-messiânico, que pregava um destino glorioso português, fazendo eco uma tradição que foi construída em Portugal ao longo dos séculos.

domingo, 20 de abril de 2008

PUC-SP: Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião

PUC-SP: Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião
Biblioteca Digital de Dissertações e Teses (até março de 2008)

Adilson Rogério do Amaral - Terreiro do São Domingos: Memória, permanência e inovação
Adriana de Jesus Buarque - A compaixão em O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger
Alessandra Sterzi de Carvalho - O senso religioso e o homem contemporâneo: uma reflexão antropológica filosófica na obra de Luigi Giussani
Amir Aparecido dos Santos Piedade - O sagrado em literatura infantil brasileira de 1950 1985
Andréa Conceição Peral - A vitima no sacrificio asteca - A vitima sob a otica de Frei Bernadino de Sahagúm
Andréa Porto Luiz Madeira - Fé e evolução: a influência de crenças religiosas sobre a criação do homem na aprendizagem da teoria da evolução com alunos do 3° ano do ensino médio
Andrei Venturini Martins - Contigência e imaginação em Blaise Pascal
Ângela Cristina Borges Marques - Umbanda sertaneja. Cultura e religiosidade no sertão norte-mineiro
Anísia de Paulo Figueiredo - Realidade, poder, ilusão: um estudo sobre a legalização do ensino religioso nas escolas e suas relações conflitivas como disciplina "sui generis", no interior do sistema público de ensino
Antônio Francisco da Silva - Idas e vindas do ensino religioso em Minas Gerais: a legislação e as contribuições de Wolfgang Gruen
Antonio Francisco da Silva - Alvaro Negromonte: modernidade, religião e educação - uma tentativa de aproximação do privado com o público na educação Brasileira
Antonio Marques Alves Junior - Tambores para a rainha da floresta: a inserção da umbanda no Santo Daime
Beatriz Leme Curado - Nelson Rodrigues, miséria e redenção: uma análise da obra rodriguiana pela perspectiva cristã
Carlos Augusto Trinca Morini - Ritual de Umbanda: a influência dos estímulos somato-sensoriais na indução do transe mediúnico
Cecilia Cintra Cavaleiro de Macedo - Metafísica, mística e linguagem na obra de Schcomo IBN Gabirol (Avicebron): uma abordagem bergsoniana
Cesar Augusto Sartorelli - O espaço sagrado e o religioso na obra de claudio Pastro
Cintia Roberta Ribeiro Hoffmann - Unus Mundus: os graus da Coniunctio do alquimista Gerardus Dorneus, as fases alquímicas e suas relações com o ritmo ternário dos processos psíquicos em busca da totalidade quaternária, segundo C. G. Jung
Clodoaldo Gonçalves Leme - É Gol! Deus é 10 - A Religiosidade no Futebol Profissional Paulista e a Sociedade de Risco
Cristiane Moreira Cobra - Patativa do Assaré, uma hermanêutica criativa: reinvenção da religiosidade na nação semi-árida
Darci Donizetti da Silva - A pedagogia libertadora das Parábolas de Jesus: uma leitura à luz do método freireano
Débora Vasti Colombani Bispo de Almeida - Ensino religioso ou ensino sobre religiões: A concepção de ensino religioso escolar no estado de São Paulo
Denise Lopes de Souza - Diploma de monge: um estudo sobre a Universidade Livre Budista da Fo Guang Shan
Diego Genú Klautau - O Bem e o Mal na Terra Média – A filosofia de Santo Agostinho em O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien como crítica à modernidade
Eduardo Oyakawa - Martin Buber e friedrich Holderlin: O encontro entre o tu eterno e a palavra poética.
Edwiges Rosa dos Santos - O imprensa evangélica: diferentes fases do jornal no contexto brasileiro predominante católico dos anos 1864-1892
Elenice Rampazzo - Oiii geeenteee o santo no ar: a propagação da devoção ao Santo Expedito por intermédio do Programa de Rádio Eli Correa
Eliana da Silva Miranda - Negras Raízes: Fé, Liberdade e resistencia na irmandade de São Benedito em meados do século XIX em São Paulo
Elisabeth Gonzaga - Buda de casa faz milagre? estudo sobre o conflito entre tradição e bodernidade em grupos da escola Jôdo Shinshu em Suzano (SP)
Elisângela Venâncio Ananias - Atletas em campos: o movimento Atletas de Cristo como mediador nas relações entre campo esportivo e campo religioso
Enio Brito Pinto - Gestalt-Terapia de curta duração para clérigos Católicos: elementos para a prática clínica
Fernanda da Silva Pimentel - Quando o psiquê liberta o demônio: um estudo sobre a reação entre exorcismo e cura psíquica em mulheres na igreja universal do reino de Deus
Fernanda Tresinari Bertinato Moschella - "O Deus, eu quero cantar e tocar" : a musica e os instrumentos musicais no salterio davidico
Flavius Lucilius Buratto Nunes - A senzala e o claustro: a escravidão e a ordem carmelitana na cidade de São Paulo no século XIX 1840- 1888
Gilberto Cabral da Silva - Para além de Deus e da natureza: Elementos de filosofia trágica nos diálogos sobre a religião de David Hume
Gilberto Tomazi - A Mística do Contestado: a mensagem de João Maria na experiência religiosa do Contestado e dos seus descedentes
Gina Valbão Strozzi - Erotismo e religião em Georges Bataille
Helvânia Ferreira Aguiar - Deuses superinteressantes: a religião na perspectiva da Revista Superinteressante - edições de 2000 a 2002
Hermide Menquini Braga - Resistência para viver: as estratégias da condição humana a partir de vidas secas, em seus horizontes de transendência
Ilvana Maria Pereira Bulla - As transformações da alma: sofrimento e êxtase em Angela de Foligno
Ivan Barbosa Martins - A formação do Embu no período colonial: intersecção entre a ação evangelizadora dos jesuítas no âmbito da política colonial e as decorrências simbólicas e culturais do encontro de missionários e indígenas
Jacqueline Izumi Sakamoto - Religião e niilismo: paidéia crítica em Os demônios de Dostoiévski
Jane Rodrigueiro - Tensão e redução na várzea: as relações de contato entre os Cocama e Jesuítas na Amazônia do século XVII 1644-1680
Joachim Andrade - Shiva abandona seu trono: destradicionalização da dança Hindu e sua difusão no Brasil
Jorge Issamu Hirakawa - Igreja Metodista Livre: uma igreja evangélica japonesa no processo de inserção no Brasil
Jorge Silvino da Cunha Neto - Na medida do impossível: um estudo sobre a utopia e projetos históricos nos Planos Trienais da Associação de Educação Católica do Brasil - AEC/BR
José Antonio Cruz Duarte - A festa de São Benedito em Guaratinguetá: contribuição do negro para um catolicismo popular e resgate da cultura afro-brasileira
José Charles Paulino da Silva - Entre o desejo e o desprendimento: a noção do dinheiro na Igreja Perfect Liberty do Brasil
Juliana Barros Prata Carvalho - Sincretismo religioso brasileiro: um estudo através das veredas de Grande Sertão
Kleber Maia Marinho - In The President We Trust: uma análise da concepção religiosa na esfera política dos EUA presente nos discursos de George W. Bush
Leonor Quintana Morotto - Além da Ganges: Rituais Hinduístas na urbe paulistana. Fenômeno de resignificação religiosa numa metrópole ocidental
Lilian Wurzba Ioshimoto - A dança da alma: a dança e o sagrado - um gesto no caminho da individuação
Lourenço Stelio Rega - A “outra” história da igreja na América Latina escrita a partir do Outro, pobre e oprimido: a alter-história construída por Enrique Dussel
Luzia Ferreira Peixoto - A assistência psicoespiritual na enfermagem: ensino e prática
Marcia Cristina Zaia - O véu não cobre pensamento: imigrantes muçulmanas em São Paulo
Márcia Guimarães Rivas - Sofrimento e sentido: uma clínica fenomenológica de Ivan Karamázov
Maria Angelica Santana - Ética solidária: um estudo da ação religiosa e ética da Liga das Senhoras Católicas de São Paulo, nos princípios de Emmanuel Levinas
Maria Aparecida Barbosa - O desencontro entre AEC e as escolas cotólicas, um análise da proposta pedagógica e o projeto historico da associação de educação Catolica do Brail
Maria Cecilia Domezi - A Devoção nas CEBs: Entre o Catolicismo Tradicional Popular e a Teologia da Libertação
Maria Cristina Mariante Guarnieri - Morte no corpo, vida no espírito: o processo de luto na prática espírita da psicografia
Maria Cristina Mariante Guarnieri - Angústia e conhecimento: uma reflexão a partir dos pensadores religiosos Franz Rosenzweig, Sören Aabye Kierkegaard, e Qohélet
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