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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Os rituais cheios de luz das religiões

Estadão (25/12/2009)

  • Os rituais cheios de luz das religiões: No fim de ano as casas se enchem de luzes. Sejam produzidas pelas velas ou pelas luzinhas coloridas, o significado é o mesmo: prosperidade, paz, renovação e o início de uma nova era. A temporada da festa das luzes termina hoje, com a celebração do Natal. A chama das velas acesas nesta época pelos cristãos simboliza Jesus, que para o cristianismo é a luz do mundo. Apesar de outras religiões, como judaísmo, islamismo e paganismo não reconhecerem a data, elas também promovem celebrações com luzes - com semelhanças e diferenças entre elas. No Chanuká, por exemplo, que terminou no sábado, velas são acesas para lembrar o descanso do povo judeu da guerra com os gregos. >>> Leia mais, clique aqui.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O verdadeiro Natal

Jornal da ADUFRJ (15/12/2009): O verdadeiro Natal: Começamos o tempo litúrgico do Advento, em que várias tradições cristãs se preparam para a solenidade do Natal. Caberia, portanto, a pergunta: qual é o verdadeiro significado do Natal? “Natal” significa “nascimento” e a Festa do Natal lembra o nascimento de Jesus, que se convencionou colocar no dia 25 de dezembro. Esse dia era, nas saturnálias romanas, dedicado ao nascimento de Apolo, cuja carruagem era o Sol, daí a expressão ‘Dies Natalis Solis Invicti’ ou o dia de nascimento do “Deus Sol Invicto”. Vemos, então, que a festa do Natal surge como uma sacralização de uma festa que os romanos já consideravam sagrada em sua mitologia. Logo, dizer que o “nascimento de Jesus” é o “verdadeiro” significado do Natal é uma meia-verdade. Imaginem se fosse o contrário, com os herdeiros do antigo paganismo romana dizendo que o “verdadeiro” Natal era o deles, posto que historicamente tinha um significado mítico anterior ao da mitologia cristã e sua festa em honra de Jesus... teríamos de reconhecer que eles não estariam totalmente errados. A perspectiva histórica é, talvez, a melhor forma de se relativizar interpretações rígidas da vida e do mundo, impedindo quaisquer discursos um pouco diferentes do lugar-comum. Encontramos hoje certo tom moralista naqueles que consideram os donos da “verdade” sobre o Natal. Gostaríamos, porém, de propor um “espírito natalino” e democrático que acolha a todos, independente de sua maneira de pensar, ainda que seja diferentemente de como a maioria das pessoas pensam o Natal. >>> Leia mais, clique aqui.


Veja mais:


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Duendes gregos causam tumulto no Natal

Dan Hawaleshka

Em Atenas – Der Spiegel, 25/12/2008.


Quem disse que Papai Noel é o único que tenta descer pela chaminé durante a temporada de festas? Segundo a mitologia grega, um bando de espíritos semelhantes a duendes está tentando penetrar nas casas - em vez de presentes, eles estão decididos a deixar um rastro de destruição.

Como dizem os gregos, não seria difícil confundir os Doze Dias do Natal com os 12 dias do inferno. Isto é, se você acreditar nos Kallikantzaroi.


Esses espíritos míticos, semelhantes a duendes, surgiriam entre o nascimento de Cristo e a Epifania, em 6 de janeiro, dias que eles dedicam a causar um caos incomparável. John Tomkinson, autor de "Haunted Greece: Nymphs, Vampires, and other Exotica" [Grécia assombrada: ninfas, vampiros e outros seres exóticos], compara o comportamento deles com "... torcedores de futebol bêbados saindo de um bar".


E a descrição é adequada aos seus costumes vulgares: "Os Kallikantzaroi causam confusão, intimidam as pessoas, urinam nos canteiros, estragam comida, derrubam coisas e quebram móveis", disse Tomkinson.


As opiniões diferem sobre a aparência deles, por causa da imaginação ativa e da antiga distância entre as regiões da Grécia, separadas por muitas montanhas e os vastos mares da nação helênica. Em conseqüência, alguns dizem que os Kallikantzaroi se parecem com seres humanos de pele escura, muito altos e feios, que usam tamancos de ferro. Outros dizem que eles são baixos e morenos, com olhos vermelhos, cascos de bode, braços de macaco e corpos peludos. Existe outra escola de pensamento que os descreve como mancos, vesgos e idiotas. Eles sobrevivem com uma dieta de vermes, sapos e cobras.


Durante a maior parte do ano os Kallikantzaroi vivem nas profundezas da terra, mas saem durante os Doze Dias do Natal, aventurando-se sob a cobertura da noite.


Os visitantes não convidados e festivos entrariam nas casas pela chaminé ou, mais ousadamente, pela porta da frente. E, surpresa, as famílias gregas se esforçam para afastar esses monstrinhos. Algumas usam a precaução legendária de uma faca de cabo preto. Outras se defendem pendurando a queixada de um porco atrás da porta da frente ou dentro da chaminé. "É o que é preciso ter durante o Natal", disse Tomkinson. "Não me pergunte por quê."


Pendurar um feixe torcido de linho na porta da frente tende a confundir os Kallikantzaroi, que param para contar as linhas, tarefa demorada que os mantém ocupados até o sol nascer.


O fogo é outro dissuasor: muitas casas mantêm o fogo aceso na lareira durante toda a temporada. A fumaça afastaria os Kallikantzaroi da chaminé. Na véspera do Natal, o patriarca da família atira no fogo um grande tronco de uma árvore espinhosa, como uma pereira ou cerejeira silvestres. Esse tronco de Natal é conhecido como "skarkantzalos", de Kallikantzaroi.


Às vezes se queima um velho sapato, pois o mau cheiro do couro queimado aumenta o efeito repelente. Um punhado de sal, que faz as coisas estalarem, também assustaria as feras.


E os gregos nascidos no dia de Natal correm um risco especial. Isso pode ser considerado uma tentativa de superar Cristo, e a criança pode se transformar em um Kallikantzaroi - a menos que a mãe amarre o bebê com alho.


O dia de Natal também é um grande dia de fogos. Os gregos atiram no fogo grãos de trigo ou as folhas verdes de oliveira ou nogueira. O modo como eles se incendeiam prevê se uma pessoa vai sobreviver ao próximo ano e se essa pessoa deixará sua aldeia.


Nos últimos anos, a árvore de Natal ganhou popularidade em toda a Grécia. Mas alguns gregos preferem a moda antiga, optando por um ramo de manjericão pendurado sobre uma tigela cheia de água. Uma vez por dia alguém da casa, geralmente a mãe da família, usa o ramo para espirrar água por toda a casa, para afastar as criaturas.


Mas a única cura realmente confiável é quando padres da aldeia abençoam as águas na véspera da Epifania, que marca o fim dos Doze Dias do Natal. Eles costumam visitar as casas para borrifar água benta perfumada com manjericão para afastar os maus espíritos durante o ano novo.


Na véspera da Epifania em Chipre, os aldeões atiram panquecas sobre o telhado para dar aos Kallikantzaroi algo doce para comer enquanto eles se preparam para deixar a cidade, talvez para mostrar que não ficaram magoados.


Aikaterini Polymerou-Kamilaki, diretora do Centro de Pesquisa Folclórica Helênica em Atenas, diz que os Kallikantzaroi continuam populares em toda a Grécia atual, mesmo nas cidades. Mas hoje em dia eles são relegados a simples mitos - não são mais as feras temíveis que vagam à noite, não se acredita mais que sejam reais.


"Desde a introdução da eletricidade até nas menores aldeias não há mais motivos para alguém ter medo de sair à noite", diz Polymerou-Kamilaki. "Há luzes em todo lugar hoje, e não apenas a noite escura."


Mas mesmo assim dá vontade de dormir com a luz acesa.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves.

domingo, 21 de dezembro de 2008

70% dos londrinos não acreditam no Natal, afirma pesquisa

Folha de São Paulo online, em 20/12/2008 - Pesquisa do Centro Britânico de Pesquisas de Marketing divulgada neste sábado pelo jornal "The London Paper" revela que 70% dos moradores de Londres não acreditam na versão da Bíblia a respeito do nascimento de Jesus. Segundo o estudo, os jovens são "particularmente questionadores". Dos entrevistados que tinham entre 16 e 24 anos, 78% disseram não estar convencidos da autenticidade da história.


Conforme o jornal, a maioria dos entrevistados - 46% - disse não ser religioso. Mesmo assim, porém, entre os 43% dos entrevistados que disseram ser cristãos, cerca de 25% disseram não estar totalmente certos a respeito do que a Bíblia diz sobre Jesus; e 22% disseram que Jesus não era Deus e homem.


O levantamento, financiado por uma igreja, ouviu mil pessoas e foi realizada pela internet.


Leia mais:

O Primeiro Natal

Papai Noel visto por Lévi-Strauss

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

As festividades natalinas fecais da Catalunha

Josh Ward

Der Spiegel, em 26/11/2008.


Algumas das tradições natalinas mais curiosas podem ser encontradas na Catalunha, onde a idéia de espírito de festas parece envolver algumas das funções corporais mais básicas.


Eis aquí duas passagens que não se esperaria necessariamente encontrar para um mesmo termo da Wikipédia: "o menino Jesus é Deus na forma humana" e "todo mundo defeca".


Mas se você verificar o termo, tentando obter uma explicação da tradição catalã fecal-cêntrica encarnada no boneco conhecido como el caganer, é exatamente isso que encontrará. De fato, a tradição é um elemento bastante estimado da celebração do Natal na Catalunha, apesar da suas origens algo obscuras.


Um caganer - ou "cagão" - é uma pequena figura humana agachada com as calças abaixadas (ou a saia levantada) para atender a uma necessidade natural. Eles circulam pela região desde o século 17, e podem ser encontrados com freqüência em um canto obscuro dos presépios de Natal.


Alguns dizem que, originalmente, estas figuras tornaram-se populares entre os agricultores que acreditavam - de forma bem prática - que as "oferendas" do caganer tornariam o solo rico e produtivo para o ano seguinte. De forma algo vaga, o website da Associação dos Amigos do Caganer - uma organização fundada em 1990 para comemorar a tradição do caganer, e que tem 60 membros espalhados por todo o mundo - afirma que o objetivo desses bonecos é acrescentar "uma faceta humana à representação do mistério do Natal".


A Wikipédia menciona como o caganer pode representar a "igualdade de todas as pessoas" porque "todo mundo defeca", ou que ele pode ter sido criado para reforçar a idéia de que "o menino Jesus é Deus na forma humana".


Na Catalunha, crianças pequenas ainda brincam de um jogo do tipo "Onde está Wally?" que envolve a procura do caganer no presépio de Natal. Segundo o website da Associação dos Amigos, o caganer é "colocado sob uma ponte, atrás de uma pilha de feno ou em um outro local em que fique discretamente escondido", já que seria "uma falta de respeito" colocá-lo perto do cenário da manjedoura.


O el caganer original é uma figura em madeira ou cerâmica de um camponês usando o tradicional barrete vermelho catalão com uma tarja negra (a barretina) e fumando um cigarro ou um cachimbo. Mas a popularidade da figura gerou uma expansão enorme de personagens defecadores.

Marc Alos faz parte da família que produz e vende tais bonecos desde 1992 em Girona, uma cidade que fica 100 quilômetros a nordeste de Barcelona. A companhia, Terra I Mar - Caganer.com, oferece 150 tipos de bonecos caganer, que retratam figuras políticas, esportivas e outras mais anônimas ou tradicionais, como camponeses, freiras e Papai Noel - todos eles evacuando. "Pessoas de todo o mundo nos procuram e pedem que façamos estatuetas de figuras de suas regiões", diz Alos. "Mas não dá para satisfazer a todos."


Vendendo de 20 mil a 25 mil bonecos por ano, a companhia de Alos é a maior do gênero. Segundo Alos, a figura mais popular é de longe o camponês tradicional. Porém, o segundo lugar é ocupado por uma versão agachada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.


Quando lhe perguntam por que ele acha que a figura de Bush é tão popular, Alos prefere dizer apenas: "As figuras mais vendidas são sempre as mais amadas ou odiadas". Alos acrescenta que, com base nos recentes números relativos às vendas, parece que o presidente eleito Barack Obama também se encaixa nessa categoria.


Alegria natalina (re)laxante

O outro elemento escatológico do tradional Natal catalão é o Tió de Nadal, que pode ser traduzido mais ou menos como "acha de lenha de Natal". Também conhecido como "Caga Tió", ou "acha de lenha cagona", esse personagem é um pedaço de lenha de 30 centímetros que tem uma das extremidades ocas. Em tempos recentes, a outra extremidade ganhou uma face sorridente, usando uma versão miniatura da barretina e sustentando-se sobre duas pernas de varetas.

A partir de 8 de dezembro, dia da Festa da Imaculada Concepção na tradição católica, o pedaço de lenha é "alimentado" com pequenas quantidades de doces, nozes, figos e torrons - um tipo de nougat da região - todas as noites, e dorme sob um pequeno cobertor. Na véspera ou no dia de Natal, dependendo da casa, uma extremidade da acha é colocada no fogo e ordena-se ao pedaço de madeira que defeque.


Para apressar e estimular os movimentos intestinais simbólicos do pedaço de lenha, as crianças cantam músicas especiais e a espancam com pedaços de pau, gritando "caga tió!". A seguir alguém tira de sob o cobertor da acha de lenha um presente que é dividido entre o grupo.

É claro que, se ainda tiverem fome, as pessoas sempre podem ir até as confeitarias locais, que vendem doces em formato de fezes durante o período de fim de ano.