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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Criacionismo prospera no mundo islâmico, mas sem crença de Terra recente

FSP online (12/11/2009): Criacionismo prospera no mundo islâmico, mas sem crença de Terra recente: O criacionismo está crescendo no mundo muçulmano, da Turquia ao Paquistão, passando pela Indonésia, afirmaram acadêmicos internacionais, no mês passado, em um encontro para discutir o assunto. No entanto, eles disseram, criacionistas que creem que Deus criou o Universo, a Terra e a vida há apenas alguns milhares de anos são raros (se é que existem). Uma razão é que, embora o Corão, texto sagrado do islã, diga que o universo foi criado em seis dias, a frase seguinte acrescente que um dia, nesse contexto, é uma metáfora: "mil anos da sua contagem". Em contraste, alguns criacionistas cristãos descobrem na Bíblia uma cronologia exata que faz com que a Terra tenha 6 mil anos e, portanto, se opõe não apenas à evolução, mas também a grande parte da geologia e cosmologia moderna, que afirma que a Terra e o Universo têm bilhões de anos. "As visões da evolução científica são claramente influenciadas por crenças religiosas implícitas", disse Salman Hameed, que organizou a conferência realizada em dois dias no Hampshire College, onde ele é professor de ciências integradas e humanidades. "Não existe criacionismo que acredita que a Terra é jovem". >>> Leia mais, clique aqui.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Fé e evolução: a influência de crenças religiosas sobre a criação do homem na aprendizagem da teoria da evolução com alunos do 3° ano do ensino médio

Fé e evolução: a influência de crenças religiosas sobre a criação do homem na aprendizagem da teoria da evolução com alunos do 3° ano do ensino médio

Andréa Porto Luiz Madeira

Dissertação de mestrado em Ciência da Religião (PUC-SP)

Data da defesa: 30/08/2007.

Resumo: O reconhecimento das transformações do campo religioso nas últimas décadas, e mais recentemente, o aumento e visibilidade do protestantismo pentecostal, mais conhecido como grupo de evangélicos, e a inserção destes em diversos âmbitos da sociedade brasileira e mais especificamente em instituições e espaços públicos, nos motivou a estudar e tentar compreender como a dinâmica interna das religiões e do cristianismo em geral, configura posturas individuais e coletivas que refletem no âmbito das relações e interações humanas, conflitos e tensões subjacentes a um contexto bem maior e complexo: o eixo ciência-religião. Devido à relevância histórica e a atualidade das questões e controvérsias quanto às explicações da origem do universo, da vida e do homem, a temática deste trabalho vem discutir o grau de conhecimento e adesão às teorias conhecidas como evolucionismo e criacionismo e a forma como são entendidas, interpretadas e, mediadas, por agentes sociais formadores de opinião como, por exemplo, professores e líderes religiosos. Nosso trabalho é, portanto, o resultado dessa pesquisa que investiga a concepção, convicção e a interpretação de jovens secundaristas da classe popular da Grande São Paulo, mais especificamente do município de Guarulhos, quanto à origem da vida e do homem. Tomamos como ponto de partida, a realidade educacional pública, mais particularmente, o ensino de biologia. A pesquisa aponta para a necessidade da conjugação e a convivência de opiniões distintas e conflitantes no âmbito da sala de aula, bem como, para o reconhecimento de um mapa indicativo que reflete elementos constitutivos de adesão e afiliação em ambas esferas e, apontam para uma adesão híbrida que se configura talvez, numa nova forma de ressignificação de identidade fundamentalista em ambos os campos: científico e religioso. Nesse sentido, entendemos que esse confronto ideológico entre evolução e criação, cada vez mais, se consolida, como um elemento de fundamental importância na análise e compreensão de aspectos da sociedade brasileira que muito tem chamado a atenção de educadores e pesquisadores no âmbito das ciências sociais.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

30% dos docentes ingleses são a favor do criacionismo

Mais de um quarto dos professores de ciências das escolas públicas da Grã-Bretanha acredita que o criacionismo deveria ser ensinado com a Teoria da Evolução nas escolas, de acordo com uma pesquisa realizada com profissionais do ensino fundamental e médio do país. Foram ouvidos 923 docentes e outros 65% discordaram da inclusão das explicações religiosas para a origem do Universo no currículo escolar. >>> Leia mais em O Estado de São Paulo, em 24/12/2008.

domingo, 14 de dezembro de 2008

MEC diz que criacionismo não é tema para aula de ciências

O Ministério da Educação tomou posição no debate relativo ao ensino do criacionismo nas escolas do país. Para o MEC, o modelo não deve ser apresentado em aulas de ciências, como fazem alguns colégios privados, em geral confessionais (ligados a uma crença religiosa). "A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências", afirmou à Folha a secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar. >>> Leia mais em Folha de São Paulo online, em 13/12/2008.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O debate muçulmano do criacionismo: enfrentando Darwin na Turquia

Os cristãos fundamentalistas americanos não são os únicos liderando uma cruzada contra Darwin. O criacionismo e o "design inteligente" também estão se tornando cada vez mais populares entre os muçulmanos da Turquia

O homem que deseja salvar o mundo se chama Harun Yahya e lembra um ator da época do cinema mudo. Ele veste um terno de seda branca, abotoaduras douradas e exibe uma barba bem aparada no queixo. "Em 20 anos", ele diz em tom sério, "a humanidade entrará em uma era dourada".

Yahya diz que descobriu essa notícia maravilhosa na Bíblia e no Alcorão. Ele argumenta que é um "fato científico" que Jesus e o Mahdi, o messias muçulmano, voltarão à humanidade para resolver todos os conflitos globais. Antes, entretanto, ele diz que esses dois emissários celestiais terão que lidar com outro desafio: eles terão que erradicar a heresia do naturalista britânico Charles Darwin, que postula que toda a vida se originou de um processo de seleção natural.

Na visão de Yahya, o darwinismo está na raiz de todos os males do mundo. Visando ajudar a livrar o mundo desta teoria, ele bancou a impressão de milhares de cópias de "O Atlas da Criação" e as enviou para várias partes do mundo. Este tomo de formato grande e 800 páginas visa provar que nunca houve uma evolução natural das espécies. Em vez disso, ele argumenta que todas as formas de vida da Terra permaneceram inalteradas por milhões de anos. Ilustrações coloridas de fósseis foram incluídas para documentar a falta das chamadas formas transitórias.Yahya, 52 anos, um ex-estudante de arquitetura, é sem dúvida o mais expressivo seguidor do criacionismo em seu país. Ele alega já ter vendido 8 milhões de cópias de seus vários livros. No ano passado, milhares de cópias de "O Atlas da Criação" foram entregues - de forma não solicitada - para escolas de toda a Europa. A identidade da pessoa ou instituição que pagou a conta dessa iniciativa permanece desconhecida.

Além de Yahya, que atualmente está sendo processado "por ganho pessoal ilegal", há outros opositores veementes da evolução na Turquia. Um deles é Kerim Balci, um jornalista que trabalha para o jornal "Zaman" pró-governo. Sua mensagem: "Deus não é aquele que está morto; é o darwinismo".

Uma pesquisa realizada em 2006 mostrou quão impopular permanece a teoria da evolução no mais moderno de todos os países islâmicos. Foi perguntado às populações de 34 países sobre sua postura em relação à teoria da evolução, e o menor percentual de defensores foi encontrado na Turquia. Apenas um quarto dos turcos sente que a teoria de Darwin é correta. Apenas ligeiramente à frente deles - em 33º lugar - estavam os americanos.

Para Ibrahim Betil, um ativista comunitário turco envolvido em programas escolares, estes números contrastam enormemente das políticas educacionais oficiais do país. Diferentemente do que está acontecendo em várias áreas nos Estados Unidos, todas as tentativas de introduzir o criacionismo nas aulas de biologia na Turquia foram bloqueadas. Apenas a teoria da evolução é ensinada "em todas as escolas, em todas as salas de aula, mesmo nas províncias mais remotas".Mas isso poderá mudar em breve. Como colocou recentemente o ministro da Educação ortodoxo da Turquia, Hüseyin Çelik, o darwinismo não é nada mais do que "uma arma dos materialistas e dos infiéis". Çelik é um grande admirador da teoria do "design inteligente" - uma versão moderna da teoria do criacionismo, que alega reconhecer a mão de uma espécie de projetista por trás de todas as leis naturais do mundo.

Tradução: George El Khouri Andolfato

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Criacionismo no quadro negro

O Globo, Ciência, página 37, em 17/09/2008.

Criacionismo no quadro negro

Cientista britânico defende ensino 'alternativo' sobre evolução e perde emprego


O delicado debate entre ciência e religião acaba de ganhar mais um capítulo. O comentário de um renomado pesquisador inglês sobre o criacionismo abriu um racha no meio científico inglês e culminou com a renúncia do biólogo Michael Reiss, diretor de educação da prestigiosa Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido.

Há uma semana, durante um Festival da Ciência, em Liverpool, Reiss — que também é sacerdote da igreja Anglicana — disse ser favorável à discussão sobre todas as formas alternativas para a origem do universo — inclusive o criacionismo, que defende a idéia de que o mundo foi criado por um ser superior — nas aulas de ciência das escolas. Criticado por outros cientistas e pressionado pela sua própria instituição, Reiss, que disse ter sido mal interpretado, foi levado a abandonar o cargo, gerando mais críticas, dessa vez também à atuação da Royal Society.

Pedido de demissão gera controvérsia
Em comunicado oficial divulgado ontem, a Royal Society — que já teve Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução, entre seus integrantes — declarou seu apoio ao pedido de demissão de Reiss. “Comentários recentes do professor Michael Reiss sobre o criacionismo geraram muitos mal entendidos. Embora não fosse a sua intenção, isso causou danos à imagem da instituição.

Em seu pronunciamento em Liverpool, Reiss disse que, embora o criacionismo não tenha qualquer base científica, o assunto deveria ser discutido nas salas de aula porque a sua exclusão somente faria com que muitas crianças, vindas de famílias religiosas, se distanciassem cada vez mais da ciência.

A reação foi imediata. “O criacionismo se baseia na fé e não tem nada a ver com a ciência”, disse Lewis Wolpert, biólogo da University College, de Londres. Para John Fry, físico da Universidade de Liverpool, as aulas de ciências “não são o lugar apropriado para discutir uma teoria que se opõe a qualquer demonstração científica.”

Vaticano diz que Darwin nunca foi proibido
A renúncia de Reiss dividiu os cientistas. Robert Winston, do Colégio Imperial, em Londres, condenou a decisão: “Reiss estava tentando mostrar que deveríamos esclarecer os pontos polêmicos da ciência e isso deveria ser aplaudido pela Royal Society”. Para Harry Kroto, Prêmio Nobel de Química, a decisão foi acertada. “Um educador jamais poderia dar o sinal verde para que surgissem interpretações religiosas sobre a origem do universo”.

Na Itália, o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Gianfranco Ravasi, disse que não há contraposição entre a fé e a teoria da evolução de Charles Darwin, lembrando que o naturalista britânico nunca foi condenado pela Igreja.

A declaração foi feita durante a apresentação no Vaticano de um congresso que será realizado em Roma, ano que vem, sob o título “Evolução biológica: fatos e teorias. Uma avaliação crítica 150 anos após A origem das espécies.