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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Por que os brasileiros estão fascinados pela Índia

Revista Época - Edição 563 - 28/02/2009

O Brasil rende-se aos encantos da religião, da estética e do modo de vida indianos. Mas o que há por trás deles?

Página 1: Por que os brasileiros estão fascinados pela Índia

Página 2: Por que os brasileiros estão fascinados pela Índia

Página 3: A onda que vem da Índia

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Confiança em Deus implica atuar pela construção da paz

Zenit (26/02/2009)

Confiança em Deus implica atuar pela construção da paz


Afirma Dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá


MARINGÁ, quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- «A confiança em Deus não isenta a pessoa na construção da paz, da justiça e da segurança», afirma um arcebispo brasileiro.


Dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá (Paraná, sul do Brasil), comenta esta semana em seu blog o tema da Campanha da Fraternidade (CF) da Igreja no país, que discute durante a Quaresma a segurança pública.


«O objetivo geral da CF 2009 é suscitar o debate sobre a segurança pública, contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade para que todos construam a justiça social, garantia da segurança para todos», afirma.


Segundo o arcebispo, «a confiança em Deus conduz o irmãos para o Shalom, à paz. Este termo aparece 239 vezes na Escritura do qual abrange o bem-estar, felicidade, saúde, segurança, relações sociais equilibradas, harmonia consigo mesmo, com o próximo e com Deus».


«A paz na Bíblia é a aliança que Deus fez com o povo de Israel em vista da paz e para a paz. A paz é fruto da justiça.»


Como ações concretas que podem ser desenvolvidas na comunidade eclesial e na sociedade, o arcebispo indica, por exemplo, assegurar serviços de caridade para com a vítimas da violência e seus familiares.


Também «apoiar as associações que lutam para superar as causas da insegurança»; «promover o diálogo com os poderes públicos, leis e políticas públicas que permitam a construção de uma sociedade mais segura».


«Organizar casas de acolhidas que atendam com compaixão e solidariedade as vítimas da violência e os grupos de risco»; «privilegiar o tempo quaresmal em vista da conversão e da mudança de mentalidade na busca da coerência entre fé e vida».


Dom Anuar indica ainda que se fortaleçam as pastorais sociais, sobretudo a pastoral carcerária. Que se tenha presente «o diálogo ecumênico e inter-religioso e inter-cultural para a busca de caminhos na construção da vida segura».


«Difundir a espiritualidade da não violência, priorizando o diálogo, a solidariedade, o perdão»; «promover dinâmicas de perdão entre as famílias», afirma.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

El Cristianismo mejora su imagen em Israel

Aurora Digital (25/02/2009): El Cristianismo mejora su imagen em Israel

La imagen del Cristianismo entre la población judía de Israel mejoró en los últimos años, pero aún refleja el recelo y el resquemor de siglos de antagonismo y persecuciones religiosas.


A menos de tres meses de la visita del papa Benedicto XVI a Tierra Santa y después de un año de polémica en las relaciones judeo-cristianas por el proceso de beatificación de Pío XII, un estudio de dos institutos de Jerusalén refleja que la postura de los israelíes hacia el Cristianismo evolucionó favorablemente.


"Un cincuenta y cuatro por ciento cree que debe ser estudiado en los colegios y la mitad de ellos ven y reconocen la importancia y la centralidad de Jerusalén para el Cristianismo", destacó Amnon Ramón, autor del estudio y miembro del Instituto Jerusalén para el Estudio de Israel.


Realizado por ese Instituto y el Centro de Jerusalén para las Relaciones Judeo-Cristianas, el estudio es el seguimiento de otro idéntico realizado en el 2000 antes de la histórica visita de Juan Pablo II, y compara los resultados con los de otros sondeos de menor alcance hechos en los años 70 y 80.


"La conclusión más importante es que la imagen que los judíos tienen del Cristianismo es compleja y multidimensional", asegura Ramón, quien percibe los nuevos resultados con optimismo dado el convulso trasfondo de las relaciones entre las dos religiones.


Uno de los avances es que un cuarenta y dos por ciento de los encuestados considera al Cristianismo como "la religión más próxima al Judaísmo", en comparación con un treinta y dos por ciento que ve así al Islám, que en contrapartida es considerado por la teología oficial judía como el credo más cercano.


Asimismo, el cincuenta por ciento ya no considera que el Cristianismo sea una "religión idólatra", histórica acusación judía por la imaginería que rodea al Catolicismo, a pesar de que para ambas religiones la adoración de ídolos sea una de las peores trasgresiones.


Pero siglos de persecuciones y conversiones forzosas han dejado también una huella indeleble, y los judíos aún ven con suspicacia cualquier iniciativa en la que perciban el más mínimo destello de "actividad misionera".


El interés se desprende del alto número de israelíes que visitaron una iglesia, el setenta por ciento, y de su nueva actitud hacia el símbolo de la cruz, ya que el setenta y seis por ciento dice que no le molesta.


Un cincuenta y ocho por ciento de los encuestados confirmó ver "un cambio favorable de la Iglesia hacia el Judaísmo en los últimos cincuenta años", pero muchos desconocen la encíclica Nostra Aetate, que en 1965 eximió a los judíos de la acusación del deicidio, origen de siglos de antisemitismo en Europa.



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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O desaparecimento do Islã. Entrevista com Emmanuel Todd

IHU (24/02/2009)

O desaparecimento do Islã. Entrevista com Emmanuel Todd: Forte também nos estudos e no acúmulo dos dados sobre o maghreb francófono [região da África que compreende o Marrocos, a porção ocidental do Saara, a Argélia e a Tunísia] e sobre o Oriente Médio, Emmanuel Todd adora fazer pequenas provocações, como quando defende que todos os sinais indicam um possível desaparecimento do Islã. Taxas de natalidade pouco acima dos países europeus, processos de alfabetização comparáveis aos destes, assim como a desafeição à religião: esses são os resultados dos estudos e das análises realizadas com Youssef Courbage, contidas no livro "L'incontro delle civiltà" [O encontro das civilizações, em tradução livre] (Editora Marco Tropea, 155 páginas). >>> Leia mais, clique aqui.


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domingo, 22 de fevereiro de 2009

A ciência e as religiões

FSP, Ciência, em 22/02/2009.


Marcelo Gleiser: A ciência e as religiões


Forçar a rigidez é condenar a congregação a viver no passado


Como escrevi em colunas recentes, neste ano celebramos dois grandes aniversários. O primeiro, o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e o sesquicentenário da publicação de seu revolucionário "A Origem das Espécies". O segundo, os quatrocentos anos da publicação do livro "Astronomia Nova", em que Johannes Kepler mostrou que a órbita de Marte é elíptica, inferindo que todas as outras seriam também. No mesmo ano, 1609, Galileu Galilei apontou o seu telescópio para os céus mudando a astronomia para sempre.


Em ambos os casos, as descobertas científicas criaram sérios atritos com as autoridades religiosas. Atritos que, infelizmente, sobrevivem de alguma forma até hoje, principalmente com as religiões monoteístas que dominam o mundo ocidental e o Oriente Médio: judaísmo, cristianismo e islamismo. O momento é oportuno para iniciarmos uma reavaliação das suas causas e apontar, talvez, resoluções.


Simplificando, pois temos apenas algumas linhas, o problema maior não começa no embate entre a ciência e a religião. Começa no embate entre as religiões. Existe uma polarização cada vez maior já dentro das religiões entre correntes mais ortodoxas e aquelas mais liberais. As diferenças são enormes. Por exemplo, no caso do judaísmo, podemos hoje encontrar rabinas liderando congregações, algo que enfureceria ao meu avô e a seus amigos.


Nos EUA, algumas correntes protestantes, como os episcopélicos, têm pastores e bispos abertamente homossexuais. Nessas correntes mais liberais dentre as religiões se vê também uma relação completamente diferente com a ciência.


Em vez do radicalismo imposto por uma interpretação liberal da Bíblia, as correntes mais liberais tendem a ver o texto bíblico de forma simbólica, como uma representação metafórica de acontecimentos e fatos passados com o intuito -dentre outros- de fornecer uma orientação moral para a população. (A questão da necessidade de um código moral de origem religiosa deixo para outro dia.)


Escuto pastores e rabinos afirmarem regularmente que é absurdo insistir que a Terra tenha menos de 10 mil anos ou que Adão e Eva surgiram da terra. Para um número cada vez maior de congregações, é fútil fechar os olhos para os avanços da ciência.


Para eles, a preservação dos valores religiosos, da coesão de suas congregações depende de uma modernização de suas posições de modo que possam refletir o mundo em que vivemos hoje e não aquele em que pessoas viviam há dois mil anos.


O mundo mudou, a sociedade mudou, a religião também deve mudar.


Insistir na rigidez da ortodoxia é condenar a congregação a viver no passado, numa realidade incompatível com a sociedade moderna. Se o pastor ou rabino ortodoxo tem câncer e recebe terapia de radiação, ele deve saber que é essa mesma radiação que permite a datação de fósseis com centenas de milhões de anos.


É hipocrisia aceitar a cura da radiação nuclear e ainda assim negar os seus outros usos.


Fechar os olhos para os avanços da ciência é escolher um retorno ao obscurantismo medieval, quando homens viviam suas vidas assombrados por espíritos e demônios, subjugados pelo medo a aceitar a proteção de Deus. A escolha por uma devoção religiosa -se é essa a sua escolha- não deveria ser produto do medo.


No fim de semana passado, a catedral de São Paulo em Melbourne, Austrália, ofereceu um simpósio sobre Darwin. Nos EUA, outro simpósio reuniu cerca de 800 pastores e rabinos para discutir modos de reconciliação entre ciência e religião. Parece que finalmente um novo diálogo está começando. Já era tempo.


MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo".

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Purim


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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Homens e mulheres cometem pecados diferentes, diz estudo

BBC Brasil (18/02/2009): Homens e mulheres cometem pecados diferentes, diz estudo: Um estudo realizado na Itália e confirmado pelo Vaticano mostra que a soberba é o pecado mais comum entre as mulheres, enquanto a luxúria é o mais frequente entre os homens. No lado masculino, a gula e a preguiça aparecem em seguida. Entre as mulheres, a inveja e a ira são também os pecados mais usuais.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A la buena de Dios

El Pais, Cultura – Fernando Savater (17/02/2009): A la buena de Dios: Es para no creerse lo que aún sigue dando Dios que hablar. Ahora que ya ha vuelto a sus lares el cardenal Bertone (quien por cierto tiene un aire al malvado mago Sokhura que interpretó genialmente Torin Thatcher en Simbad y la princesa) y que nuestras piadosas autoridades se han sacudido de la ropa el olor a incienso, quizá podamos hablar con franqueza de los llamados "autobuses ateos" (?). Reconozco que me cuesta no simpatizar con cualquier iniciativa que escandaliza al obispado, pero en este caso el eslogan ("Probablemente Dios no existe. Despreocúpate y disfruta de la vida") me parece de una ingenuidad teológica propiamente... anglosajona, al estilo por un lado de Richard Dawkins y por el opuesto del poco añorado George W. Bush. >>> Leia mais, clique aqui.


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Publicações sobre Fundamentalismos

Conferencia Magistral: Cátedra UNESCO de Educación para la Paz: Entre el terror y la esperanza: Religión, guerra y paz

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O coração do si mesmo: identidade essencial no pensamento de Ibn 'Arabi

O coração do si mesmo: identidade essencial no pensamento de Ibn 'Arabi

Sandra Regina Benato

Dissertação de mestrado em Filosofia (PUC-PR)

Data da defesa: 20/02/2008.

Resumo: A obra de Ibn 'Arabi (1165DC), conhecido por al-Sheikh al-Akbar, o Mestre Maior, bem como sua pessoa, constituem um marco no pensamento místico muçulmano. Sua intensa experiência metafísica aliada a uma extrema plástica no cuidado das palavras e um profundo enraizamento na revelação alcorânica, fazem de seu trabalho um experimento único. Ele parte da concepção da unicidade do ser, entendendo o mundo como manifestação teofânica deste ser e busca pela subjetividade da natureza humana em sua instância mais intrínseca. A experiência do ser é a experiência do sagrado e só em função deste que vida e consciência são possíveis. Isto nos remete à questão do uno e do múltiplo e da identidade enquanto singularidade e alteridade. Não existe uma criação ex-niilo, mas a recorrente manifestação do Ser, em sua similaridade e incomparabilidade, que, através da auto-exposição dos aspectos de Sua Identidade existencializa o múltiplo; como este nunca o totaliza, nada é como Ele, donde Sua incomparabilidade. Os diversos Nomes desta Identidade nominam seus infinitos atributos e constituem, pelo seu inter-relacionamento, os indivíduos em sua especificidade, chamada pelo Sheikh de 'ayn thábitah - identidade permanente - fonte de todo o potencial de vida de um indivíduo, incluindo mesmo as circunstâncias objetivas de seu estar no mundo. Este conceito fundamenta esta pesquisa. Tendo como referência básica o Fusus al-Hikam (Gemas da Sabedoria), seu último livro, e incursões ao imenso Futuhát al-Makkiya (Revelações de Mecca) podemos estabelecer a noção de Identidade Essencial e, seguindo o conselho do Sheikh, observá-la na vida cotidiana. Deste modo acreditamos que o trabalho de Ibn 'Arabi tem muito mais a oferecer aos dias de hoje do que em sua época.

Uma teoria da religião

Uma teoria da religião

Rodney Stark e William Sims Bainbridge

Editora Paulinas (2009)

Resenha: Pela repercussão que teve e ainda tem no meio universitário das ciências humanas, trata-se de uma obra clássica, em que a maneira de abordar o estudo da religião, embora reclame originalidade, não está ainda suficientemente definida, segundo sua estrutura epistemológica.

Os autores, seguindo de certa forma o caminho trilhado por todos os grandes iniciadores, vão buscar nos rudimentos mesmo do comportamento humano, resumido em sete axiomas, a base para o estabelecimento de princípios e definições que permitirão construir um quadro de referência do que é a religião, distingui-la dos outros aspectos da vida pessoal e social e iluminar dedutivamente as características que a história comparada, a psicologia e a sociologia constatam e procuram explicar a partir do fenômeno religioso.

Como se pode perceber pela simples leitura dos sete axiomas, expostos no segundo capítulo, trata-se de encarar a religião como um comportamento puramente humano na busca de recompensas, evitando o que é mais custoso. No seu desenrolar, a atividade humana busca seguir determinados processos em função da obtenção de resultados. A religião é tecnicamente considerada um "compensador", ou seja um passo intermediário que garante, nem sempre de maneira clara, mas com um grau variável de certeza, a obtenção não só de recompensas, mas também de uma recompensa final que dá sentido a toda a busca humana.

A partir desses princípios, a obra se desenvolve qual explicação dedutiva de praticamente todos os aspectos da religião, tanto os já comumente estudados, a evolução da idéia de divindade, por exemplo, e a existência de uma classe especial para o trato com o sagrado, como os que ainda apresentam grandes zonas de interrogação, a serem esclarecidas pelo desenvolvimento da pesquisa, como, por exemplo, a emergência dos movimentos religiosos em geral, inovadores e cismáticos, como a importância nova que assume o secularismo e a laicidade em relação ao universo religioso.

A obra nos parece indispensável aos estudiosos do tema, embora lide com conceitos e desenvolva raciocínios que estão longe de obterem unanimidade.

Fundamentalismo religioso e violência política: ensaio sobre possíveis relações

REVISTA MÚLTIPLA, ANO VII - Nº 12 – 2002

MICHELOTO, Antonio Ricardo. Fundamentalismo religioso e violência política: ensaio sobre possíveis relações. Revista Múltipla, Brasília, v. 7 n. 12, pp. 17-36, jun 2002.

Resumo: Neste pequeno ensaio sociológico, o autor discute a questão do fundamentalismo religioso e suas diversas manifestações contemporâneas, analisando os fatores históricos e culturais responsáveis por essa forma radical de oposição ao mundo moderno. Analisa também algumas circunstâncias em que a resposta fundamentalista transforma-se em violência política cometida contra indivíduos, grupos sociais e/ou nações. O ponto de vista defendido é o de que a própria modernidade, por sua parcialidade e contradições, estimula o fundamentalismo e as ações violentas nele eventualmente apoiadas ou por ele justificadas.

Palavras-chave: religião, fundamentalismo, modernidade, violência política.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Epistemologia da controvérsia para o ensino religioso: aprendendo e ensinando na diferença, fundamentados no pensamento de Franz Rosenzweig

Epistemologia da controvérsia para o ensino religioso: aprendendo e ensinando na diferença, funda-mentados no pensamento de Franz Rosenzweig

Viviane Cristina Cândido

Tese de Doutorado em Ciências da Religião (PUC-SP)

Data da defesa: 01/12/2008.

Resumo: Objetivo: Propor uma epistemologia que fundamente essa disciplina, vinculada às Ciências da Religião, como uma área externa, capaz de oferecer referenciais teóricos para a prática educacional, considerando o objeto de estudo comum – a religião. Justificativa: O ER - Ensino Religioso é parte integrante do currículo das escolas de educação básica. Estabelecido como área de conhecimento, sua prática pedagógica é portadora de indefinições e ambigüidades relativas à sua natureza e finalidade, resultado da falta de referenciais teóricos específicos do campo de estudo da religião. Hipóteses: A finalidade do ER é possibilitar aos educandos uma ampliação de sua visão de mundo pela maior compreensão das questões religiosas, a partir de um estudo da religião que colabore para a compreensão e vivência do autenticamente humano; a tensão entre instituição e experiência religiosas como metodologia para o estudo da religião; uma epistemologia da controvérsia alicerçada na Filosofia da Religião, no âmbito das Ciências da Religião. Aspectos teórico-metodológicos e resultado obtido: Esta pesquisa evidenciou o ambiente de controvérsias em que está inserido o ER e seus conceitos relacionados no campo das Ciências e postulou a epistemologia da controvérsia, fundamentada no pensamento de Franz Rosenzweig, como referencial para a prática pedagógica do ER. Demonstrou ainda que, uma vez que o que se pretende é o diálogo entre a razão e a razão religiosa no espaço/tempo da escola, a Filosofia da Religião, no âmbito das Ciências da Religião, é a área que sustenta essa epistemologia. Utilizando o próprio “método Rosenzweig” apontou a tensão entre instituição e experiência religiosas como metodologia para o estudo da religião nas aulas de Ensino Religioso.

Islã, um desafio para os cristãos

IHU (14/02/2009)

Islã, um desafio para os cristãos. Entrevista especial com Samir Khalil Samir: Um dos maiores especialistas cristãos em Islã, o jesuíta egípcio Samir Khalil Samir analisa os recentes embates entre a Igreja Católica e as demais religiões, especialmente o Judaísmo e o Islamismo. Segundo ele, para os orientais, especialmente os muçulmanos, o Ocidente se tornou laico e secular: para eles, vivemos em um neopaganismo. E, por isso, desafiam o cristianismo a tomar uma decisão.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mística e razão na dialética teológica rabínica: a dinâmica da filosofia de Abraham J. Heschel

Mística e razão na dialética teológica rabínica: a dinâmica da filosofia de Abraham J. Heschel

Alexandre Goes Leone

Tese de doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas (USP).

Data de defesa: 18/11/2008.

Resumo: Abraham Joshua Heschel (1906 1972) importante filósofo do judaísmo de século XX no livro Torá Min Ha-shamaim Be-Aspaklaria shel Ha-Dorot, voltou sua atenção diretamente para a literatura rabínica tradicional, em especial para aquela contida no Talmude e no Midrash. Desta leitura hescheliana da literatura rabínica emerge uma visão dialética das correntes teológicas que animam os debates dos primeiros rabínicos sobre questões como o elemento humano e o divino na revelação, a imanência versus a transcendência de Deus, a relação entre a observância religiosa e o espírito por trás da observância, a noção de milagre e muitos outros temas do debate rabínico. Heschel identifica a partir de duas escolas de pensamento rabínico dos séculos I e II da era comum a escola de rabi Akiva de tendência mística e a escola de rabi Ishmael de tendência racionalista os dois grandes paradigmas que tencionaram dialeticamente o pensamento rabínico desde o final da Antiguidade e durante a Idade Média. Segundo Heschel, as duas tendências têm permeado o pensamento rabínico desde então. Desta leitura dialética Heschel tira várias conclusões sobre a relação entre razão e misticismo na experiência religiosa judaica, que além de aprofundarem o debate moderno sobre a natureza da experiência religiosa são também uma poderosa crítica contra as leituras fundamentalistas dos textos tradicionais judaicos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

'O Papa decepcionou judeus e muçulmanos'

O Globo, Mundo, página 34, em 08/02/2009.


'O Papa decepcionou judeus e muçulmanos'

Teólogo afirma que as últimas decisões de Bento XVI causaram um dano quase irreparável à Igreja Católica


ENTREVISTA Hans Küng

O teólogo suíço Hans Küng, de 80 anos, ex-colega de Joseph Ratzinger no Departamento de Teologia da Universidade de Tübingen, nos anos 60, disse que as últimas decisões do Vaticano causaram um dano quase irreparável para a Igreja Católica. Em entrevista ao GLOBO, Küng afirmou que não foi por mal-entendido que Bento XVI reabilitou os bispos que negam o Holocausto e que Ratzinger sempre teve uma simpatia pelas tendências ultraconservadoras da Igreja. Para ele, os danos serão notados até no Brasil, onde a perda de credibilidade poderá causar uma escassez ainda maior de padres. Küng é presidente da Fundação Ética Mundial, que promove o estudo de relações interreligiosas, com sede na Alemanha.


Graça Magalhães-Ruether Correspondente

BERLIM


O GLOBO: A chefe do governo alemão, a chanceler federal Angela Merkel, ficou satisfeita ao tomar conhecimento de que o Vaticano havia finalmente exigido de um dos bispos que haviam tido a excomunhão revogada deixasse de negar o Holocausto.

Dias antes, ela exigira um esclarecimento do caso por parte do Papa. Um chefe de governo pode tentar interferir nas decisões da igreja?

HANS KÜNG: Neste caso, sim.

Ela tinha ouvido muitos comentários apreensivos de católicos e judeus. Ela tentou interferir por ter o receio de que um Papa alemão prejudicasse a imagem dos alemães. Ela pôde interferir porque o assunto não diz respeito apenas à igreja, mas é um tema muito importante para os alemães, a lembrança da época mais dramática da História do país, o trauma do regime nazista e do Holocausto.


Na sua opinião, o Papa foi ingênuo ao suspender a excomunhão dos bispos?

KÜNG: Ele não foi ingênuo e não se trata também de um mal-entendido, nem de um erro de comunicação. O Papa decepcionou agora os judeus da mesma forma que fizera antes com os muçulmanos. Já em consequência da sua origem bávara, ele sempre teve um devocionismo católico. As últimas decisões do Vaticano causaram um dano quase irreparável para a Igreja Católica.


Ele não foi ingênuo. Sempre teve uma simpatia secreta pelas tendências ultraconservadoras da Igreja. Na época do início do Concílio Vaticano II, em 1962, quando nós dois éramos os conselheiros mais jovens do Concílio, nos entendemos muito bem. E também durante o nosso trabalho na Universidade de Tübingen, onde nós éramos professores. Mas, já no final dos anos 60, por ocasião da revolta estudantil, Ratzinger mostrou sinais do seu reacionarismo.


No início do seu pontificado, Bento XVI parecia ter deixado de ser reacionário. O que mudou?

KÜNG: Eu acho que ele decepcionou o mundo católico.


Eu também me decepcionei.


Pouco depois do conclave, em 2005, eu tive com Bento XVI uma conversa de quatro horas em Castel Gandolfo. A minha impressão foi muito positiva. Pensava que se tratava do início de uma nova era. Mas depois não vi mais nenhum sinal por parte dele que indicasse que queria renovar a igreja. Vimos apenas um retorno ao passado, a volta da missa em latim, as orações pela iluminação dos judeus da Sexta-Feira Santa e agora essa reabilitação de bispos que têm posições contra os judeus.


Que opção resta ao Vaticano agora, depois de ter provocado uma avalanche de críticas? O Papa pode pressionar por uma mudança de posição dos religiosos que foram perdoados, como já chegou a exigir?

KÜNG: É muito difícil. Não se trata apenas do bispo que negou a existência do Holocausto.


Para mim, igualmente importante é a posição dessa ordem em relação ao judaísmo internacional e ao Concílio Vaticano II, como sobre a liberdade de religião, relações positivas com a igreja protestante, melhoria das relações com a religião muçulmana e, principalmente, a reforma litúrgica decidida pelo concílio.


Como o Papa Bento XVI poderia evitar mais danos para a Igreja Católica?

KÜNG: O Papa tem duas possibilidades.


Ele pode procurar ter paciência até o fim da polêmica, na esperança de que as críticas diminuam. Mas aí ele corre o mesmo risco que teve o Papa Paulo VI, em 1968, por ocasião da encíclica “Humanae Vitae”, contra a pílula e os métodos anticoncepcionais . Ele também tentou aguardar o fim da polêmica, mas esse fiasco passou a ser constantemente associado ao seu pontificado. A melhor possibilidade seria exigir dos bispos que mudem suas posições em relação ao Concílio Vaticano II. Caso contrário, a excomunhão deve voltar a vigorar.


Na minha opinião, seria importante que Bento XVI ressaltasse a importância do concílio e do Papa João XXIII agora, quase 50 anos depois do concílio.


O Vaticano corre o risco de perder a sua credibilidade no mundo católico?

KÜNG: O risco é grande, pois a polêmica atual ocorre em uma situação já crítica da Igreja. Essa perda de credibilidade é o pior que poderia acontecer com um Papa. Ele deveria abordar os problemas da Igreja, a falta de coleguismo entre os bispos, os problemas das comunidades, que são cada vez mais graves no Brasil, como a escassez de padres, dos constantes escândalos sexuais envolvendo padres e bispos. A perda de credibilidade da igreja poderá aumentar a escassez de padres no Brasil. O Papa precisa agir com urgência para resolver esses problemas em vez de perder tempo reabilitando bispos que são antijudeus e antiConcílio Vaticano II.


O senhor é a favor de uma possível renúncia do Papa Bento XVI?

KÜNG: Teoricamente, uma renúncia seria possível. Alguns jornais chegaram a divulgar que eu havia exigido a renúncia, mas isso não é verdade. Eu exigi apenas uma correção da política do Vaticano.