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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 31 de maio de 2008

Espiritismo e loucura: O Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)

Espiritismo e loucura: O Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)
Autor:
Raphael Ribeiro
Resumo: A proposta deste trabalho é pensar a loucura e sua institucionalização na cidade de Uberlândia. Essa discussão envolvendo a temática da loucura continua atual e instigante por tudo que ela representou e ainda representa em nossa sociedade. Dúvidas têm surgido de maneira intensa em torno da grande incógnita que envolve a loucura. Quais os indícios que evidenciam a loucura? Mais ainda, a loucura realmente existe? Muitas outras indagações estão colocadas, inclusive questionando o discurso médico, que antes se apresentava como vencedor, como também suas práticas e técnicas curativas. Em contrapartida, percebemos hoje o quanto foram importantes os debates de outros segmentos da sociedade que, de uma maneira ou de outra, não aceitaram a imposição do saber psiquiátrico. Este trabalho de pesquisa nasceu a partir de uma vasta documentação encontrada no Sanatório Espírita de Uberlândia, instituição fundada em 1942 e desativada em meados dos anos 1990. São 29 livros contendo inúmeros prontuários dos internos de 1942 a 1959. Nessa documentação, encontramos informações sobre o motivo da internação, relatado pelo responsável do asilado, diagnóstico e prognóstico, muitos deles por psicografias, terapêuticas utilizadas, entre outras. Tendo em vista as diversas possibilidades de análise dessa documentação, o campo de reflexão utilizado na pesquisa tem como premissa trabalhar os complexos discursos que foram elaborados sobre a insanidade presentes na cidade de Uberlândia e, como isso possibilitou as práticas de sua institucionalização.
Palavras-chaves: Loucura, espiritismo, obsessão, Uberlândia/MG, institucionalização.

Almas Enclausuradas: práticas de intervenção médica, representações culturais e cotidiano no Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)

ALMAS ENCLAUSURADAS: práticas de intervenção médica, representações culturais e cotidiano no Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970)
Autor: Raphael Alberto Ribeiro
Resumo Este trabalho de pesquisa nasceu a partir de uma vasta documentação encontrada no Sanatório Espírita de Uberlândia, instituição fundada em 1942 e desativada em meados dos anos 90. São 29 livros contendo inúmeros prontuários dos internos de 1942 a 1959. Nesta documentação encontramos informações sobre o motivo da internação, relatado pelo responsável do asilado, diagnóstico e prognóstico, muitos deles por psicografias, terapêuticas utilizadas, entre outras. Tendo em vista as diversas possibilidades de análise desta documentação, o campo de reflexão utilizado na pesquisa tem como premissa trabalhar os complexos discursos que foram elaborados sobre a insanidade presentes na cidade de Uberlândia e, como isto possibilitou as práticas de sua institucionalização.
Palavras-chaves: Loucura, espiritismo, obsessão, Uberlândia/MG, institucionalização.

Orixás e Espíritos - o debate interdisciplinar na pesquisa contemporânea

Orixás e Espíritos - o debate interdisciplinar na pesquisa contemporânea
Autor: Artur Cesar Isaia (Org.)
Editora:
Universidade Federal de Uberlândia (ano 2006)
Sinopse:
O livro acrescenta algo novo e urgente aos estudos de religião e cultura na atualidade brasileira. Seu mérito está no fato de que ele não se fixa em uma religião, mas em uma questão que atravessa diferentes tradições religiosas e mesmo outros sistemas culturais de busca do sentido da vida e da compreensão do fenômeno humano. Os diferentes artigos, escritos todos por profissionais competentes em suas áreas de estudos e, alguns, por estudiosos reconhecidos no Brasil e no exterior, vêm da história de anos e séculos antecedentes à absoluta atualidade. Enfatizam religiões dos orixás, religiões derivadas de tradição afro-brasileira, os espíritos kardecistas e derivados, além de religiões neo-pentecostais associadas a processos de possessão.

Os Deuses do Povo: um estudo sobre a religião popular

Os Deuses do Povo: um estudo sobre a religião popular
Autor: Carlos Rodrigues Brandão
Editora:
Universidade Federal de Uberlândia (ano 2007)
Sinopse:
Acolhida e recebida no Brasil e no exterior, a primeira edição (1981) tornou-se um novo clássico na literatura da moderna antropologia brasileira e dos estudos sobre a religião em nosso país. Esta é a terceira edição de OS DEUSES DO POVO: um estudo sobre a religião popular. É, no entanto, a sua primeira edição completa, com depoimentos e casos, publicada pela Editora da Universidade Federal de Uberlândia. Sua leitura deverá apontar uma nova, mais fecunda e completa visão dos estudos e pesquisas de campo realizados por seu autor.

Espiritismo: Série Biblioteca Fazendo História discute a “crença de loucos” que conquistou o Brasil

Agenda (27/05/2008) - Espiritismo Série Biblioteca Fazendo História discute a “crença de loucos” que conquistou o Brasil

Com o tema Espiritismo – A “Crença de Loucos” que conquistou o Brasil, a Revista de História da Biblioteca Nacional e a Fundação Biblioteca Nacional retomam, em 10 de junho de 2008, às 16h, a série de encontros Biblioteca Fazendo História, que promove o debate sobre temas relevantes da História do Brasil.

Emerson Giumbelle, professor de antropologia da UFRJ, e Palmiro Costa, diretor de Ações Estratégicas do Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ), tratarão do assunto abordado no dossiê sobre Espiritismo, da edição de junho de 2008 (N.33). A mediação ficará a cargo de Luciano Figueiredo, editor da Revista.

Cada encontro contará com um mediador e dois palestrantes, sendo um o autor do artigo publicado na edição do mês e tema de debate, e o outro, um convidado que tenha conhecimento sobre o assunto.

Os encontros serão realizados no auditório Machado de Assis, da Biblioteca Nacional (Rua Rua México s/nº, Centro, Rio de Janeiro), com entrada franca. A série de debates também terá transmissão em tempo real pelo site www.institutoembratel.org.br.

Leia mais:

Espiritismo: a “crença de loucos” que conquistou o Brasil

Espiritismo: a “crença de loucos” que conquistou o Brasil
História - Revista da Biblioteca Nacional
Ano 3 – Número 33 – Junho de 2008 - Rio de Janeiro, RJ
Capa - Nação Espírita – por Emerson Giumbelli:
Embora tenha nascido na França, a religião de Kardec encontrou no Brasil a sua verdadeira pátria.
Kardec nos trópicos (páginas 14-19): mesmo tachado de crime pu loucura, o espiritismo conquistou ricos e pobres para tornar-se uma das principais religiões do Brasil.

Leia mais:


Desespero aproxima birmaneses dos monges budistas e ameaça junta militar

Reportagem do The International Herald Tribune, em 31/05/2008.
Em Kun Wan
, Mianmar

Esta cena dificilmente ocorreria se as autoridades nela envolvidas fossem os generais que mandam em Mianmar: quando um comboio de caminhões levando suprimentos para ajuda humanitária, e liderado por monges budistas, passa pelas vilas devastadas pelo ciclone, crianças famintas e mães desabrigadas saúdam os religiosos inclinando o corpo, em um sinal de súplica e respeito.

"Quando vejo essas pessoas, tenho vontade de chorar", afirma Sitagu Sayadaw, 71, um dos mais respeitados monges de Mianmar.

Na clínica improvisada de Sayadaw, nesta vila próxima a Bogalay, uma cidade no delta do Rio Irrawady situada 120 quilômetros a sudoeste de Yangun, centenas de moradores atingidos pelo ciclone Nargis chegam todos os dias buscando a assistência que não receberam da junta militar ou dos funcionários das organizações de auxílio humanitário.

Eles remam durante horas no rio de águas agitadas, ou carregam os pais doentes nas costas, caminhando pela lama, debaixo de chuva. Todos viajam quilômetros para alcançar a única fonte de ajuda que conhecem e na qual sempre podem confiar: os monges budistas.

O ciclone de 3 de maio deixou mais de 134 mil pessoas mortas ou desaparecidas e 2,4 milhões de sobreviventes que enfrentam a fome à falta de moradia. Recentemente, as pessoas que se abrigaram em mosteiros ou que se congregaram nas estradas, aguardando pela chegada de ajuda, foram novamente deslocadas, desta vez pela junta, que deseja que elas deixem de ser um embaraço para o governo e exige que retornem para as suas vilas "para a reconstrução".

Na sexta-feira (30/05), autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram que os refugiados estão sendo expulsos também dos campos de desabrigados administrados pelo governo.

Mas pouca coisa restou das suas casas, e estes indivíduos encontram-se quase tão expostos aos elementos quanto os seus búfalos cobertos de lama. Enquanto isso, a ajuda externa demora a chegar, já que as agências de auxílio humanitário só obtêm gradualmente acesso à região duramente atingida do delta do Irrawady, e o governo confisca os automóveis de alguns doadores particulares birmaneses.

"Em toda a minha vida, nunca vi um hospital. Não sei onde fica a sede do governo. Não posso comprar nada no mercado, porque perdi tudo o que tinha durante o ciclone", afirma Thi Dar. "Assim sendo, apelei para o monge".

Com lágrimas nos olhos, a mulher de 45 anos junta as mãos em um sinal de respeito perante o monge que entra na clínica, enquanto conta a sua história. Os outros oito membros da sua família foram mortos pelo ciclone. Atualmente ela nutre idéias de suicídio, mas não há ninguém com quem possa conversar sobre isso. Certo dia, chegou à sua vila a notícia de que um monge tinha aberto uma clínica a uma distância de dez quilômetros rio acima. Assim, na última quinta-feira, ela acordou cedo e pegou o primeiro barco naquela direção.

Nay Lin, 36, um médico voluntário na clínica Kun Wan, uma das seis clínicas e abrigos de emergência criados por Sitagu na área do delta, diz: "Os nossos pacientes sofrem de ferimentos infeccionados, dores abdominais e crises de vômito. Eles também necessitam de aconselhamento por causa do trauma mental, da ansiedade e da depressão.

Desde o ciclone, os birmaneses aproximaram-se ainda mais dos monges, e a alienação do povo em relação à junta aumenta. Isso não prenuncia fatos positivos para o governo, que reprimiu brutalmente milhares de monges quando estes saíram às ruas em setembro do ano passado para pedir aos generais que melhorassem as condições de vida da população.

Em todas as vilas atingidas pela tempestade fica evidente quem conquistou o coração do povo.

Alguns monges morreram na tempestade com a população. Agora, outros consolam os sobreviventes, e dividem as moradias enlameadas com eles.

Enquanto o governo era criticado por obstruir as medidas de auxílio humanitário, o mosteiro budista, o centro tradicional de autoridade moral na maioria das vilas desta região, mostrou ser a única instituição na qual o povo pode confiar para obter ajuda.

Os mosteiros no delta - aqueles que ainda estão de pé após a tempestade - encontram-se repletos de refugiados. As pessoas seguem para lá com doações ou como voluntários. Os mosteiros que antes atuavam como centros religiosos, orfanatos e asilos para os idosos, atualmente funcionam também como abrigos para os flagelados.

"O papel dos monges é mais importante do que nunca", diz Ar Sein Na, 46, um monge da vila de That Kyar, na região do delta. "Em um momento de enorme sofrimento como este, o povo não tem ninguém a quem recorrer, exceto aos monges".

Kyi Than, 38, conta que viajou 25 quilômetros de barco até o campo de desabrigados de Sitagu.

"O monge da nossa vila morreu durante a tempestade. Hoje estou muito feliz por ter a minha primeira oportunidade de falar com um monge desde a tempestade. Para nós, os monges são como pais", diz ela. "O governo quer que fiquemos de boca fechada, mas os monges nos escutam".

Enfrentando o mais mortífero desastre natural na história recente do país, os monges mais antigos organizaram as suas próprias campanhas de auxílio.

Todos os dias, os comboios deles passam pelas estradas do delta. Uma figura proeminente nesta iniciativa é Sitagu, cujo nome, ao ser proferido por aqui, gera invariavelmente palavras de reverência ou um sinal de "positivo" com o polegar.

"A meditação é incapaz de remover este desastre. Agora o apoio material é muito importante", diz Sitagu. "Atualmente, no nosso país, não existe um equilíbrio entre o apoio material e o espiritual".

Caminhões carregados de arroz, feijão, cebola, roupas, lonas e utensílios de cozinha, doados por pessoas de todo o país, chegam ao Centro Missionário Budista Internacional de Sitagu, em Yangun, no início de cada manhã. Todos os dias, pouco após o nascer do dia, um comboio de caminhões ou uma barca no Rio Yangun segue para o delta, levando suprimentos e voluntários.

Entre os aldeões daqui, Sitagu parece ter tanta autoridade quanto o papa entre os católicos. Quando ele senta-se em um banco de madeira na sua sede de operações de campo, as pessoas fazem fila para demonstrar respeito. Os aldeões vêm para apresentar listas das suas necessidades mais urgentes. Os monges das vilas vizinhas pedem ajuda para consertar os seus templos. As famílias ricas de certas aldeias ajoelham-se diante dele e doam maços de dinheiro.

No entanto, assim como outros monges experientes, ele precisa manter um equilíbrio cuidadoso. Ele conta com a autoridade moral para falar em nome do povo sofredor, mas precisa também proteger os seus programas e hospitais que fornecem assistência médica gratuita aos destituídos, em um país cujo governo reprova tais iniciativas particulares.

Mas, em uma tarde recente, ao falar no seu abrigo, enquanto uma chuva provocada pelas monções batia contra o telhado, Sitagu parecia estar frustrado com o governo. "Não consigo enxergar um líder político verdadeiro no meu país. A 'via birmanesa para a democracia' pregada pelo general Than Shwe?", questiona ele, referindo-se ao líder máximo da junta militar. "O que é isso?"

Ele defende o levante dos monges de setembro do ano passado, afirmando que o fracasso do governo em proporcionar "estabilidade material" ao povo prejudicou a capacidade dos monges de fornecer "estabilidade espiritual".

Entre os monges entrevistados na região do delta e em Yangun não havia nenhum sinal de protestos organizados iminentes.

Mesmo assim, um monge de 40 anos no campo de refugiados de Sitagu diz que "os monges estão bastante furiosos" com a recente medida do governo no sentido de expulsar os refugiados dos mosteiros, das cabanas à beira das estradas e de outros abrigos temporários, ainda que a mídia estatal esteja repleta de artigos que falam sobre os esforços do governo para ajudar os desabrigados. "O governo não quer mostrar a verdade".

Um jovem monge no mosteiro do distrito de Chaukhtatgyi Paya, em Yangun, prevê que haverá problemas pela frente. "Vocês verão certas coisas voltarem a ocorrer, porque todo mundo está com raiva e desempregado", adverte o monge, que conta que participou da "revolução de açafrão", e que traz uma grande cicatriz sobre o olho direito, provocada pelo espancamento que lhe foi aplicado por um soldado.

Um monge do Estado de Mon, no sul de Mianmar, e que está visitando o delta para constatar os danos e providenciar remessas de suprimentos, diz: "Para o governo, estas pessoas não passam de animais mortos nos campos".

O confronto efervescente entre os dois pilares atuais da vida em Mianmar - as forças armadas e o clero budista - é evidente nas vilas após a passagem do ciclone.

Pouco após a tempestade, um monge de Myo Thit, uma vila a 30 quilômetros de Yangun, caminhou pelas redondezas com um megafone convidando as vítimas a se abrigarem no seu mosteiro, e pedindo às pessoas que fizessem doações. Os moradores da vila contam que o monge teve que parar, depois que um líder local ligado ao governo ameaçou confiscar o megafone.

A interdependência entre os monges e o povo é muito antiga. Os monges recebem esmolas - comida, remédios, roupas, dinheiro para comprar livros - dos leigos. Em troca, oferecem conforto espiritual. Nas vilas destituídas de escolas do governo, uma educação monástica é freqüentemente a única disponível para as crianças.

"Existe uma relação de reciprocidade entre os monges e o povo", explica Desmond Chou, um estudioso de religiões comparadas, que nasceu em Mianmar, mas que mora em Nova Déli, na Índia. "Se há um incêndio em uma vila de Mianmar, geralmente são os monges, e não os bombeiros, que chegam primeiro ao local para salvar as pessoas".

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Risco ou oportunidade? Diálogo inter-religioso segundo cardeal Tauran

O caso das relações islâmico-cristãs como exemplo


LONDRES, quinta-feira, 29 de maio de 2008 (ZENIT.org).- O diálogo inter-religioso é um risco ou uma oportunidade? As duas coisas, afirmou o presidente do Conselho Pontifício dedicado a seu seguimento.


O cardeal Jean-Luis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, falou nesta terça-feira, no Heythrop College da Universidade de Londres, sobre as muitas facetas do diálogo.


Sua conferência começou com um olhar histórico ao papel da religião na sociedade, assinalando a tendência do século XVIII de separar razão e fé.


Afirmou que Deus – deixado de lado nos séculos recentes - «está reaparecendo no discurso público hoje. Há novos stands cheios de livros e revistas sobre matérias religiosas, esoterismo e as novas religiões. ‘O desquite de Deus’, disseram».


O cardeal comentou que «homens e mulheres desta geração estão outra vez fazendo-se as perguntas essenciais sobre o significado da vida e da morte, sobre o significado da história e as conseqüências que as descobertas científicas assombrosas podem oferecer a seu despertar».


E então, «estamos condenados ao diálogo», disse o cardeal Tauran.


E explicou: «O que é o diálogo?» É a busca de um entendimento mútuo entre dois indivíduos com vistas a uma comum interpretação de seu acordo ou desacordo. Implica em uma linguagem comum, honestidade na própria apresentação e o desejo de fazer o possível para compreender o ponto de vista do outro».


«No diálogo inter-religioso, é questão de correr um risco, não de aceitar ceder em minhas próprias convicções religiosas, mas permitir ser posto em questão pelas convicções de outro, aceitando levar em consideração argumentos diferentes dos meus ou dos de minha comunidade.»


Neste contexto, o cardeal Tauran explicou o objetivo do Conselho Pontifício que ele dirige: «Maior conhecimento mútuo, respeito e colaboração entre os católicos e os membros de religiões não-cristãs, animar e coordenar o estudo dessas religiões; promover a capacitação das pessoas destinadas ao diálogo inter-religioso».


O responsável vaticano explicou que «o interesse dos líderes das sociedades é sempre animar o diálogo inter-religioso e servir-se da herança espiritual e moral das religiões para um número de valores que podem contribuir para a harmonia mental, o encontro entre culturas e a consolidação do bem comum».


«Também – acrescentou –, todas as religiões, de modos diferentes, convidam seus seguidores a colaborar com todos aqueles que se empenham em assegurar o respeito à dignidade da pessoa humana e seus direitos fundamentais; o desenvolvimento de um senso de fraternidade e assistência mútua [...], ajuda aos homens e mulheres de hoje para evitar que sejam escravizados pela moda, pelo consumismo e pelo benefício somente.»


Então, o diálogo inter-religioso é por sua vez um risco e uma oportunidade, disse o cardeal.


O cardeal Tauran reconheceu que muitos estão assustados pelo diálogo.


«Eu respondo que não deveríamos temer as religiões: elas geralmente pregam a fraternidade! É de seus seguidores que deveríamos ter medo. Daqueles que podem perverter a religião, colocando-a ao serviço de maus propósitos», disse.


O presidente do Conselho Pontifício propôs uma receita para o diálogo: «É necessário ter uma identidade espiritual bem definida: saber em quem e em que se crê; considerar o outro não como um rival, mas como um buscador de Deus; acordar falar do que nos separa e dos valores que nos unem».


Propôs o caso do Islã: «O que nos separa não pode ser camuflado: a relação com nossas respectivas Escrituras: para um muçulmano, o Alcorão é um ‘ditado sobrenatural’ recordado pelo profeta do Islã, enquanto para um cristão, a revelação não é um livro, mas uma pessoa, a pessoa de Jesus, ao qual os muçulmanos consideram como um profeta excepcional; o dogma da Trindade, que leva os muçulmanos a dizerem que nós somos politeístas».


«Mas há também realidades que podem nos ver unidos e às vezes inclusive colaborando na extensão da mesma causa: fé na unidade de Deus, o autor da vida e do mundo material; o caráter sagrado da pessoa humana que permitiu, por exemplo, colaboração da Santa Sé e dos países muçulmanos na Organização das Nações Unidas para evitar resoluções que firam as famílias; vigilância para evitar que símbolos considerados ‘sagrados’ sejam objeto de escárnio público.»


O cardeal Tauran indicou áreas nas quais muçulmanos e cristãos podem colaborar promovendo o bem comum. Mencionou como exemplo a defesa da sacralidade da vida humana diante das Nações Unidas.

Para concluir sua conferência, o purpurado disse: «Se posso dizer assim, os crentes são profetas de esperança. Não crêem no destino. Sabem que – dotados por Deus de coração e inteligência – podem, com sua ajuda, mudar o curso da história em ordem.


Progressos na Comissão Bilateral Santa Sé-Israel

Celebrou no Vaticano sua reunião plenária


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 29 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Com «conquistas importantes» se celebrou na quarta-feira, no Vaticano, a sessão plenária da Comissão de Trabalho Bilateral Permanente entre a Santa Sé e o Estado de Israel.


Um comunicado conjunto de ambas instâncias - difundido pela Sala de Imprensa da Santa Sé - dá conta da celebração desta reunião «para prosseguir as negociações relativas ao artigo 10, parágrafo 2 do Acordo Fundamental entre a Santa Sé e o Estado de Israel (30 de dezembro de 1993)».


A delegação da Santa Sé esteve presidida por Dom Pietro Parolin, subsecretário para as Relações com os Estados, e a do Estado de Israel por Aaron Abramovich, diretor geral do Ministério de Exteriores israelense.


«O trabalho dessa sessão plenária se desenvolveu em um clima de grande cordialidade e boa vontade, e realizou conquistas importantes em vista do objetivo comum, tanto em termos substantivos como na intenção de pôr em prática medidas para implementar a eficácia das negociações em curso», explica o comunicado conjunto.


Publicado igualmente pela Embaixada de Israel ante a Santa Sé, o comunicado se difundiu com o título: «‘Progressos significativos’ nas conversas de questões de financiamento».


A atividade desta comissão se vinha centrando na negociação com relação às propriedades eclesiásticas na Terra Santa e a questões fiscais. As reuniões já estão tendo periodicidade semestral.


A próxima reunião plenária acontecerá em Israel, na primeira quinzena de dezembro. Enquanto isso, a comissão continuará com suas atividades habituais.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Chag Shavuot (5768, Shavuot 8-10 de junho de 2008)


O que significa o Omer?
"Omer" era uma antiga medida agrícola. No segundo dia de Pessach, costumava-se levar ao Templo uma oferenda de um Omer de cevada recém-colhida, em comemoração do início da colheita. Daí vem o nome Sefirat Omer, a contagem dos 49 dias entre Pessach e Shavuot.

Qual o significado religioso de Sefírat Ha'Omer?
Em Pessach, comemoramos a libertação do povo judeu do cativeiro no Egito. Porém a liberdade física não é um fim em si, mas sim um meio para um fim maior: a emancipação espiritual. E esta é associada à entrega da Torá ao Povo de Israel no Monte Sinai, em Shavuot. Em outras palavras, o Êxodo marcou o nascimento dos judeus como um povo, enquanto a Revelação no Sinai forneceu ao povo recém-nascido a substância moral e ética que o sustentaria através dos tempos.

Sefirat Ha'Omer, a contagem de sete semanas entre os dois feriados, nos lembra simbolicamente que de acordo com o pensamento judaico, o que importa não é libertar-se de alguma coisa, mas libertar-se para alguma coisa. A liberdade não tem sentido se não for acompanhada do compromisso para com um ideal. Se não há lei e disciplina, deveres e obrigações - a liberdade transforma-se em anarquia.

Este é o significado religioso do Omer: um período de preparo espiritual para assumir condignamente a liberdade conquistada.

O que se comemora em Shavuot?
De acordo com o Talmud, foi em Shavuot (6.° dia do mês de Sivan) que os filhos de Israel receberam os Dez Mandamentos no Monte Sinai. Por esta razão, o feriado é chamado Zman Matan Torateinu, o aniversário da entrega da Torá.

O nome bíblico do feriado, Shavuot, ou mais especificamente Chag Ha'Shavuot, significa "Festa das Semanas", o término da contagem de sete semanas (Sefirat Ha'Omer) que se inicia no segundo dia de Pessach.

Dois outros nomes usados na Bíblia em referência ao feriado ressaltam seu caráter agrícola: Chag Ha'Katzir, a Festa da Ceifa, e Yom Ha'Bikurim, o Dia dos Primeiros Frutos. Em comemoração ao início da colheita de trigo, levavam-se ao Templo dois pães feitos com a farinha do trigo recém-colhido e uma oferenda dos primeiros frutos da colheita.

Na terminologia talmúdica, Shavuot é também chamado de Atzeret, um nome que significa "convocação" e designa tradicionalmente o último dia de um feriado. A implicação, segundo os rabinos, é que Shavuot representa a conclusão do feriado de Pessach. Do ponto de vista agrícola, histórico e espiritual, ambos os feriados estão inextricavelmente ligados.

Por que é costume passar em claro a noite de Shavuot?
De acordo com o Midrash, na noite anterior à entrega da Torá no Monte Sinai, os israelitas adormeceram e tiveram que ser acordados por Moisés com trovões e relâmpagos. Para compensar o desrespeito, indiferença e insensibilidade dos nossos antepassados, para reparar aquela afronta a Deus, passamos a noite em claro, estudando, demonstrando assim que estamos plenamente conscientes da importância do evento e aguardamos com grande expectativa a Revelação. O costume tem o nome de tikun leil Shavuot, literalmente "o aprimoramento da noite de Shavuot". Os mais observantes passam a noite inteira estudando trechos dos livros sagrados - Bíblia, Mishná, Talmud, Zohar - lendo poemas litúrgicos e recitando orações. Nas comunidades mais liberais, realiza-se um Lernen de Shavuot, uma sessão de estudos ou uma discussão em grupo sobre um tema judaico de interesse geral.

Por que é costume enfeitar a sinagoga em Shavuot com ramos de árvores e folhagens?
Existem diversas explicações.

De acordo com a Mishná, Shavuot é o dia em que Deus julga as árvores e determina se o ano seguinte será de fartura ou escassez. Enfeitando a sinagoga com plantas, expressamos nosso desejo de que as árvores continuem produzindo bons frutos.

As plantas lembram também a infância do personagem central no episódio da entrega da Torá, Moisés, que foi escondido por sua mãe numa cesta entre os juncos à beira do Rio Nilo.

Em algumas comunidades, o chão da sinagoga é forrado de folhas, lembrando o Monte Sinai que se cobriu milagrosamente de grama antes da Revelação, em contraste à aridez de toda a região.

Alguns enfeitam a sinagoga com flores perfumadas, simbolizando o "aroma" dos ensinamentos da Torá.

Por que se lê o Livro de Ruth em Shavuot?
Existem diversas razões.

O Livro de Ruth descreve detalhadamente a beleza da época da colheita, que coincide com Shavuot.

De acordo com a tradição, o Rei David - que é descendente de Ruth e cujo nascimento é narrado no Livro de Ruth - nasceu e morreu em Shavuot.

A experiência de Ruth, uma mulher moabita que se converteu ao Judaísmo, se assemelha de certa forma à experiência dos israelitas, que se "converteram" plenamente à fé judaica ao receberem a Torá em Shavuot. Assim como a conversão de Ruth foi acompanhada de dificuldades e privações, assim também o conhecimento dos mandamentos só se adquire com dedicação e perseverança. A história comovente da lealdade, da devoção, do amor de Ruth ao seu povo é um exemplo e uma fonte de inspiração para todos nós na ocasião em que celebramos o aniversário da entrega da Torá.

Por que é costume comer derivados de leite e doces com mel em Shavuot?
Os rabinos oferecem várias interpretações para estes costumes.

Moisés passou 40 dias e 40 noites no Monte Sinai preparando-se para a entrega da Torá em Shavuot. O valor numérico da palavra hebraica "chalav", que significa "leite", é 40.

Nossos sábios dizem que os ensinamentos da Torá são "nutritivos como o leite e doces como o mel".

A cor branca do leite é um símbolo de pureza. Estudando os ensinamentos da Torá e cumprindo seus mandamentos, o homem se torna puro como o leite.

O leite é o alimento dos recém-nascidos. Comendo laticínios em Shavuot, demonstramos que estamos conscientes de quão pequenos somos diante da grandeza da Torá. E assim como o bebê aprende algo de novo a cada dia, estamos ávidos por captar cada vez um pouco mais dos ensinamentos divinos.

Além destas interpretações poéticas, existe também uma explicação de ordem prática. Somente quando receberam a Torá é que os judeus tomaram conhecimento das leis alimentares. Naquele dia não dava mais tempo de abater os animais segundo o ritual prescrito, nem de escaldar os utensílios para torná-los kasher. A primeira refeição após a Revelação, portanto, consistiu exclusivamente de leite e queijo.

Extraído de:
Os Porquês do Judaísmo - Capítulo 9: Shavuot (Rabino H.Sobel)
São Paulo, novembro de 1993.

Veja mais:

Festividades Judaicas: Chaguim laktanim (Agência Judaica)

Chaguim laktanim

A Agência Judaica, consciente da necessidade de fortificar os marcos educativos e fiel ao seu objetivo – constituir o elo de ligação entre o Estado de Israel, o judaísmo nas suas vertentes e os judeus no mundo, trouxe para si a tarefa de desenvolver um currículo unificado das Festas Judaicas para a Educação Infantil.

Esta realização inédita, aglutinou os profissionais das escolas judaicas de São Paulo, dentro de um clima pluralista, de respeito pelas diversas correntes ali representadas. O resultado, que você apreciará a seguir, demonstra a qualidade da Educação Infantil de nossa comunidade.

Livro completo - livro_completo.pdf

Capítulos:

Lag Baômer (5768, 23 de maio de 2008): Curiosidades

Curiosidades
Rabbi Shimon Bar Yochai, o autor do Zohar e pai da Cabalá, faleceu em Lag BaOmer – no 33o dia da contagem do Omer. Ele foi enterrado em Meron, na Terra de Israel. Em Lag BaOmer, milhares e milhares de judeus fazem uma peregrinação para rezar em seu túmulo, pedindo para que D’us atenda seus pedidos em seu mérito.


Você sabia?
Hoje (23/05/2008), celebraremos Lag B’Omer – o dia de falecimento de Rabi Shimon Bar Yochai

Lag B’Omer é conhecido por ser a data de falecimento de Rabi Shimon Bar Yochai, considerado o pai do misticismo judaico. Um dos mais importantes alunos de Rabi Akiva, Rabi Shimon foi um dos maiores legisladores do Talmud e foi também o autor do Zohar, a obra-prima da Cabalá. Lag B’Omer é considerado o aniversário do misticismo judaico, pois neste dia, horas antes de falecer, Rabi Shimon reuniu seus alunos e revelou muitos segredos da Cabalá. Em Lag B’Omer, muitas pessoas visitam o túmulo de Rabi Shimon Bar Yochai, em Meron, no norte de Israel.

Extraído de:
Morashá.com

Veja mais em:

domingo, 25 de maio de 2008

Religion/Spirituality and Sport (Sport and Judaism)


The Center for Sport and Jewish Life
Promoting Jewish Values and Jewish Learning through Sport

Comentário do Prof.Dr.Victor Andrade de Melo (Escola de Educação Física/UFRJ e PPGHC/UFRJ), em 25/05/2008: “Há uma enorme discussão na Europa sobre esporte e Judaísmo, notadamente porque na virada dos anos 1920/1930 Max Nordau propôs um movimento chamado "Judaísmo muscular", cuja inspiração vinha do "Cristianismo muscular", dos ingleses do século XIX. Com isso, houve muitos atletas e equipes esportivas que viajaram o mundo divulgando os princípios do sionismo, algo que foi abortado com os lamentáveis acontecimentos da 2a grande guerra”.

Greetings SPORTPSY.

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Thanks for your interest.

Carpe diem, Michael

Michael L. Sachs, Ph.D.
Professor,
Dept. of Kinesiology, 048-00,

Temple University,
Philadelphia, PA 19122
telephone: (215) 204-8718
fax: (215) 204-4414
e-mail:msachs@temple.edu