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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Risco ou oportunidade? Diálogo inter-religioso segundo cardeal Tauran

O caso das relações islâmico-cristãs como exemplo


LONDRES, quinta-feira, 29 de maio de 2008 (ZENIT.org).- O diálogo inter-religioso é um risco ou uma oportunidade? As duas coisas, afirmou o presidente do Conselho Pontifício dedicado a seu seguimento.


O cardeal Jean-Luis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, falou nesta terça-feira, no Heythrop College da Universidade de Londres, sobre as muitas facetas do diálogo.


Sua conferência começou com um olhar histórico ao papel da religião na sociedade, assinalando a tendência do século XVIII de separar razão e fé.


Afirmou que Deus – deixado de lado nos séculos recentes - «está reaparecendo no discurso público hoje. Há novos stands cheios de livros e revistas sobre matérias religiosas, esoterismo e as novas religiões. ‘O desquite de Deus’, disseram».


O cardeal comentou que «homens e mulheres desta geração estão outra vez fazendo-se as perguntas essenciais sobre o significado da vida e da morte, sobre o significado da história e as conseqüências que as descobertas científicas assombrosas podem oferecer a seu despertar».


E então, «estamos condenados ao diálogo», disse o cardeal Tauran.


E explicou: «O que é o diálogo?» É a busca de um entendimento mútuo entre dois indivíduos com vistas a uma comum interpretação de seu acordo ou desacordo. Implica em uma linguagem comum, honestidade na própria apresentação e o desejo de fazer o possível para compreender o ponto de vista do outro».


«No diálogo inter-religioso, é questão de correr um risco, não de aceitar ceder em minhas próprias convicções religiosas, mas permitir ser posto em questão pelas convicções de outro, aceitando levar em consideração argumentos diferentes dos meus ou dos de minha comunidade.»


Neste contexto, o cardeal Tauran explicou o objetivo do Conselho Pontifício que ele dirige: «Maior conhecimento mútuo, respeito e colaboração entre os católicos e os membros de religiões não-cristãs, animar e coordenar o estudo dessas religiões; promover a capacitação das pessoas destinadas ao diálogo inter-religioso».


O responsável vaticano explicou que «o interesse dos líderes das sociedades é sempre animar o diálogo inter-religioso e servir-se da herança espiritual e moral das religiões para um número de valores que podem contribuir para a harmonia mental, o encontro entre culturas e a consolidação do bem comum».


«Também – acrescentou –, todas as religiões, de modos diferentes, convidam seus seguidores a colaborar com todos aqueles que se empenham em assegurar o respeito à dignidade da pessoa humana e seus direitos fundamentais; o desenvolvimento de um senso de fraternidade e assistência mútua [...], ajuda aos homens e mulheres de hoje para evitar que sejam escravizados pela moda, pelo consumismo e pelo benefício somente.»


Então, o diálogo inter-religioso é por sua vez um risco e uma oportunidade, disse o cardeal.


O cardeal Tauran reconheceu que muitos estão assustados pelo diálogo.


«Eu respondo que não deveríamos temer as religiões: elas geralmente pregam a fraternidade! É de seus seguidores que deveríamos ter medo. Daqueles que podem perverter a religião, colocando-a ao serviço de maus propósitos», disse.


O presidente do Conselho Pontifício propôs uma receita para o diálogo: «É necessário ter uma identidade espiritual bem definida: saber em quem e em que se crê; considerar o outro não como um rival, mas como um buscador de Deus; acordar falar do que nos separa e dos valores que nos unem».


Propôs o caso do Islã: «O que nos separa não pode ser camuflado: a relação com nossas respectivas Escrituras: para um muçulmano, o Alcorão é um ‘ditado sobrenatural’ recordado pelo profeta do Islã, enquanto para um cristão, a revelação não é um livro, mas uma pessoa, a pessoa de Jesus, ao qual os muçulmanos consideram como um profeta excepcional; o dogma da Trindade, que leva os muçulmanos a dizerem que nós somos politeístas».


«Mas há também realidades que podem nos ver unidos e às vezes inclusive colaborando na extensão da mesma causa: fé na unidade de Deus, o autor da vida e do mundo material; o caráter sagrado da pessoa humana que permitiu, por exemplo, colaboração da Santa Sé e dos países muçulmanos na Organização das Nações Unidas para evitar resoluções que firam as famílias; vigilância para evitar que símbolos considerados ‘sagrados’ sejam objeto de escárnio público.»


O cardeal Tauran indicou áreas nas quais muçulmanos e cristãos podem colaborar promovendo o bem comum. Mencionou como exemplo a defesa da sacralidade da vida humana diante das Nações Unidas.

Para concluir sua conferência, o purpurado disse: «Se posso dizer assim, os crentes são profetas de esperança. Não crêem no destino. Sabem que – dotados por Deus de coração e inteligência – podem, com sua ajuda, mudar o curso da história em ordem.


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