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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O grande negócios dos espíritos / Entusiastas do espiritismo preparam filmes para 2010

FSP, Ilustrada (26/02/2010)

  • O grande negócios dos espíritos: ANA PAULA SOUSA (DA REPORTAGEM LOCAL). No mercado livreiro brasileiro, fez-se o milagre da multiplicação. De acordo com a última pesquisa publicada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), o segmento de títulos religiosos, estimado em 50 milhões de exemplares anuais, é, em faturamento, o que mais cresce no país. Nos primeiros lugares dessa fila estão obras espíritas. No cinema nacional, o santo é outro. Mas o milagre é o mesmo. Daniel Filho, em 2009, vendeu 5,6 milhões de ingressos com "Se Eu Fosse Você 2", que só perde em rentabilidade para a avalanche "Titanic". E eis que os números da fé e do cinema se cruzam. Chico Xavier, o líder espiritual que psicografou mais de 400 livros e, se medido pela régua do mercado, poderia ser considerado autor best-seller, tornou-se filme pelas mãos de Daniel Filho. Guardado a sete chaves até aqui, "Chico Xavier" dá início a sua jornada rumo ao público empurrado pela máquina da GloboFilmes e da Sony Pictures. A campanha começou na TV e, a partir da semana que vem, ocupará cinemas, outdoors, ônibus etc. O filme chegará a mais de 300 salas numa data que nada tem de "mera coincidência": 2 de abril, centenário de nascimento de Xavier e Sexta-feira da Paixão. E não é só. Outros seis filmes espíritas estão a caminho.
  • Filme busca os não espíritas: Na opinião de produtores, filão de filmes ligados ao sobrenatural nunca foi bem explorado no país. Dificuldades na escolha do diretor e na conclusão do roteiro fizeram com que "Chico Xavier" levasse seis anos para chegar às telas. DA REPORTAGEM LOCAL. Os produtores de "Chico Xavier" repetem, feito mantra, que não fizeram um filme espírita. "Tomei cuidado para que não fosse doutrinário", diz o diretor Daniel Filho. "O filme, antes de qualquer denominação que possa segmentá-lo, é uma cinebiografia de uma das personalidades mais conhecidas e queridas dos brasileiros. Foi feito para ser visto por todos que gostam de uma belíssima história de vida", emenda Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da GloboFilmes. Daniel Filho diz, inclusive, que buscou colocar no roteiro todas as perguntas que ele próprio, não espírita, faz a si. Mas, intenções à parte, "Chico Xavier", construído sob uma atmosfera de fé e marcado pela adesão emocional ao personagem, é um filme que requer, do espectador, um pacto que passa pela crença. Das cartas enviadas pelos desencarnados - a palavra morte não é utilizada - às aparições do espírito do médico Bezerra de Menezes são muitas as cenas retocadas pelo sobrenatural. Os fios da história são puxados a partir da entrevista que Xavier, morto em 2002, aos 92 anos, concedeu ao programa "Pinga Fogo", da TV Tupi. O vaivém no tempo abarca três fases: infância (Matheus Costa), início da vida adulta (Ângelo Antônio) e maturidade (Nelson Xavier). Esse projeto era acalentado desde 2004, quando o distribuidor Bruno Wainer comprou os direitos da biografia "As Vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior. Conseguiu, rapidamente, a adesão da GloboFilmes e da Sony. Mas faltava ao filme uma alma. Ou duas: roteiro e diretor. "Por divergências de visão, não chegávamos a um acordo sobre o diretor", conta Wainer. Nome vai, nome vem, chegou-se a Daniel Filho, até então apenas produtor. Com essa solução teve início outro problema: o roteiro. Foram tantas as versões que até um thriller surgiu. "Tentei fazer com que tivesse o tom do livro. O filme tem o ponto de vista do Chico, quando ele conta o que apenas ele via, ouvia e sentia", diz Filho. É esse ponto de vista que, esperam os produtores, pode garantir ao filme um público mais amplo. "O filme do padre Marcelo ["Maria, Mãe do Filho de Deus"] tinha um aspecto doutrinário. "Chico" não tem", compara Braga, da Sony. O interesse da distribuidora hollywoodiana no projeto é, digamos, anterior ao próprio projeto. "Os livros religiosos são tão bem vendidos que sempre me perguntei por que não viravam filme." A prova de que esse filão adormecido tinha potencial veio com "Bezerra de Menezes" que, lançado sem alarde, fez quase 500 mil espectadores. Mas será que quem rejeita o espiritismo verá "Chico Xavier"? "Não sei", responde Braga. O executivo assinala, no entanto, que filmes "sobrenaturais" costumam fazer sucesso no Brasil. "Filmes como "Ghost" e "O Sexto Sentido" fizeram especial sucesso aqui." Atrás do público que, mais do que ao cinema, costuma ir à barraquinha do camelô, o filme não só terá sessões especiais em Uberaba (MG), onde fica o museu Chico Xavier, e Pedro Leopoldo (MG) sua cidade natal, como aproveitará as frestas abertas pelo centenário do personagem. Só a GloboNews tem quatro programas sobre Xavier previstos para março. É o mais famoso médium brasileiro chegando à era da "convergência". (ANA PAULA SOUSA).
  • Opinião: Falar com os "mortos", coisa de maluco?: VALDO CRUZ (DA SUCURSAL DE BRASÍLIA). Há cerca de 14 anos, quando fui convidado para dirigir a sucursal de Brasília da Folha, o diretor de redação, Otavio Frias Filho, marcou um almoço comigo para falar sobre a função. No meio do encontro, ele me surpreendeu quando mudou o rumo da conversa e pediu que eu falasse um pouco sobre minhas crenças. Minha reação imediata foi: "Será que devo falar sobre isso? Você vai achar que colocou um maluco na direção do jornal em Brasília". Como recebi estímulo para seguir, só falamos de espiritismo dali em diante. Hoje, ao lembrar daquele episódio, vejo que eu mesmo tinha um certo receio em falar que era espírita. Exatamente por saber que, no meu meio, muitos me achavam maluco ao falar sobre comunicação com os "mortos". Otavio não só me estimulou como, ao final da conversa, não me classificou de "louco" por ser espírita, religião que hoje é muito mais aceita dentro da sociedade brasileira e começa a crescer, estando presente nas diversas classes sociais. Uma religião que seus adeptos preferem classificar de doutrina cristã, fundada na fé raciocinada e que prega a caridade como principal caminho para a evolução espiritual. Uma religião aberta, que costuma ter entre seus seguidores católicos que assistem à missa pela manhã e participam de reuniões espíritas à noite. Se já foi considerada "coisa do demônio", como dizia minha mãe, ou "crença de malucos", o espiritismo vive um momento de expansão e divulgação, numa época de terreno fértil diante de novas teorias sobre o fim do mundo. Chico Xavier dizia que "embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim". Se só essa mensagem ficar na mente dos que virem o filme, já terá valido a pena. Ela vale para qualquer um. Tanto para os que creem que a vida é única e tem um fim - seja a deles ou a da terra. Como para os malucos que falam com os "mortos".
  • Entusiastas do espiritismo preparam filmes para 2010: FERNANDA EZABELLA (REPORTAGEM LOCAL). "Gosto tanto do Chico quanto do Bergman e do Truffaut", diz Oceano Vieira, dono da Versátil, respeitada distribuidora de DVD de filmes de arte, que tem um selo dedicado a produções espíritas -a Vídeo Spirite (eu vejo espíritos, em latim). Vieira é historiador da área e produtor de um dos diversos filmes que estão sendo realizados na esteira do centenário de Chico Xavier, "E a Vida Continua" (confira outros no quadro), baseado em livro psicografado pelo médium mineiro. Viera ainda negocia o lançamento do filme em cinema, mas garante em DVD. No elenco, Lima Duarte faz uma ponta. "Ele é espírita desde o berço, começou no teatro espírita", diz Vieira, diretor do documentário "A Grande Síntese de Pietro Ubaldi", exibido na Mostra de São Paulo de 2009. "E a Vida Continua", assim como os principais livros de Chico, pertence a Federação Espírita Brasileira (FEB), que tem na venda dos títulos a maior parte da renda anual. A instituição investe e colabora com esse filme e com outro, chamado "Nosso Lar", que será o grande lançamento espírita do segundo semestre. "A diretoria aprovou a proposta [de "Nosso Lar']. Foi feito um contrato, tivemos acesso ao script [roteiro], acompanhamos várias tomadas", disse Antonio Cesar Perri, diretor da FEB. "A preocupação não é essa [aumentar rebanho], e sim divulgar valores como paz, respeito a ética e ao bem." Outro entusiasta do tema, que investe em três filmes de temática espírita, é Luis Eduardo Girão, empresário de turismo em Fortaleza e diretor da Estação Luz Filmes, responsável por "Bezerra de Menezes -O Diário de um Espírito" (2008). Girão é produtor de "As Mães de Chico Xavier", filme de ficção baseado em livro do jornalista Marcel Souto Maior, autor da biografia adaptada por Daniel Filho. A direção é tripla, incluindo Glauber Filho, de "Bezerra de Menezes". Girão também investiu na cinebiografia de Filho e em "Área Q", rodado em setembro no Brasil, com o americano Isaiah Washington. "O filme com o Isaiah fala de ufologia e espiritualidade, fala em reencarnação de uma forma muito inteligente", diz o produtor, um dos organizadores da primeira edição do Festival Cinema Transcendental, em novembro, em Brasília. O evento é baseado numa mostra de teatro do gênero que acontece há oito anos em Fortaleza e reuniu 35 mil pessoas em 2009. Zíbia Gasparetto, escritora best-seller de livros espíritas, também deve chegar às telas, em 2011. O produtor Tomislav Blazic prepara o filme "Ninguém é de Ninguém", a ser rodado no segundo semestre no Rio e SP, com uma versão falada em inglês. É baseado em livro psicografado por Gasparetto do espírito Lucius, cujo nome inspirou a produtora de Blazic, Lucius Motion, criada para adaptar obras da autora.


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