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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

O rei Abdala da Arábia Saudita promove encontro entre religiões em Madri

Stéphanie Le Bars
Le Monde, em 17/07/2008.

O rei Abdala da Arábia Saudita presidiu na quarta-feira (16) a abertura de uma conferência mundial sobre o diálogo entre religiões. Este encontro, que está sendo realizado por sua iniciativa, em Madri, tem duração prevista de dois dias. O rei Juan Carlos participou da sessão inaugural, além do secretário-geral do Congresso Judaico Mundial, Michael Schneider, e do cardeal Jean-Louis Tauran, responsável do diálogo com o Islã em nome do Vaticano.

Este encontro constitui um passo suplementar, encampado pelo soberano saudita, no processo que visa a promover o diálogo entre o Islã, o cristianismo e o judaísmo. Trata-se de um assunto de interesse recente, porém constante para este representante de um país marcado pela mais rigorosa doutrina do Islã, o wahhabismo, uma vertente da escola hanbalita, e onde continuam sendo proscritos até hoje os locais de culto que não sejam muçulmanos.

Em 6 de novembro de 2007, o seu encontro histórico, em Roma, com o papa Bento 16 já era representativo desta vontade de aproximação. Um mês depois, na cidade de Meca, por ocasião da celebração do Aid el-Adha, que marca o encerramento da peregrinação, o rei saudita havia convidado, em 20 de dezembro, os muçulmanos a se lembrarem "daquilo que reúne as religiões, as crenças e as culturas".

Preocupado em melhorar a imagem do Islã, o soberano deseja "enfrentar os desafios que representam o enclausuramento, a ignorância e a estreiteza de visão, de modo que o mundo compreenda os preceitos do Islã sem animosidade". Organizado pela Liga Islâmica Mundial (LIM), uma organização baseada em Meca e ligada ao poder saudita, o encontro de Madri, que deverá reunir cerca de 220 representantes dos três monoteísmos, visa também a "promover a justiça e a paz, preservar a estrutura familiar e fazer frente aos flagelos do terrorismo, da injustiça e dos entorpecentes".

Em junho, o soberano saudita havia defendido sua idéia perante centenas de sábios muçulmanos, sunitas e xiitas, reunidos em Meca. Ele lhes lembrara que os valores comuns aos três monoteísmos "repugnam a traição, rejeitam o crime, combatem o terrorismo". Desde a sua ascensão ao trono, em 2005, o rei Abdala, "guardião das santas mesquitas" de Meca e de Medina, está também empenhado em atenuar os antagonismos entre as duas grandes vertentes do Islã que são o sunismo e o xiismo.

A iniciativa saudita foi condenada por um dirigente da Al Qaeda no Afeganistão, que, numa gravação que foi difundida na Internet em maio, considerou que uma aproximação entre as religiões conduziria à presença de igrejas no coração da península Arábica. Isso, apesar do fato de já existirem tais edifícios no Kuait e nos Emirados Árabes Unidos, e de uma primeira igreja ter sido construída no Qatar, um estado que observa igualmente os preceitos do wahhabismo, onde ela foi inaugurada em março. Sem citar o rei Abdala, o dirigente da Al Qaeda conclamou os muçulmanos a enfrentarem "o tirano malévolo", acrescentando que os seus partidários não aceitariam "nenhuma aproximação, nenhuma cooperação com as outras religiões".

Embora ele não seja objeto de unanimidade numa parte do mundo muçulmano, o diálogo entre religiões interessa visivelmente aos círculos intelectuais, nos quais ele suscita até mesmo projetos concorrentes. Com efeito, a iniciativa do rei saudita, depois das conferências anuais que já vêm sendo organizadas no Qatar, vem acrescentar-se àquela do príncipe jordaniano Ghazi ben Mohammad ben Talal. Esta última foi proposta em outubro de 2007 com o objetivo de tentar reatar relações apaziguadas com os católicos, depois do discurso controvertido proferido pelo papa em Ratisbon (Alemanha) em 2006, a respeito dos supostos vínculos que existiriam entre Islã e violência.

Depois de uma troca de cartas entre o Vaticano e 138 dignitários muçulmanos (atualmente 255), originários de 40 países (dentre os quais a Arábia Saudita) e representantes de diversas vertentes do Islã, chegou-se a um acordo de princípio para a organização de um fórum que reunirá cleros e leigos católicos e muçulmanos. Um primeiro encontro, do qual o papa deverá participar, está previsto para o início de novembro em Roma. Mas a força simbólica das cidades de Meca e de Medina em terra saudita confere à iniciativa de Abdala um prestígio sem igual.


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