Há várias distinções substanciais e vitais entre o judaísmo e o cristianismo. Claro, também há muitas semelhanças, basicamente porque o cristianismo surgiu do judaísmo. Todavia, o cristianismo seguiu um outro caminho desde o início, pois suas lideranças romperam com o judaísmo e formaram uma nova religião. Portanto, é um grande equívoco acreditar que ambas as religiões têm a mesma essência, ou ver o cristianismo como uma continuação natural do judaísmo. >> Leia mais...
Estudo comparado e abordagem interdisciplinar da história das religiões, crenças, manifestações e idéias religiosas.
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- Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
As diferenças entre o Judaísmo e o Cristianismo
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Expoentes judeus relançam diálogo após mudança na oração da Sexta-Feira Santa
Declarações do professor Neusner e de representantes internacionais
Por Jesús Colina
ROMA, terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Representantes judeus manifestaram sua vontade de continuar com o diálogo com a Igreja Católica, muito além das interpretações suscitadas pela nova oração da Sexta-Feira Santa proposta para as comunidades que celebrem segundo o missal precedente ao Concílio Vaticano II.
As mensagens, algumas delas dirigidas diretamente à Santa Sé, acontecem depois de duras críticas contra o texto dessa oração, na qual se reza para que os filhos do povo eleito, como o restante das pessoas, possam chegar a reconhecer Jesus Cristo e sua Igreja.
A oração substitui a outra oração que se rezava pelos judeus antes do Concílio Vaticano II e que era percebida como ofensiva em algumas de suas expressões, em parte por causa da difícil história de relações entre cristãos e judeus.
Em declarações aos microfones da «Rádio Vaticano» (7 de fevereiro), o cardeal Walter Kasper, presidente da Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo, declarou que esta oração, que só rezarão pequeníssimos grupos católicos, pois o resto da Igreja continuará com a oração que havia introduzido Paulo VI, só faz profissão da fé cristã, não busca fazer proselitismo de conversão.
«No passado, com freqüência esta linguagem era de desprezo, como disse Jules Isaac, um judeu famoso. Agora se dá um respeito na diversidade», reconheceu o cardeal.
Entre as reações, destaca um artigo publicado no jornal alemão Die Tagespost, em 23 de fevereiro de 2008, Jacob Neusner, professor de História e Teologia do Judaísmo no Bard College, que apóia a explicação do cardeal, declara que a oração não faz mais que expressar a identidade cristã.
«Israel reza pelos gentios, de maneira que os demais monoteístas, inclusive a Igreja Católica, têm o direito de fazer o mesmo, e ninguém deveria ofender-se por isso. Uma atitude diferente ante os gentios lhes negaria a possibilidade de ter acesso ao Deus uno, que Israel conhece na Torá», explica o professor que lecionou, entre outras universidades, nas de Columbia, Wisconsin-Milwaukee e Flórida do Sul.
«E a oração católica expressa este mesmo espírito generoso que caracteriza o judaísmo no culto. O reino de Deus abre as portas a toda a humanidade e, quando os israelenses no culto rezam pela rápida chegada do reino de Deus, expressam a mesma generosidade de espírito que caracteriza o texto do Papa da oração pelos judeus, ou melhor, pelo ‘santo Israel’, na Sexta-Feira Santa», explica o professor judeu.
A fórmula «rezemos também pelos judeus», como acontece nas orações do povo eleito, «realiza a lógica do monoteísmo e de sua esperança escatológica», conclui Neusner.
Ao Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos, em cujo seio se encontra a Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo, outros representantes de importantes organizações judaicas enviaram mensagens com os que buscam avançar no diálogo que começou com o Concílio Vaticano II.
O World Jewish Congress, por exemplo, em uma carta, propõe avançar no difícil caminho do diálogo para aprofundar precisamente aqueles aspectos que ferem mutuamente os crentes de ambas religiões, com franqueza, respeito e a necessária abertura de espírito.
O cardeal Kasper explicou, em resposta a consultas de organizações judaicas, que o texto da oração se inspira
Muito além do debate suscitado pela oração, a imensa maioria dos fiéis católicos do mundo continuará rezando a grande intercessão da liturgia da Paixão da Sexta-Feira Santa, segundo o missal adotado em 1969, que entrou em vigor em 1970, sob o papado de Paulo VI: «Rezemos pelos judeus, a quem Deus falou em primeiro lugar, para que progridam no amor de seu Nome e na fidelidade à sua aliança».
Extraído de:
Zenit, em 26/02/2008.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
XII Congresso Latino-Americano sobre Religião e Etnicidade, Mudanças Culturais, Conflito e Transformações Religiosas
A Associação Latino-Americana Para o Estudo das Religiões (ALER) está promovendo o XII CONGRESO LATINOAMERICANO SOBRE RELIGIÃO E ETNICIDADE, MUDANÇAS CULTURAIS, CONFLICTO E TRASFORMAÇÕES RELIGIOSAS que será realizado na cidade de Bogotá - Colômbia, entre os dias 7 e 11 de julho de 2008, na Universidade Colégio Maior de N. Sra. do Rosário. Clique aqui para maiores informações.
ABHR - História das Religiões
O eGroup História das Religiões congrega interessados no estudo das religiões. É também um meio de comunicação entre os sócios da Associação Brasileira de História das Religiões - ABHR.Núcleo Paranaense de Pesquisa em Religião (NUPPER)
O Núcleo Paranaense de Pesquisa em Religião (NUPPER) é um grupo de investigação científica independente que objetiva, sob a ótica das ciências humanas, analisar o fenômeno religioso em sua unidade e diversidade.terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO: As Boas Novas de Uma Consciência Infeliz
Convite
Defesa – Dissertação de Mestrado
Data: 06 de março de 2008 - Horário: 14:00 h
O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO: As Boas Novas de Uma Consciência Infeliz
Autor: Paulo Victor de Souza Rocha
Orientador: Prof. Dr. Eduardo Coutinho
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura (Literatura Comparada) da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Obs:
Paulo Victor de Souza Rocha
Bacharel em Letras (Português-Hebraico) – FL/UFRJ
Bacharel em Letras (Português-Grego) – FL/UFRJ
Especialização “Estudos Bíblicos e Judaísmo: Religião, História e Literatura” (FL/UFRJ) – Coordenadora e Docente: Profa Dra Cláudia Andréa Prata Ferreira (FL/UFRJ) – ano 2004 - Monografia final de curso: “Tradução da Bíblia: conceitos gerais a análise comparativa”.
Panorama da História e Geografia Bíblica: Israel na Antigüidade
Curso de extensão – 1º semestre de 2008
Setor Cultural – Faculdade de Letras/UFRJ
Panorama da História e Geografia Bíblica: Israel na Antigüidade
Coordenadora e Docente: Profa. Dra. Cláudia Andréa Prata Ferreira (UFRJ).
Professora doutora do Setor de Hebraico do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ e do Programa de Pós-graduação
Ementa: Apresentação do panorama histórico do espaço geográfico bíblico e a história de Israel na Antigüidade. É importante conhecer as características geográficas de Israel na Antigüidade e sua realidade política, social e econômica para poder compreender e situar adequadamente os fatos narrados no texto bíblico. A importância da experiência religiosa do povo de Israel. A Bíblia é um conjunto de livros que contêm a narração de tal experiência.
Vagas: 20 - Dia da semana: quarta-feira - Horário: 13:00 h às 15:00 h
Período: de 02/04 a 18/06 (12 encontros)
Programa
01) 02/04 – O Texto Bíblico “Judaico”: cânone judaico (Esserim Vearbaá).
02) 09/04 – Panorama geográfico: os nomes dados à Terra de Israel através dos tempos, a situação geográfica e o sentido religioso da Terra Prometida.
03) 16/04 – A história das origens. As narrativas da Criação dos povos do Antigo Oriente Próximo e sua influência no texto de Gênesis. O pecado original. Caim e Abel. As duas narrativas do dilúvio. A Torre de Babel.
04) 23/04 - As narrativas dos pais. As origens de Abraão. Vocação, aliança e promessa. Sodoma e Gomorra. O sacrifício de Isaac. A relação entre Jacó e Esaú.
05) 30/04 – O Êxodo: uma história de escravidão e libertação. A história de José. A história de Moisés. As dez pragas. O êxodo e a passagem do mar.
06) 07/05 – A terra onde corre leite e mel. O Decálogo e sua relação com as leis hititas e babilônicas. O período de ocupação da Terra Prometida: o percurso e as etapas da ocupação. A distribuição da terra.
07) 14/05 – O tempo dos Juízes. Os Juízes Maiores e os Juízes Menores.
08) 21/05 – O tempo dos reis. A monarquia em Israel.
09) 28/05 – Profetas e Profetisas na Bíblia.
10) 04/06 – Filosofia grega e a sabedoria hebraica. O diálogo entre helenismo e judaísmo.
11) 11/06 – Panorama da Galiléia do I século: A situação geopolítica da Galiléia e as condições socioeconômicas da região. As relações entre Galiléia e Judéia.
12) 18/06 – O judaísmo no tempo de Jesus. Judaísmo ou Judaísmos?
Programação CHCJ – 1º semestre de 2008
Centro de História e Cultura Judaica
Rua General Severiano, 170/6º.andar Botafogo,
Rio de Janeiro, RJ
Tels. (21) 2156-0413 e 2275-7096
E-mail. chcj@cybernet.com.br
Observação: turma nova do curso de Tanach, que estará começando a partir de "Bereshit" (Gênesis). As aulas serão ministradas às 4as-feiras no horário de 17:30 às 19:00h.
Início do curso: 05/ 03/ 2008.
Programação CHCJ – 1º semestre de 2008
PROGRAMAÇÃO DO CHCJ
CURSO: 60 ANOS DE HISTÓRIA MODERNA
Profª. Paulo Geiger
Editor, Designer e Consultor do CHCJ.
20/ 05 - O ideal do retorno como elemento da História Judaica.
De como os judeus continuaram a ser um povo só, preservaram seus valores e sua convergência ao longo de 2.000 anos de dispersão.
27/ 05 - 2000 anos depois – o retorno.
De como o vínculo pela religião, pela memória histórica, pela cultura, pela percepção de grupo se transformou num direito como o de todos os povos, à luz de novas idéias e dos novos ideais da modernidade, e de como esse direito gerou um movimento, e o movimento gerou um Estado.
De como o moderno estado de seus cidadãos expressa uma identidade judaica, de como uma nação moderna de 60 anos é a continuação da milenar história de um povo, dos dilemas e da singularidade dessa aparente ambigüidade.
17/ 06 – O conflito atual – sua origem e desenvolvimento.
De como uma solução nacional para dois povos, não excludente, foi recusada por um deles originando um conflito; dos complicadores desse conflito, das tentativas de solução, das sucessivas crises, dos fatores locais e internacionais, das perspectivas e perigos.
Palestrante: Prof. Dr. Edgar Leite.
- Posições de Lênin sobre o nacionalismo judaico. Polêmicas como Bund e o movimento sionista. Conflitos após a revolução de 1917. O projeto de Birobdijan e seu significado. O fim da seção judaica do Partido. O pós-segunda guerra mundial. A URSS e Israel durante a guerra fria. A política de alianças da URSS no Oriente Médio e suas influências sobre o pensamento de esquerda mundial. A crítica de Herbert Marcuse. Posições após o colapso da URSS.
CURSO: JUDAÍSMO E ISLAMISMO
Profª. Dr. EDGARD LEITE
Doutor em História.Coordenador da Oficina de Estudos da Antiguidade Judaica da UERJ. Professor da UNIRIO.
Profª. Dra. RENATA R. SANCOVSKY
Doutora
Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Intolerância - USP
Professora do Departamento de História da UGF
5as. Feiras de 20h às 21h30min.
24/04 - Maomé, O Corão e as relações com os judeus da Península Arábica.
Palestrante: Dra. Renata R. Sancovsky.
Palestrante: Dra. Renata R. Sancovsky.
Palestrante: Dra. Renata R. Sancovsky.
Palestrante: Dr. Edgar Leite
CURSO: LITERATURA JUDAICA NO CONTEXTO LATINO AMERICANO
Profª. Dra. BELLA JOZEF
Professora Emérita da UFRJ
Especialista
3as. Feiras de 20h às 21h30min.
18/ 03 - As vozes antigas do Novo Mundo.
- Influências bíblicas nas recordações do passado.
(Jorge Isaacs, Alberto Gerchunoff, Juan Gelman)
25/ 03 - A Diáspora: o imigrante e o outro.
- Exílio e diáspora, a solidão e o desenraizamento.
(Ezequiel Rawet, José Kozer, German Rozenmacher, Isaac Goldemberg)
- A captação da história do judeu na América Latina através dos personagens.
(Moacyr Scliar, Marcos Aguinis, Pedro Orgambide, David Viñas)
08/ 04 - A presença da escritora judia
- O olhar feminino na América Latina e o seu fazer literário.
(Clarice Lispector, Marco Glantz, Alejandra Pizarnik, Angelina Muñoz Huberman)
Profª. Dr. EDGARD LEITE
Doutor em História.Coordenador da Oficina de Estudos da Antiguidade Judaica da UERJ. Professor da UNIRIO
3as. Feiras de 20h às 21h30min.
15/ 04 - Os manuscritos de Qumran: questões gerais.
História dos achados. Achados prévios, nos séculos XIX e XX. As cavernas e seus conteúdos. Controvérsias políticas, acadêmicas e arqueológicas. Discussões posteriores sobre o conteúdo dos documentos e sua guarda. Teorias sobre as origens dos documentos.
22/ 04 - O mundo que gerou os manuscritos de Qumran.
A Judéia no período do Segundo Templo. Discussões sobre o poder de Jerusalém e resistências políticas e religiosas. Movimentos religiosos da época. O livro de Enoque e o seu judaísmo. O pensamento apocalíptico e suas dimensões teológicas e políticas.
29/ 04 - Textos sagrados e literatura bíblica em Qumran.
Principais textos e documentos encontrados
06/ 05 - Qumran e as origens do cristianismo.
Elementos gerais do pensamento apocalíptico
13/ 05 - O universo religioso da Judéia durante as ações do Jesus Histórico.
Especulações e teorias sobre as relações entre Jesus e o restante da comunidade judaica. Relações entre Jesus e os fariseus. A primeira guerra judaica e seus efeitos.
CURSO: ARTE E PODER INQUISITORIAL: IMAGENS DA SAGA JUDAICA NA PENÍNSULA IBÉRICA
Profª. Dra. BENAIR ALCARAZ RIBEIRO
Professora e Doutora em História - USP
Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Intolerância - USP
Professora do Departamento de História da UGF
5as. Feiras de 20h às 21:30min.
27/ 03 - Introdução geral à História da Inquisição e a História da Arte produzida entre os séculos XIV e XIX.
A escola flamenga e o estereótipo do judeu.
Representações icônicas do período fundacional da Inquisição Ibérica:
A perseguição aos artistas em busca de evidências de judaísmo
El Greco e as possíveis relações com a comunidade judaica
10/ 04 - A exaltação do Barroco
A Gravura e sua expansão
Os viajantes e Relações de autos-de-fé: a contrapropaganda à Inquisição
Goya e o alcance do combate à Inquisição
Discípulos e seguidores de Goya
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Religião como fenômeno contemporâneo: apenas retorno à espiritualidade?
A redescoberta das religiões é um fenômeno mundial observável ao mesmo tempo em culturas diferentes e com modelos semelhantes. O novo retorno à espiritualidade traz também a necessidade de se pertencer a uma comunidade.
Colônia, junho de 2007. Até tarde da noite, nas praças e zonas de pedestres da cidade, pregadores jovens atraem ouvintes ainda mais jovens. Seu modo de falar não se diferencia muito do estilo dos rappers. As roupas dos ouvintes se assemelham às dos fãs de hip hop. No 31º Congresso da Igreja Luterana Alemã, uma coisa fica clara: as relações com a religião se transformaram profundamente nos últimos anos.
Evento espiritual ou nova definição de uma comunidade
O novo retorno à espiritualidade, à primeira vista, parece ser apenas uma nova forma de festividade com caráter religioso. "No 31º Congresso da Igreja Luterana Alemã, as pessoas vestem cachecóis e lenços pelas ruas. Às vezes de cor alaranjada, outras vezes com as cores do arco-íris. Mas um show de música pop também não é um evento religioso?", pergunta-se o teólogo vienense Ullrich Körtner.
Os analistas afirmam que, nos eventos religiosos na Alemanha, o tema religião é cada vez mais apolítico. Fala-se até mesmo de uma espécie de spa para a alma, um acontecimento espiritual no qual a religião atua não apenas como um instrumento de regulação, mas também como um meio de expressão de uma atitude de vida moderna e autodeterminada.
Körtner questiona se a redescoberta das religiões vem apenas de uma busca individual pela espiritualidade numa festa de rua em Colônia ou em qualquer outro lugar. "Neste caso, não se trataria de uma instrumentalizaçã o da religião, que apenas em parte tem a ver com espiritualidade e que, na verdade, satisfaz a outras necessidades, como a de formar uma comunidade?" , pergunta.
De retrógrada a cool
A busca mais intensa por uma identidade cultural de uma comunidade é uma característica deste século. Muitos jovens de diferentes culturas encontraram uma identidade global nos ideais de esquerda. As identidades de esquerda do século 20 criticavam a herança cultural de seus pais.
Este fenômeno não aconteceu apenas em nações industriais, mas também em países subdesenvolvidos, como Egito e Iraque. Hoje, a religião é visível nas ruas de Cairo, Bagdá, mas também em Colônia e outras cidades da Europa Ocidental – e este retorno da religião não se limita às gerações mais velhas, mas também alcança jovens cool.
Religião a serviço da política?
O novo retorno às religiões é, sem dúvida, um fenômeno mundial observável ao mesmo tempo em culturas diferentes, mas com modelos semelhantes. Também não se discute que esse retorno é suscetível de ser usado negativamente por certos políticos.
A retórica religiosa é usada como um instrumento político não apenas pelo presidente norte-americano e por radicais islâmicos de todas as cores; também em Colônia, grupos de extrema direita fazem mau uso do caráter cristão da cidade ao impedir a construção de uma mesquita.
Bashar Humeid
Extraído de:
Deutsche Welle, em 13/09/2007.
Religião cristã vira disciplina nas escolas israelenses
Folha de São Paulo on-line, Educação, em 08/10/2006.
Efe, em Jerusalém. Os estudantes do ensino médio de Israel terão a oportunidade de conhecer pela primeira vez a religião cristã, disciplina que será oferecida nos centros em que os jovens árabes estudam.
O Ministério da Educação informa que está analisando a abertura desta disciplina a estudantes da maioria judaica do país na Terra Santa, onde Jesus nasceu, pregou e foi crucificado, segunda a edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth".
Atualmente, 30 mil estudantes da minoria árabe e membros da comunidade cristã poderão assistir a partir deste ano letivo ao curso de religião que será oferecido em suas escolas.
Os cristãos árabes, em sua maioria da Igreja Greco-Ortodoxa, são menos de 5% dos 1,1 milhão de membros da minoria árabe, que representa 20% dos cidadãos de Israel. A maioria judaica conta com mais de 5 milhões de membros.
A diretora do Departamento Pedagógico do Ministério da Educação, professora Anat Zohar, afirmou que a disciplina foi incorporada nos programas de estudos e que o oferecimento do curso a estudantes judeus "será estudado minuciosamente e a decisão será adotada ainda este ano".
Representantes de todas as denominações da igreja, as do Ocidente e as do Oriente, desde a católica até as ortodoxas, foram consultados para a elaboração da disciplina, que agora faz parte dos estudos obrigatórios de religião nos colégios, segundo o jornal.
O programa de estudos aprovado foi elaborado para os adolescentes que cursam os últimos três anos do ensino médio.
Dalai Lama: "A prática da compaixão beneficia a saúde porque diminui o estresse"
Entrevista com o Dalai Lama: "A prática da compaixão beneficia a saúde porque diminui o estresse"
Xavier Mas de Xaxàs e Joaquín Luna
Em Barcelona
Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano e prêmio Nobel da paz, recebeu "
Dalai Lama - Há ensinamentos como a felicidade, o amor, a tolerância e a compaixão que são comuns a todas as religiões. Em todo caso, a educação deve ser secular. Não deve ser religiosa, para que assim possa unir pessoas de diferentes religiões. Os códigos morais se dão à margem das religiões. Baseiam-se no senso comum e também na ciência.
LV - Como o senhor explica que a cada dia haja mais cientistas que se inclinam pelo budismo?
Dalai Lama - Está demonstrado cientificamente que a prática da compaixão beneficia a saúde porque reduz o estresse. Não se trata de falar sobre Deus e a reencarnação, mas de buscar em nosso interior e sermos compassivos. Ajuda a baixar a pressão arterial e nossa saúde melhora. Precisamos de um programa educacional desde o jardim-de-infância até a universidade, que alerte sobre a importância da bondade.
LV - Como caminho para a paz?
Dalai Lama - Para promover a paz mundial devemos insistir na bondade, porque a paz só chegará através da paz interior. É preciso ensinar aos jovens que os conflitos só poderão ser solucionados mediante o diálogo. Isso quer dizer a não-violência. Portanto, creio que os governos devem se esforçar mais para divulgar a educação da bondade.
LV - Existe no Ocidente uma atitude acomodada em relação às religiões, de maneira que apanhamos o que é mais fácil de cada uma?
Dalai Lama - É importante manter as tradições. O budismo pertence à Ásia. Mas certas pessoas ocidentais acham mais interessante o budismo. Em geral, é preferível que cada indivíduo mantenha sua tradição religiosa. É possível escolher aspectos de várias religiões em nível superficial, mas é impossível em um nível mais profundo.
LV - É possível retomar as negociações com a China para solucionar o problema tibetano?
Dalai Lama - Apesar de que a cada dia a situação no interior do Tibete é mais grave por culpa da opressão chinesa, estamos comprometidos com uma solução que não inclua a independência, mas uma ampla autonomia, semelhante à que vocês desfrutam aqui na Catalunha, dentro do âmbito da democracia e do Estado de direito. Depende deles. Esperamos que se manifestem.
LV - O catolicismo cresce na China graças a um entendimento de fato entre o governo e o Vaticano. Essa seria uma via para o Tibete?
Dalai Lama - Nossa situação é diferente. O problema do catolicismo na China é sua submissão ao Vaticano. O problema tibetano não tem a ver com uma instituição religiosa. É um problema histórico. Durante mil anos o Tibete e a China tiveram nomes diferentes. Não existe um nome para englobar a China e o Tibete. Nós, tibetanos, somos diferentes. Os chineses dizem que o Tibete faz parte da China, mas não é verdade. Os tibetanos não nos sentimos chineses. Mas o passado é passado, e o que importa agora é o futuro. Estamos de acordo que o Tibete permaneça dentro da República Popular, mas queremos que nossos recursos naturais e o desenvolvimento nos beneficiem mais. Também exigimos o respeito à nossa cultura, nossa língua e literatura. Além disso, o budismo tibetano representa a mais rica tradição budista. Por tudo isso devemos ter uma autonomia com conteúdo, não como a que outras províncias chinesas têm hoje. Essa é a chave, os direitos de 6 milhões de pessoas, e não o retorno do Dalai Lama. Não quero recuperar os títulos que tinha antes de 1959. Sou apenas um simples monge budista.
LV - O senhor acredita que os Jogos Olímpicos de Pequim possam favorecer a causa tibetana?
Dalai Lama - Alguns amigos nos dizem que os jogos são uma boa oportunidade para abrir a China e conseguir mais liberdade. Mas não tenho certeza. Por exemplo, vejo que há alguns meses se prometeu livre acesso à imprensa internacional, mas agora há mais restrições.
LV - O senhor considera que a comunidade internacional deveria pressionar mais Pequim sobre a situação do Tibete?
Dalai Lama - Há países como os EUA e instituições como o Parlamento Europeu que, quando têm a oportunidade, manifestam ao governo chinês suas preocupações sobre o Tibete, especialmente sobre os direitos humanos e a liberdade religiosa.
LV - O senhor acredita que a ONU não faz o suficiente para defender o Tibete?
Dalai Lama - No início dos anos 50 apelamos à ONU. Voltamos a fazê-lo em 1959. Conseguimos apoios suficientes para aprovar três resoluções (1959, 1961 e 1965). Nos anos 70, porém, entendemos que era mais prático tratar diretamente com a China. Tenho uma visão crítica da ONU.
LV - Acredita que é inútil para a causa tibetana?
Dalai Lama - Inútil é uma palavra forte demais, mas responde aos interesses dos governos. Além disso, aprovou três resoluções, e do ponto de vista moral tem certa responsabilidade.
LV - A religião se transformou no Iraque em uma força violenta?
Dalai Lama - Algumas pessoas do mundo árabe vêem com suspeita e desconfiança a influência da modernidade ocidental. A principal causa da guerra no Iraque e dos atentados de 11 de Setembro é a desconfiança. O mundo árabe esteve um pouco isolado durante séculos. Ao contrário da Índia ou da Indonésia, onde houve uma longa tradição de convivência religiosa. Com relação ao Iraque e ao Afeganistão, os EUA tentaram levar para lá a democracia, mas viram que era complexo demais. Diante desse fracasso, os cidadãos se encheram de emoção, de emoção demais, e é por isso que, em nome da religião, xiitas e sunitas se matam. É terrível, mas quando há tanta emoção é muito fácil manipular apelando para a religião.
LV - O povo tibetano aceitaria uma solução imposta de fora?
Dalai Lama - Se os chineses impuserem a democracia no Tibete, serão recebidos de braços abertos. A democracia é o futuro do Tibete. Há seis anos temos um Parlamento e um governo no exílio, com um primeiro-ministro. Desde então eu estou semi-aposentado.
LV - É difícil conciliar ser um homem de Estado e um homem de fé?
Dalai Lama - Absolutamente. Creio na separação entre a religião e o Estado. Antes eles estavam unidos no Tibete, mas não é bom. A liberdade tibetana, porém, está muito ligada à religião, pois sem liberdade não se pode praticar o budismo. A luta pela liberdade do Tibete faz parte de minha prática religiosa.
LV - Na medida em que o senhor envelhece, aumenta a saudade de Lhasa? Não seria ruim não poder regressar?
Dalai Lama - Não muito. De verdade. Não é tão importante. O importante é a liberdade.
Extraído de:
Será que vai ser preciso dar um novo nome ao Natal?
Cada vez mais, em muitos países do Ocidente, a celebração do nascimento do Cristo é substituída por votos de festas "politicamente corretos", para não incomodar fiéis de outras religiões
Por Henri Tincq
Quem já não se deu conta da substituição de linguagem que, de um ano para outro, sobre as fachadas das prefeituras e dos edifícios públicos, transformou os tradicionais votos de "Feliz Natal" em "Felizes festas de fim de ano", ou ainda em "Boas festas", sem mais nem menos?
Não se trata de uma mera fantasia semântica. Será que o nome de Natal, que evoca o nascimento do Cristo, o evento fundador da história e da fé cristãs, acabou se tornando politicamente incorreto na sociedade multicultural de hoje, a tal ponto que seja necessário evitar pronunciá-lo?
Mais ainda do que na França, à medida que se aproxima o dia 25 de dezembro, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na Alemanha, foram tomadas iniciativas que visam a impedir chamadas, anúncios ou cartazes que chamem por demais as atenções para a festa de Natal; isso para não correr o risco de chocar a sensibilidade dos fiéis das outras religiões.
Na Inglaterra em particular, uma "guerra de Natal", conforme esta foi chamada pela imprensa, foi declarada. Os símbolos da festa, quer estes tenham um vínculo com o rito cristão (o presépio), quer eles não tenham nenhum (o pinheiro-silvestre ou o abeto), estão desaparecendo aos poucos da paisagem.
Segundo o jornal-tablóide "The Sun", em mais dos três quartos dos escritórios londrinos, as decorações de Natal teriam sido desaconselhadas, e até mesmo proibidas. Na comuna de Luton, Natal recebeu o novo nome de "Luminous" (luminoso, brilhante). Em Birmingham, o nome foi substituído nos documentos administrativos por aquele de "Festa do Inverno". Nos correios britânicos, nos selos de fim de ano, no lugar do presépio, da estrela dos pastores e dos três reis magos, foram impressas ilustrações com homenzinhos de neve e renas.
Contudo, esta supressão do "nome de batismo" do Natal não deixa de provocar reações por parte da população britânica. Neste país, associações cristãs se insurgem contra "as perdas de rumo que estão demolindo a festa cristã a mais amada".
Além disso, Dom John Sentamu, o arcebispo de York, que é o número dois na hierarquia da Igreja anglicana, acusou "os ateus e os secularistas agressivos de quererem varrer os símbolos cristãos da vida pública" para criar esta "situação absurda": eles tentam fazer acreditar que a festa de Natal ofende as outras tradições, principalmente a hindu ou a muçulmana, cujas comunidades estão presentes em solo britânico.
Na Espanha, em Saragoza, um estabelecimento escolar proibiu a recitação de poemas e o canto de cânticos de Natal. Assim como na Grã-Bretanha, trata-se de não indispor as crianças das outras religiões. Esta atitude "anti-Natal politicamente correta" teria sido inspirada num manifesto do Partido Socialista no poder, segundo o qual "o laicismo é o único garante da liberdade e da igualdade".
Dom Fernando Sebastian Aguilar, o arcebispo de Pamplona (Navarra), reagiu duramente contra "esta visão empobrecida e desfigurada que faz da religião uma atividade perigosa ou uma fonte de intolerância".
Em Munique também, no coração da Bavária católica, onde os tradicionais "Weihnachtsmärkten" ("mercados de Natal") são, com freqüência, rebatizados, desde o ano de 2000, de "Milleniummärkten" ("mercados do milênio"), a imprensa chamou a atenção para o fato de que, nos bairros onde há uma forte proporção de imigrantes, as Weihnachstfesten ("festas de Natal") vêm se tornando menos numerosas e mais discretas.
A própria Itália não escapa desta onda de laicismo e, em Bolzano (Trentino-Alto Adige), numa escola-maternidade, as docentes decidiram neste ano evitar todo canto de Natal.
Nos Estados Unidos, a polêmica está no auge. Em Chicago, a prefeitura proibiu a difusão de trailers do filme "A Natividade" nos telões do mercado de Natal da cidade. Em Riverside, na Califórnia, durante um espetáculo-exibição sobre gelo, um coral de crianças que estava interpretando cantos de Natal foi interrompido sob pretexto de que a estrela convidada, Sasha Cohen, de confissão judaica, ganhadora de uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Turim em 2006, estava se apresentando no gelo. A patinadora não tinha pedido nada e mostrou-se espantada com a iniciativa.
"As cenas da Natividade e as decorações de Natal se tornaram tabus nos Estados Unidos", deplora a associação Family Research Council (Conselho de Estudos da Família). Atendendo às pressões de grupos cristãos, companhias de distribuição do setor alimentício restauraram o "Feliz Natal" em sua comunicação promocional. Além disso, a Alliance Defense Fund (ADF), uma outra associação cristã, mobilizou os seus advogados para escrever para 11.500 diretores de estabelecimentos escolares e lembrar-lhes de que o Natal cristão ainda era plenamente aceito na maioria das comunidades do país.
"É ridículo ver que os americanos ainda estejam hesitando para decidir se é ou não conveniente dizer 'Feliz Natal'!", afirmou um responsável da ADF. "A guerra de Natal é uma invenção de pessoas amargas que não aceitam que a América não se assemelhe à imagem que elas têm do país", replicou Leonard Steinhorn, um professor da American University de Washington. "Nós vivemos numa sociedade plural, e nós precisamos celebrar esta diversidade".
Sem dúvida seria exagerado superestimar esses indícios de uma vontade de esconder os símbolos de uma festa tão tipicamente religiosa como esta de Natal, que foi recuperada e desfigurada, já faz muito tempo, aos olhos dos fiéis cristãos, pela sociedade mercantil.
Mas, querendo ou não, a questão subjacente está mesmo presente, recorrente nas polêmicas que surgiram nos últimos anos em torno do traje do véu islâmico ou de qualquer outro sinal religioso, na escola, principalmente. Em nome do "viver juntos" na sociedade multicultural de hoje, será que a ostentação de símbolos, e a prática de ritos, de festas próprias de uma tradição religiosa devem ser consideradas como inoportunas, e até mesmo de natureza a incentivar os comunitarismos e os sinais de crispação identitários?
"Em nome do politicamente correto"
É legítimo pensar que a expressão de "Felizes festas" (happy hollidays) permite englobar a Hanoukka dos judeus, o Natal dos cristãos, ou ainda o Aïd el-Kébir dos muçulmanos que, neste ano, é celebrado em 31 de dezembro, e as festas de fim de ano como um todo.
Mas será que, por causa disso, nós deveríamos esconder ou mudar o nome das festas religiosas consideradas como ostensivas e que o crescimento do laicismo na sociedade já está substituindo essas festas por outros ritos coletivos, tais como, na França, a Festa da Música, a Festa do Patrimônio ou a Noite Branca? Será este o meio mais adequado para dar conta da pluralidade cultural e incentivar a tolerância?
"Em nome do politicamente correto, será que nós vamos ser obrigados um dia a mudar o nome de todas as cidades que levam o nome de um santo e, em vez do Natal, retornar à festa pagã do Sol?", pergunta Dom Hippolyte Simon, o arcebispo de Clermont-Ferrand (centro-sul), autor em 2001 do livro intitulado "A França Pagã".
É verdade que a Europa deixou de ser de cultura cristã, ainda que muitos sejam aqueles que acham que ela nunca o foi completamente. Mas a ignorância do seu patrimônio histórico de valores, de referências e de festas religiosas vai de encontro a uma prática apaziguada do laicismo e do diálogo entre as etnias, as culturas, as confissões.
Um laicismo esclarecido passa necessariamente pelo direito de todo cidadão de professar suas convicções, inclusive religiosas, e contribui da mesma forma para a vontade de vivermos juntos.
Le Monde, 23/12/2006.
Pesquisa mostra que quase 30% dos britânicos não sabem onde Jesus nasceu
Londres, 8 dez (EFE).- Quase 30% dos adultos do Reino Unido não sabem onde Jesus Cristo nasceu e ignoram parte do significado do Natal, segundo uma pesquisa divulgada hoje.
A sondagem, feita pelo grupo de pensamento teológico Theos e da qual 1.015 pessoas participaram, afirma que 27% dos entrevistados não sabem que Jesus nasceu em Belém, a cerca de seis quilômetros de Jerusalém.
Outros 27% não sabiam que o arcanjo Gabriel foi quem anunciou o nascimento de Jesus à Virgem Maria, e 52% ignoravam que São João Batista era primo de Cristo.
Outro dado relevante da pesquisa é que 78% dos entrevistados não sabiam que o Egito foi o local para o qual José, Maria e Jesus foram quando fugiram do rei da Judéia, Herodes.
Só 12% dos adultos consultados conseguiram responder corretamente a essas quatro perguntas, e os mais jovens foram os que menos acertaram as respostas.
"O fato de os mais jovens serem os que menos sabem sobre a história do Natal reflete a diminuição do ensino das passagens da Bíblia nas escolas", afirmou o diretor do Theos, Paul Woolley.
"Se levamos a sério a coesão social, não podemos nos dar ao luxo de ignorar as histórias que nos mantiveram unidos culturalmente durante (mais de) mil anos", acrescentou Woolley. EFE
Extraído de:
G1, Mundo, em 08/12/2007.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Livros Diálogo Inter-Religioso - IBFCRL - LPF
Títulos abordando o tema do diálogo inter-religioso, editados pelo Instituto Brasileiro de Filosofia Raimundo Lúlio (RAMON LLULL).
Os manuscritos antigos e a trama textual da Bíblia
O prof. Edgar Leite, Professor adjunto de História da Antiguidade Oriental da UERJ, teve seu texto Os manuscritos antigos e a trama textual da Bíblia publicado na seção Com a Palavra da Revista História (Biblioteca Nacional), em 23 de dezembro de 2007.
II Seminário Internacional do Jesus Histórico
O tema proposto para o II Seminário Internacional do Jesus Histórico (6 e 8 de outubro de 2009) aponta para dois caminhos:
1) inserção de Jesus no interior do Judaísmo do seu tempo;
2) aborda o judaísmo da época de Jesus como uma experiência histórica, dotada de tempo e espaço precisos. Isto quer dizer, esta experiência não ocorreu no céu, mas na terra, na História, e o seu contexto é aquele do Império Romano.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Bíblias ecologicamente corretas
Publishers Weekly - 19/02/2008 - por Lynn Garrett
A área da publicação de bíblias da Editora Thomas Nelson (TN), nos EUA, acaba de começar um processo que resultará no fim da produção de capas em material sintético. O processo de transição já começou, mas este ano alguns produtos ainda serão produzidos com este material por causa da extensa linha de bíblias da editora. A expectativa da Thomas Nelson é ter toda a produção em "bíblias ecologicamente corretas" no início de
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Torá Umadá: Judaísmo e Conhecimento Secular
Torá Umadá: Judaísmo e Conhecimento Secular
O Encontro entre o Estudo Religioso e o Conhecimento Secular na Tradição Judaica
NORMAN LAMM
"Ao longo de sua história milenar, o judaísmo tem confrontado uma série de civilizações, cada uma com seus próprios valores e perspectivas. Algumas ele combate e rejeita completamente, e ensina e aprende de outras como resultado de um diálogo frutífero e comumente inconsciente entre elas. Em geral, muitos judeus, oprimidos pela cultura majoritária e não-desejosos ou incapazes de permanecer independentemente con?antes como uma minoria religiosa e intelectual, têm assimilado a cultura hospedeira; eles e seus descendentes estão sendo perdidos para sempre para a posteridade judaica. Este fenômeno doloroso vem ocorrendo desde os tempos bíblicos. Contudo, jamais esta confrontação fora tão longa, intensa, complicada e ?nalmente tão fatídica como a atual ? o judaísmo tal como se depara diante da civilização ocidental e todo o complexo da modernidade. Este livro se dirige a um aspecto deste encontro ? até onde este pode ser isolado de toda a matriz de relacionamentos: o aspecto intelectual e educacional. Embora existam muitas formulações deste encontro ? o equivalente judaico contemporâneo de "Atenas e Jerusalém" poderia ser "Yeshivá e Universidade" ? o termo que iremos utilizar é Torá Umadá: o aprendizado judaico e a sabedoria universal da nossa cultura." Rabino Dr. Norman Lamm
Editora: Sêfer
ISBN: 8585583568
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 279
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
Complemento da Edição: Nenhum
Atenas e Jerusalém, juntas para renascimento do cristianismo
Atenas e Jerusalém, juntas para renascimento do cristianismo
Um livro de Dom Leuzzi propõe uma nova aliança entre razão e fé
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Uma nova aliança entre fé e razão, encarnadas respectivamente por Jerusalém e Atenas, pode ser o segredo da renovação não só do cristianismo, mas da cultura em geral.
É a proposta apresentada pelo livro «Atenas e Jerusalém novamente juntas» («Atene e Gerusalemme di nuovo insieme»), editado pela Livraria Editora Vaticana, escrito por Dom Lorenzo Leuzzi, diretor do Departamento para a Pastoral Universitária da Diocese de Roma e secretário da Comissão de Universidade do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).
Entrevistado pela Zenit, Dom Leuzzi explica que o encontro entre Atenas e Jerusalém é decisivo para o renascimento da religião e para renovar a ação eclesial.
O prelado está certo de que «o cristianismo está, nesta situação histórica, em uma condição favorável com relação às demais culturas religiosas hoje presentes no cenário mundial» e «pode abrir horizontes novos na cultura contemporânea».
Segundo Dom Leuzzi, «não se pode compreender a modernidade sem entender a verdadeira natureza da religião» e «não se trata de dar vida a uma simples reconstrução intelectual para os envolvidos, mas um giro teológico que deve implicar a vivência concreta das comunidades cristãs».
«Quanto mais o cristianismo der testemunho significativo e confiável de que a Palavra é o Logos – acrescenta Dom Leuzzi –, mais ajudará as religiões, e ajudará a si mesmo, a não homologar-se em um vago protecionismo religioso; e ajudará a razão a não perder-se no mundo do irracional.»
Para o prelado que guia a pastoral universitária de Roma, «a comunidade cristã deve empreender uma grande obra de renovação pastoral que seja expressão do encontro vivo e real com Jesus de Nazaré».
«Por isso – observa –, o novo encontro entre Atenas e Jerusalém deve animar toda a ação eclesial, começando pelo delicado e articulado empenho educativo no qual, mais que em outros setores, adverte-se a profundidade e a gravidade de sua ausência.»
Neste sentido, o prelado do Vicariato de Roma recorda o discurso do Papa em Viena, em 7 de setembro de 2007, quando Bento XVI sublinhou que o cristianismo deu origem a «esse universalismo igualitário, do qual derivaram as idéias de liberdade e de convivência social» que são «uma herança imediata da justiça judaica e da ética cristã do amor».
«Inalterada na substância, esta herança foi sempre assimilada de forma crítica e novamente interpretada. A isto até hoje não há alternativa», afirmou então o pontífice.
«Por este motivo – conclui Dom Leuzzi –, é necessário que Atenas e Jerusalém se encontrem de novo.»
O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, escreveu o prólogo do livro para explicar que, no ensinamento de Bento XVI, «a Igreja e o mundo se exigem mutuamente como interlocutores que se buscam e se confrontam, porque a verdade do homem é a primeira preocupação da Igreja e a notícia de que Deus é Amor é o que o mundo espera desde a eternidade».
A perspectiva de realizar um novo encontro entre Atenas e Jerusalém, para o secretário de Estado vaticano, «não pertence à nostalgia do passado, mas constitui um projeto ambicioso que a humanidade tem diante de si» e do qual «depende o destino do homem».
Desde este ponto de vista, recai «uma responsabilidade maior» sobre todos que «encontraram o Amor, seu rosto humano em Jesus de Nazaré, e «estão chamados a compartilhar com Bento XVI o desejo de servir o homem em sua concreta existência histórica».
O Magistério do Papa, acrescenta o purpurado, «abre o caminho de uma profunda renovação da vida da comunidade eclesial, chamada a encontrar em si mesma, e não fora de si, a sintonia com o caminho da história, porque a história humana já é presente vivido de sua existência».
«A vida cristã não se deve contar entre as formas de religiosidade mítico-simbólicas ou entre as propostas de animação social, mas é real inserção em Cristo, que é o Logos-Palavra. A vida nova em Cristo, doada no Batismo, é plenitude de historicidade, que habilita o crente para compreender e a servir a história.»
O realismo da fé é «o principal caminho para recriar o tecido cristão da comunidade eclesial, talvez absorvida pelas preocupações que desviam seu olhar de Cristo». «Atenas e Jerusalém podem voltar a encontrar-se porque, no coração da Igreja, a fé e a razão estão na condição favorável de iluminar as vias novas a empreender.»
Como no passado, acrescenta o purpurado, também hoje a comunidade cristã «deve responder com generosidade às expectativas da humanidade, empenhada em uma difícil conjuntura da história, ainda carente de adequadas soluções para o desenvolvimento integral da pessoa humana».
As reflexões recolhidas no livro de Dom Leuzzi podem, portanto, ser «impulso, não só no âmbito teórico, mas também operativo, para acolher com confiança os desafios da cultura contemporânea, e no âmbito criativo para compartilhar o Magistério de Bento XVI que busca a renovação pastoral do tecido eclesial».
«Se aumentar em todos a consciência de que Atenas e Jerusalém podem voltar a encontrar-se, o caminho da história transcorrerá por vias que todos os homens poderão percorrer com alegria e serenidade», conclui o purpurado.
Atenas e Jerusalém, juntas para renascimento do cristianismo


