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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 8 de julho de 2012

“A (re) construção da identidade religiosa inclui dupla ou tripla pertença”. Entrevista especial com Sílvia Fernandes


IHU (07/07/2012): “A (re) construção da identidade religiosa inclui dupla ou tripla pertença”. Entrevista especial com Sílvia Fernandes: “O censo reafirmou uma tendência já vista ao longo das últimas décadas: declínio das religiões tradicionais e crescimento das novas expressões religiosas cristãs, além da presença dos sem-religião”, avalia a socióloga. Confira a entrevista.

Os dados do último censo são um indicativo para “buscar compreender a modernização da sociedade brasileira, que inclui a mobilidade religiosa dos indivíduos num processo de intensa experimentação e, ao mesmo tempo, reconhecer mudanças no perfil dos atuais católicos”, aponta a socióloga Sílvia Fernandes. Para ela, o censo de 2010 demonstra que “os fiéis buscam elementos mais subjetivos ainda que possam valorizar aspectos da tradição”.

Embora o número de pessoas sem religião – 15 milhões – seja expressivo, a pesquisadora assinala que o percentual ficou abaixo do esperado. Muitos dos jovens que declararam não possuir religião, segundo ela, argumentam que não encontram a verdade em nenhuma delas. “É curioso que em tempos de múltiplos discursos se busque a verdade ao mesmo tempo em que discursos unilaterais são questionados. São tempos de busca de certezas, tanto quanto da negação destas. Os dois aspectos convergem para a autonomia na construção das identidades onde a religião pode estar integrada ou não”, avalia.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, Sílvia reitera que a experimentação religiosa é uma característica atual de “ser religioso”. Assim, salienta, experimenta-se “a religião do outro por causa de um convite”, ao mesmo tempo em que a “força da oração com o padre ou o pastor na TV; o Reiki, o Shiatsu; o terço ou a Bíblia” são “formas de encontrar a paz interior”. Segundo ela, “esse comportamento está associado às angústias modernas de que alguns sociólogos têm tratado. Então muda também o olhar dos indivíduos sobre a função da religião em suas vidas”.

Os dados referentes ao declínio do número de membros do catolicismo e da Universal do Reino de Deus demonstram o crescimento de novas religiões. Em relação à atuação da Igreja Católica, ela é enfática: “A Igreja abandonou as pesquisas sociológicas sobre o cenário religioso brasileiro para apostar em leituras e interpretações feitas por seus próprios quadros o que a afasta ainda mais da complexidade das mudanças no campo religioso”. Enquanto isso, a Universal “enfrenta agora algo semelhante ao que o catolicismo enfrentou com o seu surgimento, isto é, a criatividade e a agilidade trazida pelas novas igrejas do tipo neopentecostal”, constata.

Sílvia Fernandes foi pesquisadora do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigação Social – Ceris durante muitos anos. Atualmente, é professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, é mestre e doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dentre outros livros, é autora de Jovens religiosos e o catolicismo – escolhas, desafios e subjetividades (Rio de Janeiro: Quartet/FAPERJ, 2010); Novas Formas de Crer-católicos, evangélicos e sem-religião nas cidades (São Paulo: Promocat, 2009) e organizadora de Mudança de religião no Brasil – desvendando sentidos e motivações (São Paulo: Palavra e Prece, 2006).
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