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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 28 de setembro de 2008

Religião nas escolas divide Berlim

Moradores coletam assinaturas para referendo sobre volta da disciplina

O Globo, O Mundo, página 48, em 28/09/2008 - BERLIM.
A capital alemã está mais uma vez dividida. Quase 19 anos depois da queda do muro que dividia a cidade, a decisão sobre o retorno ou não da aula de religião nas escolas de ensino médio separa mais a população do que qualquer diferença ideológica. Esta semana teve inicio a coleta de assinaturas para pressionar a prefeitura a reintroduzir a aula de religião, dois anos depois da retirada desta do programa escolar como disciplina obrigatória.

A religião foi substituída pela aula de ética para crianças de todas as religiões ou aquelas que não têm nenhuma.

O principal defensor da ética como disciplina obrigatória é o próprio prefeito Klaus Wowereit, à frente de um governo de coalizão do seu partido, o social-democrata (SPD), com os ex-comunistas, chamados “Die Linke” (a esquerda, DL). Enquanto o primeiro é contra a aula obrigatória de religião porque esta divide as crianças entre cristãos (católicos e protestantes) e muçulmanos, o segundo defende a maioria ateísta da antiga República Democrática, que foi dominada durante 44 anos pelo regime comunista.

Ainda hoje, 18 anos depois da reunificação alemã, apenas 1,4 milhão de berlinenses seguem uma religião cristã; 464 mil (13.9%) são muçulmanos; alguns milhares, judeus; e o restante, ateu.Enquanto judeus e muçulmanos apóiam a iniciativa “Pró Reli”, os ateus e os ex-comunistas preferem a aula obrigatória de ética, para que todas as crianças aprendam juntas a diferenciar entre o mal e o bem mesmo sem pensar num deus.

A aula de religião continua permitida, mas opcional. Ela é oferecida em apenas 20% das escolas. Além disso, mesmo nessas escolas são pouquíssimas as crianças que a assistem porque a aula é dada em horas extras depois de uma jornada normal escolar. Dos 30 alunos da nona classe do Colégio Lilienthal, no bairro de Lichterfelde, onde a população é na sua maioria protestante ou católica, apenas cinco assistem à aula de religião.

Christoph Lehmann, diretor da “Associação Pró-Reli”, que desde a última segundafeira coleta assinaturas a favor da aula de religião em todos os bairros de Berlim, também naqueles que ficam na parte leste da cidade, acusa a prefeitura de afastar as crianças dos seus valores religiosos tradicionais ao abolir a aula.

— Para nós, a questão é mais do que uma disciplina escolar. Trata-se da relação entre o Estado e a igreja — disse ele.

Como na Alemanha é forte a influência das igrejas — o próprio Estado cobra para as igrejas uma taxa equivalente a 1% do total do imposto de renda, mas só das pessoas que são católicas, evangélicas (protestantes) ou judias —, Lehmann vê a aula obrigatória de religião como uma evidência. O dinheiro do imposto representa 70% do orçamento das duas principais igrejas do país. Já os muçulmanos não precisam pagar o imposto de religião, de forma que as mesquitas vivem de doações.

Em reação à ação do grupo “Pro-Reli” — que precisa coletar no mínimo 170 mil assinaturas até o dia 21 de janeiro para tornar possível um plebiscito, no dia 7 de junho, data que coincide com a eleição para o Parlamento Europeu — foi formada a “iniciativa próeacute;tica”, contrária ao retorno da religião como disciplina obrigatória.

À frente da “próeacute;tica“, estão os políticos do SPD e da Esquerda, que tentam conseguir a adesão até de religiosos da igreja evangélica. Um deles é o pastor aposentado Hening von Wedel, que tenta convencer os berlinenses a não assinar a favor da “Pró-Reli”.

— Será que devermos deixar os muçulmanos separados das crianças cristãs em uma aula de religião? — indagou o religioso.

Segundo ele, o mais importante que o cristianismo pode pregar é a boa convivência com os muçulmanos. (Graça Magalhães-Ruether)

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