Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.
TV Globo, Jornal Nacional, em 31/10/2008 - Representantes da maioria das religiões querem o cumprimento de uma lei que torna obrigatório o ensino de história da África e de cultura afro-brasileira e indígena nos colégios do país.
A intolerância religiosa foi tema de um encontro no Rio. Católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos e umbandistas participaram da reunião.
Eles querem o cumprimento de uma lei federal que torna obrigatório o ensino de história da África e de cultura afro-brasileira e indígena nos colégios públicos e particulares do país. O pedido vai ser levado ao presidente Lula.
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- No complexo mundo atual, o diálogo entre as culturas e as religiões é um dever sagrado, declarou Bento XVI nesta quinta-feira, ao receber em audiência os membros de uma delegação do International Jewish Committee on Interreligious Consultations.
Recordando que há mais de 30 anos este Comitê e a Santa Sé mantiveram «contatos regulares e frutíferos, que contribuíram para uma maior compreensão e aceitação entre católicos e judeus», o Papa quis aproveitar esta ocasião para reafirmar «o compromisso da Igreja de levar a cabo os princípios expressados na histórica Declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II». >>> Leia mais, clique aqui.
BUENOS AIRES, sexta-feira, 31 de outubro de 2008 (ZENIT.org). - O criador da Fundação Internacional Raoul Wallenberg, Baruj Tenembaum, pediu que João XXIII seja declarado «Justo entre as Nações». Este título é outorgado a quem salvou judeus durante o Holocausto por Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Israel. >>> Leia mais, clique aqui.
Beatificação de Pio 12 causa indisposição entre o Vaticano e Israel, devido à controversa atuação do papa durante o Holocausto. >>> Leia mais em Deutsche Welle, em 27/10/2008.
Ele (Hilel) dizia: Mais carne, mais vermes; mais propriedades, mais cuidados; mais mulheres, mais feitiços; mais concubinas, mais impudor; mais empregados, mais roubo. Mais Torá, mais vida; mais estudo, mais sabedoria; mais indagação, mais discernimento; mais justiça, mais paz. Adquirir bom nome é adquirir um bem para si próprio; adquirir conhecimento da Torá é adquirir para si a vida no mundo vindouro.
Extraído de: BUNIM, Irving M. Ética do Sinai: Ensinamentos dos Sábios do Talmud. São Paulo: Sefer, 1998.
MALINAS, quinta-feira, 23 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- "Como cristãos e muçulmanos afirmamos que somos cidadãos 'e' crentes, não cidadãos 'ou' crentes. Estamos chamados a trabalhar lado a lado de forma adequada com os Estados aos quais pertencemos sem subordinar-nos a eles": assim afirma o documento final do encontro entre cristãos e muçulmanos, com o lema "Ser cidadão da Europa e pessoa de fé", que terminou hoje em Malinas (Bélgica), organizado pelo Comitê para as Relações com os Muçulmanos na Europa das Conferências de Bispos Europeus (CCEE) e pelo Conselho das Igrejas Européias (KEK).A Europa, afirma o comunicado, "está submetida a um processo de profunda transformação, e está emergindo uma sociedade plural, inter-étnica, intercultural e inter-religiosa". >>> Leia mais, clique aqui.
ROMA, segunda-feira, 20 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- No livro Pio XII. Un uomo sul trono di Pietro, da Editora Mondadori, Andrea Tornielli relata a história de Guido Mendes, o amigo judeu do Papa Pacelli.
Livro de jornalista científico examina aspectos da pesquisa sobre a fé, da antropologia à neuroteologia. Para que ela serve? Provado está seu aspecto genético. E que os religiosos se reproduzem mais. >>> Leia mais, em Deutsche Welle, em 15/10/2008.
O papa Bento 16 colocou o dedo na ferida na última segunda-feira: "A fé se debilita até extinguir-se" em alguns países. Precisamente naqueles que foram "ricos de fé e vocações". E, embora ele não tenha citado, a Espanha é um deles. Mas se a fé católica perde terreno outras o conquistam. A professora de antropologia da Universidade de Sevilha Manuela Cantón Delgado resume a questão: "Extingue-se a fé dos católicos, mas não a de seus primos-irmãos, os protestantes. Esta cresce de maneira incontível".
Os dados comprovam: há um século havia quatro mil; chegaram a 22 mil durante a República, em 1932; o franquismo os reduziu a sete mil; hoje somam 400 mil. Mais quase outro milhão de imigrantes, segundo dados da Federação de Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha (Ferede).
Quais são os motivos do aumento dos evangélicos, termo que preferem a "protestantes"? Como indica o jovem pastor sevilhano José Pisa, neto do primeiro pastor evangélico cigano, em primeiro lugar está a democracia: "Com o franquismo era difícil reunir-se; com liberdade de expressão e liberdade religiosa pudemos nos expandir mais e melhor". E acrescenta Jorge Fernández Basso, responsável por comunicação da Ferede: "O cristianismo evangélico protestante é dinâmico e participativo e tende a crescer onde há liberdade".
A professora Cantón, que pesquisa há 20 anos o movimento evangélico na América Latina e na Espanha, afirma que "o catolicismo está há muito tempo em retrocesso diante das igrejas evangélicas, muito mais flexíveis". Religiões que, nas palavras dessa especialista, ao ser mais participativas e contar com centros de culto menores, provocam um maior conhecimento e apoio mútuo entre seus fiéis. Pelo contrário, a Igreja Católica mantém uma "organização muito vertical".Qual é a origem social dos evangélicos? Os primeiros protestantes espanhóis, há quatro séculos, pertenciam às classes altas e ilustradas. Hoje a grande massa de crentes é de classe média e às vezes moradores de bairros marginais.
Alguns especialistas indicam que crescem porque ocorreu uma "retirada" da Igreja Católica desses bairros. A professora Cantón prefere falar, mais que de uma retirada, de "uma certa rejeição à Igreja Católica espanhola atual, tão reacionária, que se manifesta de maneira pavorosa e nos traz lembranças perturbadoras".
A presença cada dia mais intensa de pastores evangélicos nas áreas deprimidas das cidades espanholas é outra razão de seu crescimento. Mas isso não significa que todos os católicos foram eliminados desses bairros. Porque a semente da Igreja operária dos anos 1950 e 60 ainda sobrevive em muitos lugares.
O padre católico Gabriel Delgado Jiménez é um bom exemplo. Diretor do Secretariado de Migrações do Bispado de Cádiz, Delgado é herdeiro do pensamento dos padres operários desde que foi trabalhador em Astilleros. Hoje realiza um trabalho invejável entre os jovens locais e os imigrantes. Delgado prefere falar de "estratégias diferentes" entre os católicos e outras confissões. "Os mórmons, as testemunhas de jeová ou os evangélicos da Filadélfia vão à conquista das pessoas. Nós não temos essa estratégia de caça e captura de fiéis", indica. "O nosso é mais presença é mais compromisso."
O padre Delgado afirma: "Em minha diocese sempre estivemos presentes nas ruas; há anos estávamos nas fábricas, hoje com os imigrantes". Mas a opinião que se colhe nos bairros mais marginais é que o católico se viu reduzido à sua expressão mínima, enquanto o evangélico se perfila como a religião dos pobres.
José Jiménez, 42, é cigano, vendedor ambulante e pastor evangélico em um desses bairros. Dirige a Igreja Evangélica La Unción na região mais conflituosa de Sevilha, as Tres Mil Viviendas. Um bairro onde a polícia, os partidos políticos, os serviços básicos do Estado permaneceram ausentes durante muitos anos; um bairro de 20 mil habitantes, dos quais quase a metade é analfabeta e está desempregada; um bairro acossado pela droga, onde os bombeiros deixaram de atuar, os carteiros passavam longe, os ônibus não chegavam e nem sequer se recolhia o lixo.
O pastor Jiménez chegou ao culto pela mão de sua companheira pouco antes de se casar. "Até então eu era um pecador, tinha feito coisas más". Hoje trabalha para recuperar "pessoas que não andam por um caminho reto, pois aqui há fugitivos da polícia, assaltantes, seqüestradores."
Através da Federação de Associações Cristãs da Andaluzia (Faca), os evangélicos ciganos desenvolveram inúmeros programas sociais. Entre os mais importantes, os de reabilitação de dependentes de drogas. A professora Cantón afirma que "muitas famílias ciganas se tornam religiosas só para fugir da droga". Como lhe disse um reabilitado, sua "terapia se chama Jesus de Nazaré".
Além desse trabalho social, os ciganos se sentem à vontade nas igrejas evangélicas porque, segundo a professora Cantón, nesses cultos "eles são os protagonistas, os pastores são ciganos como eles, enquanto na Igreja Católica se consideram marginalizados".
O pastor Jiménez utiliza a palavra sagrada para ajudar seus vizinhos. Uma palavra que ele aprendeu "no livro". O livro é a Bíblia. Sua conversa é cheia de citações bíblicas que decorou depois da leitura cotidiana. Algo que os católicos não fazem com a freqüência devida, como salientou o papa na semana passada na inauguração da 12ª edição da Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Bento 16 recomendou sua leitura, porque na Bíblia se encontra "a mensagem consoladora".
Se os católicos lêem pouco a Bíblia, os evangélicos são o contrário. No ano passado foram vendidos na Espanha 86.468 exemplares da Bíblia Rainha Valera (em castelhano, euskera, catalão e asturiano), a mais apreciada pelos protestantes, segundo dados da editora Sociedad Bíblica de España. A eles devem-se somar outras quase 20 mil importadas. Números que duplicaram os dos últimos quatro ou cinco anos. No mundo foram vendidos no ano passado quase 27 milhões de exemplares em espanhol.
Enquanto nos lares católicos quase não se encontra um exemplar dos Evangelhos, entre os evangélicos o habitual é que cada membro da família tenha seu próprio exemplar da Bíblia. "Inclusive dois ou três cada um", indica Lola Calvo, responsável por comunicação e desenvolvimento da Sociedade Bíblica.
A paixão pela Bíblia chega ao extremo de que os jovens evangélicos praticam a "esgrima bíblica". Eliseo Vila, diretor da Editorial Clie, com mais de 2.500 livros cristãos em espanhol, explica esse esporte singular: "Com a Bíblia na mão fechada, um indica um texto bíblico por sua referência, por exemplo, João 3:16, e ganha o primeiro que encontrar o texto e o ler, supondo que não o cite de memória".
Também decoram a Bíblia muito ciganos que não sabem ler. Ao todo, 150 mil ciganos de toda a Espanha são evangélicos, segundo a Ferede. Estão reunidos em cerca de 700 centros de culto, a maioria pertencente à Igreja Evangélica da Filadélfia.
Os evangélicos ciganos representam cerca de 10% do total de crentes que residem na Espanha. Mas são mais de um terço dos evangélicos espanhóis de nascimento. Juan Ferreiro, subdiretor-geral de coordenação e promoção da liberdade religiosa do Ministério da Justiça, cita ao redor de 1,3 milhão (cifra não oficial) o número de evangélicos residentes na Espanha. A Ferede o eleva para 1,5 milhão. Destes, 800 mil são imigrantes da Comunidade Européia que vivem na Espanha mais de seis meses por ano; 400 mil espanhóis e os demais imigrantes de diversos países, entre os quais se destaca o coletivo romeno, cada vez mais numeroso.
O Registro de Entidades Religiosas do Ministério da Justiça tinha contabilizadas em junho de 2008 um total de 1.437 igrejas evangélicas. A Ferede, por sua vez, tem registrados 2.600 centros de culto, mais outros 500 independentes. Algumas igrejas têm vários centros de culto, mas um só número de registro. Madri, Barcelona, Valência e algumas capitais da Andaluzia são as que registram maior número de fiéis.
Em 1992 o Estado assinou acordos de cooperação com três religiões de situação notória: evangélica, muçulmana e judia. Entre outras coisas, o Estado custeia o ensino dessa religião e em escolas oficiais. Em 130 delas se ensina protestantismo e em 41, o islamismo. A Fundação Pluralismo e Convivência, criada em 2005 pelo Ministério da Justiça, distribuiu em seus três anos e meio de existência mais de 14 milhões de euros entre as três federações religiosas signatárias desses acordos. Até maio de 2008 estas são as ajudas recebidas: evangélicos, 6.149.886 euros; muçulmanos, 5.887.825; judeus, 2.130.873.
O pastor Bernardo Serrano, 54, recebeu três subvenções da Fundação Pluralismo para programas de integração de sua Igreja Apostólica Pentecostal de Antequera (Málaga), uma das maiores da Andaluzia. Um dos que teve mais êxito foi o Cine Cero Cero. Ou seja, cinema sem álcool mais um filme que ressalta os valores humanos, como "Carruagens de Fogo". "Buscamos alternativas para a garrafa entre os jovens."
Serrano realizou um estudo sociológico em 2007 entre as 546 igrejas evangélicas da Andaluzia. Os resultados apontam na direção do crescimento: em 1970 havia 59 congregações; em 2008 somavam 546. O número de membros praticantes, isto é, batizados, cresceu de 16 mil para 40 mil. A eles devem-se acrescentar 67 mil estrangeiros.
Segundo o estudo, o perfil do evangélico andaluz, que pode ser extrapolado para o resto da Espanha, é o seguinte: classe média baixa (85%), entre 26 e 40 anos (40%) e com estudos secundários (56%). A maioria é de mulheres, em porcentagem muito semelhante à da população em geral (52,55%).
Além dos bairros, os evangélicos trabalham em prisões e hospitais. "Em alguns presídios já vão mais presos aos nossos cultos que aos católicos", diz o pastor Serrano, e cita o caso da penitenciária de El Dueso, na Cantábria.
Todo esse trabalho passa despercebido dos partidos políticos? É claro que não. É o que diz o pastor cigano Pisa: "Nos ofereceram de tudo: prefeituras ou ser o braço-direito do prefeito da vez. Os políticos andaluzes sabem que por trás há 150 mil votos diretos e 500 mil indiretos". Mas eles se mantêm longe da tentação: "Votamos por consciência, não recomendamos nenhuma opção".
Não recomendam, mas a levam no coração. O pastor malaguenho Miguel Rueda, 58, companheiro de Serrano, acredita que os de sua geração são majoritariamente de esquerda, como ele próprio, "devido à rejeição e a perseguição que houve no franquismo". Em resumo: a ditadura adubou a semente evangélica, que cresceu e se multiplicou na democracia.
Der Spiegel, em 13/10/2008 - O papa Bento 16 alimentou na quinta-feira passada as especulações sobre a possível beatificação do papa Pio 12, criticado com freqüência por não ter feito o suficiente para combater o Holocausto. O Vaticano tem trabalhado duro para melhorar a imagem popular de Pio.
Normalmente, o processo de beatificação é um negócio a portas fechadas, que acontece dentro do Vaticano, bem longe do olhar do público. Mas não dessa vez. Há meses a Igreja Católica está enviando sinais de que beatificação do papa Pio 12, que comandou a Igreja Católica durante a 2ª Guerra Mundial, pode ser iminente. Alguns historiadores e líderes judeus, entretanto, protestaram contra a atitude, argumentando que Pio 12 fez menos do que deveria para salvar os judeus do Holocausto.
O papa Bento 16 lançou na terça-feira uma saraivada de argumentos em defesa de Pio 12. Falando durante uma missa na Basílica de São Pedro em comemoração ao 50º aniversário da morte de Pio, Bento disse que o pontífice, que se tornou papa em 1939 logo antes do irromper da guerra, "trabalhou em silêncio e em segredo" durante o conflito "para evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus."
Bento lembrou ao público que a ministro israelense de relações exteriores Golda Meir homenageou Pio quando ele morreu em 9 de outubro de 1958. Bento 16 também enfatizou uma mensagem de Natal de Pio para o rádio em dezembro de 1942, na qual ele falou sobre as "centenas de milhares de pessoas que, sem terem cometido nenhum erro, apenas por razões de nacionalidade ou raízes étnicas, foram destinadas à morte ou à lenta deterioração."
O processo de beatificação, a etapa formal final antes de declarar a santidade, "pode acontecer com alegria", disse Bento 16 na quinta-feira.
Entretanto, nem todo mundo é tão otimista quanto à perspectiva de santificação de Pio 12. O rabino chefe da cidade de Haifa (em Israel), She'ar Yashuv Cohen, que na segunda-feira se tornou o primeiro judeu a falar diante do concílio de bispos do Vaticano, disse que muitos judeus estavam descontentes em relação a Pio.
"Sentimos que o finado papa deveria ter se posicionado mais fortemente do que fez", disse numa entrevista coletiva antes de falar ao concílio. "Ele pode ter ajudado muitas vítimas e refugiados em segredo, mas a questão é: ele poderia ter erguido sua voz? E isso teria ajudado ou não? Nós, como vítimas, sentimos que (a resposta é) sim."
Outros não foram tão diplomáticos. Num livro de 1999 chamado "Hitler's Pope" ["O Papa de Hitler"], o escritor britânico John Cornwell documentou o papel de Pio antes de se tornar papa, na negociação do "Reichskonkordat", tratado assinado entre a Alemanha Nazista e a Igreja Católica em 1933. Muitos historiadores argumentaram que esse acordo fornecia ao regime nazista um grau substancial de legitimidade internacional.
Mas a afirmação de Cornwell de que o papa Pio 12 falhou em tomar uma ação séria para salvar os judeus tem sido confrontada e o próprio autor se retratou de algumas de suas alegações mais controversas em relação à suposta aquiescência de Pio.
Mesmo assim, muitos judeus ainda são críticos em relação ao papel que Pio desempenhou. Sua foto no museu do Holocausto Yad Vashem inclui uma descrição bastante dura.
"Mesmo quando notícias do assassinato de judeus chegaram ao Vaticano, o papa não protestou nem verbalmente nem escrevendo", diz a legenda. "Em dezembro de 1942, ele se absteve de assinar a declaração aliada condenando o extermínio de judeus. Quando os judeus foram deportados de Roma para Auschwitz, o papa não interveio."
A veracidade da legenda da foto foi questionada pelo Vaticano e o museu disse que estaria aberto a realizar uma nova pesquisa sobre o assunto. Os defensores de Pio argumentam que o papa da época da guerra trabalhou duro nos bastidores para proteger os judeus dos campos de concentração nazistas.
O jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, publicou na terça-feira um artigo de página inteira elogiando os esforços de Pio durante a 2ª Guerra Mundial. O jornal também incluía um texto escrito pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone. "Se ele tivesse feito uma intervenção pública, teria colocado em perigo a vida de milhares de judeus, que, sob suas ordens, foram escondidos em 155 conventos e monastérios apenas em Roma", escreveu Bertone.
O padre jesuíta Peter Gumpel, que, como investigador-chefe do Vaticano, passou anos pesquisando sobre o papa para avaliar sua candidatura à santidade, deu sua bênção para a beatificação. Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung na terça-feira, Gumpel disse que leu tudo o que conseguiu encontrar, e teve acesso a arquivos do Vaticano que ainda não foram colocados à disposição do público.
"Se eu tivesse encontrado algo incriminador nos arquivos, eu nunca teria assinado", disse Gumpel ao Süddeutsche. "Afinal, eu tenho muita responsabilidade como o juiz de investigação."
O caminho para a beatificação do papa Pio 12, que começou em 1967, nem sempre foi direto e sofreu repetidos atrasos. Com o processo de beatificação aparentemente em marcha, alguns argumentam que este é o momento para a Igreja Católica abrir seus arquivos para que os historiadores independentes possam olhá-los.
"Eu gostaria que eles gastassem uma grande porcentagem de seu tempo e esforços para abrir os arquivos, e menos tempo selecionando o que apresentam", disse Abraham Foxman da Liga Anti-Difamação (ADL) recentemente ao jornal National Catholic Reporter. Foxman e a ADL se opõem consistentemente à beatificação de Pio. "Eles estão protestando demais. Estamos dispostos a suspender o nosso julgamento e o Vaticano deveria suspender o seu (próprio) até que os acadêmicos pudessem examinar abertamente o material e ver o que existe lá."
Na quinta-feira, 9 de outubro, Bento 16 voltou a argumentar em favor da beatificação do papa Pio 12 (1939-1958), por ocasião da missa celebrada em Roma que se destinava a comemorar o qüinquagésimo aniversário da sua morte. A despeito da controvérsia que cerca até hoje a atitude de Pio 12 em relação aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o Vaticano parece estar determinado a ir até a conclusão deste processo, que foi iniciado em 1965. "Nós oramos para que a causa da beatificação de Pio 12 prossiga e tenha uma conclusão feliz", declarou.
Numa resposta dirigida aos detratores de Pio 12, que criticam o antigo papa pelo seu silêncio diante da Shoah, Bento 16 apresentou um extenso elenco de argumentos destinado a justificar esta discrição, durante a sua tradicional pregação da quinta-feira, e disse lamentar que o "debate histórico" a respeito desta questão nem sempre tivesse sido "sereno". "Em muitos casos, foi em meio ao segredo e ao silêncio que ele agiu. Porque justamente, à luz das situações concretas que refletiam a complexidade daquele momento histórico, ele tivera a intuição de que seria tanto e somente dessa maneira que o pior poderia ser evitado, e que o maior número possível de judeus poderia ser salvo", argumentou o papa.
Bento 16 também lembrou as "numerosas e unânimes manifestações de reconhecimento" que o Vaticano recebeu por parte de lideranças judaicas depois da guerra e por ocasião da morte de Pio 12.
O pontificado deste papa e a sua possível beatificação continuam sendo um objeto de discórdia entre a Igreja católica e a comunidade judaica. Tirando proveito da oportunidade rara e histórica de poder expressar-se perante um sínodo de bispos católicos, na segunda-feira, 6 de outubro, o grande rabino de Haifa (Israel), Shear Yashuv Cohen sublinhou a impossibilidade para o povo judaico "de esquecer e de perdoar" a atitude "de grandes dirigentes religiosos" durante a Shoah.
Em abril de 2007, o núncio apostólico em Israel já havia se recusado a participar de uma comemoração no memorial Yad Vashem de Jerusalém, por considerar equivocada a apresentação que havia sido feita das ações de Pio 12 durante a guerra. A análise completa daquela época pelos historiadores permanece até hoje na dependência da abertura da totalidade dos arquivos do Vaticano que lhe dizem respeito.
Quanto ao processo de beatificação, ele ainda continua à espera da assinatura, por parte de Bento 16, do decreto relativo à "heroicidade das virtudes" de Pio 12, que foi reconhecida em maio pela congregação para a causa dos santos. Depois disso, será então necessário atribuir-lhe um "milagre". E, por fim, um segundo milagre deverá ser reconhecido e lhe ser imputado para que Pio 12 possa finalmente ser declarado "santo".
A manifestação da sexualidade na escola, especialmente quando difere do padrão aceito, são causas incipientes às multiplas violências praticadas contra jovens e crianças, ultimando no banimento dos “menos iguais”. Isso tem sido justificado pelos valores e aspectos formativos recebidos através das famílias e das religiões no Brasil, especialmente a cristã. Por isso sexualidade e religião devem tornar-se pontos de reflexão, para oportunizar mudanças. A apresentação de alguns textos sagrados a respeito da subserviência feminina e o domínio do modelo patriarcal e a-homoerótico vem demonstrar a necessidade de conhecimento para mudança de posicionamento. A partir da revisão de textos bíblicos sob a luz da exegese e contextualização histórica é possível perceber as distorções havidas durante a caminhada da humanidade. A re-elaboração de formas de convívio, passa pela melhor formação de professores, que aptos para facilitar o processo de aquisição do conhecimento ensejem um espaço de efetiva constituição de cidadãos que prezem pelo respeito e liberdade, conforme princípios exarados pela LDB de 1996.O espaço que se apresenta nos currículos escolares que melhor se presta a esta função é o Ensino Religioso, e da formação deste docente espera-se uma mudança de paradigmas. Formação que urge em compreender: conhecimento científico, metolodogia de ensino, aplicação prática e pesquisa científica e a tão necessária reflexão como forma de subsidiar novos conhecimentos. Tendo em vista a complexidade do tema e como forma de nortear o trabalho optou-se pela abordagem qualitativa utilizando-se, nesta fase, a pesquisa exploratória, por ser capaz de auxiliar o estabelecimento de um instrumento de pesquisa melhor adequado a realidade a ser pesquisada, além da análise documental que forma o estofo teórico tão necessário para o entendimento da temática. O combate a qualquer tipo de preconceito, discriminação e violência tem na dicotomia ensino-aprendizagem sua mola propulsora - enquanto houver seres ensináveis haverá espaço para o desvelamento ante ao diferente, pois promove o conhecimento de sí mesmo diante das características que tanto podem aproximar quanto afastar.
Palavras-chave: Formação de Professores; Ensino Religioso; Gênero.