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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ano Novo judaico é época de reflexão e arrependimento

Ano 5.769 do calendário judaico começa nesta segunda-feira. Para os judeus, é a época de 'acertar as contas' com o próximo.

Paula Adamo Idoeta
Do G1, em São Paulo, em 29/09/2008
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É dia de dizer Shana Tová, ou “bom ano”. Segundo o calendário judaico, entramos nesta segunda-feira (29) no ano 5.769. Para os judeus, é tempo de refletir e se arrepender dos pecados.

“Na festa de Réveillon, geralmente se entra no ano novo com os pés, dançando e comemorando. No Rosh Hashaná (Ano Novo judaico, que comemora o dia em que Deus criou o mundo), entramos com a cabeça, ou seja, pensando”, compara Sergio Feldman, professor de História Antiga e Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo, em entrevista ao G1.

Portanto, em vez de pular sete ondinhas e brindar com champanhe, a comemoração do Rosh Hashaná é mais focada na introspecção e na reflexão. E cai na entrada do outono (no hemisfério norte) porque, segundo Feldman, “é o momento de encerrar as colheitas e prestar contas”. Os dez dias entre o Ano Novo e o Yom Kipur (Dia do Perdão) servem justamente para que cada um pondere suas ações. E o jejum, praticado neste dia, ajuda a elevar o espírito.

Veja a galeria de fotos das comemorações do Ano Novo Judaico

No Rosh Hashaná, é preciso ter em vista três princípios: Tefilá (oração), Tsedaká (justiça e ajuste com o próximo) e Teshuvá (arrependimento sincero).

“É uma nova oportunidade para viver de acordo com a ética judaica e para o arrependimento sincero dos pecados”, diz ao G1 Paulo Geiger, consultor do Centro de História e Cultura Judaica, destacando um detalhe importante: “a declaração de arrependimento deve ser feita ao próximo, e não a Deus. Porque Deus é magnânimo. A época é de ajuste do comportamento com os demais”.

Lunar
A contagem dos anos no judaísmo é feita pelo calendário lunar, daí a discrepância com o calendário gregoriano. O ano lunar tem 354 dias, portanto faltam 11 para os 365 contados normalmente. Para ajustar, se convencionou que alguns anos têm um mês a mais no calendário judaico. “É uma questão de convenção”, explica Geiger. “Houve muitos calendários, e o dos judeus é anterior ao utilizado hoje. E o último algarismo do ano (no caso, 9) é sempre igual ao último algarismo do ano em que vamos entrar (2009)”.

O primeiro mês do ano é chamado de Tishrei, palavra que remonta ao período de 586 a.C. a 536 a.C., quando Jerusalém foi destruída pelos babilônios e os judeus foram forçadamente exilados para a região mesopotâmia. Ali eles desenvolveram o calendário de 12 meses – que às vezes ganha um mês extra para o ajuste com o calendário tradicional.

Abrir os céus
Um dos símbolos mais importantes do Rosh Hashaná é o shofar, instrumento feito de chifre de carneiro que é tocado na data e remonta à época em que os judeus eram nômades. Segundo Geiger, o som do shofar “carrega boas intenções e abre os céus para que as preces entrem.”
Um conto judaico diz que, certa vez, havia um menino muito pobre que, tentando imitar o som do shofar, assobiou para Deus. “No conto, o céu se abriu ao assobio do menino. Porque era um pedido sincero, que comoveu Deus”, explica o especialista.

Veja mais:
Mini-Guia de Rosh Hashaná 5769
Shaná Tová 5769!!! Shaná Tová Umetuká!!!
Unetane Tokef (vídeo)
Rosh Hashaná (Beit Chabad Brasil)
Rosh_hashaná (Agência Judaica)
Kidush para Rosh Hashaná (Revista Morashá)
Mini-Guia Iamim Noraim (CJB)

domingo, 28 de setembro de 2008

Médiuns: Como a ciência justifica as manifestações de contato com espíritos e por que algumas pessoas desenvolvem o dom

Como a ciência justifica as manifestações de contato com espíritos e por que algumas pessoas desenvolvem o dom

Páginas
1 - 2 - 3 - 4
Temas sobre:
Espiritismo
Espiritismo no Brasil
Espiritismo Progressista
Espíritos

Tirando os sapatos: Os Caminhos de Abrahão e o Meu Fundamentalismo

TIRANDO OS SAPATOS
Os Caminhos de Abrahão e o Meu Fundamentalismo
Rabino Nilton Bonder


O livro relata uma viagem que o rabino fez por duas semanas, em 2006, pelo chamado "caminho de Abraão", no Oriente Médio. A experiência foi contada em forma de diário, apresentado por meio de uma entrevista realizada pela jornalista Tania Menai e de textos filosóficos de autoria do próprio rabino. Bonder aborda a importância dos caminhos, como o de Santiago de Compostela, como um resgate de uma prática milenar de peregrinação. E isso significa mais do que se deslocar de um lugar para outro - significa sair da própria cultura. O peregrino inicia a jornada com uma visão de mundo, com uma perspectiva, e aos poucos vai se desfazendo de sua bagagem, sendo profundamente transformado.

15 de outubro (4ª feira)
19:00hLivraria da Travessa Leblon
shopping Leblon - Av. Afrânio de Melo Franco, 290 lj 205


Religião nas escolas divide Berlim

Moradores coletam assinaturas para referendo sobre volta da disciplina

O Globo, O Mundo, página 48, em 28/09/2008 - BERLIM.
A capital alemã está mais uma vez dividida. Quase 19 anos depois da queda do muro que dividia a cidade, a decisão sobre o retorno ou não da aula de religião nas escolas de ensino médio separa mais a população do que qualquer diferença ideológica. Esta semana teve inicio a coleta de assinaturas para pressionar a prefeitura a reintroduzir a aula de religião, dois anos depois da retirada desta do programa escolar como disciplina obrigatória.

A religião foi substituída pela aula de ética para crianças de todas as religiões ou aquelas que não têm nenhuma.

O principal defensor da ética como disciplina obrigatória é o próprio prefeito Klaus Wowereit, à frente de um governo de coalizão do seu partido, o social-democrata (SPD), com os ex-comunistas, chamados “Die Linke” (a esquerda, DL). Enquanto o primeiro é contra a aula obrigatória de religião porque esta divide as crianças entre cristãos (católicos e protestantes) e muçulmanos, o segundo defende a maioria ateísta da antiga República Democrática, que foi dominada durante 44 anos pelo regime comunista.

Ainda hoje, 18 anos depois da reunificação alemã, apenas 1,4 milhão de berlinenses seguem uma religião cristã; 464 mil (13.9%) são muçulmanos; alguns milhares, judeus; e o restante, ateu.Enquanto judeus e muçulmanos apóiam a iniciativa “Pró Reli”, os ateus e os ex-comunistas preferem a aula obrigatória de ética, para que todas as crianças aprendam juntas a diferenciar entre o mal e o bem mesmo sem pensar num deus.

A aula de religião continua permitida, mas opcional. Ela é oferecida em apenas 20% das escolas. Além disso, mesmo nessas escolas são pouquíssimas as crianças que a assistem porque a aula é dada em horas extras depois de uma jornada normal escolar. Dos 30 alunos da nona classe do Colégio Lilienthal, no bairro de Lichterfelde, onde a população é na sua maioria protestante ou católica, apenas cinco assistem à aula de religião.

Christoph Lehmann, diretor da “Associação Pró-Reli”, que desde a última segundafeira coleta assinaturas a favor da aula de religião em todos os bairros de Berlim, também naqueles que ficam na parte leste da cidade, acusa a prefeitura de afastar as crianças dos seus valores religiosos tradicionais ao abolir a aula.

— Para nós, a questão é mais do que uma disciplina escolar. Trata-se da relação entre o Estado e a igreja — disse ele.

Como na Alemanha é forte a influência das igrejas — o próprio Estado cobra para as igrejas uma taxa equivalente a 1% do total do imposto de renda, mas só das pessoas que são católicas, evangélicas (protestantes) ou judias —, Lehmann vê a aula obrigatória de religião como uma evidência. O dinheiro do imposto representa 70% do orçamento das duas principais igrejas do país. Já os muçulmanos não precisam pagar o imposto de religião, de forma que as mesquitas vivem de doações.

Em reação à ação do grupo “Pro-Reli” — que precisa coletar no mínimo 170 mil assinaturas até o dia 21 de janeiro para tornar possível um plebiscito, no dia 7 de junho, data que coincide com a eleição para o Parlamento Europeu — foi formada a “iniciativa próeacute;tica”, contrária ao retorno da religião como disciplina obrigatória.

À frente da “próeacute;tica“, estão os políticos do SPD e da Esquerda, que tentam conseguir a adesão até de religiosos da igreja evangélica. Um deles é o pastor aposentado Hening von Wedel, que tenta convencer os berlinenses a não assinar a favor da “Pró-Reli”.

— Será que devermos deixar os muçulmanos separados das crianças cristãs em uma aula de religião? — indagou o religioso.

Segundo ele, o mais importante que o cristianismo pode pregar é a boa convivência com os muçulmanos. (Graça Magalhães-Ruether)

sábado, 27 de setembro de 2008

O Corão — Uma biografia


No mais recente lançamento da coleção "Livros que mudaram o mundo", o professor de estudos islâmicos na Duke University conta a história do Corão, seus divulgadores e intérpretes, mostrando os motivos pelos quais o texto sagrado do islamismo ainda fascina e mantém sua grande influência sobre sociedades e governos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Na França, crianças muçulmanas recebem educação católica


A cafeteria bem iluminada da Escola Católica Saint Mauront está notavelmente silenciosa: é época do Ramadã, e 80% dos alunos são muçulmanos. Quando soa a campainha anunciando o horário do almoço, meninos e meninas passam em frente a crucifixos e uma grande cruz de madeira no corredor, dirigindo-se à oração muçulmana realizada aproximadamente ao meio-dia.

"Aqui há respeito pela nossa religião", afirma Nadia Oualane, 14, com a cabeça coberta por um lenço preto.

"Na escola pública não me deixariam entrar usando véu", acrescenta ela, apontando para uns prédios próximos. Oualane, que tem ascendência argelina, quer ser a primeira pessoa da sua família a freqüentar uma universidade.

A França possui apenas quatro escolas muçulmanas. Assim, as 8.847 escolas católicas do país tornaram-se um refúgio para os muçulmanos que buscam aquilo que um setor público sobrecarregado e secularista muitas vezes não tem: espiritualidade e um ambiente no qual as boas maneiras contem tanto quanto a matemática e as notas altas.

Não há estatísticas nacionais sobre isso, mas educadores muçulmanos e católicos estimam que atualmente os alunos muçulmanos representam 10% dos dois milhões de estudantes matriculados nas escolas católicas francesas. E nos bairros de Marselha e no norte industrial do país habitados por pessoas de várias etnias, os muçulmanos podem constituir-se em mais da metade dos alunos das escolas católicas.

A migração silenciosa para escolas católicas pagas demonstra o quanto se tornou difícil para as escolas públicas, instrumentos tradicionais para a integração na França, cumprir a promessa de oportunidades iguais - independentemente da cor, do credo e do bairro em que se mora.

Tradicionalmente, a escola republicana, um fruto da Revolução Francesa, é o local de formação dos cidadãos. A debandada de alunos dessas escolas é mais uma indicação do desafio enfrentado pela forma rígida de secularismo conhecida como "laicite".

Após séculos de guerras religiosas e atritos entre a república incipiente e um clero impertinente, uma lei de 1905 garantiu a liberdade religiosa na França predominantemente católica, mas também deixou de fornecer apoio financeiro e reconhecimento formal a todas as religiões. A educação religiosa e os seus símbolos foram banidos das escolas públicas.

À medida que a França tornava-se o lar de cinco milhões de muçulmanos, a maior comunidade islâmica da Europa Ocidental, novas rachaduras surgiram nesse sistema. Em 2004, uma proibição do uso do lenço de cabeça nas escolas públicas gerou protestos e provocou um debate sobre o relaxamento de interpretações da lei de 1905.

"O secularismo tornou-se a religião do Estado, e a escola republicana é o seu templo", diz o imame Soheib Bencheikh, ex-grande mufti de Marselha e fundador do Instituto Superior de Estudos Islâmicos. A filha mais velha de Bencheikh freqüenta uma escola católica.

"É uma ironia. Mas a Igreja Católica de hoje é mais tolerante quanto ao islamismo - e o entende mais - do que o Estado francês", afirma ele.

Para alguns, fatores econômicos fazem das escolas católicas uma boa escolha, já que elas tendem a ser menores do que as escolas públicas e são bem mais baratas do que as escolas particulares em outros países.

Segundo as autoridades que administram as escolas católicas, o governo paga salários aos professores e um subsídio por cada estudante, e em troca estas instituições aplicam o currículo nacional e aceitam alunos de todas as fés.

No sistema educacional francês altamente centralizado, o currículo nacional determina que não haja nenhuma educação religiosa além de exames genéricos sobre fé e dogmas religiosos, conforme ocorre nas aulas de história. A instrução religiosa, como o catecismo católico, é estritamente voluntária.

As escolas católicas têm liberdade para permitir que as meninas usem lenços. Muitas delas impõem a proibição governamental, mas várias outras, como a Saint Mauront, toleram uma versão discreta dessa peça de vestuário.

Situada sob um viaduto, em uma região de projetos urbanos no norte da cidade, a escola encarna as modificações ocorridas na sociedade francesa no decorrer do século passado.

Fundada em 1905, no prédio de uma ex-fábrica de sabão, a princípio a escola atendeu principalmente a alunos católicos franceses, diz o diretor Jean Chamoux. Antes da Segunda Guerra Mundial, alguns imigrantes italianos e portugueses vieram para a região. À partir da década de 1960 foi a vez dos africanos das ex-colônias francesas.

Atualmente há pouquíssimas faces brancas entre os 117 alunos. Cerca de uma em cada cinco garotas cobre a cabeça.

Chamoux, um homem jovial de movimentos vagarosos, está aqui há 20 anos e parece conhecer cada aluno pelo nome. No seu escritório apertado, sob um crucifixo, ele fala das virtudes das escolas católicas. "Nós praticamos a liberdade religiosa, as escolas públicas não", afirma. "Adotamos o currículo nacional. As atividades religiosas são inteiramente opcionais. Se eu proibisse o uso do lenço de cabeça, metade das meninas não freqüentaria escola alguma. Prefiro tê-las aqui, conversar com elas e dizer-lhes que elas contam com uma opção. Muitas na verdade deixam de usar o véu depois de certo tempo. O meu objetivo é garantir que, até se formarem, elas tenham feito uma escolha consciente, qualquer que seja esta escolha".

Os defensores do secularismo respondem dizendo que tal tolerância poderia encorajar outros pedidos especiais e valores anti-ocidentais, tais como a opressão da mulher.

"O lenço de cabeça é um símbolo sexista, a discriminação entre os sexos não tem lugar na escola republicana", afirmou o ministro da Educação, Xavier Darcos, em uma entrevista por telefone. "Este é o motivo básico pelo qual somos contrários ao uso lenço".

Chamoux suspeita que algumas alunas - "uma pequena minoria", diz ele - usam o lenço devido à pressão da família. Ele reconhece que certos pais exigem rotineiramente que as filhas sejam dispensadas das aulas de natação. Quando tal licença é negada, as meninas apresentam atestados médicos e, desta forma, deixam de freqüentar estas aulas. Recentemente ele respondeu com um não quando alunos pediram a remoção do crucifixo de uma sala de aula na qual eles desejavam fazer as orações conjuntas durante o Ramadã.

O professor de biologia foi contestado ao ensinar a Teoria da Evolução de Darwin, e o clima nas aulas de história pode ficar agitado quando se discute as cruzadas ou o conflito israelense-palestino. Chamoux recorda-se que, após os ataques de 11 de setembro de 2001, alguns alunos deixaram os professores chocados com a alegria que manifestaram.

Chamoux diz que a escola toma providências imediatas contra comentários ofensivos, mas tenta também respeitar o islamismo. A escola leva os feriados religiosos muçulmanos em consideração quando planeja as reuniões entre pais e professores. Há dois anos são fornecidas aulas opcionais de árabe, em parte como forma de afastar os alunos das aulas de Alcorão nas mesquitas vizinhas, que, segundo se acredita, pregam o islamismo radical.

Neste ano, 17 alunos se prontificaram a ficar na escola após as aulas, no mês da Quaresma, a fim de prepararem uma apresentação de slides mostrando as 14 estações da cruz para o sermão da Páscoa, realizado na igreja. Nathalie Geckeler, que liderou o projeto, conta que somente quatro eram cristãos. Dez dos 13 alunos muçulmanos assistiram ao sermão.

Quando se pergunta aos pais por que eles escolheram a escola católica, a resposta é rápida: "Deus é o mesmo para todos", diz Zohra Hanane, que se esforça para pagar a taxa anual de 249 euros para que a filha Sabrina possa freqüentar a Saint Mauront.

Mas a fé não é o único argumento. Hanane, que é mãe solteira e está desempregada, diz que não quer a filha no meio do "grupo errado". Muitas crianças da região freqüentam a escola pública que tem seis vezes mais alunos do que a católica. "A escola católica é cara, e às vezes é difícil pagar, mas quero que os meus filhos tenham uma vida melhor", diz Hanane. "Atualmente esta parece ser a melhor opção".

Do outro lado da cidade, no prédio brilhante da Escola de Segundo Grau Saint Trinite, no bairro afluente de Mazargues, as regras e as condições são diferentes, mas os argumentos são similares. As garotas muçulmanas não usam lenços. Mas Imedne Sahraoui, 17, muçulmana praticante e filha de um ex-diplomata argelino que virou empresário, está aqui, acima de tudo, para obter notas altas e ingressar em uma faculdade de administração, de preferência no exterior. "As escolas públicas simplesmente não preparam a gente da mesma forma", diz ela.

Segundo uma recente lista publicada pela revista "L'Express", 15% das 20 melhores escolas de segundo grau francesas são católicas. As escolas católicas continuam sendo populares entre os muçulmanos, até mesmo em cidades nas quais têm surgido instituições muçulmanas de ensino: Paris, Lyon e Lille.

A construção de escolas muçulmana tem sido dificultada em parte pela relativa pobreza da comunidade muçulmana, que conta com menos imóveis do que a Igreja Católica. E somente uma escola muçulmana, a Escola de Segundo Grau Averroes, situada em um andar da mesquita de Lille, atendeu aos requisitos para receber subsídios estatais. As três outras cobram mensalidades substancialmente mais elevadas para poderem sobreviver.

Além disso, conforme observa M'hamed Ed-Dyouri, diretor de uma nova escola muçulmana nos arredores de Paris: "Primeiro temos que mostrar o nosso valor". Por ora, ele pretende matricular o filho em uma escola católica.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mini-Guia de Rosh Hashaná 5769

FL/UFRJ - III Encontro de Letras Orientais e Eslavas: “Oriente e Ocidente: Interações, Diálogos e Visões Recíprocas”

O III Encontro de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ, com o tema “Oriente e Ocidente: Interações, Diálogos e Visões Recíprocas”, busca ser um fórum de debate e reflexão, sob o ponto de vista das Ciências Humanas, das questões que envolvem os múltiplos aspectos, desafios, dilemas e, porque não, contradições, dos contatos culturais, sociais, políticos e econômicos que se deram no passado e que se dão no presente entre Oriente e Ocidente.

Como as religiões vêem os grandes temas nos EUA


Deus está nos punindo. Os anjos da guarda nos protegem. A Terra está em grave perigo.

Foi o que descobriu uma pesquisa recente da Universidade Baylor sobre as crenças e práticas religiosas dos norte-americanos. A pesquisa, que será divulgada hoje, foi baseada em entrevistas com 1.700 adultos, realizadas no outono de 2007.

Meio ambiente
Os evangélicos não se preocupam tanto com a mudança climática global. A maioria dos entrevistados na pesquisa sobre religião da Baylor concorda que "se não mudarmos as coisas de forma dramática", a mudança climática global será "um desastre" (67%); o carvão, petróleo e gás natural irão acabar (70%) e a maior parte das plantas e da vida animal será destruída (57%).Mas os protestantes evangélicos têm bem menos tendência (55%) do que os outros grupos religiosos a se sentirem alarmados com a mudança climática global ou com a previsão de destruição da vida se o homem não mudar (49%).

Enquanto 56% dos adultos dos EUA dizem que o governo não está gastando o suficiente para ajudar e proteger o meio ambiente, o número de evangélicos que têm a mesma opinião é menor - 41%, segundo o sociólogo F. Carson Mencken, da Universidade Baylor.

De fato, os evangélicos são pelo menos duas vezes mais propensos a dizer que o governo já está gastando muito com o meio ambiente do que qualquer outro grande grupo religioso. Entre os que tendem a dizer que os gastos são muito pequenos estão os judeus, 81%, e as pessoas sem filiação religiosa, 79%.

"É o fim do mito do movimento ambientalista evangélico", diz Mencken. "Isso não quer dizer que os evangélicos são anti-ambientalistas, mas que seu apoio à causa ambiental não é tão forte quanto entre outras tradições religiosas."

O ambientalismo tem sido um tema controverso entre os evangélicos. Quando a Associação Nacional de Evangélicos lançou o "Chamado para a Ação" contra a mudança climática em 2006, alguns religiosos conservadores, liderados por James Dobson da organização Foco na Família, opuseram-se com veemência.

Gênero e política
As mulheres devem participar da política? O tema divide profundamente os americanos. A pesquisa revelou que a sociedade americana está bastante dividida em relação aos papéis da mulher na sociedade, e isso pode influenciar as eleições de novembro.

Por exemplo, 33% dos americanos dizem que "a maioria dos homens estão mais preparados emocionalmente para a política dos que a maioria das mulheres". 44% dos protestantes evangélicos concordam com isso, mais do que outros cristãos e muito mais do que os judeus (29%), outras religiões (23%), e pessoas sem religião (14%).

Os dados da Baylor foram reunidos em 2007, quando a senadora Hillary Clinton lutava pela nomeação como candidata pelo partido Democrata, muito antes que a governadora do Alaska, Sarah Palin, fosse nomeada para a vice-presidência da candidatura republicana, chamando atenção para a questão da maternidade e de gênero. Palin é mãe de cinco filhos, incluindo uma criança com síndrome de Down.

Os dois candidatos republicanos são protestantes evangélicos (John McCain é batista e Palin não tem uma denominação específica). O candidato do Partido Democrata, Barack Obama, é protestante (Igreja Unida de Cristo), e seu vice, o senador Joe Biden, é católico apostólico romano. A pesquisa também revelou:

- que 41% disseram que as crianças em idade pré-escolar sofrem se suas mães trabalham fora (54% dos evangélicos defendem isso, quase o dobro dos outros grupos).

- que 31% disseram que "é o desejo de Deus que as mulheres tomem contas de seus filhos" (48% de evangélicos).

Essas visões podem definir os votos? "As pessoas podem sustentar esses valores sociais, mas nem sempre isso se traduz nas urnas", diz Lauren Winner, professora-assistente de espiritualidade cristã na Universidade Duke. "Apesar de a visão conservadora em relação aos gêneros ser uma peça fundamental da visão de mundo evangélica, ela não é o principal fator para as pessoas - como é o aborto.

"As pessoas podem relevar a contravenção de Palin em relação aos papéis tradicionais - uma mãe que pode ir para a Casa Branca - agarrando-se à sua posição clara contra o aborto".

A tragédia e o mal
Deus causa ou permite "que grandes tragédias aconteçam, como um aviso aos pecadores", dizem 20% dos adultos dos Estados Unidos.

Enquanto 43% dizem que o maior mal é causado pelo diabo, 47% discordam - num empate estatístico.Mas a maioria (68%) não diria que a natureza humana é essencialmente má. Então onde é que o mal reside - no diabo ou na espécie humana? A pesquisa Baylor, que permite respostas sobrepostas, descobriu que 36% concordam com ambas as definições.

"Aqueles que acreditam que Deus causa ou permite que coisas ruins aconteçam não disseram que as tragédias são culpa de Deus", diz o sociólogo de Baylor Christopher Bader.

Segundo Bader, as pessoas disseram que "as tragédias são nossa culpa. Nós pecamos enquanto nação, e Deus não impediu que coisas terríveis acontecessem."

Entre as perguntas que o reverendo Rick Warren fez para ambos os candidatos à presidência em seu Fórum Civil sobre a Presidência em Saddleback, estava: "O mal existe?". Ambos os candidatos disseram que sim.

O senador Barack Obama disse que é "tarefa de Deus eliminar o mal do mundo", mas que "nós podemos ser soldados nesse processo."

O senador John McCain disse que "o mal deve ser derrotado", e relacionou-o totalmente com o "desafio transcendente do século 21 - o extremismo radical islâmico."

Fonte: Pesquisa Baylor de Religião, Insituto de Estudos da Religião, Universidade Baylor. Baseado em pesquisa com 1.700 adultos no outono de 2007; a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

Tradução: Eloise De Vylder

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O debate muçulmano do criacionismo: enfrentando Darwin na Turquia

Os cristãos fundamentalistas americanos não são os únicos liderando uma cruzada contra Darwin. O criacionismo e o "design inteligente" também estão se tornando cada vez mais populares entre os muçulmanos da Turquia

O homem que deseja salvar o mundo se chama Harun Yahya e lembra um ator da época do cinema mudo. Ele veste um terno de seda branca, abotoaduras douradas e exibe uma barba bem aparada no queixo. "Em 20 anos", ele diz em tom sério, "a humanidade entrará em uma era dourada".

Yahya diz que descobriu essa notícia maravilhosa na Bíblia e no Alcorão. Ele argumenta que é um "fato científico" que Jesus e o Mahdi, o messias muçulmano, voltarão à humanidade para resolver todos os conflitos globais. Antes, entretanto, ele diz que esses dois emissários celestiais terão que lidar com outro desafio: eles terão que erradicar a heresia do naturalista britânico Charles Darwin, que postula que toda a vida se originou de um processo de seleção natural.

Na visão de Yahya, o darwinismo está na raiz de todos os males do mundo. Visando ajudar a livrar o mundo desta teoria, ele bancou a impressão de milhares de cópias de "O Atlas da Criação" e as enviou para várias partes do mundo. Este tomo de formato grande e 800 páginas visa provar que nunca houve uma evolução natural das espécies. Em vez disso, ele argumenta que todas as formas de vida da Terra permaneceram inalteradas por milhões de anos. Ilustrações coloridas de fósseis foram incluídas para documentar a falta das chamadas formas transitórias.Yahya, 52 anos, um ex-estudante de arquitetura, é sem dúvida o mais expressivo seguidor do criacionismo em seu país. Ele alega já ter vendido 8 milhões de cópias de seus vários livros. No ano passado, milhares de cópias de "O Atlas da Criação" foram entregues - de forma não solicitada - para escolas de toda a Europa. A identidade da pessoa ou instituição que pagou a conta dessa iniciativa permanece desconhecida.

Além de Yahya, que atualmente está sendo processado "por ganho pessoal ilegal", há outros opositores veementes da evolução na Turquia. Um deles é Kerim Balci, um jornalista que trabalha para o jornal "Zaman" pró-governo. Sua mensagem: "Deus não é aquele que está morto; é o darwinismo".

Uma pesquisa realizada em 2006 mostrou quão impopular permanece a teoria da evolução no mais moderno de todos os países islâmicos. Foi perguntado às populações de 34 países sobre sua postura em relação à teoria da evolução, e o menor percentual de defensores foi encontrado na Turquia. Apenas um quarto dos turcos sente que a teoria de Darwin é correta. Apenas ligeiramente à frente deles - em 33º lugar - estavam os americanos.

Para Ibrahim Betil, um ativista comunitário turco envolvido em programas escolares, estes números contrastam enormemente das políticas educacionais oficiais do país. Diferentemente do que está acontecendo em várias áreas nos Estados Unidos, todas as tentativas de introduzir o criacionismo nas aulas de biologia na Turquia foram bloqueadas. Apenas a teoria da evolução é ensinada "em todas as escolas, em todas as salas de aula, mesmo nas províncias mais remotas".Mas isso poderá mudar em breve. Como colocou recentemente o ministro da Educação ortodoxo da Turquia, Hüseyin Çelik, o darwinismo não é nada mais do que "uma arma dos materialistas e dos infiéis". Çelik é um grande admirador da teoria do "design inteligente" - uma versão moderna da teoria do criacionismo, que alega reconhecer a mão de uma espécie de projetista por trás de todas as leis naturais do mundo.

Tradução: George El Khouri Andolfato

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Muçulmanos mantêm a tradição do Ramadan no Brasil

Muçulmanos mantêm a tradição do Ramadan no Brasil
O Ramadan, mês sagrado para os muçulmanos, termina no final deste mês. É um período de orações e de purificação em que eles passam o dia em jejum e fazem as refeições à noite. >>> Veja mais TV Globo, Jornal Hoje, em 22/09/2008.

Manifestantes fazem caminhada contra a discriminação religiosa no Rio de Janeiro (portal G1)

Manifestantes fazem caminhada contra a discriminação religiosa
Encontro combate o preconceito e estimula a tolerância. Praticantes de diferentes religiões apóiam o movimento.

Passeata contra a discriminação religiosa lota praia de Copacabana
Milhares de praticantes de diferentes religiões participaram de uma passeata contra a discriminação religiosa. As diversas origens e culturas pediram tolerância no movimento.

Passeata contra intolerância religiosa reúne milhares de pessoas em Copacabana
Uma passeata pela liberdade e contra a intolerância religiosa reuniu milhares de pessoas no domingo (21), em Copacabana. Integrantes de várias religiões enfrentaram o mau tempo e caminharam na orla.

Discriminação religiosa é tema de caminhada na Zona Sul do Rio
Objetivo do encontro é combater o preconceito. Vídeo mostra expectativa dos organizadores

Veja mais:
Marcha contra Intolerância Religiosa
Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

Temas sobre:
Intolerância Religiosa

domingo, 21 de setembro de 2008

Bezerra de Menezes no cinema

Bezerra de Menezes no cinema

Depois de dois anos e meio de expectativas, o filme “Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito” estreou em mais de 40 cidades do Brasil.


Assista ao trailer do filme


Bezerra de Menezes, o filme (site oficial)


Veja mais:

RELIGIÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS: questões nacionais e a situação no Rio de Janeiro

RELIGIÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS: questões nacionais e a situação no Rio de Janeiro

Emerson Giumbelli: Professor do Departamento de Antropologia Cultural, PPGSA/IFCS/UFRJ

Sandra de Sá Carneiro: Professora do Departamento de Ciências Sociais, PPCIS/IFCH/UERJ

RESUMO: Neste artigo, tomamos o ensino religioso como campo de questões amplas sobre a relação entre Estado e religião no Brasil. Nosso foco recai sobre dois pontos mais específicos: o artigo 33 da atual LDB, que sinaliza certas transformações do papel e da natureza do ensino religioso, e o caso do Estado do Rio de Janeiro, enfocado a partir da polêmica lei estadual que aprovou o modelo confessional. Tecemos ainda algumas considerações sobre as mudanças que percorrem as relações no campo religioso e, ao final, esboçamos algumas questões, visando a continuidade da problematização das formas pelas quais a relação entre religião e escola vem se definindo.

Palavras-chave: Ensino religioso; Pluralismo; Laicidade; Legislação educacional; Estado.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sob o olhar da razão: as religiões não católicas e as ciências humanas no Brasil (1900-2000)

Sob o olhar da razão: as religiões não católicas e as ciências humanas no Brasil (1900-2000)

Marcos Alexandre Capellari

Dissertação de mestrado em História Social (USP)

Orientadora: Profa. Dra. Raquel Glezer

Data de defesa: 09/05/2002

Resumo: Esta Dissertação de Mestrado descreve o nascimento, a inserção e o desenvolvimento das religiões não Católicas em solo brasileiro. Discorre, entre as que estão em maior evidência, sobre suas doutrinas e práticas fundamentais. Por outro lado, analisa a produção científica brasileira sobre a temática, ocorrida entre 1900 e 2000, através de um balanço bibliográfico. Procura, assim, verificar quais religiões foram mais estudadas pela comunidade científica, bem como as lacunas existentes.

A fé que move montanhas e a insdústria do entretenimento

Jornal do Brasil, Caderno B, página 3, em 19/09/2008.

Marcha contra Intolerância Religiosa

Veja mais:

Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa


Temas sobre:

Intolerância Religiosa



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Criacionismo no quadro negro

O Globo, Ciência, página 37, em 17/09/2008.

Criacionismo no quadro negro

Cientista britânico defende ensino 'alternativo' sobre evolução e perde emprego


O delicado debate entre ciência e religião acaba de ganhar mais um capítulo. O comentário de um renomado pesquisador inglês sobre o criacionismo abriu um racha no meio científico inglês e culminou com a renúncia do biólogo Michael Reiss, diretor de educação da prestigiosa Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido.

Há uma semana, durante um Festival da Ciência, em Liverpool, Reiss — que também é sacerdote da igreja Anglicana — disse ser favorável à discussão sobre todas as formas alternativas para a origem do universo — inclusive o criacionismo, que defende a idéia de que o mundo foi criado por um ser superior — nas aulas de ciência das escolas. Criticado por outros cientistas e pressionado pela sua própria instituição, Reiss, que disse ter sido mal interpretado, foi levado a abandonar o cargo, gerando mais críticas, dessa vez também à atuação da Royal Society.

Pedido de demissão gera controvérsia
Em comunicado oficial divulgado ontem, a Royal Society — que já teve Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução, entre seus integrantes — declarou seu apoio ao pedido de demissão de Reiss. “Comentários recentes do professor Michael Reiss sobre o criacionismo geraram muitos mal entendidos. Embora não fosse a sua intenção, isso causou danos à imagem da instituição.

Em seu pronunciamento em Liverpool, Reiss disse que, embora o criacionismo não tenha qualquer base científica, o assunto deveria ser discutido nas salas de aula porque a sua exclusão somente faria com que muitas crianças, vindas de famílias religiosas, se distanciassem cada vez mais da ciência.

A reação foi imediata. “O criacionismo se baseia na fé e não tem nada a ver com a ciência”, disse Lewis Wolpert, biólogo da University College, de Londres. Para John Fry, físico da Universidade de Liverpool, as aulas de ciências “não são o lugar apropriado para discutir uma teoria que se opõe a qualquer demonstração científica.”

Vaticano diz que Darwin nunca foi proibido
A renúncia de Reiss dividiu os cientistas. Robert Winston, do Colégio Imperial, em Londres, condenou a decisão: “Reiss estava tentando mostrar que deveríamos esclarecer os pontos polêmicos da ciência e isso deveria ser aplaudido pela Royal Society”. Para Harry Kroto, Prêmio Nobel de Química, a decisão foi acertada. “Um educador jamais poderia dar o sinal verde para que surgissem interpretações religiosas sobre a origem do universo”.

Na Itália, o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Gianfranco Ravasi, disse que não há contraposição entre a fé e a teoria da evolução de Charles Darwin, lembrando que o naturalista britânico nunca foi condenado pela Igreja.

A declaração foi feita durante a apresentação no Vaticano de um congresso que será realizado em Roma, ano que vem, sob o título “Evolução biológica: fatos e teorias. Uma avaliação crítica 150 anos após A origem das espécies.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Novos estudos sobre Jesus: o que é mito e o que é verdade

Novos estudos sobre Jesus: o que é mito e o que é verdade
CSI Jesus: Novas descobertas trazem à tona um homem simples, talvez analfabeto, difícil de ser rastreado e longe de se sentir uma entidade poderosa e onisciente. Como ficam as crenças cristãs diante desse Jesus histórico? >>> Leia mais na Revista Galileu, edição 206, set/2008.

domingo, 14 de setembro de 2008

Reportagens do G1 sobre Jesus

Reportagens de Reinaldo José Lopes do G1, em 14/09/2008 sobre Jesus.

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé
Anúncio do Reino de Deus, judaísmo e humildade marcam Nazareno. Evangelhos mesclam fatos e interpretações feitas por grupos cristãos.

Existência histórica de Jesus Cristo é inquestionável, afirmam especialistas
Fontes cristãs, judaicas e pagãs evidenciam historicidade do homem. Menções lacônicas fora do Novo Testamento mostram desimportância.

Para historiador, Evangelhos apócrifos trazem poucos dados sérios sobre Jesus
Textos 'barrados' na Bíblia despertam interesse por ter visões alternativas. Obras, porém, são muito tardias, além de 'copiar' evangelistas oficiais.

Entenda critérios usados por estudiosos para decidir o que vem de Jesus
Fatos constrangedores, revolucionários e múltiplas fontes são essenciais. Pesquisadores tentam 'filtrar' lado teológico e fé presente nos Evangelhos.

sábado, 13 de setembro de 2008

Anais do último Congresso da SOTER

Conferências – Painel - Mesas de Estudo - Grupos de Trabalho
Edição digital – ebook - Paulinas 2008

Discurso de Bento XVI a representantes da comunidade judaica

«Ser anti-semita significava também ser anticristão»

PARIS, sexta-feira, 12 de setembro de 2008 (
ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI pronunciou na tarde desta sexta-feira durante um breve encontro com representantes da comunidade judaica na nunciatura apostólica de Paris.

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Queridos amigos, esta tarde vos recebo com prazer. É uma feliz circunstância que nosso encontro tenha sido marcado na vigília da celebração semanal do shabbat, o dia que desde tempos imemoriais ocupa um lugar tão relevante na vida religiosa e cultural do povo de Israel. Todo judeu piedoso santifica o shabbat lendo as Escrituras e recitando os salmos. Queridos amigos, vós sabeis, também a oração de Jesus se nutria dos salmos. Ele ia regularmente ao templo e à sinagoga. Ouvia lá a palavra no dia do sábado. Ele quis sublinhar com que bondade Deus cuida do homem, também inclusive na organização do tempo. O Talmud Yoma (85b) não diz por acaso «O sábado foi dado a vós, mas vós não fostes dados ao sábado»?. Cristo pediu ao povo da Aliança que reconhecesse sempre a inaudita grandeza e o amor do Criador de todos os homens. Queridos amigos, por ocasião do que nos une e por motivo do que nos separa, temos de viver e fortalecer nossa fraternidade. E sabemos que os laços da fraternidade constituem um convite contínuo a conhecer-se melhor e respeitar-se.

Por sua própria natureza, a Igreja Católica se sente chamada a respeitar a Aliança estabelecida pelo Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Ela se situa também, de fato, na Aliança eterna do Onipotente, que não se arrepende de seus desígnios e respeita os filhos da Promessa, os filhos da Aliança, como seus irmãos amados na fé. Ela repete com força, através de minha voz, as palavras do grande Papa Pio XI, meu venerado predecessor: «Espiritualmente, nós somos semitas» (Alocução a peregrinos belgas, 6/09/1938). A Igreja, por isso, opõe-se a toda forma de anti-semitismo, do qual não há nenhuma justificação teológica aceitável. O teólogo Henri de Lubac, em uma hora «de trevas», como dizia Pio XII (Summi Pontificatus, 20.10.1939), compreendeu que ser anti-semita significava também ser anticristão. Mais uma vez, sinto o dever de prestar uma comovida homenagem àqueles que morreram injustamente e àqueles que se ocuparam de que os nomes das vítimas ficassem presentes na lembrança. Deus não esquece!

Não posso deixar de reconhecer, em uma ocasião como esta, o papel eminente que tiveram os hebreus da França para a edificação da nação inteira e sua prestigiosa contribuição a seu patrimônio espiritual. Eles deram – e continuam dando – grandes figuras ao mundo da política, da cultura e da arte. Faço votos respeitosos e cheios de afeto para cada um deles e invoco com fervor sobre todas vossas famílias e todas vossas comunidades uma particular bênção do Senhor dos tempos e da história. Shabbat shalom!

domingo, 7 de setembro de 2008

História das Religiões

A Ação Popular na história do catolicismo

A Ação Popular na história do catolicismo
Reginaldo Benedito Dias
Revista Espaço Acadêmico, Número 88, setembro de 2008.

O presente trabalho investiga a forma como a experiência da Ação Popular foi interpretada na literatura que analisa aquele período da história do catolicismo. São analisados tanto documentos oficiais da Igreja Católica quanto obras de intelectuais ligados à instituição ou interessados em refletir sobre sua experiência histórica. Naturalmente, selecionou-se material relacionado com o desenvolvimento da esquerda católica, fenômeno com o qual a Ação Popular costuma estar associada. São investigadas duas tendências principais de interpretação. A primeira representa as posições conservadoras da Igreja Católica do período de emergência da AP. A segunda está em sintonia com as mudanças que o catolicismo brasileiro viveria na década de 1970, marcadas pelo advento da Igreja Popular e da Teologia da Libertação. >>> Leia mais, clique aqui
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Onda de violência castiga cristãos na Índia

O Globo, O Mundo, página 49, em 07/09/2008.

Onda de violência castiga cristãos na Índia

Hindus radicais perseguem convertidos ao cristianismo. Muitos mudaram de religião para fugir do sistema de castas

Florência Costa Correspondente
NOVA DÉLHI.
Rajani Majhi, jovem de 20 anos que tomava conta de um orfanato administrado pela Igreja Católica num miserável vilarejo do estado de Orissa — um dos mais pobres da Índia — foi queimada viva por centenas de hindus enfurecidos, em 25 de agosto. A moça tomava conta de 20 crianças dalits (os intocáveis, como são chamados os indianos de castas baixas).

Renegadas desde o nascimento, as crianças são filhas de pais leprosos, que morreram abandonados por falta de tratamento.

Antes de ser morta, Rajani conseguiu salvar os órfãos, mostrando um atalho para a floresta mais próxima. Padre Eddy, de 62 anos, que administrava o orfanato, escapou com vida porque se escondeu após ser atacado pela multidão. Alem de Rajani, outras 15 pessoas foram queimadas vivas por hindus radicais, numa onda de violência contra cristãos que começou no dia 24 de agosto. Na véspera, o líder hindu Lakshmanananda Saraswati, de 84 anos, fora assassinado por 20 homens no distrito de Kandhamal, em Orissa, o que desencadeou os ataques em todo o estado.

Igrejas e conventos atacados por radicais Orissa tornou-se um caldeirão de violência religiosa. A polícia diz que a guerrilha maoísta — que atua na região — cometeu o assassinato. Mas grupos radicais hindus culpam os cristãos pela morte de Lakshmanananda, que promovia uma campanha contra a conversão ao catolicismo de indianos de casta baixa, que buscam fugir do preconceito e da opressão que sofrem dos hindus de castas altas.

— Ele era um santo muito amado porque tinha a habilidade de evitar que as pessoas fossem sugadas por outras religiões.

Os cristãos tinham problemas com ele porque tudo o que querem é a conversão de hindus ao catolicismo — disse Gouri Rath, do grupo hindu radical Vishwa Hindu Parishad.

Centenas de igrejas, orfanatos, escolas, conventos e casas de cristãos foram incendiados.

Cerca de 18 mil cristãos, inclusive freiras e padres, esconderam-se em florestas ou abrigaram-se em campos de refugiados organizados às pressas. Mais de 200 vilarejos em todo o estado foram atingidos pela violência.

Nos últimos dias, o medo fez com que centenas de católicos se reconvertam ao hinduísmo.

— Não queremos voltar para o convento porque temos medo de sermos queimadas vivas. Por isso continuamos refugiadas no meio do mato — disse Irma Ramya, que está escondida com 11 freiras e estudantes cristãs.

Numa rara declaração do Vaticano aos católicos da Índia, o Papa Bento XVI condenou a violência e expressou sua “proximidade espiritual e solidariedade” para com os cristãos. O Papa também apelou às autoridades indianas para que trabalhassem o mais rapidamente possível para “restaurar a coexistência pacífica e harmonia”.

Um dos principais assessores do Vaticano, o cardeal Jean-Lous Tauran disse em entrevista a um diário italiano que vai intensificar seus contatos com líderes hindus para evitar mais violência.

O cardeal, que chefia o Conselho para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano, qualificou os ataques de “pecado contra Deus e a Humanidade”. O arcebispo de Bombaim, o cardeal Oswald Gracias, pediu ao governo indiano que envie as Forças Armadas para Orissa para conter a violência e permitir que os católicos voltem a seus vilarejos com segurança.

Quatro dias depois do início dos ataques, a Conferência dos Bispos Católicos da Índia decretou greve em todas as instituições de ensino dirigidas pela Igreja. Um total de 25 mil instituições, segunda maior rede de ensino da Índia, só ultrapassada pela governamental.

A Igreja Católica opera em várias frentes para aumentar seu rebanho na Índia, onde 80% da população segue o hinduísmo. A segunda religião mais numerosa é o islamismo (cerca de 15% da população). Em terceiro vêm os cristãos, com 2,3% (24 milhões de pessoas), sendo que 70% deles são católicos.

Opressão continua mesmo no catolicismo A maioria dos cristãos na Índia é de casta baixa. Mas mesmo rejeitando o hinduísmo eles não conseguiram fugir da opressão das castas altas. O preconceito de castas migrou para o catolicismo também. Assim, há os católicos bramins (casta mais alta do hinduísmo), católicos dalits, e assim por diante. E uns não se casam com os outros.

— Nós, cristãos dalits, esperamos que a partir de agora o Papa olhe mais detalhadamente para a Igreja Católica indiana — disse o padre William Premdas Chaudhary.

Em junho, a Igreja lançou uma versão da Bíblia indianizada. O livro tem 27 imagens com referências ao cotidiano dos hindus e a seus personagens históricos, como o líder pacifista Mahatma Gandhi. Uma das ilustrações mostra Maria vestida com um típico sári, o pano de seis metros que as indianas enrolam no corpo em forma de vestido. José é representado com um turbante e veste a roupa típica dos camponeses indianos: o dhoti, um pano branco amarrado na cintura, que ficou conhecido por ter sido a roupa que Mahatma Gandhi adotou para simbolizar sua proximidade com os pobres.

Segundo Paul Thelakat, portavoz da Igreja no estado de Kerala — um dos principais centros do catolicismo na Índia — o texto da Bíblia permanece o mesmo.

Trechos das escrituras sagradas vedas e upanishads, do hinduísmo, foram modificados e “usados para interpretar os ensinamentos cristãos”.

sábado, 6 de setembro de 2008

“O Estado deve oferecer o ensino religioso”

Gazeta do Povo, em 30/08/2008. Adriana Czelusniak

É preciso aprender a conviver por cidadania, respeito e co-responsabilidade e não por medo de uma punição divina. A afirmação é do pedagogo e doutor em Ciên-cia da Educação Sérgio Junqueira, que participa da III Assembléia Latino-Americana da Iniciativa das Religiões Unidas (URI), hoje, em Foz do Iguaçu. A URI é uma organização que busca promover o diálogo e a ação inter-religiosa. Ela está presente em 50 países e com a assembléia quer promover o encontro e a troca de experiências sobre a paz, recursos naturais, cultura indígena e liberdade religiosa na América Latina. O evento teve início ontem e segue até amanhã, no auditório do Refúgio Biológico Bela Vista.

Junqueira, que é coordenador do Grupo de Pesquisa em Educação e Religião da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), fala na assembléia sobre a diversidade religiosa na educação e sobre a importância do ensino religioso.

A obrigatoriedade e as características do ensino religioso oferecido pelas escolas públicas têm sido discutidas atualmente por causa de o Brasil ser um Estado sem religião oficial. Há um conflito?
Não, porque não se ensina religião. Haveria um problema se ele fosse patrocinado ou patrocinasse alguma igreja, mas não é o caso. Desde 1934 o Brasil inseriu a obrigatoriedade do ensino religioso por parte das escolas e o caráter optativo para os alunos. Em 1996, a primeira versão da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) falava em ensino religioso confessional e interconfessional, mas sem ser pago pelo Estado. Mas aí havia um grande problema organizacional. A escola teria que oferecer o ensino à parte. A partir de 1997 o ensino passou a ser dado na escola, para ajudar os alunos a entender a cultura dos diferentes povos.

Como se deu essa discussão sobre o ensino religioso no Brasil?
No Brasil há três correntes. Há os que defendem o ensino religioso fora da escola, que são aqueles que usam a justificativa do estado laico. Os que defendem como doutrina e justificam afirmando que a família sozinha não consegue cumprir o papel de ensinar. Essas duas primeiras correntes são opostas e vêm desde o fim do Império, quando o Brasil era católico por lei. O Brasil passou a ser laico apenas na República. A terceira corrente é a mais nova, surgiu nos anos 60, ganhando mais força nos anos 80. Ela defende o ensino religioso como componente curricular, mas independente de qualquer religião e com a perspectiva de ajudar a entender a sociedade.

Considerando as três formas de ensino religioso – confessional, interconfessional e fenomenológico –, o que difere cada uma delas?
O confessional é o mais antigo, é a famosa aula de religião, ligada à Teologia. O ensino interconfessional foi criado a partir dos anos 70, segue a linha cristã. É mais ligado ao ensino de valores, como amor, respeito, que são temas comuns entre as denominações cristãs. O fenomenológico é o que estuda as manifestações culturais e religiosas da sociedade. São objetos de estudo festas, rituais, feriados, comportamentos, etc. É mais ligado à Antropologia, Sociologia, Filosofia, enfim, ciências humanas que estudam o fenômeno religioso.

Como o senhor vê o futuro do ensino religioso no Brasil, em meio a tanta discussão sobre sua obrigatoriedade?
O Estado deve oferecer o ensino religioso. O seu conteúdo contribui para a leitura e a compreensão da sociedade, pode ensinar as pessoas a conviver por uma questão de cidadania, respeito e co-responsabilidade e não porque alguém vai puni-las se não se comportarem de determinada maneira. A pessoa deve saber se comportar em uma comunidade por ter autonomia, não por medo. Os alunos têm que entender porque o discurso religioso interfere nas ações sociais. Um exemplo disso é a discussão sobre as células-tronco: de um lado os cientistas com um avanço na ciência, e do outro, os religiosos que não aceitavam. O aluno tem que conhecer os dois lados, entender a diversidade, também para poder aceitar as diferenças, mas o ensino deve abordar valores sem doutrinar os alunos.

O Paraná é uma das referências internacionais no ensino religioso, segundo relatório da Unesco de 2005. A que se deve esse destaque?
A esse movimento de olhar o ensino religioso através da escola, o esforço de trazê-lo para dentro das instituições de ensino. A escola, ao oferecer esse conteúdo, possibilita à criança e ao adolescente a convivência e o diálogo sobre a diversidade. E a aborda sobre vários aspectos, como o étnico-racial, de gênero e de orientação sexual.