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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Opinião - O espírito chega antes do missionário

Leonardo Boof, Teólogo
Jornal do Brasil, Opinião, página 9, em 30/06/2008.

Um dos efeitos do processo de mundialização – que vai muito além de sua expressão econômico-financeira – é o encontro com todo tipo de tradições espirituais e religiosas. Instaurou-se um verdadeiro mercado de bens simbólicos no qual os vários caminhos, doutrinas, cerimoniais, ritos e esoterismos são oferecidos para atender à demanda de um número crescente de pessoas, geralmente, fatigadas pelo excesso de materialimso, racionalismo, consumismo e superficialismo de nossa cultura convencional.

Por detrás deste fenômeno há uma busca humana a ser entendida e também a ser atendida. O espiritual e o místico, à revelia das predições dos mestres da suspeita como Marx, Freud e Nietzsche, estão voltando com renovado vigor. Eles revelam uma dimensão esquecida do ser humano, vista pelos modernos, mais como expressão de patologia do que de sanidade. Hoje, entre os estudiosos das ciências da religião, ela está resgatando sua cidadania. Tem seu assento na razão sensível e cordial que não substitui mas completa a razão científico-calculatória. Nela se elaboram os grandes sonhos e surgem as estrelas-guias que dão rumo à nossa vida. A religião desvela o ser humano como projeto infinito e lhe brinda o objeto adequado que o faz descansar: o infinito.

Os cristãos têm especial dificuldade no diálogo com as religiões. Sustentam a crença de que são portadores de uma revelação única e de um salvador universal, Jesus Cristo, o filho de Deus encarnado. Em alguns, esta crença ganha foros de fundamentalismo, dizendo, sem atalhos, que fora do cristianismo não há salvação, repetindo uma versão de cariz medieval. Outros, a partir da própria Bíblia e de uma reflexão teológica mais profunda, sustentam que todos os seres humanos, também o cosmos, estão permanentemente sob o arco-íris da graça de Deus. Para os primeiros 11 capítulos do Gênesis, nos quais não se fala ainda em Israel, como "povo eleito", todos os povos da Terra, são povos de Deus. Isso permanece válido até os tempos atuais.

Ademais, dizem as Escrituras que o espírito enche a face da Terra, perpassa a história, anima as pessoas a praticarem o bem, a viverem na verdade e a realizarem a justiça e o amor. O espírito chega antes do missionário. Este, antes de anunciar sua mensagem, precisa reconhecer as obras que este espírito fez no mundo e prolongá-las.

O Cristo não pode ser reduzido ao espaço palestinense. Ao assumir o homem Jesus de Nazaré, o filho se inseriu no processo da evolução, tocou a realidade humana e ganhou uma dimensão cósmica. Coube ao teólogo franciscano Duns Scotus na Idade Média e a Teilhard de Chardin nos tempos modernos apontar que o filho está presente na matéria e nas energias originarias e que foi densificando sua presença na medida em que se realizava a complexidade e crescia a consciência até irromper na forma de Jesus de Nazaré. Esta individuação não diminui seu caráter divino e cósmico, de forma que pode irromper, sob outros nomes e sob outras figuras que revelam em suas vidas e obras a cercania do mistério de Deus. Para evitar certa "cristianização"do tema, podemos falar, como o fazem grandes tradições, da sabedoria/sofia. Ela está presente na criação, na vida dos povos e especialmente nas lições dos mestres e sábios. Ou se usa também a categoria logos ou verbo que revela o momento de inteligibilidade e ordenação do universo. Ele não fica uma energia impessoal mas revela suma subjetividade e suprema consciência.

Estas visões ancoram nossa vida num sentido bom que nos permite suportar os avatares desta cansada existência.

IEA: Interfaith Encounter Association


IEA: Interfaith Encounter Association

Coordinator Sought for a Jewish/Interfaith Project
CLICK HERE IF INTERESTED


Adama Interfaith Encounter
Heart and Soul Broadcast on BBC

CLICK HERE TO LISTEN to the BBC World Service program and learn how the process of IEA groups transforms the attitudes of its participants.

Please note:
This program is the property of Heart and Soul at the BBC World Service
and is re-broadcast on this website for personal use only.

Pai Nosso em aramaico e hebraico

Pai-nosso em aramaico e hebraico
Primeiro recitado em aramaico e depois em hebraico. Prece pelas crianças do mundo, que são o futuro da humanidade e ...

domingo, 29 de junho de 2008

O pecado e as religiões (Paulo Coelho)

Cristianismo: o jogo de xadrez O jovem disse ao abade do mosteiro: — Bem que eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida. Tudo que meu pai me ensinou foi jogar xadrez, que não serve para iluminação. Além do mais, aprendi que qualquer jogo é um pecado.

— Pode ser um pecado, mas também pode ser uma diversão, e quem sabe este mosteiro não está precisando de um pouco de ambos? — foi a resposta.

O abade pediu um tabuleiro de xadrez, chamou um monge, e mandou-o jogar com o rapaz.

Mas antes de a partida começar, acrescentou: — Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todo mundo fique jogando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro, e abrirá uma vaga para você.

O abade falava sério. O rapaz sentiu que jogava por sua vida, e suou frio. O tabuleiro tornou-se o centro do mundo.

O monge começou a perder. O rapaz atacou, mas então viu o olhar de santidade do outro. A partir desse momento, começou a jogar errado de propósito.

Afinal de contas, preferia perder, porque o monge podia ser mais útil ao mundo. De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão.

— Você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram — disse. — Concentrou-se o suficiente para vencer, foi capaz de lutar pelo que desejava. Em seguida, teve compaixão e disposição para sacrificar-se em nome de uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque sabe equilibrar a disciplina com a misericórdia.


Judaísmo: perdoando no mesmo espírito O rabi Nahum de Chernobyl vivia sendo ofendido por um comerciante. Um dia, os negócios deste último começaram a andar muito mal. “Deve ser o rabino, que está pedindo vingança a Deus”, pensou. E foi pedir desculpas a Nahum.

— Eu o perdôo com o mesmo espírito que você me pede — respondeu o rabino.

Mas as perdas do homem cresceram cada vez mais, até que ele ficou reduzido à miséria. Os discípulos de Nahum, horrorizados, foram perguntar o que tinha acontecido.

— Eu o perdoei, mas ele continuou me odiando no fundo de seu coração — disse o rabino. — Então, seu ódio contaminou tudo que fazia, e a punição de Deus tornou-se ainda mais severa.


Islã: onde está Deus Numa pequena aldeia do Marrocos, um imã contemplava o único poço de toda a região. Um outro muçulmano aproximou-se: — O que tem lá dentro? — Deus está escondido aí.

— Deus está escondido dentro deste poço? Isso é pecado! O que você está vendo deve ser uma imagem deixada pelos infiéis! O imã pediu que se aproximasse e se debruçasse na borda. Refletido na água, ele pôde ver o seu próprio rosto.

— Mas este sou eu! — Isso mesmo. Agora você sabe onde Deus está escondido.

Extraído de:
Revista O Globo, ano 4, número 205, página 47, em 29/06/2008.

Bodisatva

Bodisatva
Traz informações sobre o budismo tibetano com entrevistas e artigos de Dalai Lama, incluindo a transcrição da palestra proferida pelo Dalai Lama no Brasil.

Bahá´í Pilgrimage to Israel

Bahá´í Pilgrimage to Israel - INGLÊS
Os seguidores da seita Fé no Bahá´í ou bahaísmo acreditam na origem divina do cristianismo, do islamismo e do judaísmo e na unidade dessas religiões. Este site traz preceitos e a história dessa doutrina apresentada através da prática bahaísta de peregrinação à Terra Santa.

Caderno Pedagógico de Ensino Religioso: O Sagrado no Ensino Religioso

Ilustração: AMORELLI, 2006.

Caderno Pedagógico de Ensino Religioso: O Sagrado no Ensino Religioso (Governo do Paraná, Secretaria de Estado da Educação, Curitiba, 2008 – 124 páginas)

Programa Nacional dos Direitos Humanos
Proposta 113:
Incentivar o diálogo entre movimentos religiosos sob o prisma da construção de uma sociedade pluralista com base no reconhecimento e no respeito às diferenças de crença e culto.

Veja mais:

sábado, 28 de junho de 2008

Religion Past and Present: Encyclopedia of Theology and Religion: Volume 1: A – Bhu

Religion Past and Present: Encyclopedia of Theology and Religion: Volume 1: A – Bhu
Betz, Hans Dieter, Don Browning, Bernd Janowski and Eberhard Jüngel, editors
Leiden: Brill, 2007
Description:
Truly worldwide in its coverage, this English version of the 4th edition of the RGG, makes this gold standard of encyclopedias accessible to the English-speaking world. Taking into account the latest research developments, it offers a wide-ranging and multi-denominational approach to all aspects of the study of religion and theology.
Subjects: Methods, Theological Approaches, Comparative Religion

Review by Dirk van der Merwe
Read the Review
Published 6/21/2008



quarta-feira, 25 de junho de 2008

Trilha de quatro dias ao norte de Israel segue passos de Jesus

LAURIE COPANS
da Associated Press, em Israel
FSP online, Turismo, em 10/06/2008.

Uma trilha difícil começa por entre a estrada que sai de um local sagrado repleto de ônibus no mar da Galiléia, indo parar num monte coberto de aveia selvagem e espinhos.

Todos os anos, milhares de peregrinos visitam a igreja de pedra em Tabgha e outros santuários celebrando os milagres de Jesus. Mas poucos se aventuram além das multidões até o cenário em que Jesus caminhou na Galiléia. Aqueles que o fazem encontram silêncio e conforto nos montes de pedras e nas sobras das oliveiras que cobrem as planícies.

Um projeto privado israelense está realizando caminhadas de 65 km pela região onde Jesus ministrou seus ensinamentos. A Trilha de Jesus espera levar milhares de turistas a seguir seus passos e ouvir os cantos dos pássaros, sentir o aroma do dill e refletir ao longo do caminho.


Como a trilha ainda não está demarcada, os viajantes têm de contratar um guia, baixar as coordenadas de GPS pelo site Jesustrail.com ou adquirir mapas em sites turísticos.


O caminho pode ser percorrido em quatro dias. O peregrino tem a opção de se hospedar em um kibutz ou uma residência árabe, ou ainda levar uma barraca e acampar.


"Acima de tudo, acho que a trilha mostra a natureza humana de Jesus, quando a Bíblia fala dele tornando-se carne e vivendo entre as pessoas", considera David Landis, norte-americano que tem ajudado a demarcar o caminho.


"Você fica mais reflexivo, meditativo, pensando na sua relação com Jesus durante a caminhada", diz o pastor David Hughes. "Quanto mais íntimo você fica dessa terra, mais íntima ela fica de você, dos aromas, dos sentimentos e das montanhas."


O Ministério do Turismo de Israel afirma que também está projetando uma demarcação da trilha. Outra iniciativa, da Universidade de Harvard (The Abraham Path, ou A Trilha de Abraão), pretende promover os caminhos do profeta Abraão, em um total de mais de 1.200 km, da Turquia até seu túmulo, em Hebron.

Veja mais:

terça-feira, 24 de junho de 2008

Liberdade religiosa como bem social em encontro em Amã

Reunião do Comitê Científico do Centro «Oásis»

Por Mirko Testa


ROMA, terça-feira, 24 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Começou nesta segunda-feira em Amã, Jordânia, a reunião do Comitê Científico do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas «Oásis», fundado há cinco anos pelo cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, com sede na cidade, mas aberto a uma rede de contatos e relações no mundo inteiro.


Nesta nova edição, o encontro – que se repete cada ano, no mês de junho, desde 2004 – se centrou na «liberdade religiosa: um bem para toda a sociedade» e se propôs indagar, de forma especial, a partir de testemunhos de vida e experiências concretas, em como harmonizar os valores da liberdade religiosa com os da identidade tradicional de um povo.


Quem inaugurou os dois dias de trabalhos do Comitê foi Dom Gabriel Richi Alberti, diretor do Centro «Oásis»; os palestrantes foram o cardeal Angelo Scola; o professor Nikolaus Lobkowicz, diretor do Instituto Zimos de Estudos sobre a Europa Central e Oriental da Universidade Católica de Eichstatt; o professor Khaled al-Jaber, professor associado da Universidade de Petra e autor de diversos estudos sobre a literatura árabe moderna e de edições críticas de textos clássicos; e o Dr. Hanna Michael Salameh Numan, membro do Fórum para a transparência na Jordânia, da Fundação para o Arquivo Árabe e do Centro Amã para a Paz e o Crescimento.


À tarde, após o debate entre os presentes, foi feita a apresentação do Centro Nossa Senhora da Paz, dirigido pelo Dr. Majdi Dvyat e com sede em Amã. É uma das mais importantes obras sociais do Patriarcado Latino na Jordânia, que oferece cursos de diverso tipo e apoio médico gratuito aos deficientes, além de colaborar com diversas instituições muçulmanas.


No segundo dia, Dom Selim Sayegh, desde 1981 vigário patriarcal dos latinos para a Jordânia, apresentou uma palestra intitulada «A Igreja Latina na Jordânia», enquanto na sessão da tarde, Hasan Abu Ni’mah, ex-embaixador do Reino Hachemita da Jordânia na Bélgica, Itália e Nações Unidas, apresentou o Real Instituto de Estudos Inter-religiosos de Amã, dirigido por ele.


Entrevistado pela Zenit sobre o tema central dos trabalhos, Dom Gabriel Richi Alberti disse: «Queremos, através do relato recíproco e a reflexão comum, aprofundar no bem da liberdade religiosa para a edificação de uma vida boa, pessoal e comunitária».


«E o faremos seguindo o método que o Oásis escolheu desde o início de seu trabalho – acrescentou: conhecer a experiência concreta das comunidades cristãs nos países de maioria muçulmana para aprender e detectar junto deles novos caminhos.»


Sobre como conseguir conciliar a liberdade religiosa com o respeito à tradição religiosa de um povo, o diretor do Centro Oásis declarou que «sobretudo seria importante refletir sobre este delicado problema a partir das condições concretas de cada povo».


«No Ocidente assistimos a uma espécie de paradoxo. Por um lado, afirmamos com força a liberdade de consciência e a liberdade religiosa – observou. Por outro, contudo, a experiência religiosa corre o risco de ser considerada como algo pertencente à esfera do privado-pessoal, sem nenhuma relevância pública.»


«Deste modo, o dever de buscar a verdade que caracteriza a consciência corre o risco de ser algo que não incide na edificação da vida pública», explicou.


«Em outras sociedades, ao contrário, reconhece-se amplamente a dimensão pública da experiência religiosa – precisou Dom Gabriel Richi Alberti –, mas se corre o risco de esquecer que a verdade se propõe e não se impõe: a liberdade está chamada a aderir livremente ao anúncio, não pode ser obrigada.»


«Há alternativas? Um caminho possível é destacar o bem prático do viver juntos e, portanto, do relato testemunhal – prosseguiu. A sociedade civil é o âmbito do testemunho recíproco e esta é uma ‘prática de liberdade’ que deve ser colocada em prática.»


Neste sentido, acrescentou, «desde quando o Centro Oásis nasceu, em 2004, no Studium Generale Marcianum de Veneza, nossa tentativa era a de favorecer a criação de uma rede de relações com eclesiásticos e acadêmicos de todo o mundo».



«Uma rede de relações – concluiu – que tem como conteúdo a elaboração cultural em torno do tema da mestiçagem de culturas e de civilizações, do relato recíproco, da vida boa...»


O Centro Oásis constitui uma rede que reúne Oriente e Ocidente no trabalho comum de testemunho, levado adiante através da revista em quatro edições (inglês-árabe, inglês-urdu, francês, árabe, italiano-árabe), distribuída na Europa e na maior parte dos países da África e da Ásia (www.cisro.org); do site (www.oasiscenter.eu); da newsletter mensal em três línguas, que pode ser recebida gratuitamente; e por último, a coleção «Os livros de Oásis».


Tribunais 'raciais'

O Globo, Opinião, página 7, em 24/06/2008.

Tribunais 'raciais'
ALI KAMEL

No debate sobre a racialização da sociedade brasileira, algumas aberrações são deixadas de lado: os tribunais “raciais” que existem em pelo menos duas universidades, na UnB e na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Não se trata de ser contra ou a favor das cotas; ninguém pode ser a favor de um absurdo assim. Como pode um grupo se dar o direito de julgar, pela aparência, quem é negro ou pardo e quem não é? O que faz o Ministério Público que não impede que algo assim continue ocorrendo, como se fosse a coisa mais natural do mundo? Na UnB, o candidato que optar por disputar o vestibular pelo sistema de cotas faz as provas como todos os outros candidatos. No prazo máximo de dez dias após os exames, os melhores em cada carreira são chamados para um julgamento. A proporção é de dois candidatos para cada vaga oferecida no sistema de cotas: assim, se o curso de Administração oferece dez vagas, os vinte melhores estudantes que se inscreveram na carreira pelo sistema de cotas serão chamados para que, num julgamento, o tribunal decida se eles são mesmo negros ou pardos. Se o tribunal decidir positivamente, suas notas serão apuradas dentro do sistema de cotas. Se decidir que eles são brancos, a punição é atroz: os estudantes são simplesmente eliminados do vestibular, não importando a nota que tiverem obtido no teste. Eles sequer têm o direito de ter as suas notas computadas pelo sistema universal de vagas.

É um total absurdo. O edital diz que o aluno deve decidir se é pardo ou negro.

O aluno pode se olhar no espelho e se ver da cor que quiser, é um direito dele. Não se trata de mentira. Mas, se a concepção que faz da cor da sua pele não coincidir com a de seus juízes “raciais”, ele será punido.

Nossas leis permitem essa agressão? Os autores de tal regulamento não se dão conta do que fazem? A injustiça do método fica ainda mais patente quando tomamos conhecimento de que os alunos que se inscreveram no sistema de cotas, mas não foram chamados para o julgamento, têm as notas auferidas pelo sistema universal, junto com todos os demais alunos. Ou seja, eles se consideram negros ou pardos, mas, como não tiveram um bom desempenho nas provas, deixam de ter direito ao benefício das cotas. Provavelmente, são os alunos mais carentes, aqueles que tiveram um ensino pior. O resultado desse sistema perverso é que, na prática, as cotas da UnB beneficiam apenas os alunos mais ricos entre aqueles cuja cor de pele for julgada como tendo o tom adequado.

Aos mais pobres, que tiveram um ensino pior, mesmo negros, será negado o sistema de cotas.

Sob que aspecto se pode dizer que isso é justo? Na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, a cota se destina apenas aos alunos da escola pública ou que tenham estudado em escolas privadas com bolsa integral. À primeira vista, o sistema quer beneficiar os mais pobres entre aqueles que forem julgados negros ou pardos. Seria um pequeno avanço, mas qual a justificativa de deixar de fora os brancos igualmente pobres, se, no Brasil, eles formam um enorme contingente de 19 milhões de pessoas, um número maior do que a população de muitos países no mundo? Não faz sentido, é cruel, promove a cisão “racial” da pobreza sem que haja alguma justificativa que faça sentido.

O pior, porém, é o método para se descobrir quem é negro e quem é pardo. Em pleno século XXI, dá um nó na alma verificar que ainda existem pessoas que dividem a Humanidade em “raças”.

Todos os inscritos devem apresentar uma foto tamanho 5x7. Um tribunal de seis a sete pessoas fará o julgamento, mas, note, a cor do candidato só será chancelada como negra ou parda se obtiver um mínimo de cinco votos, praticamente a unanimidade. E quais são os critérios? Nas palavras dos organizadores, os candidatos serão julgados segundo tenham ou não as seguintes características: “a) pele muito pigmentada (melanina), b) nariz achatado, c) cabelo pixaim (carapinha); d) lábios carnudos (grossos)”.

Ao estudante de pele suficientemente escura (o que será isso?), basta essa característica: se a cor da pele for bem escura, ele pode ter cabelo liso, nariz afilado e lábios finos, não importa. O estudante pardo terá de apresentar sempre duas características, já que o tom de pele, por definição, nunca é escuro o bastante. Para que o leitor tenha a dimensão do grotesco de se julgar tal coisa, vou enumerar aqui as possibilidades: nariz achatado e cabelo pixaim, ou nariz achatado e lábios grossos, ou lábios grossos e cabelo pixaim.

Se o estudante pardo tiver apeo igualmente pobres, se, no Brasil, eles formam um enorme contingente de 19 milhões de pessoas, um número maior do que a população de muitos países no mundo? Não faz sentido, é cruel, promove a cisão “racial” da pobreza sem que haja alguma justificativa que faça sentido.

O pior, porém, é o método para se descobrir quem é negro e quem é pardo. Em pleno século XXI, dá um nó na alma verificar que ainda existem pessoas que dividem a Humanidade em “raças”.

Todos os inscritos devem apresentar uma foto tamanho 5x7. Um tribunal de seis a sete pessoas fará o julgamento, mas, note, a cor do candidato só será chancelada como negra ou parda se obtiver um mínimo de cinco votos, praticamente a unanimidade. E quais são os critérios? Nas palavras dos organizadores, os candidatos serão julgados segundo tenham ou não as seguintes características: “a) pele muito pigmentada (melanina), b) nariz achatado, c) cabelo pixaim (carapinha); d) lábios carnudos (grossos)”.

Ao estudante de pele suficientemente escura (o que será isso?), basta essa característica: se a cor da pele for bem escura, ele pode ter cabelo liso, nariz afilado e lábios finos, não importa. O estudante pardo terá de apresentar sempre duas características, já que o tom de pele, por definição, nunca é escuro o bastante. Para que o leitor tenha a dimensão do grotesco de se julgar tal coisa, vou enumerar aqui as possibilidades: nariz achatado e cabelo pixaim, ou nariz achatado e lábios grossos, ou lábios grossos e cabelo pixaim.

Se o estudante pardo tiver apeonas o cabelo pixaim, mas o nariz afilado e os lábios finos, estará fora do sistema de cotas. O mesmo acontecerá se ele tiver o nariz achatado, mas os cabelos lisos e os lábios finos.

Em plena era da genética, quando qualquer estudante sabe que o filho de um pai negro e uma mãe branca (ou vice-versa), dependendo da ancestralidade do casal, pode ter todos os tipos de fenótipos, como o Estado permite que uma universidade arquitete um conjunto de regras como as que acabo de descrever? Para se dar conta do horror, basta imaginar que outra universidade decida criar cotas para pobres, mas apenas os brancos, e, para isso, crie um tribunal semelhante exigindo que o candidato de pele menos clara tenha ao menos duas das seguintes características: a) lábios finos, b) cabelos lisos e c) nariz afilado.

No vestibular de 2007, o tribunal “racial” da UnB julgou e condenou 34 estudantes, que, por não terem sido considerados negros o suficiente, foram sumariamente eliminados do vestibular.

No mesmo ano, 162 alunos foram julgados pelo tribunal “racial” da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e condenados pelo mesmo crime.

Este ano, quantos mais serão? Até quando o Ministério Público vai permitir esse horror? Estudantes estão sendo punidos pela cor da pele.

Isso é racismo.

ALI KAMEL é jornalista.
E-mail:
ali.kamel@tvglobo.com.br.

domingo, 22 de junho de 2008

Na Índia, a batalha do guru da ioga contra vícios do Ocidente

Na Índia, a batalha do guru da ioga contra vícios do Ocidente

Baba Ramdev é convocado pelo governo, preocupado com estresse e consumo crescente de fast-food, cigarro e bebida

Florência Costa
Correspondente
O Globo, O Mundo, página 42, em 22/06/2008.

NOVA DÉLHI. Baba Ramdev, o mais badalado guru da ioga no mundo, é a mais poderosa arma do governo indiano na guerra contra a fast-food, o álcool e o cigarro. Os vícios conquistaram a classe média indiana (cerca de 350 milhões de pessoas) a partir da liberalização da economia nos anos 90.

Hoje há uma verdadeira epidemia de obesidade, doenças cardíacas, diabetes, entre outras doenças. Segundo o Centro de Estudos de Saúde de Bangalore, até 2010 cerca de 60% dos pacientes com problemas cardíacos do mundo estarão concentrados na Índia.

Doenças relacionadas ao cigarro tiram a vida de 1 milhão de indianos por ano, no país onde 120 milhões de pessoas são fumantes.

Com um cenário tão preocupante, o governo decidiu pedir socorro ao chamado “messias da ioga”. Ele promete, através de seus métodos, uma vida saudável, sem estresse ou doenças.

O acordo foi selado na casa do ministro da Saúde, Anbumani Ramadoss. Os dois vão trabalhar para propagar a ioga.

— A Índia tem um quarto da população infantil mundial. Se essas crianças continuarem comendo fast-food e refrigerante vai ser devastador para o futuro do país, com número recorde de doenças — explicou o ministro, que quer fazer o governo obrigar escolas públicas e privadas a dar aulas de ioga.

Apoio contra o fumo em Bollywood Com o apoio do guru, o ministro da Saúde ganhou aliado poderoso contra estrelas de Bollywood que costumam aparecer fumando nas telas.

Estudo de 2005 mostra que se antigamente apenas vilões fumavam nas telas, hoje, em 70% dos filmes, heróis e mocinhas usam cigarros para mostrar que são independentes e glamourosos.

A milenar ioga já está começando a fazer a cabeça de soldados do Exército indiano e policiais de algumas cidades, que já estão se submetendo ao tratamento de Baba Ramdev para perder peso e ganhar resistência.

Apesar de ter nascido na Índia, a ioga não fazia parte do dia-a-dia dos indianos até a década de 80, trazida de volta pelos ocidentais após a onda hippie dos anos 70.

Mas só recentemente a ioga começou a se fortalecer novamente do país, e de forma intensa.

— A Índia pode se tornar uma potência mundial através da ioga.

A revolução vai começar pela ioga — costuma dizer Baba Ramdev, que treinará cem mil professores para atuar em 600 mil vilarejos rurais, onde está concentrada 70% da população.

A aliança entre Baba Ramdev e o ministro Ramadoss chamou atenção. Os dois tiveram recentemente um bate-boca devido às polêmicas afirmações do guru, que também propaga a medicina alternativa indiana ayurveda (com remédios a base de ervas).

O nó da briga são as pregações de Baba Ramdev contra a medicina, e as polêmicas afirmações de que a ioga pode curar um imenso leque de doenças, de acne até câncer e AIDS.

Baba Ramdev é uma figura polêmica e costuma comprar brigas. Uma parlamentar comunista chegou a acusar sua empresa, de manipulação de remédios ayurvédicos, de usar ossos humanos como ingredientes e também testículos de animais em remédios contra impotência.

Mas a acusação não foi comprovada.

Hoje, o ministro é só elogios ao guru: — Ramdev está fazendo um fantástico trabalho de propaganda e está cientificamente comprovado que a ioga faz bem para a saúde.

O guru indiano já está de olho na vizinha China como novo território para estender seus centros de ioga: —ioga não é religião. Não há melhor alternativa à espiritualidade para um país comunista do que a ioga — justificou o pragmático guru.

Como os princípios judaico-cristãos podem unir os EUA?

Anne-Marie Slaughter e Tod Lindberg*
International Herald Tribune, em 22/06/2008.

Falando ao país na noite em que assegurou a indicação democrata, Barack Obama rejeitou o tipo de política que "usa religião como uma cunha e patriotismo como uma clava". Suas palavras acentuam a forma como a fé novamente se tornou uma força divisora na política americana.

Com um foco intenso em pregadores controversos e em casos onde a doutrina religiosa parece dividir os eleitores, mais notadamente nas questões de aborto e homossexualidade, nós perdemos de vista as formas com que o retorno aos valores fundadores dos Estados Unidos -incluindo a fé- podem novamente nos unir diante de problemas comuns.

Os fundadores dos Estados Unidos acreditavam que a fé religiosa era compatível com outros valores estimados: liberdade, democracia, justiça, igualdade, tolerância e humildade.

De fato, humildade e fé caminhavam de mãos dadas; homens como George Washington e Thomas Jefferson eram altamente conscientes de seu pequeno papel no mundo diante de uma força maior. E com a mesma freqüência com que políticos invocam o discurso "cidade na colina" do governador Winthrop aos puritanos, eles esquecem a última frase de Winthrop: faça justiça, ame a piedade e caminhe humildemente com seu Deus.

Para muitas pessoas de fé naquela época e agora, a justiça terrena era e é apenas uma imitação pálida da justiça divina. Mas de fato é uma imitação, no sentido mais sincero. A revelação divina vem com um código de conduta para a vida terrena.

Algumas pessoas de fé cristã tentam entender o que devem fazer se fazendo a pergunta: "O que Jesus faria?" Esta não é necessariamente uma abordagem ruim, mas não é o que temos aqui. A tradição judaico-cristã que serve de base e inspira a experiência americana ensina a virtude da participação em uma comunidade de mentalidade semelhante de boa vontade, uma que estende a oferta de participação a outros dispostos a agir de acordo com seus princípios.

Mas quais são esses princípios? Nós devemos nos preocupar não apenas com nós mesmos, mas com os outros. Nós devemos oferecer ajuda aos menos afortunados. Nós não devemos ser tão impiedosos em nossos julgamentos a ponto de ignorarmos nossas próprias falhas, que temos que nos esforçar para consertar.

Nós devemos tratar os outros da forma como desejamos ser tratados se estivéssemos no lugar deles. Nós devemos considerar o valor que damos a nossas próprias vidas como sendo o valor das vidas dos outros em nossa comunidade. Nós devemos estar dispostos a fazer sacrifícios pessoais em prol do bem desta comunidade de boa vontade e da extensão dos benefícios que proporciona aos outros.

Estes temas são recorrentes em algumas das passagens mais profundas do Velho e Novo Testamento. O fato do primeiro capítulo do Gênesis descrever os seres humanos como tendo sido criados à imagem de Deus há muito é visto como impondo obrigações às pessoas, não apenas em relação ao seu criador, mas também em relação ao próximo.

Nós precisamos reconhecer as formas com que o cristianismo e outras tradições religiosas apóiam ou mesmo governam estes princípios modernos de liberdade, justiça, tolerância e igualdade. Estes valores são as fundações de uma sociedade baseada na busca do bem comum para todos os membros da comunidade - tanto amigos quanto estranhos.

As pessoas religiosas podem agir de acordo com estes princípios pelo desejo de uma recompensa celestial (ou temor de punição divina). Mas também há recompensa neste mundo quando as pessoas agem de acordo com estes princípios. É o estabelecimento de sociedades e instituições políticas baseadas não no princípio de que o forte deve mandar no fraco em benefício do forte, mas no respeito que as pessoas têm pelo próximo quando reconhecem os direitos do outros e as obrigações em relação aos outros que os acompanham.

Um aspecto da genialidade destes arranjos é que eles estendem uma mão de boas-vindas para aqueles de tradições religiosas diferentes ou de nenhuma para se juntarem à comunidade de boa-vontade, o que não exige a adoção da tradição religiosa da qual deriva, mas sim a aceitação das obrigações em relação ao próximo.

Este entendimento da fé unifica em vez de dividir. Ele abre espaço para aqueles de muitas fés e para aqueles de nenhuma fé se unirem em torno de princípios morais de conduta tanto em casa quanto no exterior. Estes princípios não são generalizações abstratas, mas apontam para certas posições muito específicas de política externa. Eles exigem, por exemplo, que os Estados Unidos façam tudo o que puderem para impedir a matança em Darfur -o deslocamento, estupro e massacre de seres humanos por forças apoiadas pelo seu próprio governo.

Eles exigem um esforço determinado e incansável para buscar um mundo sem armas nucleares, livre da possibilidade horrível da incineração de milhões de seres humanos em um ataque nuclear.

E eles exigem uma reação à possibilidade de uma elevação do nível dos mares inundar ilhas e países do outro lado do mundo como sendo um problema em comum, da mesma forma como aceitamos nossa responsabilidade pelo mundo que poderemos legar aos nossos próprios filhos.

Nem sempre será fácil agir com base nestes princípios. Eles às vezes entram em conflito com outras considerações importantes em um mundo onde o poder político continua sendo um fato da vida.

Mas nós nunca devemos abandoná-los, e nunca devemos nos perguntar quão pouco precisamos fazer visando dizer que agimos de acordo com eles ou os levamos em consideração. Em vez disso, nós devemos nos perguntar quão mais podemos fazer. Enquanto existir uma lacuna entre o que fizemos e o que permanece possível, nós devemos agir para preenchê-la.

As pessoas também continuarão discordando em torno dos melhores métodos para buscar estes princípios, em termo de políticas, personalidade e partido político. Nós mesmos não votaremos nos mesmos candidatos em novembro.

A história do mundo está repleta de assassinatos inspirados pela fé; assim como nossa atual política americana freqüentemente coloca os devotos de uma fé contra os de outra em um combate menos sangrento, mas não menos ardoroso. Nós todos já ouvimos retóricas divisoras vindas do púlpito e não podemos deixar de notar a arrogância que freqüentemente parece estar por trás delas, em vez da humildade apropriada.

Mas este certamente não é o único tipo de fé. A fé de nossos fundadores, e a genialidade do sistema que a fé deles ajudou a inspirar, pode também elaborar uma política de propósito moral comum. Está aberto a todos nós escolher qual é o melhor caminho.

*Anne-Marie Slaughter é reitora da Escola Woodrow Wilson da Universidade de Princeton e autora de "The Idea that is America: Keeping Faith with Our Values in a Dangerous World". Tod Lindberg é editor da "Policy Review" e autor de "The Political Teachings of Jesus".

Tradução: George El Khouri Andolfato

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pão trançado judaico é cercado de rituais e simbolismos; veja receita

VIVIAN RETZ
Editora de Multimídia da Folha Online, em 20/06/2008.

O modo de trançar é o segredo da challah. O pão judaico, que se pronuncia "ralá", é consumido durante cerimônia realizada no dia do descanso semanal sagrado, às sextas-feiras, após o pôr-do-sol. Veja vídeo com modo de preparo.

A culinária judaica é assim, sempre acompanhada de rituais. Não se deve, por exemplo, misturar leite e carne. Essa tradição é baseada na lei de Moisés que diz: "não comer o bezerro no leite da mãe".

Também só podem ser consumidos animais de quatro patas e que tenham casco fendido. Acredita-se que o casco que o separa da terra demonstra que sua ligação com o chão onde pisa não é demasiada. Assim, gados e carneiros estão liberados para os judeus.

A chef Simone Chevis ensina a receita do pão tradicional, de preparo rápido e fácil. No entanto, a forma de trançá-lo exige um pouco de prática.

O leite não faz parte dos ingredientes, pois isso impediria o consumo com carnes, servidas nas cerimônias do Shabat. "A challah é um pão simbólico do povo judeu que consumimos na sexta-feira, à noite, durante o Shabat. É uma cerimônia religiosa que marca o final da semana e o início do dia do descanso. Na Bíblia, conta-se que Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo ele descansou", explica a chef.

O ritual começa com as velas, que devem ser acesas pelas mulheres. No jantar, o pão deve ser cortado com as mãos e distribuído entre os presentes.

Challah
Rendimento: 2 pães

Ingredientes
- 1 pacote de fermento seco biológico ou 1 colher (sopa)
- 1/2 xícara (chá) de açúcar
- 5 ovos
- 1/2 xíc. (chá) de óleo
- 1/2 xíc. (chá) de uvas-passas
- 7 a 9 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 e 3/4 xíc. (chá) de água morna
- 1 pitada de sal
- Gergelim para polvilhar

Modo de preparo
Em um refratário, coloque a água morna, o fermento e o açúcar. Misture com a mão ou com uma espátula. Junte uma pitada de sal, quatro ovos (em temperatura ambiente) e o óleo. Adicione a farinha aos poucos. Coloque as uvas-passas quando a mistura estiver quase a ponto de soltar das mãos. Deixe a massa crescer por cerca de uma hora em um recipiente untado com óleo. Divida a massa em seis pedaços, molde-os e depois basta trançá-los (veja como fazer). Leve ao forno (180ºC) por 30 minutos.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um estudo sobre a pedagogia espírita e seus pressupostos filosóficos

Euripedes Barsanulfo: um educador espírita na Primeira República
Autor:
Rafael dos Santos Pereira
Monografia apresentada à Faculdade de Educação da Unicamp, sob a orientação do Prof. Dr. Sílvio Ancízar Sanches Gamboa (DEFHE), para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia.
Data de defesa:
2006.
Resumo: Esta monografia, que se constitui num trabalho de conclusão de curso da graduação em pedagogia na Unicamp, visa realizar um estudo sobre a pedagogia espírita e seus pressupostos filosóficos, dando voz à pedagogia espírita e seus autores, com o intuito de proporcionar uma reflexão mais profunda sobre as concepções filosóficas e educacionais que permeiam as pedagogias. Também é objetivo desse trabalho refletir sobre a superação do conflito secular entre as Pedagogias da Essência e as Pedagogias da Existência. Para tal utilizamos como método a pesquisa bibliográfica, analisando e refletindo sobre a bibliografia básica dessa pedagogia e sobre a obra do pedagogo polonês Bogdan Suchodolski (1903-1992), a Pedagogia e as grandes correntes filosóficas (Livros horizonte, 1992).

Veja mais:

Euripedes Barsanulfo: um educador espírita na Primeira República

Euripedes Barsanulfo: um educador espírita na Primeira República
Autor:
Alessandro Cesar Bigheto
Dissertação de mestrado em Historia, Filosofia e Educação (UNICAMP)
Orientador:
Sergio Eduardo Montes Castanho
Data de defesa: 22/02/2006.
Resumo: Este trabalho pretende resgatar, para a história da Educação Brasileira, a figura do educador espírita, mineiro, Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) fundador e diretor do Colégio Allan Kardec, (Sacramento), primeira escola espírita no Brasil. Mostra a especificidade da sua proposta, de educação ativa, gratuita e espiritualista, analisando suas heranças, práticas, contexto sociopolítico cultural e idéias pedagógicas do período. A metodologia se dá na pesquisa histórico-bibliográfica sobre os temas abordados e na pesquisa em fontes primárias (manuscritos, entrevistas com testemunhas, alunos e descendentes, artigos de jornal, retratos, fotos, Atas da Câmara Municipal de Sacramento etc.). Este trabalho pretende precisar os aspectos específicos da prática de Eurípedes no contexto de sua época e como iniciador de uma corrente nova de educação, com desdobramentos até hoje. Trata-se de mostrar sua contribuição, numa visão crítica da história, mas incorporando a perspectiva do discurso espírita, pois o que se esboça no primeiro momento da pesquisa é a originalidade da proposta pedagógica kardecista, iniciada por Eurípedes.

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Papa denuncia êxodo cristão da Terra Santa, Líbano e Iraque

Produzido pelos conflitos no Oriente Médio

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 19 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI denunciou o êxodo dos cristãos da Terra Santa, do Líbano e do Iraque, por causa da situação de instabilidade e violência que se vive nesses países.


Ao mesmo tempo, exigiu o respeito da liberdade religiosa, ao receber nesta quinta-feira no Vaticano os participantes da reunião da Reunião das Obras para a Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO).


O Papa dirigiu «um chamado aos responsáveis das nações para que se ofereça ao Oriente Médio, e em particular à Terra Santa, Líbano e Iraque, a esperada paz e a estabilidade social no respeito dos direitos fundamentais da pessoa, inclusive uma liberdade religiosa que seja real», afirmou.


«A paz é o único caminho para enfrentar também o grave problema dos refugiados e para deter a emigração, em particular a cristã, que fere profundamente as Igrejas orientais», afirmou o pontífice.


O Papa encomendou sua preocupação e anseios ao Beato João XXIII, «amigo sincero do Oriente e Papa da encíclica ‘Pacem in terris’».

Bento XVI invocou «a celestial intercessão da Rainha da Paz».

Jerusalém pertence a quem? (lançamento de livro)


Lançamento do livro Jerusalém pertence a quem? – Análise do conflito israelense-palestino à luz do Direito Talmúdico, do Direito Islâmico e do Direito Internacional Público, no dia 27 de junho de 2008, às 19 horas, na Livraria Cultura (Paço Alfândega, Recife Antigo).


Haverá palestra e debate, com a participação do Prof. Dr. Michel Zaidan (CFCH/UFPE) e a Profa. Dra. Ângela Calábria (FDR/UFPE), tendo como mediador o jornalista Homero Fonseca (Revista Continente Multicultural), além de representantes das comunidades judaica e islâmica.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O diálogo interreligioso hoje, segundo Bento XVI

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 17 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI pronunciou aos participantes da assembléia plenária do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso, no dia 7 de junho passado.


Eminência
Prezados Irmãos Bispos

Senhoras e Senhores


É-me grato dispor desta oportunidade de me encontrar convosco, no encerramento da 10ª Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. Faço extensivas as minhas cordiais saudações a todos vós que participais nesta importante reunião. Agradeço de forma particular ao Cardeal Jean-Louis Tauran, as suas amáveis palavras.


"Diálogo in veritate et caritate: orientações pastorais" este é o tema da vossa Assembleia Plenária. Estou feliz por saber que durante estes dias vós procurastes alcançar uma compreensão mais profunda da aproximação da Igreja católica em relação às pessoas de outras tradições religiosas. Considerastes a finalidade mais vasta do diálogo para descobrir a verdade e a sua motivação, que é a caridade, em obediência à missão divina confiada à Igreja por nosso Senhor Jesus Cristo.


Na inauguração do meu Pontificado, afirmei que "a Igreja deseja continuar a construir pontes de amizade com os seguidores de todas as religiões, com a finalidade de buscar o bem autêntico de todas as pessoas e da sociedade no seu conjunto" (Discurso aos Delegados das outras Igrejas e Comunidades eclesiais e das outras Tradições religiosas, 25 de Abril de 2005). Através do ministério dos Sucessores de Pedro, inclusivamente da obra realizada pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, e mediante os esforços levados a cabo pelos Ordinários locais e pelo Povo de Deus no mundo inteiro, a Igreja continua a ir ao encontro dos seguidores das diferentes religiões. Deste modo, ela dá expressão daquele desejo de encontro e de colaboração na verdade e na liberdade. Segundo as palavras do meu venerável Predecessor, Papa Paulo VI, a principal responsabilidade da Igreja é o serviço à Verdade "verdade sobre Deus, verdade sobre o homem e o seu destino misterioso e verdade sobre o mundo. Verdade difícil que nós procuramos na Palavra de Deus" (Evangelii nuntiandi,78).


Os seres humanos buscam respostas para algumas questões existenciais fundamentais: qual é a origem e o destino do ser humano? O que é o bem e o mal? O que espera o ser humano no final da sua existência terrena? Todas as pessoas têm o dever natural e a obrigação moral de procurar a verdade. Uma vez que a conhecem, têm o dever de aderir à mesma e de ordenar a sua vida em conformidade com as suas exigências (cf. Nostrae aetate, 1; e Dignitatis humanae, 2).


Dilectos amigos, "Caritas Christi urget nos!" (2 Cor 5, 14). É o amor de Cristo que impele a Igreja a alcançar todos os seres humanos, sem qualquer distinção, para além dos confins da Igreja visível. O manancial da missão da Igreja é o Amor divino. Este amor é revelado em Cristo e torna-se presente através da acção do Espírito Santo. Todas as actividades da Igreja devem ser imbuídas deste amor (cf. Ad gentes, 2-5; Evangelii nuntiandi, 26; e Diálogo e Missão, 9). Desta maneira, é o amor que impele cada um dos fiéis a ouvir os outros e a procurar áreas de colaboração. Ele encoraja os cristãos que participam no diálogo com os seguidores das outras religiões a proporem, mas não a imporem, a fé em Cristo, que é "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 16). Como disse nas minhas recentes Cartas Encíclicas, a fé cristã demonstrou-nos que "verdade, justiça e amor não são simplesmente ideais, mas realidades de imensa densidade" (Spe salvi, 39). Para a Igreja, "a caridade não é uma espécie de actividade de assistência social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência" (Deus caritas est, 25 a).


A grande proliferação dos encontros inter-religiosos no mundo inteiro exige um discernimento. A este propósito, observo com prazer que durante estes dias vós reflectistes sobre as orientações pastorais para o diálogo inter-religioso. Desde o Concílio Vaticano II, prestou-se atenção aos elementos espirituais que as diferentes tradições religiosas têm em comum. De muitas formas, isto tem contribuído para lançar pontes de entendimento através das fronteiras religiosas. Compreendo que, durante os vossos debates, considerastes algumas questões de preocupação prática nos relacionamentos inter-religiosos: a identidade dos participantes no diálogo, a educação religiosa nas escolas, a conversão, o proselitismo, a reciprocidade, a liberdade religiosa e o papel dos líderes religiosos na sociedade em geral. Trata-se de questões importantes, às quais os líderes religiosos que vivem e trabalham no meio de sociedades pluralistas devem prestar grande atenção.


É importante salientar a necessidade da formação para aqueles que promovem o diálogo inter-religioso. Se quisermos que seja autêntico, este diálogo deve ser um caminho de fé. Como é necessário que os seus promotores sejam bem formados nos respectivos credos, e bem informados a respeito do credo dos outros! É por este motivo que encorajo os esforços levados a cabo pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, em vista de organizar cursos de formação e programas de diálogo inter-religioso para os diferentes grupos cristãos, de modo especial para os seminaristas e os jovens nas instituições de ensino terciárias.


A colaboração inter-religiosa oferece a oportunidade para manifestar os mais elevados ideais de cada tradição religiosa. Assistir os enfermos, levar alívio às vítimas das calamidades naturais ou da violência, ajudar os idosos e os pobres: estes são alguns dos campos em que pessoas de diferentes religiões colaboram. Encorajo todos aqueles que são inspirados pelo ensinamento das respectivas religiões, a ajudarem os membros sofredores da sociedade.


Estimados amigos, no momento em que encerrais a vossa Assembleia Plenária, estou-vos grato pelo trabalho que realizastes. Peço-vos que transmitais a mensagem de boa vontade do Sucessor de Pedro ao vosso rebanho e a todos os nossos amigos das outras religiões. É de bom grado que vos concedo a Bênção Apostólica, como penhor de graça e de paz em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

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