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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Diálogo inter-religioso, valor emergente na Indonésia

Afirma o presidente da Conferência Episcopal, Dom Martinus

Por Nieves San Martín

ROMA, quarta-feira, 30 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Na Indonésia, o diálogo inter-religioso é um dos aspectos emergentes e foi apresentado como modelo. Deste e outros aspectos sociais e políticos falou em uma entrevista, publicada nesta quarta-feira por «L’Osservatore Romano», o presidente da Conferência Episcopal da Indonésia, Dom Martinus Dogma Situmorang.

Sobre a situação política e social do país, Dom Martinus Dogma afirma que existe um processo democrático em curso: «O Governo foi eleito diretamente pelo povo, pela primeira vez na história. Há muita esperança, portanto, na ação política, mas os resíduos negativos do passado em muitos campos, a mentalidade corrupta, os interesses econômicos dos partidos, a imensa vastidão da nação e o número tão elevado da população, com todos os problemas que isso comporta, exigem um grande esforço».

Acerca do papel da religião, o bispo indonésio sublinha que «é capaz de unir, de pacificar, de mover o conjunto de pessoas. Mas a religião, como fé e como força moral, não tem infelizmente muita incidência na vida diária de quem manda: isso se vê em seus comportamentos, não gostam de servir, mas de ser servidos e, por isso, há muita corrupção em todos os níveis».

Ainda assinala que «a religião é às vezes manipulada com fins políticos, para criar leis que discriminam os cidadãos».

O motivo de que a Indonésia tenha sido apresentada como modelo de diálogo inter-religioso está, em primeiro lugar, assegura Dom Martinus, em que «a maioria dos muçulmanos que vivem na nação é moderada. Os líderes islâmicos são moderados em geral, abertos e não muito ligados ao Oriente Médio, ou ao islamismo de teor político».

«O islamismo na Indonésia – acrescenta – é sobretudo cultura: a religião muçulmana formou a cultura popular em muitíssimas áreas do país. O diálogo inter-religioso na Indonésia é exemplar porque os muçulmanos, em geral, não monopolizam a vida social. Há esforços bastante honestos para viver como irmãos com os que pertencem a religiões e culturas diversas.»

Sugere que «se organizem encontros entre líderes religiosos para discutir as próprias relações entre as religiões, para afastar os conflitos abertos e perigosos e para reforçar a cooperação no campo da solidariedade com relação à população que sofre».

Ainda assim, reconhece que o diálogo «não é simples e não se dá sempre em todos os lugares e com o mesmo aprofundamento e a mesma fecundidade».

O Papa, por ocasião do encontro com o novo embaixador indonésio, sublinhou que é necessária uma constante vigilância por parte de todos para garantir a liberdade de religião aos católicos.

A este respeito, o bispo indonésio afirma que «não estamos no paraíso», mas «vivemos muito melhor que em outros países com maioria muçulmana. Temos certa liberdade e temos espaço para levar adiante os compromissos sociais humanitários, como forma da fé vivida, como serviço à humanidade».

Assinala o problema da acusação de proselitismo contra os cristãos, que «é freqüentemente usada para limitar seus movimentos», enquanto que a islamização por sua parte se realiza de forma muito clara. Outro problema é que, «nos últimos anos, muitos lugares de oração foram objeto de destruição e a concessão de permissões para construir novas igrejas se torna cada vez mais difícil».

Segundo o prelado indonésio, quanto ao futuro do país, «a Indonésia avança no caminho da modernização» e «é necessário um governo forte e democrático, com uma distribuição do poder clara que permita a guia e a direção do país e não perder energias, tempo e dinheiro em debates políticos que se manifestam como pouco educativos e formativos».

terça-feira, 29 de abril de 2008

Religião de mercado e exclusão

Autor Luiz Alexandre Solano Rossi


Um discurso teológico que estabelece a prosperidade e a vitória como sinal irrefutável da presença de Deus numa sociedade marcada acentuadamente pela pobreza, sofrimento e derrota, possui alguma relevância como discurso teológico para as igrejas?

O discurso que estabelece o espaço da vitória e, por conseguinte, da prosperidade como ambiente fundamentalmente divino não é uma concepção nova na história. A identificação da vitória com a verdade e a justiça alinhados ao lado dos que dominam pode ser encontrado, por exemplo, em Flavio Josefo quando narra o pronunciamento do general Agripa aos judeus numa tentativa de dissuadi-los a iniciar uma guerra contra o Império Romano:

Pois todos os que vivem debaixo do céu temem e honram as armas dos romanos, quereis vós fazer-lhes guerra? (...) Pois a quem tomareis por companheiros para a guerra? (...) Pois não há outra ajuda nem socorro senão o de Deus; mas a este também os romanos o têm, porque sem sua particular ajuda seria impossível que o império tal e tão grande permanecesse e se conservasse (Josefo, F. Las guerras de los judios. Tomo I, Barcelona:Clie, 1988, p. 258-260).

Estamos acostumados a pensar a partir da lógica dos vencedores e da vitória. Todos aqueles que morrem antes do tempo por causa da pobreza ou ainda de alguma doença facilmente curável é porque já estavam fadados à derrota. São vítimas porque são derrotados. São derrotados porque o Deus da vitória não se encontra ao seu lado. Nessa lógica, Deus se encontra ao lado daqueles que são vitoriosos em meio à uma multidão de derrotados. Essa parece ser a chave hermenêutica utilizada por Franz Hinkelammert quando, ao analisar o Messias de Handel sendo cantado pela primeira vez em Londres, associa-o também às tropas inglesas em marcha para a conquista da Índia. O messias caminha a passos largos para dominar as forças pagãs da Índia. Mas como bem conclui Franz (1995:158) "Jesus também estava na Índia, e todavia não estava ao lado desse Messias".

O próprio Deus passa a ser representado a partir da lógica daquele que detém o domínio sócio-econômico- político. A partir dessa leitura fundamental todas as outras leituras passam a ser consideradas inoportunas e heréticas. Nessa representação Deus sempre é exteriorizado como representante do rico, do dominador e do vitorioso. Agora, tanto o céu quanto a terra passam para o controle dos ricos e dominadores. Suas portas são severamente vigiadas e não é possível a entrada de qualquer um. A vítima deixa de ter direitos no céu como na terra. E a diminuição de seus direitos na terra é o mais justo reflexo da realidade celestial. Conseqüentemente, Deus não está mais ao lado dos pobres e excluídos. Ao contrário, está contra!

Estamos, portanto, diante de uma sociedade de mercado que produz uma religião de mercado. Sociedade e religião excludentes de ampla maioria de pessoas que se vêem derrotados e excluídos na sociedade de consumo. Mas, derrotados que não se calam. A partir das vítimas se questiona todo o edifício que o mercado está construindo e as relações sociais que está disseminando e impondo a todos. Certamente, são relações sociais vitimatórias e excludentes; são excludentes das grandes maiorias e produtoras de morte; negam a participação e o direito à vida para todos e não se orientam pelas necessidades da vida humana. As leis do mercado são vistas como leis que devem ser seguidas a qualquer custo. Leis religiosas. Leis consagradas.

Leis de Deus. Assim, qualquer realização da vida passa necessariamente pelo mercado. A vida passa a ser legitimada como verdadeira a partir do mercado. Fora do mercado não há possibilidade de vida e, portanto, de salvação. Por isso, quem não se ajusta é naturalmente excluído.

O sujeito excluído e sacrificado o é por imposição das leis de mercado. Não o é simplesmente porque se apresenta como pecador. Nas palavras de Hinkelammert (1995:139) "o sujeito sacrificado é transformado no indivíduo, que já não conhece salvação fora do mercado. Não tendo valor o ser humano como sujeito, não tem direitos a não ser no e através do mercado...Quando é vítima do mercado, é declarado culpado".

Na lógica da teologia do mercado não há espaço para a reivindicação da emancipação humana; uma reivindicação que requer a humanidade que lhe é constantemente negada pelo mercado. Sem dúvida, uma lógica do mercado. Nenhuma vítima pode ser autônoma. A vítima que postula a autonomia deixa de ser vítima. A vítima que deixa de ser vítima abandona o espaço da exclusão e requer a sua própria subjetividade e assim exige ser chamada de "ser humano". Ora, a partir do momento que a vítima encontra a sua humanidade, o mercado se encontra num espaço perigoso onde se sente pressionado e ameaçado. A emancipação humana passa a ser vista como um Lúcifer "quer ser como Deus e, ao querê-lo, transforma-se a si mesma em monstro demoníaco. Toda emancipação humana é apodada de luciférica". Temos, conseqüentemente, a absolutização do caos como elemento natural e constitutivo da sociedade. Natural são as leis do mercado que existem desde "antes da fundação do mundo". Assim, é tão natural que exista a vítima quanto é natural a existência do progresso. São vítimas necessárias para tornar possível um progresso. O sistema de normas que hoje se impõe à sociedade favorece o progresso. Para esse sistema tudo o que favorece o progresso é bom e necessário. Mas é necessário observar que a condição de vida que melhora não é a das vítimas, e sim das classes dirigentes. A porta de entrada para o progresso é rigidamente controlada pelo mercado. Somente entra quem tem condições de pagar.

Faz-se necessário uma mudança na maneira de visualizar a questão. Essa mudança pode muito bem ser iniciada por um jogo de perguntas muito bem colocadas por Moltmann. Diz ele que numa sociedade desestruturada socialmente, onde os sinais de miséria estão espalhados cronicamente por todos os lados a pergunta que se faz é basicamente a seguinte: "como Deus pode permitir isso?". Mas essa é a questão levantada a partir de um ângulo distorcido e unilateral. É a pergunta de quem assiste passivamente a morte de seus semelhantes; penalizado, sim; todavia, passivamente. Contudo, Moltmann (1997:33) propõe uma nova pergunta; esta sim a partir das vítimas e que lança um novo olhar sobre a realidade: "onde está Deus?". Pergunta da vítima que procura compreender Deus não a partir da vitória dos que a produziram. Ao contrário, esse questionamento sugere a compreensão de uma nova dimensão existencial, qual seja, a comunhão da divindade no sofrimento da vítima; comunhão solidária entre as vítimas produzidas pelo mesmo ambiente social de caos e de degradação humana; vítimas que se multiplicam; vítimas cada vez mais numerosas e cada vez mais pobres.

Bibliografia
HINKELAMMERT, F. Sacrifícios humanos e sociedade ocidental: lúcifer e a besta. São Paulo, Paulus, 1995.

MOLTMANN, J. Quem é Jesus Cristo hoje? Petrópolis: Vozes, 1997.

Extraído de:
Revista Espaço Acadêmico, número 58, março de 2006.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Espiritismo Progressista: Pensamento e Ação de Rino Curtis

Espiritismo Progressista: Pensamento e Ação de Rino Curtis
de Lang, Alice B. Da S.g. & Janotti , Maria De Lourde
Editora Nobel
Sinopse: O pensamento e a ação de Rino Curti mostram o caráter evolutivo da doutrina espírita, concebida como fé raciocinada que compatibiliza ciência, filosofia e religião. Fundou a Coligação Espírita Progressista – CEP e escreveu inúmeros livros para a divulgação do espiritismo. Seu trabalho, apoiado especialmente na revelação de espíritos que se manifestaram pela mediunidade de Chico Xavier e Divaldo Franco, ajudou a atualizar o espiritismo dos séculos XIX e XX e a preparar suas bases para o século XXI

domingo, 27 de abril de 2008

As Religiões do Mundo

1 - Cristianismo: O cristianismo é a maior religião do mundo, com mais de 2,1 bilhões de seguidores e mais de 33 mil seitas. Um terço dos seres humanos pertence a alguma das seis grandes tradições cristãs.

1.1 - Tradições cristãs – % total de cristãos – 2006

  • Católicos – 49,5 %
  • Independentes – 19 %
  • Protestantes – 16,7 %
  • Ortodoxos – 16,7 %
  • Anglicanos – 3,6 %
  • Cristãos marginais – 1,5 %

1.2 – Catolicismo: A Igreja Católica é a maior das denominações cristãs, com mais de 1 bilhão.

Confira no quadro, o peso do catolicismo entre as principais religiões do mundo.

1.3 - Independentes: Uma das tendências que despontam no cristianismo é a expensão dos movimentos independentes. Sempre houve a histórica tradição de membros de uma Igreja a deixarem por causa de divergências sobre autoridade, estrutura ou modo de vida e formarem outros grupos cristãos. Com o tempo, muitos desses se tornaram correntes dominantes, caso do luteranismo ou do metodismo, por exemplo. Os “independentes” de hoje seguem aquela tradição na busca de uma autoridade e de um estilo de vida adequados às crenças e, muitas vezes, à identidade cultural e étnica deles. Algumas seitas na periferia do cristianismo organizado mais convencional são chamadas de “cristãos marginais”.

Contingente dos maiores movimentos independentes – 2006. Cerca de 19% de todos os cristãos são filiados a igrejas independentes – grupos que desenvolveram vida eclesiástica independente do cristianismo histórico organizado. Esse contingente passou de 348 milhões de fiéis em 1995 para quase 443 milhões em 2006.

  • Carismáticos das igrejas domésticas cristãs – 35,8 milhões
  • Batistas independentes – 27, 5 milhões
  • Pentecostais africanos independentes – 18,9 milhões
  • Carismáticos brancos – 17,5 milhões
  • Pentecostais brasileiros e portugueses – 15,9 milhões
  • Apostólicos africanos independentes – 13,5 milhões
  • Hindus que crêem em Jesus – 10,6 milhões
  • Africanos sionistas independentes – 10,1 milhões

2 - Islamismo: Há 1,34 bilhão de muçulmanos, ou 20% da população mundial. O islamismo é a religião oficial de 25 países.

3 – Hinduísmo: O hinduísmo é a terceira maior religião do mundo, com mais de 950 milhões de seguidores. Quase todos vivem na Ásia meridional, a maioria deles na Índia, onde são mais de 80% da população.

4 – Budismo: Mais de metade da população mundial vive em países nos quais o budismo é ou já foi dominante. Durante o século 20, o budismo foi mais reprimido do que em qualquer outra época. Os budistas constituem quase 6% da população mundial.

5 – Judaísmo: Há mais de 13 milhões de judeus no mundo, e mais de 5 milhões deles vivem em Israel.

5.1 – Onde estão os judeus: Participação dos países (%) na população judaica mundial – 2005

  • EUA – 40,5 %
  • Israel – 40,2 %
  • Outros – 5,1 %
  • França – 3,8 %
  • Canadá 2,9 %
  • Reino Unido – 2,3 %
  • Rússia – 1,8 %
  • Argentina – 1,4 %

6 – Siquismo: São 24 milhões de siques no mundo. Mais de 90% vivem na Índia, sobretudo no Punjab.

7 – Crenças Tradicionais: No mundo, há mais de 250 milhões de seguidores das chamadas crenças tradicionais. Existem também muitos que são membros de uma das grandes religiões e, ao mesmo tempo, continuam a manter crenças tradicionais locais.

8 – Novos Movimentos Religiosos: Novos movimentos religiosos são grupos religiosos ou espirituais não oficialmente reconhecidos como seitas nem Igrejas estabelecidas, mas a definição que se deve a dar a eles é dos temas mais controversos no campo dos estudos religiosos.

9 – Novos Começos: à medida que as religiões nativas se disseminaram, elas se fundiram com tradições encontradas pelo caminho. Outras tradições reviveram, criando novas identidades ou fortalecendo antigas.

10 – Indecisos e Descrentes: Mais de 10 % dos seres humanos dizem não seguir nenhuma religião. Muitos estão indecisos, mas alguns são ateus, que negam a existência de Deus.

Informações extraídas de:
O´BRIEN, Joanne e PALMER, Martin. O atlas das religiões. O mapeamento completo de todas as crenças. São Paulo: PubliFolha, 2008.

Veja mais em:


Eurocentrismo e racismo nos clássicos da filosofia e das ciências sociais (Walter Praxedes)

Realizar uma pesquisa para encontrar aspectos eurocêntricos e racistas nas obras dos mais reconhecidos pensadores considerados clássicos chega a ser uma tarefa simples. O problema é que geralmente esta não é uma preocupação dos estudiosos e dos professores universitários. Em conseqüência, nos cursos de licenciatura e de bacharelado para a formação de novos professores e pesquisadores, os acadêmicos passam anos estudando os autores para aprender a contribuição original de cada um para o conhecimento "universal", atribuindo possíveis deslizes etnocêntricos como próprios do contexto intelectual de produção das obras. >>> Veja mais em, Revista Espaço Acadêmico, número 83, emnsal, abril de 2008.

EUA criam cartilha sobre extremismo islâmico

Governo quer que seus agentes evitem citações que legitimem, entre os muçulmanos, ações terroristas

DA ASSOCIATED PRESS

O governo dos EUA abriu mais um fronte na luta contra o terrorismo, desta vez no campo da lingüística. Funcionários de agências federais americanas como o Centro Nacional de Contraterrorismo e os departamentos de Estado e da Segurança Interna estão sendo instruídos a alterar seu linguajar quando se referirem ao extremismo islâmico.

O objetivo dos documentos com instruções que estão circulando pelas agências é evitar que membros do governo empreguem em seu discurso termos que acabem por aumentar o apoio aos radicais entre as comunidades árabe e muçulmana. Tal efeito poderia ser produzido por palavras que dão aos extremistas um verniz de credibilidade religiosa ou por qualificações que ofendam os moderados, argumentam os criadores dos guias.

Membros do governo americano podem estar "involuntariamente passando a imagem de que os terroristas, que não possuem moral nem legitimidade religiosa, são bravos guerreiros, soldados legítimos ou porta-vozes dos muçulmanos comuns", afirma trecho de "Terminologia para Definir Terroristas: Recomendações de Muçulmanos Americanos", um relatório do Departamento de Segurança Interna.

O guia -um dos que foram produzidos por diplomatas e outros membros do governo incumbidos da tarefa de explicar a campanha antiterror dos EUA para o público- trata também do termo "jihad". Afirma que, enquanto os americanos podem entender "jihad" como sinônimo de guerra santa, a palavra abrange um conceito islâmico mais amplo, que envolve esforço visando o bem.

Consta num memorando intitulado "Palavras que Funcionam e Palavras que não Funcionam: um Guia para a Comunicação Contraterrorista" que "não é o que você diz, mas o que eles escutam" que conta. Esse mesmo memorando, aprovado recentemente pelo Departamento de Estado para uso diplomático, aconselha ainda seus leitores a não reagirem quando o terrorista saudita Osama bin Laden ou outra pessoa da Al Qaeda falar, para não "aumentar o prestígio deles no mundo muçulmano".

Outras recomendações do memorando incluem o uso dos termos "extremista violento" e "terrorista" em vez de "jihadista" e "mujahedin" [aquele que faz a jihad]. Palavras como "islamo-fascismo" também devem ser evitadas, pois "são consideradas ofensivas por muitos muçulmanos". Esse guia de "comunicação contraterrorista" visa, segundo palavras impressas nele, orientar as conversas de seus usuários com muçulmanos e a mídia.

Extraído de:
FSP, em 26/04/2008.

sábado, 26 de abril de 2008

Ato Inter-religioso marca Centenário da Arquidiocese de SP

Ato Inter-religioso marca Centenário da Arquidiocese de SP
A Arquidiocese de São Paulo, através da Casa da Reconciliação, promoveu nesta quarta-feira um Ato Inter-religioso em comemoração ao seu Centenário. Realizado no Mosteiro de São Bento, teve como tema `O Sagrado e a Dignidade Humana na Metrópole`. O arcebispo Dom Odilo Scherer resumiu a história dos cinco cardeais que São Paulo teve nestes 100 anos e suas principais obras e enfatizou que conforme `desejo e missão de todas as religiões Deus habita essa cidade. O sagrado não é estranho à cidade dos homens. Devemos ajudar a cidade de São Paulo a ser digna de Deus e de todos que nela habitam`.

Rabino Schlesinger, da CIP, falou pelo judaísmo
O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP) falou pelo judaísmo, cuja comunidade presente com o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Boris Beer, o vice-presidente executivo Ricardo Berkiensztat, a presidente da CIP, Dora Brenner, rabino Henry Sobel, rabino Alexandre Leone, e Edgar Lagus e Lia Bergmann, da B´nai B´rith do Brasil. Schlesinger falou que `o sagrado inspira medo e encantamento, traz bênçãos, proteção e amor e somente pelos atos pode-se atingir a santidade. Vivemos em uma cidade com um profundo abismo social`, e lembrando que celebramos Pessach nesta semana, concluiu: `saibamos exercitar nossa liberdade de unir forças para transformar essa cidade, tornando-a cada vez mais sagrada`.

Hinduístas, budistas, judeus, muçulmanos, católicos, espíritas...
Durante as comemorações o monge Joshin, do budismo Zen, representando a Monja Coen, ressaltou que `a sacralidade depende de cada um de nós`, na atuação pela inclusão social, justiça e respeito ao ser humano na diversidade.`, lembrando que a religião de origem japonesa, começou também há 100 anos em São Paulo. Diversos religiosos fizeram uso da palavra, como o abade Dom Mathias Tolentino Braga, que deu as boas vindas a todos, Mohamed Abdullah al Mugrabi, do Centro Islâmico de São Paulo, mãe Aparecida da Umbanda, mãe Carmem de Oxum da Nação Ketu, Pde. José Bizon, da Casa da Reconciliação e da Comissão do Diálogo Católico-Judaico da CNBB, organizador do evento, entre outros. Sheik Mohamed Ragip (Ordem Sufi) e Luciana Ferraz (Brahma Kumaris – hinduismo) falaram em nome da URI – Iniciativa das Religiões Unidas. O evento foi entremeado de apresentações musicais, incluindo uma oração da Bíblia judaica e canções indígenas.

Extraído de:
BB Press,em 25/04/2008.
Edição:
Lia Bergmann - Assessora de Direitos Humanos e Comunicações da B´nai B´rith do Brasil.


sexta-feira, 25 de abril de 2008

O paladino dos hereges: a defesa dos cristãos-novos e judeus pelo Padre Antônio Vieira

O paladino dos hereges: a defesa dos cristãos-novos e judeus pelo Padre Antônio Vieira
Autor: Salomão Pontes Alves
Dissertação de mestrado em História (UFF)
Data da defesa: 24/08/2007.
Resumo: O presente trabalho é uma continuação e aprofundamento da minha monografia de final de curso, concluída sob o título de "Portugal, judeus e cristãos novos na vida do Padre Antônio Vieira", no ano de 2004, sob a orientação do professor Ronaldo Vainfas. Figura extremamente instigante e sedutora, Vieira foi objeto de estudo de intelectuais de diversas áreas das ciências humanas, sempre tendo aspectos inovadores sendo abordados. No que diz respeito ao presente trabalho, trabalharemos a defesa do insigne jesuíta aos cristãos-novos e judeus no reino de Portugal, característica por demais notada em todos os estudos a seu respeito. Entretanto, a maioria dos trabalhos que tratam desta característica da vida do padre valorizam muito o seu aspecto econômico em detrimento de outros. Desta maneira buscaremos relacionar esta defesa aos aspectos econômicos, os quais são inegáveis, mas também buscaremos mostrar que ela o extravasa, estando relacionada também ao seu pensamento profético-messiânico, que pregava um destino glorioso português, fazendo eco uma tradição que foi construída em Portugal ao longo dos séculos.

Bezerra de Menezes: o filme

Está chegando o longa-metragem passado no século XIX, realizado com a mais avançada tecnologia digital e filmado em 35 mm, o filme Bezerra de Menezes, o médico dos pobres. No papel principal, o ator Carlos Vereza e um grande elenco.

Chamada de artigos: Revista Horizonte: Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião (PUC-MG)

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE TRABALHOS 2008

Revista Horizonte, publicação semestral da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), com o objetivo de veicular trabalhos científicos que contribuam para o avanço da pesquisa, especialmente, nas áreas das Ciências da Religião e da Teologia, a formação acadêmica crítica e integral, aberta ao diálogo, à perspectiva interdisciplinar e à pluralidade de idéias, faz sua CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO em 2008.

Horizonte publica trabalhos na forma de artigos, comunicações, resenhas e notas bibliográficas, traduções, entrevistas, estudo de casos e resumos de dissertações e teses. A revista é bilíngüe e publica textos inéditos em português e espanhol. Trabalhos em outras línguas, se forem aceitos, serão traduzidos para o português.

Os trabalhos serão selecionados a partir de sua originalidade, relevância e qualidade metodológica e científica e de sua adequação às normas da ABNT e da Editora da PUC Minas. O teor de conteúdo e a exatidão das citações são de inteira responsabilidade dos autores.

Horizonte encontra-se indexada no IBICT-CCN, HELA, CLASE, ICAP, SUMÁRIOS e LATINDEX.

Suas edições são publicadas em papel e também se encontram on line no site da PUC-Minas, no link Editora/Publicações eletrônicas.

CHAMADAS PARA TRABALHOS NOS PRÓXIMOS NÚMEROS

  • Vol. 6, n. 12 – 1º sem. 2008. Prazo de entrega: até o dia 15 de junho de 2008.
  • Vol. 7, n. 13 – 2º sem. 2008. Prazo de entrega: até o dia 31 de outubro de 2008.


Teólogos trabalham para um Euro-Islã

Importantes acadêmicos muçulmanos estão estabelecendo as fundações teológicas para um "Euro-Islã", que conciliaria sua religião com os desafios da modernidade. Mas quão compatível é o Islã com os valores seculares ocidentais?

Dieter Bednarz e Daniel Steinvorth

O ar na sala de conferência está viciado e o clima sério entre os presentes não é muito melhor. A sala cheira a suor, fumaça de cigarro, café frio -e muitos problemas. Isso vem com o território, em um encontro de cerca de 100 assistentes sociais que trabalham em pontos críticos como os distritos de Hounslow, Eastleigh e Ealing de Londres.

Em seus distritos eles freqüentemente precisam lidar com gangues jovens furiosas, desemprego e políticas de integração fracassadas. Hoje, nesta data em particular, eles se reuniram aqui no grande salão do centro de conferências Holborn Bars para aprender que o multiculturalismo também tem aspectos positivos e, mais importante, que ninguém precisa ter medo dos muçulmanos.

No palco, Lucy de Groot, a organizadora do seminário, com duração de um dia, "Diversidade Cultural e Coesão Social", apresenta "com grande prazer" um palestrante cuja simples aparição é suficiente para adicionar um toque de brilhantismo a esta sala de conferência soturna. Sorrindo aqui e acenando acolá, o "estimado convidado" sobe ao palco com a confiança de um entertainer acostumado ao sucesso. Tariq Ramadan sabe como conquistar as pessoas.

Muitos dos assistentes sociais veteranos apresentam uma expressão quase extasiada em seus rostos ao olharem para o homem alto e magro. Com seus traços marcantes e barba escura bem aparada, seu terno cor de areia com sua elegante casualidade, o colarinho desabotoado de sua camisa amarela e sua tez ligeiramente escura, Ramadan lembra um cantor latino. "É maravilhoso estar em Londres", ele diz calorosamente ao microfone. "Muito obrigado por me convidarem." Ramadan une as pontas dos dedos de suas mãos bem cuidadas e olha confiantemente para a platéia. Seu fã clube certamente estará ainda maior após esta tarde.

Oficialmente, Ramadan, 45 anos, é um professor de estudos islâmicos em Genebra. Mas agora ele acabou de vir de Oxford, onde leciona no Saint Antony's College como professor visitante. Na prática, Ramadan é uma espécie de pregador itinerante moderno. Sua missão é estimular a autoconfiança dos muçulmanos da Europa e explicar sua visão de um "Islã europeu" para a elite cristã da Europa. A nova variedade da fé que, segundo Ramadan, "está atualmente ganhando forma entre os muçulmanos europeus como uma cultura islâmica-européia", visa conciliar os valores ocidentais com os ensinamentos do Islã. Este "Euro-Islã" permitiu a Ramadan fazer amigos entre os filhos de imigrantes e defensores do diálogo inter-religioso -e fazer inimigos entre os nacionalistas de extrema direita e os islamitas linhas-duras.

Ramadan já fez milhares de apresentações ao longo dos últimos dois anos, falando para uma grande variedade de platéias, incluindo muçulmanos e cristãos, ateístas e judeus, representantes de igrejas e políticos, industriais, estudantes e ativistas antiglobalização. Ao longo do fim de semana, ele fez quatro aparições na França, onde falou para mais de 2.500 pessoas, a maioria jovens muçulmanos. Nesta noite, ele ainda falará em Birmingham, em uma convenção da polícia, e amanhã de manhã sua agenda o levará até Blackpool; ele não se lembra de cabeça com quem falará lá.

O palestrante altamente popular pode dedicar pouco mais de meia hora ao seminário de Lucy de Groot. Mas é tempo suficiente para um apresentador brilhante como Ramadan falar sobre sua religião, minorias muçulmanas, integração e exclusão -e reduzir os temores de sua platéia de um iminente "choque de civilizações", como profetizado pelo cientista político Samuel Huntington, da Universidade de Harvard.

"Nós começamos a ter problemas quando construímos novas linhas divisórias, quando deixamos de ver a sociedade como um todo", diz Ramadan para homens e mulheres de aparência cansada sentados a grandes mesas redondas. "Em vez de perceberem os muçulmanos como 'os outros' ou estrangeiros, tentem vê-los como conterrâneos ingleses."

Tudo o que os ouvintes fazem é balançar a cabeça em aprovação. Afinal, este homem é um dos muçulmanos mais proeminentes da Europa -apesar de também ser um dos mais controversos.

Um acadêmico e um fanfarrão, um reformista e um fundamentalista islâmico, um racionalista e um demagogo -certamente nenhum outro muçulmano recebeu rótulos tão variados quanto Ramadan.

Alguns, como o governo britânico, o vêem como um muçulmano visionário que fornece uma interpretação moderna do Alcorão e rompe com tradições antiquadas. "Nós precisamos de confiança, diálogo e uma fé mais flexível", diz Ramadan. Este tipo de linguagem levou o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, a nomeá-lo para o que basicamente era uma força-tarefa para combater o extremismo. Do outro lado do Atlântico, a revista "Time" o colocou em sua lista dos 100 "indivíduos mais influentes do amanhã".

Outros o vêem como um fundamentalista islâmico disfarçado, um "lobo em pele de cordeiro", um mestre da trapaça. E, de fato, Ramadan já fez várias declarações que não soam remotamente liberais ou tolerantes.

Um superastro islâmico
Por exemplo, quando ele apareceu em um programa de entrevistas francês, Ramadan justificou a sharia, o corpo de leis religiosas e sociais islâmico, que, quando interpretado rigidamente, pede por punições draconianas que constituem uma violação de direitos humanos. E se recusou a fazer uma condenação da prática particularmente cruel de apedrejamento até a morte. Em vez disso, ele propôs uma moratória a esta forma de punição capital. Seus oponentes alertam que quando ele aparece diante de jovens muçulmanos e nenhuma câmera está presente, é possível que Ramadan adote um tom muito diferente.

As autoridades americanas até mesmo o classificaram oficialmente como um simpatizante de terroristas. Depois que Ramadan doou dinheiro para grupos palestinos dúbios, os americanos decidiram cancelar seu visto.

A família de Ramadan de fato possui uma reputação de radicalismo. Seu avô egípcio foi Hassan Al Banna, que em 1928 fundou a Irmandade Muçulmana, uma influente organização islâmica fundamentalista que é ativa por todo o Oriente Médio e até mesmo na Europa. Seu pai, Said, também um fanático religioso, fugiu para a Europa para escapar de seus perseguidores no regime egípcio. Tariq nasceu em Genebra.

Os ramos radicais da Irmandade Muçulmana produziram os homens que assassinaram o presidente egípcio, Anwar Al Sadat, e Farag Foda, um intelectual reformista que disse que "precisamos de um Martinho Lutero" -e foi morto a tiros nas ruas do Cairo, em 1992.

Apesar de muitas pessoas verem Ramadan com suspeita, há de fato vários paralelos entre ele e o reformista alemão. Como Lutero, que contestou o clero católico, Ramadan faz campanha contra os "tradicionalistas que defendem uma interpretação literal do Alcorão". Como o monge de Wittenberg, o professor da Suíça busca romper o monopólio mantido pelos eruditos religiosos na interpretação do livro sagrado.

Em vez de seguir submissamente as revelações antigas, Ramadan diz que é necessário examinar o "contexto histórico" no qual as revelações de Deus foram recebidas pelo Profeta Maomé. O "Islã", diz Ramadan, "não pode se colocar fora da história".

O que ele quer dizer com isso está refletido no debate em andamento entre os radicais e reformistas em torno da questão da apostasia -a renúncia ou abandono de uma fé religiosa. A Sura 16:106 diz: "Quem, após ter crido em Alá, abrir livremente seu coração para a descrença, sentirá a irá de Alá e receberá uma punição temível". Ao longo dos séculos, conservadores interpretaram isto como indicando que os hereges devem receber a pena de morte.

Mas Ramadan não vê a apostasia como crime. Ele aponta que as circunstâncias "mudaram totalmente". Na época do Profeta, ele diz, os muçulmanos estavam em guerra com tribos vizinhas. Mudar de fé era equivalente a traição ou deserção -e era punível com a morte. Isto foi naquela época. Hoje, segundo Ramadan, a fé "é uma questão pessoal para cada indivíduo".

"Renove seu entendimento do texto, apesar do texto em si não mudar. Leia-o de uma nova forma", diz Ramadan, ao pedir aos seus irmãos muçulmanos reinterpretarem o Alcorão.

Isto o coloca em boa companhia com outras autoridades no Alcorão, como o egípcio Nasr Hamid Abu Zeid e o iraniano Abdolkarim Sorush, que escreveram vários livros sobre o assunto e são altamente respeitados entre os teólogos. Eles também são defensores do uso da hermenêutica -a ciência da interpretação de textos- para entendimento do Alcorão.

Mas é a popularidade de Ramadan que lhe permite atingir um público muito maior.

"Ontem, nós dependíamos de soluções que vinham de nossos países de origem, porque nós conhecíamos apenas um modo de permanecermos muçulmanos: permanecer os muçulmanos que éramos", ele prega. "Mas então as crianças nasceram, novas gerações, e são alemãs, britânicas e francesas. Esta é nossa comunidade agora; nós não podemos depender de soluções que venham de nossos países de origem. Nós precisamos de soluções locais."

Sua solução é uma forma de fé na qual as normas ocidentais e o Islã não se excluam mutuamente. Democracia, liberdade de expressão, direitos humanos e liberdade religiosa -estas são coisas que os fiéis podem abraçar enquanto respeitarem o "âmago inalienável" do Islã: a profissão da fé, a oração, a caridade, o jejum. "Praticamente tudo mais pode ser interpretado e ajustado no tempo e no espaço", diz Ramadan.

Todavia, a visão de Ramadan do Euro-Islã não exige secularismo, no sentido de uma separação da religião e do Estado, como muitos ocidentais gostariam que ele defendesse. A fé de Ramadan não faz distinção entre reinos político e privado, entre assuntos religiosos e mundanos. Ele não questiona a natureza holística do Islã. Logo, este visionário amplamente celebrado -que sempre carrega uma pequena cópia do Alcorão, não bebe álcool e defende a separação dos sexos nas piscinas- não é um reformista genuíno, dizem seus críticos.

Mas com sua interpretação do Islã, Ramadan constrói pontes que permitem que muçulmanos apreensivos se abram para suas novas pátrias. Ele não os alarma com slogans heréticos, mas tenta retirá-los do chamado "gueto do Islã" dos fundamentalistas. Um documento de estratégia do governo britânico passou a vê-lo como o líder de uma "Reforma Islâmica" no velho continente.

Entre a segunda e terceira gerações de muçulmanos em particular, Ramadan desfruta de uma "aura de superastro islâmico", como escreveu recentemente a "New York Times Magazine". Os jovens fiéis o vêem como über-muçulmano supremo: um professor em Oxford e filho de uma família que é renomada por seu fervor religioso -extremamente devoto, mas socialmente aceitável. Devoção e urbanidade, Islã e modernidade- Ramadan é um exemplo vivo para seus simpatizantes de que todas estas coisas são aceitáveis.

Ramadan dá aos jovens muçulmanos o que anseiam: orgulho e dignidade -e um sentimento tranqüilizador de que podem ir às discotecas à noite e ainda assim permanecerem servos fiéis de Deus. Um Euro-Islã como este, diz o acadêmico islâmico Ludwig Ammann, de Freiburg, "estende a mão à maioria dos muçulmanos onde estão" -no campo conservador, com sua fé cega na autoridade.

Por outro lado, Bassam Tibi, um importante reformista islâmico alemão que leciona na Universidade de Göttingen, vê a visão do Islã de Ramadan como "uma tentativa de dar ao Islã uma maquiagem européia em vez de harmonizar a religião com a identidade cultural, social e política da Europa".

O Islã secular, ao estilo turco
Mas essa europeização é possível? Será que a noção de uma democracia pluralista baseada em uma Constituição secular e a natureza toda abrangente do Islã -que não faz distinção entre assuntos religiosos e seculares- são mutuamente excludentes? Serão o Islã e a Europa -sharia e direitos humanos- como fogo e água?

"Não", diz Tibi, que nasceu na Síria e cunhou o termo "Euro-Islã" no início dos anos 90, como um contraponto para o "gueto Islã" de muitos imigrantes que se isolavam de seus arredores europeus e buscavam sua salvação no fervor religioso. Ele diz que o Alcorão pode ser interpretado de muitas formas diferentes, o que lhe dá a "vantagem da adaptabilidade". Para apoiar sua afirmação, Tibi aponta para formas de "Islã no Oeste da África e na Indonésia, que são muito diferentes das versões árabe ou persa, apesar de todos muçulmanos acreditarem no Deus único e em seu Profeta Maomé".

A extensão da compatibilidade do Islã com o secularismo é de fato demonstrada pela Turquia, a maior e certamente mais conclusiva experiência conduzida até o momento sobre a flexibilidade da fé -e uma localizada diretamente à porta da Europa. Ao longo dos anos, esta candidata à União Européia e membro da Otan serviu como um dos melhores exemplos no mundo dos contrastes existente entre o Oriente e o Ocidente -a religião do Profeta e os valores do Ocidente. Nenhum outro país islâmico forçou o Islã a aceitar tanto secularismo quanto a República da Turquia, fundada em 1923 por Mustafa Kemal, conhecido como Atatürk ("pai dos turcos").

Construindo sobre as ruínas do Império Otomano, este ferrenho europeu impôs uma revolução vindo de cima que visava transformar Anatólia em um Estado-nação moderno, democrático, incluindo uma secularização forçada para libertá-lo das amarras da religião. Atatürk aboliu o califado, no qual o sultão tinha autoridade sobre o reino e seus assuntos religiosos. Para simbolizar a nova orientação do país na direção do Ocidente, Atatürk proibiu os homens de vestirem o fez, o chapéu de lã vermelho com uma borla, e as mulheres foram proibidas de usar lenços de cabeça. Ele ordenou a abolição dos tribunais da sharia e baniu a religião para a esfera privada.

Para manter as mesquitas livres da ideologia regressiva, Atatürk estabeleceu a Presidência de Assuntos Religiosos (DIB). Este órgão estatal, que atualmente conta com mais de 100 mil funcionários, supervisiona o treinamento de imãs e muezins -aqueles que fazem o chamado à oração de um minarete de uma mesquita- e também decide o que será pregado. O presidente desta organização é o mais alto representante do Islã na Turquia -um cargo atualmente ocupado por Ali Bardakoglu, um teólogo reformista declarado. O chefe da DIB pede ao "mundo islâmico que desenvolva ainda mais o pensamento objetivo e a razão".

Bardakoglu foi nomeado há cinco anos pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, um islamita que muitos antes temiam que abalaria as fundações do establishment kemalista. Hoje, este profundamente religioso líder do governo é amplamente aclamado como um modernizador que está colocando o país em forma para ingresso na União Européia e cujo Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) serve como um semelhante islâmico à conservadora União Democrata Cristã (CDU) alemã. Quaisquer temores de que a Turquia restabeleceria o califado e a sharia desapareceram, também graças a Bardakoglu.

Diferente de seus antecessores, que viam sua posição como um reduto kemalista, o atual chefe da DIB visa promover o diálogo religioso, pressionar por reformas e dar ao Islã uma nova aparência - em um sentido muito literal. Ele se recusou usar o manto preto pesado vestido pelos seus antecessores. Ele era autoritário demais para o gosto de Bardakoglu. Agora o mais importante muçulmano do país veste um branco espiritual, como o papa.

O homem de Ancara mantém um diálogo com o chefe da Igreja Católica, apesar das disputas acaloradas em torno do discurso do papa em Regensburg. Em um discurso papal realizado em setembro passado, na Universidade de Regensburg, na Alemanha, Bento 16 citou o pouco conhecido imperador bizantino Manuel 2º: "Mostre-me o que Maomé trouxe que é novo, e lá você encontrará coisas apenas malignas e inumanas, como seu comando para disseminar a fé pela espada".

Um Bardakoglu furioso descreveu a declaração do papa como refletindo uma "mentalidade de cruzado". Ele apenas assumiu um tom mais conciliador após um encontro pessoal com Bento 16 durante a visita deste à Turquia. Agora historiadores e teólogos estão trabalhando em um documento que permitirá à DIB refutar a declaração do imperador.

Em suas campanhas de reforma, Bardakoglu tem pressionado principalmente por uma reinterpretação da escritura islâmica. "Toda época", ele prega aos seus imãs, "deve se apoiar em seu próprio espírito, suas forças e sua experiência intelectual para entender o Alcorão". A munição para os debates com os fundamentalistas vem de uma instituição próxima da capital -a Universidade de Ancara.

Fundada em 1948, o departamento de teologia da universidade tem uma reputação como núcleo de todas as iniciativas de reforma religiosa na Turquia. Hoje, há 23 departamentos teológicos adicionais no país, e seus reitores são quase todos formados no departamento original na capital.

'Nós muçulmanos fomos deixados para trás'
Yasar Nuri Öztürk, que vive em Istambul, é o mais conhecido e certamente o mais influente representante da teologia reformista turca. Quer ele esteja caminhando ao longo das margens do Estreito de Bósforo ou por um bazar, muitos turcos reconhecem imediatamente este homem pequeno, modesto, quase careca por causa de suas numerosas aparições na TV, suas colunas no jornal diário "Hürriyet" e seus mais de 30 livros, que venderam mais de 1 milhão de exemplares apenas na Turquia. Muitos deles foram traduzidos para o árabe, farsi, inglês e alemão. Dado a proeminência de Öztürk, as pessoas tendem a esquecer o fato dele também ser o reitor do departamento de teologia da Universidade de Istambul.

O pensamento de Öztürk é principalmente voltado à elite fundamentalista nos regimes do mundo islâmico, que oprimem seus povos em nome de Deus. Mas ele diz que os próprios muçulmanos são culpados por este estado das coisas porque não entendem "quase nada" sobre o "verdadeiro Islã", como é apresentado no Alcorão. O próprio Alá não declarou que o sistema de governo monarquista era inaceitável? Esta é forma como Öztürk interpreta o verso 34 da Sura 27: "Por certo, os reis, quando entram em uma cidade ou país, os corrompem e tornam as pessoas mais nobres nas mais baixas. É como fazem".

E Öztürk, citando o livro sagrado, claramente rejeita a posição dos mulás e fanáticos intolerantes que ainda sonham em reinstituir o califado. "O Alcorão proclama que o tempo dos profetas acabou", ele diz. "E um dos elementos fundamentais que resultam disto, é que acabou a era em que as pessoas eram lideradas por indivíduos que alegavam derivar sua autoridade de Deus."

Enquanto a Bíblia e a Torá prometem o governo de Deus na Terra, Öztürk vê o Alcorão como "o único livro que proclama que a teocracia não deve ter um papel na vida das pessoas". Esta "verdade chave" do Alcorão é, entretanto, "mantida em segredo e escondida nas sociedades islâmicas".

Öztürk prega esta visão do Islã e política com sua própria mistura de autoridade teológica e populismo. Seu entendimento de um Estado secular, entretanto, não é a divisão tradicional de assuntos religiosos e mundanos. A versão de Öztürk de secularismo é baseada mais em um tipo de "imperativo de democracia" baseado no Alcorão e que deveria forçar os governantes a basearem sua autoridade "não em Deus ou no direito divino, mas na vontade do povo".

A chamada Escola de Ancara de teólogos reformistas se espalhou além das fronteiras da Turquia, até a Alemanha. Ömer Özsoy, 44 anos, um dos acadêmicos mais renomados do movimento reformista, se tornou o primeiro professor muçulmano de teologia em uma universidade alemã. Em sua primeira aula, realizada em novembro passado na Universidade de Frankfurt, ele tratou das "interpretações modernas do Alcorão".

O que este homem elegante com belos traços e uma testa alta diz tende a ser considerado pelos muçulmanos -que vêem o Alcorão como a palavra eterna de Deus- como simplesmente inaceitável. Özsoy afirma que o livro sagrado dos muçulmanos não é uma mensagem atemporal.

O professor de teologia vê o Alcorão como um "discurso de Deus" dirigido a um grupo específico de pessoas, em um tempo específico e sob circunstâncias específicas. Segundo Özsoy, isto é demonstrado pelo fato das revelações ao Profeta terem ocorrido ao longo de um período de aproximadamente 23 anos, primeiro em Meca, depois em Medina. Toda declaração de Deus está relacionada a uma situação específica que Maomé e seus seguidores enfrentavam, como guerreiros, como fiéis, refugiados ou conquistadores. Ele diz que nós só podemos entender a mensagem por trás da palavra de Deus se soubermos as circunstâncias em que o Profeta recebeu a revelação.

Özsoy está convencido de que apenas uma fração do que a revelação visa transmitir à humanidade está de fato contida no Alcorão. Grande parte das mensagens de fato só podem ser elucidadas pelo estudo dos eventos históricos como ocorreram há 1.400 anos -e então reinterpretá-los para o presente. Como esta "transferência" -esta adaptação do Alcorão à situação atual- foi tratada com desdém por tanto tempo, os muçulmanos agora carecem "das respostas para as perguntas apresentadas pela modernidade". Isto teve conseqüências desastrosas, ele sente: "Nós muçulmanos fomos deixados para trás".

Visando promover o salto para o presente, pelo menos no nível teórico, a agência religiosa turca está financiando a cadeira de professor em teologia muçulmana em Frankfurt, que faz parte do Departamento de Teologia Protestante da universidade. Além disso, para os alemães que assistem suas aulas, os estudantes de Özsoy refletem todo o espectro multicultural da cidade, dos muçulmanos macedônios e cristãos egípcios às mulheres turcas-alemãs usando os lenços de cabeça tradicionais.

Até agora, apenas uma minoria de muçulmanos na Alemanha abraçou estas abordagens reformistas. O pesquisador islâmico Bassam Tibi estima que talvez dois terços dos mais de 3 milhões de muçulmanos na Alemanha alegariam seguir uma versão Euro-Islã de sua fé, mas ele acha que não mais de 10% da população muçulmana "segue genuinamente" esta forma liberal de Islã. "Beber um copo de vinho não necessariamente constitui aceitação dos valores europeus", diz Tibi.

Tibi atribui pouca importância prática às iniciativas lançadas por Ancara, pelo menos por ora. Ele diz que apesar do pensamento crítico de Özsoy e seus colegas ser louvável, a grande maioria dos muçulmanos turcos não está aberta a esta linha de pensamento. Em sua opinião, "a religião organizada é fundamentalista ou ortodoxa".

Apesar de Tibi promover o Euro-Islã em suas aulas e entre seus colegas acadêmicos, ele tem dúvidas sobre se os conceitos apresentados pelo Euro-Islã detêm a chave para o futuro de mais de um bilhão de muçulmanos ao redor do mundo ou se os tradicionalistas manterão a vantagem.

Mas Tibi está certo de que não há alternativa a não ser um Islã que reconheça as "realidades culturais, sociais e políticas" da modernidade. Com base nesta convicção, o professor de Göttingen continuará lutando pela visão de um Islã sem sharia -e não apenas na Europa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Extraído de:
Der Spiegel, em 25/04/2008.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A ressurreição das religiões

por Henrique Rattner

Como explicar o ressurgimento das religiões e seus impactos na vida social e política neste início de século XXI, após e apesar dos séculos da Razão e do Iluminismo, os avanços das ciências físicas e biológicas, inclusive o evolucionismo de Darwin? Pode se alegar que as ciências não conseguiram explicar satisfatoriamente as origens o destino dos homens. Mas, apesar do aparente fracasso das ciências, também as religiões em suas mais diversas denominações, não conseguiram responder satisfatoriamente às questões existenciais, recorrendo todas elas à figura de um Deus onisciente e onipresente cuja existência dispensaria a comprovação empírica. Tanto George W. Bush quanto o papa Bento XVI falam da indiscutível necessidade de um "intelligent design" – concepção inteligente –, um conceito abstrato que não figura na percepção, cognição e interpretação do mundo dos bilhões de crentes de todas as religiões.

Se nas regiões menos desenvolvidas o fervor religioso ressurgiu como componente poderoso do despertar nacionalista e na luta contra o colonizador, o que dizer do renascimento das crenças religiosas no ocidente e sua expansão em progressão logarítmica, apesar da educação universal, pública e gratuita? Os pensadores iluministas pensaram que a modernidade – uma combinação de ciência, educação e democracia – acabaria com a necessidade da religião. É exatamente nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países latino-americanos e até nos países escandinavos que a expansão das variantes evangélicas têm mais progredido em seu recrutamento de fiéis e a instalação de novas igrejas e templos não pára de crescer. Estima-se que o número de evangélicos no mundo alcançou o número de 500 milhões e os movimentos de massas geralmente intolerantes e agressivos contra os "infiéis" estão presentes no Islã, entre os pentecostais evangélicos, em grau menor entre os católicos (vide a "Opus Dei") e entre as várias seitas de judeus as quais, desde conservadores até ultra-ortodoxos, se digladiam pelo "direito" de ser os verdadeiros representantes da vontade divina. Missionários de todas essas religiões percorrem o mundo, dispondo de recursos financeiros não desprezíveis e criam escolas nas quais transmitem e interpretam os ensinamentos de seus livros sagrados, exigindo a estrita observância dos preceitos e dos mandamentos divinos, sejam eles os "mulás" e "aiatolás" muçulmanos; os reverendos, bispos ou apóstolos evangélicos ou os rabinos lideres de certas seitas. O ato de cantar e rezar em conjunto por parte de milhares de correligionários tem efeitos profundos sobre a psicologia dos crentes, reforçando sua fé e confiança no poder sobrenatural e dando aos indivíduos o sentimento de pertencer a algo maior do que eles próprios.

A reação esboçada pelos defensores do pensamento racional e científico não chega ao alcance das massas, mesmo nos países desenvolvidos – onde poucos teriam lido o livro de Richard Dawkins, "The God Delusion" (A Ilusão de Deus) ou de Christopher Hitchens, "God is not Great – How Religion Poisons Everything" (Deus não é grande – como a religião envenena tudo).

Não é somente pelo fracasso da ciência em proporcionar respostas plausíveis às indagações e ansiedades existenciais que podemos explicar o retorno à fé religiosa. Nas inseguranças e incertezas do mundo atual, prenhe de crises econômicas, políticas e culturais, os indivíduos se sentem perdidos, desamparados e confusos, tendo perdido a confiança nos governos, nos partidos políticos e suas ideologias. O pensamento neoliberal, que exacerba o individualismo, a competição e o sucesso material e monetário como alvos supremos na luta existencial, ignora a necessidade do ser humano de ter um convívio harmonioso e solidário com os outros, sejam eles vizinhos, companheiros no trabalho ou cidadãos da mesma comunidade. A História humana é repleta de perseguições, lutas e guerras entre fiéis de diferentes religiões, também nos países hoje considerados desenvolvidos. As várias Cruzadas; as invasões mouras da Península Ibérica; guerras religiosas na Europa Central até meados do século XVI; a expulsão sangrenta dos Huguenotes da França no século XVIII; o conflito armado entre católicos e protestantes na Irlanda; as guerras contra minorias étnicas e religiosas no Ruanda, Nigéria, Sri Lanka, Chechênia, Afeganistão, Iraque e na Terra Santa entre israelenses e palestinos carregam um forte conteúdo religioso como justificativa da violência contra os "infiéis".

A tendência mundial para reintroduzir a religião ou o apoio divino nas relações entre os povos, culturas e sistemas políticos diferentes não deve surpreender os estudiosos da História e da Cultura. Sua ascensão no fim do século XX e no início do século XXI pode ser atribuída à falência das crenças seculares, partidos políticos e governos que os sustentam e que facilitaram a ascensão de teocracias, sobretudo no mundo islâmico. Mas, o fenômeno do renascer da religião é universal, inclusive na China comunista e na Rússia pós "socialismo real", e indica uma forte tendência ao pluralismo, não somente religioso como também político. A idéia de Bush de exportar a "democracia" na ponta dos fuzis resultou no maior fracasso político e militar de nossa época.

Os principais atores nos conflitos violentos, inclusive de atentados contra civis inocentes, estão sendo formados e treinados por pregadores fanáticos, indivíduos que não são funcionários, civis ou militares de seus países. Por isso, a separação entre Igreja e Estado, tal como a preconizou o chanceler Otto von Bismarck, na segunda metade do século XIX, na Alemanha, parece fundamental sobretudo para o sistema educacional, universal, secular e gratuito. Por outro lado, não cabe ao Estado interferir nas crenças e práticas religiosas de seus súditos, mesmo quando constituem minorias ou imigrantes. Por outro lado, não deve invadir a esfera pública, tal como acontece atualmente no Irã, em outros países islâmicos, inclusive em Israel. A separação entre essas duas instituições não é um processo fácil e pacífico, como demonstram entre outros, a tensão permanente na Turquia, onde parte da população prefere claramente manter e praticar os preceitos do Islã, enquanto outra procura manter a natureza secular do Estado cujo fundador, Kemal Attaturk, continua sendo venerado, sobretudo pelos militares. Jawarharlal Nehru, quando ascendeu à presidência da Índia, queria "varrer" as religiões organizadas que "sempre defendem a fé cega e reações, dogmas, superstição e exploração em nome da preservação de interesses tradicionais". Gamal Nasser, presidente do Egito após o golpe militar que derrubou a monarquia, defendeu posição semelhante, perseguindo a Irmandade Muçulmana. A componente religiosa, quando entra nos conflitos étnicos, raciais e políticos, torna seu equacionamento e solução mais difícil e complexa. Como proceder quando os dois contendedores reclamam a posse de um determinado território em nome do direito divino? Israelenses e palestinos bem agradeceriam um palpite!

Extraído de:
Revista Espaço Acadêmico, número 83, abril de 2008.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Jesus, um judeu marginal contra o Império romano

Jesus, um judeu marginal contra o Império romano (curso de extensão)
Lair Amaro dos Santos Faria

Sobre o professor:
Lair Amaro é mestrando do Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui graduação (bacharelado e licenciatura) em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007). Tem experiência na área de História com ênfase em História Antiga, mais especificamente em judaísmo helenístico e paleocristianismo. Desenvolve pesquisas sobre o Evangelho Q e aspectos relacionados, tais como memória, tradições orais e escritas, sociolinguística interacional, letramento e oralidade no mundo antigo.

Proposta: O mini-curso se propõe abordar alguns dos aspectos relacionados aos contextos social, cultural, econômico, político e religioso da Palestina do século I, que estão nas raízes do surgimento de um movimento político-religioso popular de revitalização do Judaísmo liderado por um judeu da Galiléia e que se expandiu para além de suas fronteiras geográficas e culturais: o cristianismo. O mini-curso dialoga com a antropologia cultural, a arqueologia e a crítica literária e é livre de valores e crenças religiosas pré-estabelecidas.

Programação
1.ª Sessão – A Palestina na virada das eras: o domínio de Roma.

2.ª Sessão – Bandidos, profetas e messias: movimentos populares no tempo de Jesus.
3.ª Sessão – Um reino sem intermediários: Jesus, um judeu da Galiléia, e a revitalização do Judaísmo.
4.ª Sessão – "Uma superstição depravada que se espalhou entre nós." A continuação do movimento de Jesus após a sua morte.

Informações:
Local: Centro de Estudos Arte e Cultura
Av. dos Italianos, 629 (ACIRM) – Rocha Miranda – Rio de Janeiro, RJ

Dias: 05, 12, 19 e 26 de Maio de 2008 (Segundas-feiras)
Horário: 18:30h às 20:30h
Investimento: R$ 40,00 (quarenta reais)
Tel.: 3451-5535 / 8871.0005 / 2792.1182
Link: www.site.pop.com.br/ceac
E-mail: lair_amaro@ufrj.br / ceac@yahoo.com.br
Confere-se certificado.


UERJ: V Encontro Brasileiro de Estudos Judaicos (dez/2008)

O Programa de Estudos Judaicos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro anuncia o V ENCONTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS JUDAICOS que se realizará em 02 a 05 de Dezembro do presente ano no campus dessa Universidade, dando prosseguimento a sua programação trianual visando proporcionar um amplo debate em torno dos estudos e pesquisas realizadas sobre a temática judaica e, ao mesmo tempo, promover novos questionamentos e propostas críticas a serem incorporadas às futuras agendas de trabalho.

Este V Encontro centra-se em dois eixos temáticos principais: JUDAÍSMO E GLOBALIZAÇÃO e os 60 ANOS DO ESTADO DE ISRAEL e o ORIENTE MÉDIO que se desdobram em vários itens / sessões, conforme constam a seguir.

O Programa de Estudos Judaicos da UERJ deseja convidá-lo para participar deste evento acadêmico que se constitui em espaço de livre circulação de idéias. Caso deseje formar uma mesa envolvendo temática não contemplada na listagem sugerida, envie o nome da sessão, seus membros, resumos dos trabalhos a serem apresentados por cada autor. O prazo para atendimento das propostas de inscrições dos participantes com apresentação de “papers” será até o dia 10 de agosto de 2008 quando serão encaminhados para o Conselho Acadêmico para análise.

Haverá lançamento de livros. Caso deseje expor suas publicações, favor enviar os títulos e seus autores para que possamos providenciar espaço adequado para a exposição dos mesmos. Qualquer esclarecimento que se faça necessário, envie correspondência para os seguintes e-mails:

estudos_judaicos@yahoo.com.br
estudos.judaicos@gmail.com
hlewin@openlink.com.br


JUDAÍSMO E GLOBALIZAÇÃO
OS 60 ANOS DO ESTADO DE ISRAEL E O ORIENTE MÉDIO

Temática sugerida:
  • Nacionalismo e Fundamentalismo: implicações no mundo globalizado
  • Preconceitos revividos: o anti-semitismo
  • Conflitos contemporâneos: o Oriente Médio
  • Raízes judaicas no Brasil: os “cristãos novos’ e os “retornados”
  • Intolerância às minorias: racismo e anti-semitismo
  • As relações internacionais Brasil X Israel
  • Israel: a construção da nação e do estado: reflexões teóricas
  • As novas interpretações: o pós-sionismo
  • Estudos políticos: o mundo judaico aos 60 anos de Israel
  • Israelenses e Palestinos: a questão da Paz
  • A essência identitária judaica: modernidade e mudança
  • Discutindo Bauman sobre Globalização e Holocausto
  • Escrevendo e reescrevendo o Holocausto: análise crítica da produção intelectual
  • Os mitos e a caracterização marginal dos judeus: os indesejáveis convenientes
  • Dilemas de Israel como potência nuclear
  • Dispersões, diásporas e exílios na historiografia judaica
  • Judeofobia e ressurgência do anti-semitismo moderno
  • Trajetórias culturais das comunidades judaicas no Brasil e na América latina
  • A escritura Literária Judaica no Brasil e na América Latina
  • Imigração e a construção das comunidades judaicas: Brasil e América Latina
  • Pensamento filosófico judaico
  • Literatura israelense contemporânea
  • Demografia judaica no Brasil e no mundo
  • Escritos bíblicos: interpretações e debates
  • Continuidade e mudança: revisitando o papel da tradição judaica
  • Religião judaica e seus diferentes discursos: análise comparativa